Ps I Love You
4 Outburst
Notas iniciais
Antes do que pensava, Seb se encontrou parado em frente à casa de David.
Desabafo
- Annie, tente entender... – Seb foi interrompido por um grito histérico do outro lado da linha e afastou o telefone do ouvido.
- NÃO, quem a sua mãe pensa que é pra te impedir de sair de casa?
- Bem, ela é minha mãe...
- Isso é obvio. – a namorada disse estressada.
- Então porque você perguntou?
- OLHA COMO VOCÊ FALA COMIGO!
“Ela não pode ser normal”, pensou entediado.
- Mas...
- Seb, você é meu namorado, tem que ligar pra mim, não pra sua mãe. Ela não é sua namorada!
- Claro que ela não é minha namorada! – ele exclamou, mas depois abaixou a voz, vendo que a porta do seu quarto de abria. – Mas ela é minha mãe, não posso fazer nada.
A Sra. Lefebvre entrou no quarto com uma bacia de roupas, e começou a arrumá-las displicentemente no guarda-roupa do filho.
- Esta falando com a Anniele? – perguntou alheia, abaixando-se e apoiando uma bacia de roupas limpas na perna.
Seb tapou o telefone com a mãe e olhou indignado para mãe.
- Eu não me conformo de como você se diverte vendo a gente brigar!
Sua mãe riu gostosamente.
- Filho, eu não me divirto... Eu me orgulho quando sei que é por minha causa.
- Você fez isso só pra gente brigar, não foi?
- Sinceramente? Não! Eu fiz isso por causa da menina que iremos receber... Eu nunca seria capaz de fazer uma coisa dessas sem mais nem menos – disse, agora a bacia de roupas limpas já estava quase vazia. – Mas dessa vez teve um bom motivo e eu aproveitei.
Seb bufou irritado. Sua mãe era, definitivamente, impossível.
- Ela ta dando cria do outro lado do telefone.
- Desde que não sejam seus... Digo, não quero meu sangue se misturando com o dela. – a mulher se levantou com um sorriso travesso no rosto e a bacia de roupas vazia. – Diga a ela que se ela tiver algum problema no parto, eu posso ajudar... A criança! – completou com ênfase, antes de sair do quarto.
- Seb... Seb... SEBBY! – gritou uma voz aguda ao telefone.
- Ah, oi Annie.
- Você me deixou falando sozinha?
- Claro que não... – mentiu. – Olha, Annie, eu tenho que ir na casa do Dave ainda, amanha a gente conversa.
- De jeito nenhum, depois eu ligo no seu celular.
Seb olhou rapidamente para o celular em cima da cômoda, ao lado da fonte do telefone. Ele pegou o celular na mão e checou... Bateria cheia.
- Olha, Annie, meu celular ta sem bateria. – disse desligando o mesmo. – Amanha converso com você, ta amor?
- Hum, ta bom meu bebê! – ela respondeu com uma voz manhosa. – Beijuxus, lindo!
- Beijo!
Seb não esperou que ela respondesse, desligou o celular.
O rapaz pegou a mochila e socou o urso dentro, seguindo depois a casa de David.
Já eram sete horas da noite, mas o céu estava mais escuro que o normal. Nuvens escuras escondiam a lua que já se fazia bem visível no céu.
Antes do que pensava, Seb se encontrou parado em frente à casa de David.
Uma chuva pesada começava a cair.
- Oh, Sebastien, querido. – disse a mãe de David, ao vê-lo tomando chuva em frente a casa. – Um minuto, querido...
Ela adentrou a casa novamente e segundos depois o portão eletrônico se abriu.
Sem hesitar, ele foi casa adentro, fugindo da chuva.
- Oi Sra. Desrosiers, tudo bom?
- Tudo sim, querido. – ela disse simpática. – E você?
- Também... Minha mãe mandou um beijo e um abraço pra senhora.
- Obrigada. O David esta no quarto dele, pode ir lá.
- Ok.
Seb seguiu até o final do corredor, ao quarto de David.
- Oi, Dave?
O amigo, sentado na cadeira em frente ao computador, se virou para encontrar que lhe chamava.
- Seb? O que ta fazendo aqui? – perguntou David.
- É um prazer te ver também... Eu vim trazer seu urso...
- Mas você não ia levá-lo amanha?
- Ia, mas quis sair um pouco de casa.
- Ah, também tem que arranjar um bicho de pelúcia pro seu trabalho de anatomia, né?
Seb olhou para o amigo, estranhamente.
“Ele não pode ser normal”.
- Não, eu queria parar de pensar em umas coisas aí.
David levantou da cadeira e foi receber o urso. Indicou a cama para que o amigo se sentasse e depois voltou à cadeira de computador.
- Então, qual é o problema?
- Ah, uma longa história.
- Então me conta, eu não tenho nada pra fazer mesmo...
- Já fez a tarefa de inglês?
- Eu quis dizer, nada que eu VÁ fazer.
- Ah ta... Bom, então, hoje, quando eu cheguei em casa... – disse, começando a contar seu dia.
- Cara, que show! – exclamou David.
- Que show? Dave, você gostaria de ter uma completa estranha aqui na sua casa, intrometendo-se nos assuntos da sua família? Fazendo parte dela?
- Sem duvida! Você não?
- Mas é claro que não. Essa garota será, muito provavelmente, uma menina excluída, daquelas que usam óculos enormes e roupas surradas, que passam o dia inteiro estudando e são odiadas por todo o colégio.
- Seb, você não esta sendo ligeiramente super dramático?
Seb se levantou da beirada da cama do amigo e foi até a janela, onde se via a chuva cair pesada.
- Vixi, eu tenho que ir...
- Ir? Com essa puta chuva? Você esta louco... Meu pai até te levaria se estivesse com o carro, mas aquela maldita lata velha esta na oficina, pra variar.
- Ah, e você quer o que? Que eu espere a chuva passar?
- Não sei... – disse David, se levantando e saindo do quarto. – Vamos ver com a minha mãe.
- Seb, querido, eu liguei pra sua mãe, ela deixou você dormir aqui hoje. – informou a Sra. Desrosiers, sentando-se no sofá da sala, em frente a David e Seb.
- Ah, muito obrigado. – o rapaz respondeu educado.
- Ela me contou que vira uma menina fazer intercambio na sua casa...
- É verdade.
- Que maravilha... Sabe, receber pessoas de outros paises é conhecer outras culturas...
- Espero que sim... – ele comentou vagamente.
A mulher suspirou, consultando o relógio de pulso.
- Bem, eu vou dormir... Boa noite aos dois... E parabéns, querido, aproveite essa oportunidade pois pode ser uma chance única! – disse antes de sair.
David esperou a mãe sumir pelo corredor, para desatar a rir.
- É Seb, parece que é só você mesmo que esta com essa frescura da brasileira. – debochou.
- Escuta, será que a gente podia ir dormir? – pediu mal humorado.
- Ah, claro. – disse David, seguindo para o quarto, ainda rindo. – Vem, eu vou arrumar o colchão pra você.
David deitou-se em sua cama e deu uma ultima olhada na luz que saia por debaixo da porta do banheiro. Cansado de esperar pelo amigo, apagou a luz do quarto e virou-se para dormir.
Não muito depois, a porta do banheiro se abriu, e Seb saiu de lá vestindo um pijama emprestado do amigo.
- Dave, você ta acordado? – chamou, apagando a luz do banheiro e deitando-se no colchão ao lado da cama de rapaz.
- To, por quê?
- Queria saber se você realmente não estava tirando uma com a minha cara, quando disse que receber um estrangeiro em casa, era legal.
- Claro que não. Eu acho que deve ser show. – ele confirmou. – Qual o nome dela?
- Não sei, minha mãe só disse que era garota, brasileira, imagino que da minha idade, e vai chegar depois de amanha, sábado...
- Então... Alem de ter a oportunidade de conhecer mais sobre a cultura brasileira, quem sabe você não dá sorte de ser uma gata.
- David, por acaso você ainda se lembra que eu tenho namorada?
- Por enquanto, lembro... Mas, tipo, isso não significa nada, você ta namorando, mas isso não te impede de olhar nada...
Seb riu.
- Eu já disse que você não presta?
- Você, acho que não, até agora, só o Pat e o Chuck que disseram isso.
- Ótimo, então... Você não presta.
- Ah, eu vou considerar isso como um elogio...
- Mesmo sabendo que não é?
David ficou e silêncio por um momento, e Seb se perguntou se o amigo estaria, realmente, pensando em uma resposta séria para o que era somente uma brincadeira.
- É, eu to com sono demais pra me ofender.
- Ah, isso foi um “cala boca e vamos dormir”, não foi?
- Foi...
- Então boa noite, Sr. Desrosiers.
- Boa noite...
Seb se virou de lado, pronto para dormir. Toda a conversa com David havia servido como “desabafo” e agora ele estava se sentindo muito melhor, contudo não pensou nisso por muito tempo, logo o sono veio e o rapaz não conseguiu resistir. Dormir tranqüilo, sem saber que, naquela noite, seus sonhos seriam invadidos por um estranho semblante negro, aquele refletido em cacos de espelho.
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