Notas iniciais
- Karoline Beallyford. Você é do segundo ano, não é?
- Sou sim. – Ju respondeu sorrindo. “Ótimo, eu sou a novidade mais depreciada do colégio!”
- Você tem sorte. – ela disse em tom de confissão – Foi a primeira, e muito provavelmente única, menina-não-vadia-chata-patricia-lider-de-torcida-pop que virou noticia... Se conseguir sair no jornal semanal, pode se considerar uma deusa!

Amigos

Dias se passaram desde o primeiro dia de aula... Para ser mais exato, já começava a segunda semana e Ju, para a própria felicidade, não podia estar mais amiga de Chuck.

Ele tinha lhe prometido apresentar seus amigos, mas naquela primeira semana, ocupada com um trabalho de química dificílimo, ela acabara não tendo a chance.

Chuck falava muito dos amigos, mas nem os nomes deles ele havia mencionado. Ela confessava estar curiosa para conhecê-los

Por outro lado, Seb e os rapazes sentiam um pouco a ausência de Chuck. Eles sabiam que o rapaz, não só como guia, mas também como novo amigo, andava muito com Ju, mas ainda não haviam sido apresentados a ela.

O sinal soou alto, anunciando o final de mais um dia de aula.

- Ju! – ela ouviu a voz de Chuck a chamar em meio a verdadeira zona que a classe se tornava quando o sinal tocava. Os alunos pareciam um bando de babuínos burros, tagarelas e idiotas, loucos para sair do cativeiro atrás de uma banana.

- Oi. – ela disse, jogando a mochila pelo ombro. – Você já vai embora?

- Vou sim... Eu ainda tenho que ajudar um amigo meu com o trabalho de química e depois corro pra casa pra ir ao supermercado com minha mãe.

- Então ta. – ela disse, dando-lhe um beijinho na bochecha e depois acenando antes de deixar a sala.

Ela agora teria que ir até o seu armário – coisa que achara o máximo naquela escola por não estar acostumada com aquilo no Brasil – pegar o livro de química, para terminar o pouco que faltava no seu trabalho em casa.

Ela ajeitou a seqüência de números que formavam o segredo da trava do armário e pegou o livro, deixando lá coisas que não precisaria para aquela tarde.

Com tantas coisas na mão, acabou deixando o livro de química cair no chão, espalhando todas as folhas avulsas que deixara dentro dele.

- Bosta! – exclamou irritada, fechando o armário e o trancando, para depois abaixar e pegar o livro.

Enquanto recolhia todas as folhas que guardara entre as paginas do livro, alguma outra coisa caiu de algum ponto acima de si, batendo em sua cabeça e depois caindo ao lado do próprio livro.

- Desculpe! – ouviu uma voz masculina dizer.

Ela colocou tudo no meio do livro e fez menção de se levantar, pronta para xingar feio a pessoa que derrubara o tão pesado livro na sua cabeça, mas novamente, a cabeça chocou-se com alguma coisa.

- Ai! – ela exclamou, levando as mãos a cabeça e deixando o livro cair novamente.

- Desculpe, desculpa mesmo... Eu só ia pegar o livro. – disse novamente o rapaz.

Ela bufou e se sentou no chão, massageando a cabeça enquanto levantava o olhar ao rapaz.

O garoto – que massageava o queixo, deixando claro onde ela tinha batido a cabeça – não devia ser muito mais velho que ela. Teve a impressão de que era somente um ano na sua frente.

Ele tinha os cabelos loiros espetados de uma maneira desarrumada, que caia bem pra ele, seus olhos eram claro, mas nem azuis nem verdes, eles tinham um tom acinzentado, distante do preto, mas também não tão próximo ao branco.

Ele era magro, fazendo a camiseta verde-escura que usava parecer larga demais. A calça jeans que usava escorregava levemente pela sua cintura, deixando um pouco da cueca marrom a mostra.

Seu rosto tinha uma expressão atrapalhada, junto a um sorriso brincalhão que combinava perfeitamente com o vestuário.

Ele estendeu a mão para ela, que aceitou de bom grado, levantando-se.

- Então... Desculpa de novo... – ele desculpou-se mais uma vez.

- Magina... Foi descuido meu. – ela disse, lhe retribuindo o sorriso enquanto se abaixava novamente, agora arrumando as coisas e levantando sem deixá-las cair de novo.

Ele fez o mesmo com o seu livro.

- Você é aluna nova, não é? – ele perguntou. – Me disseram que uma brasileira estava estudando aqui, no segundo ano.

- É, sou eu.

- Anthony John Lovato – ele disse, oferecendo um aperto de mão que ela aceitou. – Estudo no terceiro ano... Alias, eu to no terceiro, não posso dizer que estudo, mas você entendeu...

- Entendi... E... Bem, prazer também, J...

- Tony? – interrompeu uma menina, correndo até o rapaz. – Nossa, pensei que você fosse fabricar um livro...

- Não, é que acabei causando um desastre aqui... – ele disse, enquanto recebia um beijo no rosto.

Foi só ai que Ju pode olhar a menina, quando ela finalmente parou ao lado do... Namorado? Ou amigo, talvez.

A menina, que não era muito alta – na verdade, era pouco menos que Ju — , tinha os cabelos encaracolados, caindo em cachos definidos até a altura do busto. Tinha os olhos castanhos, em um tom mais vivo e forte que os de Ju, eram um castanho âmbar. Ela tinha as bochecha rosadas que, segundo o palpite da menina, não eram de vergonha ou de correr, e sim naturais.

Usava a jaqueta do conjunto de uniforme, com o emblema da escola. Por baixo desta se via apenas um blusa preta com detalhes em relevo prateado – não soube dizer se de manga longa ou não –, uma calça jeans azul clara, desbotada nos joelhos e, por fim, um tênis azul marinho, all star.

Era, de fato, muito bonita, com um corpo magro que, certamente, ainda a faria uma mulher muito desejada.

- Karol, essa é a... – ele mudou o olhar dele, da menina para Ju.

- Juliana Fletcher. – apressou-se a dizer. – Ou Ju, por facilidade!

A menina lhe abriu um sorriso simpático e lhe comprimento com um beijinho de cada lado do rosto, surpreendendo-a.

Era só impressão ou uma das meninas daquele colégio tinha realmente sido legal e simpática com ela?

- Karoline Beallyford. Você é do segundo ano, não é?

- Sou sim. – Ju respondeu sorrindo. “Ótimo, eu sou a novidade mais depreciada do colégio!

- Você tem sorte. – ela disse em tom de confissão – Foi a primeira, e muito provavelmente única, menina-não-vadia-chata-patricia-lider-de-torcida-pop que virou noticia... Se conseguir sair no jornal semanal, pode se considerar uma deusa!

Ju não sabia exatamente como podia responder aquilo, com certeza não seria com um “claro, eu sou o máximo”, mas também não com “estranho, eu costumo ser o maior dos lixos”.

Por sorte, o menino ao lado dela interrompeu a conversa.

- Bom, eu tenho que ir... Tchau Karol – disse dando um beijo no rosto da menina, que corou furiosamente. – Tchau Juliana... E, olha, dá próxima vez, pode me chamar de Tony. – disse dando acenando, já longe dela.

- Ele é a coisa mais perfeita do mundo, não é? – suspirou Karol

- Pode ser. – respondeu dando os ombros. – Você namora ele?

- Infelizmente não... Digo, ainda não!

Ju riu dela, achando graça do ar determinado que Karol tinha.

Esta pareceu não se lembrar que haviam acabado de se conhecer e, sem se dar conta disso, já estava desabafando aquela paixão secreta com Ju.

As duas foram até a biblioteca, escondendo-se atrás das prateleiras que ficavam mais no fundo, escondidas para poderem conversar com mais privacidade.

Juliana parecia não ter percebido, mas como a Srta. Lefebvre dissera dias atrás, ela já tinha mais dois amigos... Dois bons amigos...