P.s. I Love You
4 Capítulo 4 - Segredo em Los Angeles. Parte 1
Era domingo, fazia muito sol em San Diego. Acordei as 09h00 AM, pois as 11h00 iria me encontrar com Mikaella na Praça Central para irmos até Los Angeles.
-Porque acordar tão cedo? –Perguntou Maggie, ainda com os olhos fechados.
-Hoje vou sair com Mikaella, se lembra? –Disse.
-Ah é verdade. Boa sorte lá, agora vou voltar a dormir, meu sonho era tão lindo... -Disse Maggie, voltando a dormir.
-Valeu. –Disse enquanto ia até o banheiro escovar meus dentes.
Terminei e fui até a cozinha, a mãe de Maggie, Rosálie estava preparando uma torta.
-Bom dia! –Disse Rosálie animada.
-Bom dia, Rose.
-Porque acordou tão cedo? –Perguntou.
-Vou sair... Com Mikaella. –Disse receosa.
-Com Mikaella? UAL! Grandes amigas não? –Disse ela, com um tom de ironia.
-Grandes amigas! (risos) — Disse rindo. –Vamos até Los Angeles.
-Bom, já que seu dia vai ser cheio, sente-se ai, que eu vou lhe servir. –Disse Rosálie.
Eu sentei na bancada da cozinha, era copa. Rosálie foi me servindo biscoitos, tortas, bolos, pudins, fiquei encantada com tudo aqui (risos).
-Nossa, estou achando que vou ganhar alguns quilinhos nessas férias. –Disse.
-Mas você é muito magrinha, tem de engordar mesmo. –Disse Rosálie.
-Não muito né? (risos) – Disse. –Hum, que delícia de torta de maçã. –Realmente a torta de Maçã estava maravilhosa.
-Que bom que gostou.
-Bom, agora vou tomar um banho e me arrumar, pois vou me encontrar as 11h00min com a Mikaella na Praça Central.
-Entendo, é melhor correr, já são 09h45min!
Terminei de comer e fui direto para o quarto, escolher uma roupa para um dia como esse. Look pronto. Já era hora de me encontrar com Mikaella. Coloquei meu celular, carteira com documentos, gloss e agenda na bolsa, e fui até a Pra Central
SAN DIEGO — 10h50min AM
-FLORA! — Ouvi gritarem meu nome, olhei para o lado e Mikaella estava dentro do carro, com o vidro aberto. -Entre. -Em seguida entrei no banco de traz do carro.
-Oi! -Disse.
-Bom dia querida, esta linda. -Disse Melissa, mãe de Mikaella.
-Muito obrigado Melissa.
-Então Flora, esta a fim de dar uma mudada no visual hoje? -Perguntou Mikaella, bem empolgada.
-Na verdade não, mas vamos ver no que dá... -Disse.
-Ah, no começo é assim, depois que acostumamos com mudanças nos enjoamos todas as manhãs e vamos correndo para um salão de beleza. -Disse Mikaella.
-Sim...
Depois de 2 horas, com um assunto cansativo, chegamos á Los Angeles. Que saudades eu estava dessa maravilhosa cidade.
-Queridas, pego vocês ás oito, no mesmo lugar. Divirtam-se. –Disse Melissa, enquanto saíamos do carro.
-Muito obrigado Melissa. –Disse.
-Tchau mamãe. –Despediu-se Mikaella.
Melissa nos deixou em frente à City Hall Park, caminhamos algumas quadras e depois pegamos um taxi até a rua S Flower, onde já conseguimos avistar o Salão de Beleza. A fachada do Salão era maravilhosa, toda emadeirada.
-Boas tarde. O que desejam? –Perguntou a atenciosa recepcionista.
-Queremos um dia de beleza, completo. –Disse Mikaella.
-Sim. Com direito á Manicure, pedicure, cabeleireiro e esteticista?
-Exato. – Confirmou Mikaella.
-Eu não vou querer o completo, vou ficar apenas com Manicure, pedicure e cabeleireiro. –Disse. –Estou planejando dar uma volta pela cidade.
-Sim. Então enquanto eu estou na sala de estética você vai dar uma volta e depois nos encontramos para lanchar. Ok?
-Ok.
-Pronto. Aqui esta o cartão de vocês, passem-no pelo dispositivo todas as vezes que forem trocar de sala. –Ela nos deu um cartão rosa e preto, com uma senha. –O custo do cartão um é de R$ 200,00 dólares e do cartão dois é de R$ 153,00 dólares. –Meu cartão era o dois. Abri minha carteira, peguei R$ 153,00 dólares e já paguei à recepcionista e Mikaella fez o mesmo. –Tudo certo. Um ótimo relaxamento. –Disse atenciosa.
-Obrigado. –Disse eu e Mikaella juntas. Em seguida passamos nossos cartões pelo dispositivo de segurança e entramos na sala de manicure e pedicure.
-Sejam bem vindas. –Disseram cinco atendentes ao mesmo tempo. A sala estava quase vazia, não havia muitos clientes.
-Venha até aqui. –Disse uma bela moça, loira, me direcionando até uma poltrona do outro lado da sala. Mikaella ficou longe de mim, graças a Deus (risos). Logo depois chegou outra moça, morena alta, também bastante atenciosa. –Eu sou sua manicure e ela é pedicure. –Disse a loira, apontando para morena. -Escolha uma cor, modelo. Fique a vontade. –Disseram me dando uma revista do Salão com muitos modelos e cores diferentes.
Escolhi um rosa Pink, para pintar minhas unhas da mão e do pé e mostrei as atendentes. Em seguida, encostei-me à poltrona e dormi. Fui acordada uma hora depois, estava com as unhas lindas. Passei por Mikaella, ela ainda estava sentada esperando as atendentes terminar de retocar o esmalte.
-Já vou indo para o cabeleireiro. Disse á Mikaella, que só confirmou com a cabeça.
Subi as escadas, havia apenas uma porta, escrito: “Cabeleireiro”, passei meu cartão pelo dispositivo e entrei na sala. Era um lugar muito lindo.
-Boa tarde querida, seja bem vindo. –Disse um cabeleireiro. Direcionando-me até uma poltrona. –Muito bem, o que quer mudar? Seu cabelo é lindo.
Só para constar: Meu cabelo é loiro médio, só tingi apenas uma vez, mas a cor atual é natural, ele é super liso e bate na minha cintura.
-Seus olhos azuis são tudo, ein? –Disse outro atendente. –O que pretende fazer?
-Na verdade, eu não sei, eu vim até aqui por convite de minha amiga. –Expliquei.
-Entendi. Quer algumas luzes? Hidratação? Babyliss?
-Eu estava pensando em clarear as pontas do meu cabelo, deixá-las num loiro claro, fazer uma hidratação e depois fazer um Babyliss e dar uma cortada nas pontinhas.
-Entendi, vou arrasar no seu cabelo. Venha cá, vou lavá-lo.
Fui até o lavatório, ele passou Xampu e alguns outros produtos.
-Esses cremes que eu passei são cremes hidratantes, dão o mesmo resultado de uma hidratação comum, mas com eles não é preciso esperar, o resultado é imediato. – Me explicou o atendente, enquanto íamos até a poltrona novamente.
Ele secou meu cabelo. Deu uma cortada nas pontas e depois pintou de leve as pontas. Esperei por volta dos 20 minutos e já estava pronto, 15 centímetros de mechas loiras nas pontas de meu cabelo. Em seguida ele passou o babyliss em meu cabelo e finalizou com um reparador de pontas e um fixador. Uma hora e já estava tudo pronto.
-Está lindo! Eu amei. –Disse, passando os dedos entre os fios, realmente satisfeita.
-Que bom que gostou. Agradecemos-nos sua simpatia. -Disseram os atendentes, em seguida desci as escadas e vi mais duas portas escritas “cabeleireiro”, ou seja, Mikaella deveria estar em alguma delas. Fui até a recepção entregar meu cartão e saí.
-Enfim, eu e você, liberdade. –Pensei alto.
Peguei um taxi, até Los Feliz e em 13 minutos já estava lá. Caminhei alguns minutos e entrei em uma grande livraria, onde eu sempre acostumava comprar livros no meio de meus passeios. Aproveitei para comprar “Dear John” um livro que esta com vontade de comprar á um bom tempo.
Caminhei mais algumas quadras e entrei em uma Starbucks, que costuma freqüentar. Era um lugar bem aconchegante, calmo e de um aroma maravilhoso.
-O que deseja? –Disse a atendente.
-Iced Caramel Macchiato, por favor. –Disse. Em seguida peguei minha bebida e subi até o 3º andar do prédio, era um lugar mais calmo. Caminhei até um canto mais reservado, onde tinha apenas um homem.
Sentei-me na mesa ao lado desse homem, neste canto havia apenas essas duas mesas. Devido ao silêncio resolvi abrir o pacote do meu livro, o coloquei em cima da mesa e coloquei minha bolsa no chão ao lado da cadeira. Folheava rapidamente as páginas quando o homem se levantou e sem querer derrubou chá em minha bolsa.
-Meu Deus, como sou desastrado, me desculpe. –Ele disse.
-Tudo bem. –Disse.
-Nem sei o dizer, me desculpe mesmo. –Disse ele. –Espere, vou te ajudar. –Em seguida ele me ajudou a colocar minha bolsa em cima da mesa e trouxe alguns guardanapos para limpar o estrago. Ele se virou para colocar seu livro na sua mesa novamente quando viu que um casal já havia ocupado seu lugar.
-Acho que roubaram seu lugar (risos). –Disse e olhei fixamente nos seus olhos. OMG! SÓ PODE SER SONHO! ERA ELE! O TAL HOMEM DESASTRADO ERA JOE JONAS! É PEDIR PRA ME MATAR NÉ?
-Algum problema? –Perguntou ele.
-To-todos os problemas. –Disparei.
-Como? –Ele perguntou.
-Vo-você é o Joe... Joe Jonas. –Disse gaguejando.
-Sim. –Disse ele inseguro.
-Eu gosto muito de você, sempre fui aos shows dos Jonas Brothers em Los Angeles enquanto morava em San Diego, mas depois me mudei e não fui mais.
-UAL! –Disse, impressionado. –É melhor você se sentar. –Ele me ajudou a se sentar e sentou-se na mesma mesa, no banco frente a frente a mim.
-Ne-nem se-sei o que dizer. –Disse. Segurando para não derrubar nenhuma lágrima.
-Calma, respira. Eu já estou acostumado com isso, mas nunca encontrei uma fã tão simpática. Aposto se fosse outras, terminariam de jogar o chá em cima de mim (risos).
-Eu tento tratar as pessoas da maneira que gostaria de ser tratada. –Disse ainda em choque.
-Se todas as pessoas pensassem assim, o mundo seria perfeito. –Ele disse e me encarou por alguns segundos e soltou um sorriso tímido de leve.
-Nossa, eu sonhei tantas vezes com isso.
-Isso o que?
-Ah, eu encontrar você, mas era um sonho tão distante.
-Eu sou um cara comum, que tem uma banda famosa e milhares de fãs.
-Comum, não? –Nos rimos juntos. Ele colocou seu livro sobre a mesa.
-Acho que vou pedir outro café, aquele que eu derrubei na sua bolsa não estava muito bom, eu ia trocar, mas... Derrubei na sua bolsa. –Disse. – Posso me sentar aqui? É que eu prefiro sentar em lugares mais calmos e que evite muito exposição, sabe...
-Joe Jonas esta perguntando se pode tomar seu café na mesma mesa que eu, será que eu devo aceitar? (risos). É claro que pode. –Ele então, desceu até o 1º andar para pedir outro café.
-OMG! OMG! OMG! Estou em um sonho. Deus que esta no seu, por favor, não me acorde. –Pensei alto. Respirei fundo e Joe já havia voltado.
-Trouxe um café para você. –Ele disse colocando a bandeja com os cafés na mesa. –Eu sei que você esta tomando um Iced, mas quem sabe você resolva mudar de idéia.
-Obrigado. Acho que vou optar pelo café, boa pedida. –Disse.
-Então, você disse que se mudou de San Diego. Esta morando aonde agora? –Me perguntou.
-Brasil.
-Eu amo o Brasil. Um dos lugares mais incríveis que já conheci.
-E sou brasileira, minha família se mudou para San Diego quando eu tinha apenas três anos de idade, e estou morando no Brasil á três meses. Esta sendo horrível.
-Por quê? –Ele me perguntou. –Ah me desculpe, estou sendo muito curioso, tudo bem.
-Não, não precisa se preocupar. O Brasil é um ótimo país para passear, mas para morar não é muito interessante, as oportunidades são cada vez menores lá.
-Entendo.
-Vou me formar esse ano e pretendo morar em Nova York, o mercado da Moda aqui é bem mais valorizado.
-Pretende cursar moda?
-Sim, se Deus quiser (risos).
-Meu sonho é ir a uma faculdade e estudar normalmente, como um aluno comum.
-Meu Deus! Como pode ter um sonho desses? (risos)
-Se você levasse a vida que eu levo sentiria muita falta da escola.
-Eu sei o que é sentir falta da escola, na verdade, mais na parte dos amigos, desde que me mudei para o Brasil não fiz nenhuma amizade, não consigo.
-Amigos são importantes para nossa vida, você não pode se excluir.
-Eu acho que tenho amigos suficientes. E também, na minha escola, as pessoas não me respeitam, eles são mal-educados, não me envolvo com esse tipo de pessoas, com todo respeito, claro.
-Entendo. Quando me mudei para Los Angeles achava as pessoas metidas e hipócritas demais, só pensavam em dinheiro, eu daria tudo para voltar a New Jersey, mas meu sonho de cantar falou mais alto.
-É eu conheço a sua história (risos) – Rimos juntos do meu comentário.
-Previ.
-Eu pensei que você fosse mais... Hum, vamos dizer, reservado. –Disse.
-Sou às vezes, quando realmente é preciso, mas me abro quando vejo confiança.
-Muito obrigado pela parte que me toca. –Rimos novamente. E adivinha? Do meu comentário.
Tomei um pouco do meu café, e Joe continuou falando sobre seus planos de carreira solo. Eu estava vivendo um sonho, estava conversando com meu ídolo, aquele que eu possuía uma paixão forte, um amor verdadeiro, parecia tudo perfeito demais, será que era Joe Jonas mesmo? Será que Mikaella armou para mim isso? Meu Deus. Que cabeça a minha, eu estava vivendo um sonho e só tinha cabeça pra pensar em que diabos fez isso acontecer, mas seja o que for, serei grata a minha vida inteira.
Meu celular tocou.
-Com licença. –Disse a Joe. Ele assentiu.
-Alô?
-Oi Flora, é a Mikaella, onde você esta? Acabei de sair do salão estou morrendo de fome. –
-Eu estou um pouco longe, estou em Los Feliz, em uma biblioteca.
-Ótimo, vou até ai.
-NÃO! –Gritei. –É não é preciso, eu estou voltando pra LA agora... a gente se encontra no Mc Donald’s próximo ao Plaza.
-Ok.
-Estarei ai em... 30 minutos.
-30 minutos? Eu não sei se vou agüentar te esperar, estou de fato muito faminta.
-Ok. Eu comi um lanche e não estou com fome. Até mais.
Desliguei. Tudo para evitar interrogatório.
-Estou te atrapalhando? –Perguntou Joe.
-Claro que não. É a minha amiga, me irritando (risos).
-Sei. Seu nome é...?
-Flora. –Disse.
-Belo nome. O meu é... Ah, você já sabe.
-Como sei, sei muito mais coisas do que você imagina (risos).
-UAL! Hoje tocaremos no Granstan. Seria muito legal se você aparecesse por lá.
-Eu gostaria muito de ir, mas... –Pensei antes de terminar. –Eu não posso, sabe uma das minhas melhores amigas esta desaparecida e estou desesperada, tentando encontrá-la. Enquanto a verdade do desaparecimento não aparecer, vou evitar divertimento. Por ela.
-Nossa, eu realmente sinto muito. Bom, de qualquer forma te desejo uma boa sorte para encontrar sua amiga, essa sensação não deve ser das melhores.
-É horrível. Estou dando uma de investigadora.
-Tome cuidado, às vezes as situações são mais obscuras do que imaginamos.
-Fiquei com medo agora.
-Desculpe. Não quis provocar isso. Bom, eu preciso ir embora. –Disse Joe. Meu coração apertou. –Será que seria atrevimento demais pedir seu telefone?
-Acho que seria atrevimento não pedir meu telefone. –Disse. Disse demais, quando eu abro a minha boca, é melhor eu me preparar para a sessão constrangimento.
-Concordo com você. –Disse ele, olhando fixamente em meus olhos, com um leve sorriso.
Passei meu telefone a ele e ele passou o seu a mim. Conversamos mais um pouco e descemos para o 1º andar.
-Bom, tenho que ir. –Eu disse.
-Vai para LA?
-Sim.
-Quer uma carona? –Perguntou ele.
-Eu adoraria, mas, é melhor não. Outro dia quem sabe. –Disse.
Despedimos-nos e ele caminhou até seu carro e eu fui até o ponto de taxi. Definitivamente algo de muito estranho estava acontecendo, só faltava encontrar Charlotte no ponto de taxi e então tudo estaria perfeito. Meu encontro com o Joe foi estranho e ao mesmo tempo, especial. É como se alguém que gostasse muito de mim, selecionasse essa cena dos meus sonhos e resolvesse presentear-me colocando-a na realidade.
-Mocinha? Mocinha? –Um taxista me chamou, enquanto eu estava sentada no ponto, sonhando alto.
-Ah... Oi. Algum problema? –Perguntei confusa.
-Você é a única pessoa do ponto, vai querer uma corrida? –Perguntou ele.
-Ah sim, claro, me desculpe.
Entrei dentro do taxi, que me levou até Los Angeles. Eu parecia estar no meio daqueles filmes em que a personagem principal se despediu de seu amado depois de uma noite de amor e passa o dia inteiro pensando naquelas cenas, como se nada mais fizesse sentido para ela, como se no filme não existisse mais outros atores e figurantes, como se fosse apenas os dois e mais ninguém.
Saí do taxi, o Mc Donald’s ficava á algumas quadras do ponto de taxi, então fui andando. Até que senti meu celular vibrar. Era uma mensagem.
“Sinto que esse livro “Dear John” que eu fiquei não é meu. Suponho que ficou com meu “O Alquimista” não?”
Por reflexo, olhei para minha mão e de fato segurava o livro “O Alquimista”, mas que coincidência mais estranha. “Produção, quem é que escrever essa “históriazinha” mais clichê?” Mas fala sério, eu estava amando. Resolvi responder a mensagem.
“Ah meu Deus, é verdade. E agora? haha”
Caminhei mais um pouco e por fim cheguei até o Mc Donald’s. Entrei e já pude ver Mikaella, sentada em uma mesa.
-Ainda bem que não demorou muito. –Disse ela.
-Pois é. –Disse.
-Peguei um lanche para você... Não sei muito bem do seu gosto, mas qualquer coisa...
-Está ótimo! –Disse a interrompendo. –Você costuma vir sempre para Los Angeles?
-Não muito... Na verdade menos do que gostaria, eu amo esse lugar!
-Sim, eu também. Você costuma viajar muito?
-Não, eu só vou para Seal Beach, de vez em quan... –Mikaella paralisou, parecia ter dito demais em falar sobre Seal Beach.
-O que? –Perguntei bastante curiosa e intrigada.
-Ah nada... Então Flora, como esta sua vida no Brasil? –Perguntou.
-Péssima.
-Meu Deus. Quem dera eu poder morar no Brasil. — Disse Mikaella.
-É fácil falar.
-Eu sei Flora, você não pode se queixar da vida que tem, porque seus problemas não são nada comparados ao meu.
-Mikaella, se o problema for o seqüestro de Charlotte o problema também é meu, afinal, ela também foi minha amiga.
-Não é só isso, não agüento mais minha casa, família, as pessoas que me acercam, eu estou cansada de ser a culpada de tudo. –Desabafou Mikaella.
-Mikaella, sempre existe um motivo.
-Flora, eu nunca fiz nada pra ninguém! –Protestou.
-Calma, eu sei, mas você tem que ser transparente com as pessoas, pra que elas não fiquem te acusando.
-Eu não preciso disso, porque até mesmo minha mãe que me conhece mais do que qualquer pessoa no mundo, me julga, sabe... Cansei.
-Sua mãe? –Perguntei.
-Sim, a minha mãe, que tem cara de boazinha, mas de boazinha não tem nada.
-Não fala assim, sua mãe pode estar certa.
-Certa? Minha mãe me culpa pela morte do meu pai, desde que ele morreu, á 5 anos atrás, você não sabe o que é conviver com isso. –Disse Mikaella, já chorando.
-Meu Deus...
-Minha mãe me culpa por tudo, tudo que acontece é a minha culpa, ela acha que eu sou uma psicopata assassina.
-Não fique pensando nisso, deixa isso quieto, porque uma hora a resposta sempre a verdade aparece.
-A verdade é sempre cruel.
-A verdade é preciso, não podemos nos esquecer dela.
-Sabe Flora, eu sempre fui uma pessoa muito má, mas eu aprendi das piores maneiras possíveis que eu não preciso disso, mas as pessoas continuam me tratando como uma pessoa má, mas eu não sou assim.
-Você tem que parar de se preocupar com o que as pessoas dizem, você tem que acreditar no que você é.
-Eu cansei de viver, é sempre a mesma coisa.
-Não fale assim! Você é bonita, jovem e têm muitas qualidades, eu sei.
-Talvez não.
-Como querem que ache que você mudou se nem você acredita em si mesma?
-Flora, a minha vida acabou nada mais faz sentido, será que é difícil de entender?
-Por quê? Por quê? Sua vida é maravilhosa, não ligue para as outras pessoas!-Na escola ninguém mais me aceita, só sabem falar mal de mim pelas costas. Daqui á um ano eu me formo e que lembrança posso levar do colégio?
-As que você mesma constrói. –Disse.
-Ei, olha quem vejo por aqui, Mikaella... Será que você não me deve explicações? –Disse um sujeito estranho, com jaqueta e coro e óculos escuros, se aproximando da mesa. Mikaella ficou pasma.
-M-mas o que é que você faz aqui? –Perguntou Mikaella se levantando.
-Preciso falar com você.
-Essa não é uma boa hora. Vá embora! –Disse Mikaella agressiva.
-Acho que não. –Disse o rapaz irônico.
-Com licença Flora. –Disse Mikaella nervosa, indo com o rapaz até outra área da lanchonete.
Quem seria aquele rapaz? Será que ele teria alguma coisa a ver com o seqüestro de Charlotte? Porque Mikaella teria ficado tão nervosa? Tomei mais um gole do meu refrigerante e meu celular vibrou.
“Que tal aparecer no Granstan esta noite?” JOE
“OK. Onde posso te encontrar?” Respondi.
“No final do show eu te ligo, mas segredo, ein?” JOE.
Teria que inventar alguma desculpa para Maggie, se ela soubesse, surtaria e talvez nem conseguisse guardar um segredo desses.
-Ah, oi Flora, me desculpe, era um amigo... É, daqueles bem chatos, sabe? –Disse Mikaella, se sentando novamente, estava sem graça.
-Tudo bem.
-Meu Deus. Já é uma hora e eu preciso ir até a casa de um amigo. Me desculpe, mas não vou poder passear em Los Angeles com você. –Disse Mikaella.
-Ah..Tudo bem, eu passeio sozinha.
-Ok, então ás oito nos encontramos no City Hall Park, porque minha mãe vai nos buscar.
-Tudo bem.
-Estou indo, beijinhos. –Mikaella saiu como um foguete. Fui até a janela da lanchonete para ver por onde Mikaella seguia, ela entrou em um carro preto, com um homem.
Fui por um tempo apenas pensando em tudo que já havia acontecido aquele dia, sobre conhecer meu grande ídolo, sobre estar no meio de um grande mistério, de “perder” uma amiga de certa forma, de saber que daqui á menos de um mês eu estaria voltando para aquela vida que eu não gostaria de voltar. Pensei, pensei e pensei mais um pouco, sendo interrompida pelo meu celular que tocava. Era Maggie.
-Oi Maggie!
-Flora? A Mikaella não esta perto?
-Não, ela saiu.
-Por quê?
-Veio um cara aqui atrás dela e ela ficou sem graça e foi conversar com ela, depois veio com uma história deque precisava ir à casa de um amigo.
-Ai meu Deus, será que é o seqüestrador? Será que ela foi até o cativeiro?
-Maggie! Calma, tenho tantas coisas pra te contar, no fundo eu ainda acho que a Mikaella não é tudo que imaginamos!
-Não é mesmo, é pior.
-Sem essa.
-É verdade, aquela garota é pior do que um cão.
-Maggie, falando a verdade, nós só a odiamos por odiar, mas nunca tivemos um motivo tão grande assim...
-Ela fez de tudo para nos derrubar na escola, não se lembra?
-Tínhamos 12 anos, éramos criança, agora um seqüestro... É demais né?
-Seja quem for essa história esta muito estranha.
-Precisamos acabar com isso logo!
-Eu sei. Não agüento mais isso. Mudando de assunto... Que horas você volta?
-Oito horas.
-Tudo bem. E aí amiga? Conheceu alguém? Esta se divertindo?
-Ah... Claro que estou... Muito.
-Que ótimo amiga. Bom, agora vou desligar, eu preciso almoçar, beijinhos.
Desliguei o celular e andei até a saída. Caminhei alguns poucos minutos pelas ruas de Los Angeles. O sol começava a se pôr. Olhei em meu celular e vi que já eram 2 horas da tarde.
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