Príncipes Não Choram
9 9.
Domingo mal tinha amanhecido e Trunks já estava eufórico em completar a ideia de sua mãe.
Bulma jogou uma capsula no quintal esquerdo da corporação, e levou o almoço para aquela nova casinha que se formou.
— Tudo pronto mãe?
— Sim. Vamos nos trocar, já deixei o recado com sua avó.
Mãe e filho entraram no local e foram se arrumar.
Pouco tempo depois Vegeta chegou ate a corporação, obviamente estranhando um novo local aberto ali, mas seguiu para a casa.
— Ei Vegetazinho, tudo bem bonitão?
— Onde estão Bulma e Trunks?
— Naquela casa ao lado, pediu para você entrar.
Vegeta estranhou tudo aquilo, a casa era pequena e tinha um andar, e Bulma com certeza aprontava algo, era a cara dela.
Quando entrou ficou visivelmente chocado.
As paredes eram avermelhadas, uma enorme mesa com três cadeiras estava no lado direito, cheia de comidas cheirosas, que fez seu estomago roncar.
Mas tudo aquilo estava... Era tão...
Olhou para frente e se assustou.
Tinha duas cadeiras enormes, uma maior que a outra.
Na menor Trunks estava sentado e Bulma estava de pé ao lado da maior.
A surpresa se completava pela vestimenta e decoração do local.
Ambos.
Trunks e Bulma se vestiam como sayajins.
Trunks usava a roupa formal e ate mesmo o símbolo do antigo planeta Vegeta estava cravado em sua roupa, assim como na parede e na cadeira grande e vazia.
Bulma usava uma versão feminina e sexy da mesma roupa. Ate mesmo um Scouter estava em seu rosto.
Ele entendeu. Finalmente tinha entendido.
Bulma tinha criado uma replica da sala do trono de seu planeta. Ou pelo menos o que ela julgaria ser.
As paredes avermelhadas era para lembrar a cor do antigo planeta Plant que virou Planeta Vegeta, Trunks vestido como um príncipe sayajin remetia a Vegeta a ideia que a cadeira grande e vazia era para ele.
— Você é o rei, papai.
Foi como se Vegeta estivesse paralisado ali.
— Sabia que mulheres não tinham muita evidencia no planeta Vegeta. — Bulma disse, apontando para a cadeira vazia. — Esse lugar é o seu.
Vegeta andou ate perto deles. Seus olhos corriam por todo lugar, conforme ele se aproximava, Bulma percebia que o olhar dele não era dos bons.
— Como pode ter uma ideia tão ridícula feito essa?
Ela abriu a boca em surpresa. Trunks ficou de pé.
— Nós fizemos juntos pai, eu achei... — Trunks começou a falar, mas foi interrompido.
— Foi ideia sua não é Bulma? — apontou para ela.
— Sim, é o dia dos pais, pensei que gostaria de lembrar algo do seu planeta.
— Essa área é ridícula, esse trono é ridículo. Nada aqui se parece com a sala do trono. Ficaram horríveis nessa roupa. Uma ideia assim só podia vir de uma terráquea insolente.
— Não esta feio pai. A roupa é bonita. Virei um príncipe! — Trunks disse animado. Completamente alheio ao clima pesado.
— Nenhum sayajin de verdade, ainda mais um “príncipe” teria um cabelo colorido assim. Bulma nunca deveria estar ali, seria no mínimo uma serva qualquer.
— Esta dizendo que não posso ser um príncipe e mamãe não pode ser a rainha? — a criança perguntou, tentando entender a raiva do pai.
— Exatamente! Isso aqui foi à coisa mais horrível que já presenciei em toda minha vida!
— Como então vou virar o príncipe dos sayajins?
O menino perguntou sentido, com os olhos enchendo de lagrimas.
Vegeta era o príncipe dos sayajins, quando se tornasse o rei, Trunks que teria o posto de príncipe. Ate mesmo ele com seus quase seis anos entendia isso.
E com a criação dessa replica da sala do trono do planeta Vegeta, Trunks estava empolgadíssimo em finalmente ser um príncipe de verdade.
Mas agora, seus olhos estavam se esforçando para não chorar.
Bulma sentia uma magoa grande crescer. Vegeta era mal. Era mal de verdade.
Ele podia não ter gostado do que viu, mas também não precisava esculachar dessa forma.
Vegeta olhou para Bulma. Os enormes olhos azuis estavam vidrados e contristes. Bulma parecia arrasada. Talvez tivesse exagerado...
Quando olhou para Trunks, sentiu uma pontada forte no peito.
Ele prendia o choro e estava mortificado com a descoberta de não ser um príncipe.
Por fim acabou derrotado.
Abaixando a cabeça, se deixou chorar. Fungando como uma criança faz, e as lagrimas pingavam no chão.
Ele passou a mão com violência no rosto e franziu o cenho enquanto olhava seu pai.
Era uma semelhança incrível entre Vegeta e Trunks, quando ele fazia essa cara.
— Estou chorando. Você tinha razão pai, sempre esta certo. Os príncipes não choram. E eu não sou um príncipe.
O menino disse, saindo correndo dali. Ainda chorando e apenas a porta foi batida quando sumiu.
Bulma estava tensa e dolorida, dolorida por dentro. Andou calmamente ate onde Vegeta estava, passando no caminho e pegando um embrulho azul.
Colocou de qualquer jeito na mão dele.
— Espero que não esqueça hoje o presente que Trunks te deu sexta feira. Fizemos isso com intenção de te convencer a voltar para casa. Queríamos te mostrar que aqui você é o rei Vegeta. Somos sua família. Mas pelo visto não te agradou. Talvez seja melhor mesmo estar sozinho, talvez nasceu para isso. Bom almoço.
Ela apontou para a mesa.
— E feliz dia dos pais.
Disse saindo dali igualmente derrotada.
Vegeta olhou o embrulho em sua mão, tinha esquecido sexta feira, na verdade sequer lembrou-se dele.
Olhou em volta, toda aquela objeta de planeta, aquela mesa cheia de comida e com três cadeiras. Onde os três deveriam sentar para almoçarem juntos.
Era tudo para ele. Era o dia dos pais dele, e só lhe restou estar só.
Levando o embrulho, Vegeta saiu daquela sala e voou para longe da corporação.
Sua cabeça era um turbilhão de emoções, coisas que ele jamais julgou existir ou sentir.
Não era de hoje, desde que Bulma se intrometeu a primeira vez em sua vida, tudo virou de cabeça para baixo.
Ele devia estar feliz em ter desligado deles, tinha planos de começar a invadir planetas novamente, talvez criar o seu, mas nada disso parecia empolgante.
Não tinha graça nenhuma mais fazer isso.
Ele nem queria.
Abriu o embrulho que seu filho lhe deu, onde tinham uma serie de folhas desenhadas.
Cada uma tinha um titulo, e um desenho diferente, feitos por Trunks.
“Minha família”.
E em baixo tinha cinco bonequinhos de palito desenhados, a diferença estava na cor de lápis utilizada para pintar os cabelos. Assim Vegeta identificava Bulma, Trunks, Sr.º e a Sr.ª Briefs e ele.
“Meu pai é o homem mais forte de todo o mundo”.
Logo abaixo tinha uma imagem grande de Vegeta com cabelos amarelos. Como super sayajin.
“Ainda quero ter um irmão”.
Então o desenho era de Trunks, Vegeta com Bulma e um pequeno bonequinho ao lado. No final ele escreveu mais: “Mas também pode ser uma irmãzinha”.
A ultima folha fez Vegeta ficar olhando por longos minutos.
“Meu pai é um príncipe, um príncipe de verdade. Eu também sou um e príncipes não choram”.
E o desenho era de Vegeta e Trunks sorrindo, cada um com uma coroa na cabeça.
No desenho Vegeta sorria. Ele quase nunca sorria. Mas na mente de Trunks, era isso que existia.
Vegeta sabia o que tinha que fazer, era estupido conviver com terráqueos idiotas. Tinha virado um próprio asno.
Tinha se corrompido, e agora só havia um lugar para ir, um lugar para que voltasse a se sentir completo. O seu reinado.
Ele nem se deu ao trabalho de ir ate a porta, foi para a varanda do quarto que dividiu por anos com Bulma, ela e Trunks estavam sentados na cama e vendo fotos antigas.
Às vezes era possível ouvir gargalhadas.
Vegeta sabia que seria sua ultima chance. Se entrasse naquele quarto, não estaria entrando apenas num quarto, estaria confirmando sua permanência. Nunca mais sairia.
Agora se desse as costas, aquela família talvez partilhasse vários momentos de gargalhadas como as que ele escutava de longe. Sem o incomodo de um pai mal-humorado.
Ele abriu a porta, Bulma e Trunks o encaravam.
O filho sorriu e sacudiu uma foto que estava em sua mão.
— Essa tem você papai.
Tão inocente. Era incapaz de guardar magoa do próprio pai, Vegeta sabia que o tinha ferido mais cedo, no entanto Trunks agia como se o pai ainda fosse o mais importante.
Isso o emocionava.
Ele fitou Bulma, afinal de nada adiantava Trunks ser amoroso, se Bulma o rejeitasse.
Ela ficou de pé e se jogou nos seus braços.
— Bulma eu... Me des... Bulma...
— Tudo bem. Não precisa falar nada. Eu que criei toda essa turbulência desde o começo.
— Não vou sair dessa casa, assunto encerrado. — ele disse com firmeza.
Bulma voltou a sentar-se na cama, agora sorrindo.
Trunks deu um grito e agitou outra foto.
— Olha isso, eu estava chorando!
— Você era um bebe chorão. Um bebe lindo e chorão! — Bulma disse.
— Pai, se você tivesse me ensinado desde quando era bebe, talvez não chorasse mais, então podia me tornar um príncipe.
Ele disse com tanta naturalidade que magoou Vegeta. Era como se o filho se culpasse por chorar.
— Trunks, você era um bebe chorão. E é uma criança que chora. É normal.
Resmungou passando por cima de qualquer orgulho. O filho piscou.
— Normal? Mas o senhor não me disse que príncipes não choram?
— Disse. Mas esqueci de avisar que príncipes “grandes” não choram. — Vegeta disse olhando para as fotos na cama.
— Então príncipe crianças pode chorar?
— Pode sim. Mas quando crescer você já sabe...
Trunks deu um salto na cama.
— Siiiiiiiiiiiiiiiim. Quando crescer eu já sei: Príncipes não choram.
Notas finais
Espero que tenham gostado, tentei manter a personalidade mais fiel possível.
E quero agradecer ao Vegeta, Bulma e Trunks por serem minha inspiração e modelo para essa fanfic.
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