Assim que chegou foi levada diretamente para a diretoria.

— Que bom que a senhora veio com urgência.

— Claro que vim como não viria? Aconteceu alguma coisa com meu Trunks?

— Sim.

— Ai, por favor, por favor... Ele esta bem? Cadê ele?

— Calma senhora. Trunks esta na sala da coordenadora. Esta ótimo, agora o menino que ele bateu, não.

— Trunks bateu em alguém? — ela sussurrou.

Isso era impossível. Trunks sabia como funcionavam as regras e a maior delas é jamais bater em alguém da escola.

— Sim. Os dois tiveram uma briga. Trunks afirma que o outro menino o provocou. Mas senhora Briefs, o aluno foi para o hospital e a ultima noticia que tenho é de que esta internado. Não sei como Trunks conseguiu deixa-lo nesse estado.

Mas Bulma sabia. E se ela estava preocupada antes de saber o motivo, agora estava desesperada.

— Ele não corre risco, mas nenhum medico acreditou que uma criança de seis anos tinha feito aquilo. Os pais do outro estão possessos.

— Sim, é claro que estão. Olhe, pode avisá-los que vou arcar com qualquer despesa como desculpas. Crianças brigam sempre...

— Crianças brigam sim, mas não são brigas que levam o outro individuo para um hospital. Mas vou avisar aos pais dele. Aconselho à senhora levar Trunks num terapeuta.

Bulma tomou sua xicara de café que há minutos estava separada.

— Terapeuta?

— Ele sempre foi um menino responsável, um dos mais inteligentes da classe. Ninguém entendeu a atitude dele.

— Sim... — ela abaixou a cabeça.

— Não vou suspendê-lo porque é a primeira briga, apesar de ter sido muito seria, mas não posso aceitar isso novamente.

— Claro que não, concordo com a senhora diretora.

— E ele fará exercícios complementares como castigo.

— Tudo bem.

Bulma caminhou calmamente ate a sala da coordenadora, seu filho a esperava de cabeça baixa.

Não trocaram palavras nenhum por todo trajeto de volta. Mas assim que chegaram a casa, Bulma o seguiu ate seu quarto.

— Só vou te perguntar Trunks, por quê?

Ele não respondeu.

— Meu filho preciso ouvir o seu lado da historia antes de tomar qualquer providencia.

— Ele sempre implicava com todos. E comigo, mas nunca liguei. Então hoje ele falou... Falou...

— Respira Trunks. Respira e conta do inicio, sim?

— Era o dia de entregar o desenho, o desenho da pergunta para o dia dos pais, sobre o que o pai sentiu quando soube que teria um filho. Eu não fiz o desenho.

Bulma aguardava. Trunks parecia relutante em falar e respirava varias vezes entre cada palavra.

— E então?

— A professora perguntou por que eu não tinha feito um dever tão simples.

— Eu respondi que meu pai disse que não tinha sentido nada, então não podia desenhar. Então aquele, aquele, aquele verme insolente começou a falar sobre meu pai!

A voz do menino tinha adquirido uma entonação mais alta. E ele parecia com raiva. Além do fato de falar exatamente como o pai.

— Eu não consegui me segurar, levei um soco, mas nem senti, a mão dele quebrou e eu dei um soco de volta, ele voou desacordado.

— Meu amor não se pode agir por impulso, Trunks...

— Ele mereceu!

— Ele esta no hospital! Internado meu filho. Entende como isso é serio? Ele estava errado sim. Mas você perde a razão quando usa violência contra ele.

— Ele bate em todos os pequenos!

— É covardia um menino forte como você bater em alguém como ele. Não tem noção de como sua força é enorme. Não da para competir, querido. Por mais que ele esteja errado.

O menino abaixou a cabeça, completamente envergonhado, parecendo entender a gravidade do que tinha feito.

— Quero seus brinquedos numa caixa na sala...

— O QUE?

— Exato. Ele pode ter errado, mas você quebrou a maior regra sobre luta, que é brigar na escola. Não posso deixar isso passar Trunks.

— Todos os brinquedos?

— Todos!

— Mas mãe...

— Todos.

Bulma foi direto tomar um banho.

Trunks nunca era agressivo com os outros, arrogante e mimado sim. Mas sempre obedeceu as regras que a mãe e o pai impunham. Inclusive a regra de não lutar na rua fora escolha de Vegeta.

Ela não podia deixar isso sem castigo.

E ao mesmo tempo entendia que era tudo reflexo do que o filho vivia.

Era sexta e Trunks já tinha terminado todas as atividades extras, não tinha autorização para nenhum brinquedo, então só restou estudar.

Ele também não queria ir para escola e ver os colegas se esquivando dele como se fosse um monstro.

E também não queria apresentar para os pais. O pai dele não estaria ali.

— Como consegue fazer isso? — perguntou para Goten, quando as professoras organizavam todos.

— Fazer o que? Usar essa roupa feia?

— Também. Mas estou falando de apresentar sem seu pai estar aqui.

— Ah isso... Gohan vai estar, e meu avô também. E minha mãe.

— Você é muito novinho e inocente mesmo Goten. Mas tudo bem.

Quando a cortina se abriu, Bulma teve que se conter. Seria a primeira apresentação de Trunks, era emocionante, sua mãe estava ao seu lado tirando fotos junto com seu pai.

E do outro lado, ChiChi murmurava como a roupa de Goten era linda. O que na verdade era o oposto.

Varias series e idades estavam reunidas e apresentando juntas. Mas crianças não tinham noção. Então em algum momento, só de ouvia vozes infantis declarando o amor pelo pai.

Goten erguia as mãos e fazia tudo com empolgação. Já Trunks parecia sem jeito em estar ali, só que bastante sorridente. O que deixou Bulma muito feliz.

No final, as crianças se curvavam, agradecendo as palmas dos adultos.

Cada uma tinha um pacote nas mãos onde teria o presente para o pai. Bulma ficou de pé esperando Trunks descer do palco e a encontrar.

O menino vinha sorrindo e quase corria. Mas passou direto por ela.

Quando se virou, Bulma entendeu o por que.

Vegeta estava encostado na parede bem no final, cara fechada como sempre, talvez tivesse assistido a apresentação inteira.

Provavelmente era essa a razão para Trunks estar tão feliz no palco.

O menino esticou o braço com o embrulho e Vegeta levou uns segundos para aceitar, logo passando a mão no cabelo do filho.