Príncipes Não Choram
4 4.
No outro dia, Trunks e Goten chegaram à Corp Capsula. Para surpresa, Gohan também foi.
O dia passou regadas a piscina e comida, muita comida, e no outro dia Bulma levava os meninos ate ChiChi.
Goten, Trunks e Gohan estavam lutando do lado de fora, e Bulma resolveu tirar algumas duvidas.
— ChiChi, como faz na época do dia dos pais, com Goten?
— Eu sempre vou. Fiz isso com Gohan, meu pai esta sempre comigo, isso ajuda. E nas festas da escola de Goten, levo Gohan. Ele entende.
— Não sei se Trunks vai entender.
— Como fazia antes? — ChiChi perguntou.
— Nunca teve eventos assim anteriormente, em reuniões de pai sempre eu vou, acho que essa idade de Trunks é mais avançada, por isso esses acontecimentos com a família.
— Ele é um menino extremamente inteligente Bulma, com certeza vai entender.
Bulma sabia o potencial de seu filho. Mas para Trunks entender, ela teria que explicar. E essa era a parte difícil.
Quando chegaram a casa, os dois jantaram. Ela se dedicou a escutar todas as historias mirabolantes das aventuras com Goten e Gohan.
— Nossa querido!
— É mãe, e tem mais. Goten ficou surpreso quando em voei. Tinha que ver a cara dele.
Os talheres que estavam na mão de Bulma caíram no prato tilintando.
— Vo-vo-você o que?
— Voei ué.
— Trunks desde quando você faz isso?
— O que, voar? Aprendi com meu pai, já tem um tempinho. Mas não posso fazer isso na... Como é mesmo que ele disse? Escola, lojas e no meio aos insetos inúteis. Acho que era só isso.
Bulma arregalou os olhos.
— Vocês sayajins me irritam! Como não me contaram? Ele pelo menos tirou foto? Como vou registrar um momento importante desse? Trunks...
— MAMÃE! Eu faço de novo, a senhora quer ver?
A mulher jogou a cabeça para trás. Calma... Vegeta ensinou Trunks a voar. Hunf, Vegeta. Seria um bom momento para conversar com seu filho.
— Querido pode me mostrar depois, preciso falar um assunto serio com você.
— Está bem... — ele disse dando ombros e seguindo para sala com sua mãe.
Eles sentaram bem ao lado um do outro, aquilo parecia ainda mais difícil, ela simplesmente esqueceu qualquer palavra que iria dizer.
— Trunks, seu pai foi embora.
— Meu pai foi embora?
— Foi sim.
— E ele volta quando?
— Ele não volta. Não dessa vez.
— O que a senhora fez?
O menino ficou de pé e ao mesmo tempo de frente para ela. Bulma não tinha capacidade para sentir o KI ou qualquer coisa do tipo, mas a mudança de humor tinha alterado o ar entre os dois. Seu filho parecia raivoso.
— Nós dois conversamos e...
— EU SABIA QUE NÃO DEVIA TER TE CONTADO!
— Não grite meu filho!
— Você brigou com ele.
— Eu e ele sempre brigamos e você sabe bem disso.
— Mas sempre estão juntos, ele obedece você!
Lembrar-se desse fato fez Bulma amolecer. Não é que Vegeta simplesmente a obedecesse, mas ele a ouvia. Talvez fosse a única pessoa que tivesse essa autonomia.
— Algumas coisas passam do limite Trunks.
— Você fez isso. Por sua culpa meu pai não vai mais voltar, não quero viver igual ao Goten.
— Sempre reclama da forma que Vegeta te trata! — ela rebateu.
— MAS AINDA ASSIM É O MEU PAI! Odeio você! — ele disse correndo escada acima.
Bulma se viu chocada na sala e completamente só nesse barco.
Talvez tivesse sido egoísta, logo ela que adorava usar essa mesma palavra contra Vegeta... Ela quem tinha sido a individualista da historia.
Não pensou como Trunks encararia tudo isso.
“— Você fez isso. Por sua culpa meu pai não vai mais voltar, não quero viver igual ao Goten.”
Tinha sido maldosa, essa era a verdade.
Goku sempre foi inconsequente, sumia, priorizava outras coisas, deixava ate mesmo o treinamento de Gohan por conta de Piccolo. Mas Vegeta não.
Vegeta tinha mil defeitos, e por mais que a dureza fosse um desses defeitos, ele estava presente.
Ele ensinava Trunks a voar, ele ensinava o menino sobre lutas e KI, estava sempre ao seu lado nas horas de almoço e janta.
Por mais que não tivesse previsto essa vida, ou desejado. Vegeta ainda era melhor pai que muitos por aí.
E finalmente perceber isso a fazia se sentir um lixo, pior que isso.
Agora não sabia como achar Vegeta, talvez nunca mais o visse. Ele podia agora mesmo estar em outro planeta, com outra mulher.
Constatar isso era doloroso.
E Bulma merecia. Merecia tudo isso.
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