Príncipe e Sapo

Por Pikenna

One-shot



O salão estava lotado de alunos, alguns dançando, outros conversando e os sem juízose agarrando. Minha euforia era enorme, poistratava-se de meu primeiro baile de formatura. O melhor de tudoé que meus pais não estariam aqui para vigiar meus passos.

É horrível quando se tem um pai leitor de mente, ainda mais quando se quer esconder um segredo dele. É frustrante! Ele consegue saber da minha vida inteira em menos de 3 segundos, sem precisar perguntar para mim. Eu vivo tentando bloqueá-lo, maschegar a ser impossível. É uma perda de tempo e de energia. Então, eu desisti e passei a me acostumar com a ideia.

Eu procurava pelo meu sonho, meu príncipe encantado, o filho dos Newton. Todas as garotas babam por ele, entretanto, acho que consigo beijá-lo, confio em mim e na beleza que herdei de meus pais. Azar das outras meninas, não há como competir contra uma meia humana e meiovampiro.

Caminhei para o fundo do salão e consegui avistar o meu anjo. Tentei andar um pouco mais rápido, porémmeus pés clamavam para ir devagar. Malditos saltos! “Tudo para ficar bonita e elegante” pensei.

Assim que eu alcancei meu príncipe, fiz questão de cumprimentá-lo com um beijo demorado na bochecha. Ele me elogiou, dizendo que eu estava linda. Aquilo me desmontou por dentro e fez minha euforia aumentar. Conversamos um pouco e logo fomos para a pista dançar.

Subitamente, nossos corpos estavam muito próximos, os narizes podiam se tocar. Eu percebi a respiração lenta e ritmada dele. Meu coração se acelerou, mesmo isso sendo impossível para um vampiro. Mas, eu podia sentir. Quando nossos lábios estavam prestes a se tocar, ele me afastoupara longe.

- O que houve? – Perguntei bastante confusa com aquela atitude repentina.

- Achou mesmo que eu iria beijá-la? Você é esquisita e ridícula. Olhe só para você! Com esse vestido vermelho cheio de babados, achando que está arrasando! Não tem mesmo o senso do ridículo, garota? – Ele indagou, proferindo as palavras acidamente, machucando-me.

- Então, por quê?

- Queria apenas testá-la, ver até onde meu charme poderia ir. Agora que quase lhe beijei, pude perceber o quantosou irresistível! – Sua voz soou repleta de satisfação e arrogância. Egocêntrico e idiota — é isso o que ele é.

- Mas, eu te amo! – Confessei abruptamente.

- Você jamais vai saber o que é o amor! Quem iria gostar de uma esquisita que nem você? Vá embora, sua presença me incomoda.

Eu não aguentei. Sai correndo entre as pessoas, empurrando qualquer um que estivesse na minha frente. Queria gritar, me esconder em lugar bem distante, onde ninguém poderia me encontrar. Inesperadamente, um indivíduo colocao pé na minha frente e eu acabo indo de encontro ao chão.

Todos começaram a rir de mim. Para meu azar, eu era capaz de chorar, já que não era totalmente vampira, pois, metade de mim era humana. Meus olhos se encheram de água. Levantei sozinha e continuei a correr sem olhar para trás, até sair totalmente do salão.

Tinha sido humilhada e fui incapaz de revidar. Essa noite, que poderia ter sido a melhor de todas, tornou-se a pior, e eu jamais a esqueceria. Um dia, eu vingarei tudo o que o filho dos Newton me causou. “Vou matá-lo, masantes o caçarei como se fosse minha presa e depois roubarei todo o seu sangue até não sobrar uma gota. Sim, eu vou fazer isso” pensei com um brilho homicida no olhar.

Não suportando mais correr, sentei em um banco qualquer ao lado de uma mata escura. Retirei minha sandália que machucava meus pés e lancei meu olhar para o céu. As estrelas brilhavam, iluminando a imensa escuridão negra em que a lua se fazia ausente. Abaixei a cabeça e permitir que as lágrimas caíssem com vontade na terra fofa que cobria o chão ao meu redor. Então, escuteium barulho provindo da mata.

- Quem está aí? Saia e apareça! – Gritei, a irritação e melancolia presentes no meu tom de voz.

- Desculpe, sou eu,Jacob! – Um homem alto, moreno, cabelos curtos e negros, saiu de dentro da pequena floresta. Como sempre estava sem blusa.

Eu, por impulso talvez, levantei do banco e corri até ele, abraçando-o. Senti aquela pele quente ir de encontro a minha. Eu o adorava muito. Jake estava sempre ao meu lado e nunca me deixava sozinha. Acabei me arrependendo de ter pedido para ele se afastar de mim no dia do baile.

- AhJacob, ele me disse coisas horríveis!Falou que eu era esquisita e ridícula, que ninguém seria capaz de me amar. Se você estivesse lá, ao meu lado, como sempre fez, teria sido tudo diferente! Eu não fui capaz de me defender e revidar, masvocê com certeza teria acertado um belo soco naquele idiota e...

Jake silenciou-me, colocando seu dedo indicador em meus lábios e depois me abraçou fortemente. Num sussurro que apenas eu poderia escutar, ele disse:

- Esqueça o que aconteceu! Você é maravilhosa asua maneira! E deixe essa vingança de lado, pois não traz felicidade, apenas acarreta tristeza e muito ódio no coração. Você não precisa disso. Hoje é seu dia, aproveite-o bem!

- Não voltarei para aquele salão! Estou gostando de ficar aqui, abraçada a você. – Falei, com toda a sinceridade que possuía.

Eu não sabia o que estava ocorrendo comigo, masnão queria me soltar de Jacob. Era estranho, porém, ao mesmo tempo, gostoso. Senti algo esquisito no meu estômago, como se tivessem mil borboletas voando dentro dele. “O que será que está acontecendo comigo?”.

Jake me soltou de seu abraço. Eu busquei o seu olhar e passei a fita-lo. Eles me hipnotizavam de uma maneira que eu não sabia explicar. Eu pude ver a dor que os preenchiam. Aquilo me causou um aperto no coração.

- Jacob...

- Não diga nada. Renesmee, eu tenho que lhe contar uma coisa muito importante. Eu guardei um sentimento que há muito tempo nutria por você, desde que eu a vi pela primeira vez, quando era apenas um bebê. Contudo, não posso mais escondê-lo, acho que você tem todo o direito de saber. Eu te amo muito, mais que minha própria vida. – Suas palavras me deixaram perdida e minha mente começou a trabalhar rapidamente.

Então ele se virou, pronto para transformar-se em lobo e partir. Notei que suas mãos tremiam excessivamente. A última frase dita por ele caiu como um baque ensurdecedor em mim e ficou ecoando por todo o meu cérebro. Sem pensar, eu segurei o braço dele, fazendo-o ficarnovamentede frente para mim. Segurei seu rosto, encarando aqueles belos olhos.

Mostrei a ele minhas melhores lembranças e em todas elasJacob se encontrava lá, ao meu lado, sempre me fazendo rir. Aproximei nossos rostos com esse gesto. Fechei meus olhos e deixei meus instintos guiarem-me.

Senti meu coração acelerar, querendo saltar pela boca. Nossos narizes já se tocavam e eu percebi a respiração ofegante de Jacob, totalmente diferente do outro. Nossos lábios se encontraram e entãoeu finalmente pude sentir o doce e encantado beijo. Nossas línguas se entrelaçavam em um sincronismo perfeito, como se estivessem dançando.

Eu nunca tinha tido essa sensação maravilhosa. Era melhor que correr em alta velocidade, melhor que poder saltar. Era algo mágico, parecia que tinha sido tirado dos contos de fadas, porémtotalmente real! Nada mais importava, eu só queria estar ao lado do MEU Jacob. Sim, MEU.

O filho dos Newton nunca foi um príncipe e sim um sapo horroroso disfarçado. Ele era e sempre será uma farsa e eu nunca consegui enxergar. Hoje, nesse exato momento, descobri o meu verdadeiro príncipe e um belíssimo sentimento que quero guardar por toda a eternidade, o amor! Jacob, o nome do único que terá o meu coração.

- Eu te amo! – Sussurrei em seu ouvido, quando paramos de nos beijar, apenas para respirar.

- Eu te amo mais. – Ele respondeu – E que seja para todo o sempre.

- Para sempre... – Eu concordei.

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