As coisas ainda estavam confusas para Gilbert. Quando ele acordou e saiu do cárcere em que se encontrava, abraçou seu irmão, os amigos e cumprimentou até mesmo Rússia, Lituânia e todos os ex-soviéticos. Feliciano propôs uma comemoração no mesmo dia, mas o albino pediu para esperar.

Queria fazer uma surpresa.

Agora estava na casa de Áustria depois de ter conseguido entrar pela janela. Ouviu a melodia do piano. Roderich estava tocando.

Valsa em A menor, de Chopin.

O albino fechou os olhos.

A melodia ora estava lenta, ora acelerada. Complexa. Nem tão suave, nem tão grosseira. Em alguns momentos as notas eram serenas e ordenadas, compassadas. Outras vezes, eram bruscas, impiedosas.

Combinava com o austríaco.

Gilbert estava com tanta saudade da música do moreno... Durante o tempo que vivera confinado sonhou em ouvir novamente aquelas notas. Caminhou até a sala de música, abriu a porta sem fazer qualquer barulho e trancou-a. Ele poderia ficar la a noite inteira, apreciando o som.

Roderich estava concentrado no próprio instrumento, a ponto de não perceber que o Gilbird quieto em seu ombro havia voado. Gilbert sorriu e deixou a pequena ave pousar em seu dedo indicador, mas fez sinal de silêncio.

Dessa vez... Ao menos dessa vez, ele queria ouvir até o fim.

Roderich abriu os olhos enquanto tocava as últimas notas e quando terminou, ficou olhando para o instrumento.

Ficou assim por um bom tempo.

"Gilbird?"

Ao notar a ausência da ave, Áustria se levantou para procurá-la.

Então olhou para trás e levou um susto ao ver o intruso.

Gilbert riu com a reação do moreno. Podia ver claramente que Áustria estava surpreso demais, mesmo que tentasse não demonstrar. Era capaz de Roderich acreditar que estava diante de uma ilusão.

O albino se aproximou do moreno e quanto mais via a incredulidade dele, mas tinha vontade de rir.

"O que foi, aristocrata? Viu um fantasma muito incrível?"

"G... Gilbert...?"

"Por que essa cara? É tão ruim assim me ver?"

Roderich não conseguia acreditar no que via. O albino estava mesmo diante dele agora.

"Gilbert... É você mesmo?"

O pianista se atreveu a passar os dedos no rosto do prussiano e, ao fazer isso, o albino não resistiu em fechar os olhos e aproveitar o carinho. O toque do austríaco era tão suave, tão delicado.

Áustria tocou os cabelos brancos e ficou olhando cada detalhe daquele rosto.

"Pareço uma ilusão?" O prussiano segurou o rosto do moreno e o puxou levemente para perto.

"Não... Isso é impossível."

"Eu disse que voltaria. Não acreditou em mim?"

"Gil..."

Gilbert sorriu, fechou os olhos e encostou seus lábios nos dele. O beijo levou Roderich a mergulhar no escuro e se deixar levar. Pouco importava se era sua mente pregando uma peça. Estava junto a Prússia agora.

Áustria abriu a boca e deixou o contato tornar-se mais profundo. A língua do albino encostou na sua e começou uma suave dança. Roderich não podia acreditar. Aquilo não parecia um sonho. Era real demais. Passou as mãos pelos cabelos do albino e puxou alguns fios. Gilbert retribuiu o gesto prendendo a cintura dele com um braço e agarrando a nuca do morendo com a outra mão.

As bocas se separaram e Prússia passou a encher pescoço do pianista de beijos. Não se importava em deixar marcas naquela pele alva, cujo dono abraçava fortemente seu pescoço e deixava escapar gemidos, como se quisesse o albino só para si. A essa hora, Gilbird já havia voado pela janela.

Roderich acabou sendo prensado no piano e afundou seu rosto no pescoço do visitante, chupando a pele e marcando-a enquanto era abraçado. Os abraços e os toques foram ficando mais exigentes. Era como se ambos tivessem medo que aquele momento acabasse no menor instante.

De repente, a mão de Gilbert foi mais além e caminhou para dentro da calça do anfitrião, apalpando as nádegas. Os rosto do moreno ficou mais vermelho enquanto sua boca estava ocupada pela de Prússia, e teve que ter muita força de vontade para afastar Gilbert de si e interromper o ato.

Gilbert abriu os olhos e olhou confuso para o austríaco preso em seus braços.

"O que foi?" perguntou ofegante "Não quer continuar?"

"Não é isso."

"Então o que é?"

Roderich virou o rosto.

"Não podemos fazer isso no piano."

"............."

Gilbert ficou sem palavras.

Ta, ele NÃO QUERIA acreditar que Roderich tinha dito uma coisa daquelas num momento daqueles.

"MERDA, RODDY! Eu fiquei ANOS sem lhe ver!"

"Uma coisa não tem nada a ver com a outra."

"Eu quase MORRI!"

"No piano não."

Em algum lugar do mundo, alguém responderia para Gilbert por que de tantas nações ele tinha que se apaixonar justamente pela mais metódica de todas.

Um dia talvez encontraria a resposta, mas por enquanto...

"Está bem" puxou o austríaco contra a mesa mais próxima "Ficamos longe do piano então." Voltou a tomar seus lábios com luxúria.

Os óculos só atrapalhavam. Era hora de eliminá-los. A calça precisava ser aberta para dar espaço à excitação. Livrar-se dos botões da camisa de Roderich não foi mais difícil do que desamarrar aquele maldito lenço (mesmo que Gilbert soubesse fazer e desfazer aquele nó com perfeição). Áustria tirou o casaco do amante e o ajudou a tirar a blusa.

Os dois se olharam.

Prússia abriu um sorriso maroto e o deitou sobre a mesa, acariciando suas costas.

"Você está muito sexy desse jeito, aristocrata." Beijou o sinal no canto da boca.

Roderich apertou os olhos e soltou um gemido mais alto que os anteriores, provocando um riso do albino. Gilbert passou as mãos pela cintura do pianista e beijou seu pescoço para depois chupar o lóbulo da orelha.

"Ei, aristocrata..." murmurou roucamente ao seu ouvido "Eu te amo."

Roderich, com o rosto corado, passou os dedos pelos cabelos brancos e sorriu.

"Também te amo, obakasan."

Outro beijo, mais ardente, e as carícias ficaram mais ousadas. Livraram-se das calças e de toda a roupa íntima, e Roderich teve que cobrir a boca para evitar colocar todo o prazer provocado pela mão de Gilbert massageando seu membro.

Prússia se posicionou entre as pernas do moreno e a penetração veio em seguida, provocando um grito de Roderich. A medida que as estocadas começavam, a dor se misturava ao prazer provocado pelos movimentos cada vez mais acelerados. Os dedos dos pés de Áustria se contorciam e os gemidos dos amantes ficavam cada vez mais fortes.

"Ahhh!!! Ahhh!!! G... Gilbert!!!"

Prússia agarrou Áustria pela cintura e o fez se sentar antes de se mover com mais força e mais vigor. Suavam frio e queimavam por dentro, com os rostos cada vez mais vermelhos de prazer.

"Gilbert! Ahhh!!!"

Roderich chegou ao ápice primeiro, manchando o albino e deixando escapar um grito. Mesmo assim, Prússia ainda se movia dentro dele, até finalmente explodir dentro do pianista.

Quando tudo acabou, o austríaco, cansado e com o corpo amolecido, abraçou o pescoço e descansou a cabeça no ombro do amante.

Gilbert estava exausto demais pra continuar de pé, então abraçou Roderich, se encostou na parede e foi arrastando até o chão, sentando-se com Áustria entre suas pernas.

Ambos tentavam controlar a respiração e recuperar as forças.

"... Ainda acha..." o albino tentava falar "Que eu sou uma ilusão...?"

Roderich riu e passou a mão pelos cabelos bagunçados.

"Se for... Então eu realmente estou louco."

Gilbert o acompanhou no riso e encostou os lábios na testa do moreno.

"Roddy."

"O que foi?"

"Vamos continuar aqui ou vamos nos vestir antes que os empregados batam a porta?"

Os dedos de Áustria tocaram suavemente o piano, começando a melodia de Sonata ao Luar, de Beethoven.

Os olhos de Gilbert estavam longe dali, mas seus ouvidos se concentravam unicamente na música. Quantas vezes tinha fechado os olhos imaginando o que Roderich estaria tocando? Quantas vezes já quis ouvir outra canção dedicada somente a ele?

O albino cutucou Gilbird em seus cabelos, repousou a cabeça no ombro do pianista e fechou os olhos. Não pensava mais nas guerras, no inverno ou mesmo na solidão.

"Fiquei anos sonhando com o dia que eu o reencontraria, aristocrata."

O austríaco continuou tocando concentradamente, sem tirar os olhos das teclas.

"Como teve tanta certeza que voltaria, Gilbert?"

"Eu me conheço, Roddy. Sei o que me liga à Terra... E o que não me liga."

Os olhos vermelhos se abriram lentamente ao som daquela música suave.

"Mas mesmo com minha incrível certeza... Eu fiquei com medo. Não conte pra ninguém."

"Não contarei."

Áustria tinha muitas perguntas para fazer, mas esperou pelas palavras do amante. Concentrou-se na melodia que tocava.

"Eu não desapareci. Quando eles fizeram o anúncio... Só entrei em um sono profundo e acordei assim que essa guerra acabou. Sabe por que?"

Prússia desencostou a cabeça do ombro do amante e viu que ele parou de tocar para escutar a explicação.

"Porque a Ordem ainda existe, Roddy. Eu só me tornei Prússia porque uma parte dela ocupou aquele território. Minha existência começou com os Cavaleiros, então estou mais ligado a eles do que qualquer outra coisa."

Os olhos violetas se arregalaram de repente. Aquela reação dizia muito para Gilbert, que segurou o rosto do austríaco carinhosamente.

"Você..." o moreno tentava conter a emoção na voz "Você sabia que tinha uma chance de não desaparecer... Porque eu estava cuidando da Ordem."

"Sim. Você nunca a deixou ser dizimada."

Foi a primeira vez depois de tanto tempo que Áustria conseguia expressar uma emoção. Dos olhos violetas brotaram umas fracas lágrimas que se recusavam a descer pela face do músico. Lágrimas que foram enxugadas pelo cavaleiro.

"Roddy, eu... Eu amo você. Juro que não queria ter me afastado."

Áustria voltou a si e sorriu. Ele já tinha ouvido esse discurso no dia que dividiram um fuuton, mas seu amante não precisava saber.

"Gilbert."

"Sim?"

"Se me deixar tocar até o fim, deixo você passar a noite aqui."

Por essa resposta o cavaleiro não esperava.

"Você quer tocar depois do que eu falei?! Você devia estar me convidado pra ir até o seu quarto!"

"Mas eu quero tocar piano agora e se vamos ter um relacionamento não pode ficar me atrapalhando."

"Só se você não ficar tocando isso doze horas por dia."

"Pare de ser exagerado. Eu não toco tanto assim."

"Toca sim." passou o braço pela cintura dele e beijou sua orelha "Eu o deixarei tocar com uma condição."

"Qual?"

"Me ensine essa música."

Dessa vez foi Roderich que se surpreendeu.

"Esta bem, mas preste a atenção. Não quero ter que repetir a lição."

"Não se preocupe. O incrível eu será o aluno mais incrível que você já viu e verá por toda a sua vida."

Em algumas horas, a música podia ser tocada por quatro mãos.

Notas finais
Desculpem por esse capítulo gigantesco e esse lemon que eu nem sei se ficou bom. Eu nem gosto de lemon, mas nesse cap. TINHA QUE TER UM!! Eles ficaram anos sem se ver, neh? Tinham mais que se agarrar!!! o/
Na minha opinião, mesmo que Gilbert tenha virado Alemanha do Leste, isso só aconteceu porque a Ordem existe até hoje (A sede é em Viena). Afinal, Roma, Germânia, Grécia Antiga e Egito não existem mais, mesmo que os territórios ainda estejam la. Por que seria diferente com Prússia, que foi abolida oficialmente (com declaração e tudo mais)?
Espero que tenham gostado *--*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.