Pruaus Moments
11 Juntos
Roderich olhou para a direita, olhou para a esquerda e mesmo assim não quis aceitar a cruel realidade.
Estava perdido.
Bem que o pequeno Sacro Império Romano se ofereceu para acompanhá-lo, mas Áustria sabia que no fundo o menino queria ver o Chibitália (Roderich gostava da ideia do seu inquilino gostar de Itália, já que pretendia tomá-la para trabalhar em sua casa).
De repente o austríaco ouviu um barulho nas pedras e logo pegou a espada. Estava pronto para lutar contra qualquer inimigo, principalmente se fosse um pagão querendo atacar.
Esperou o causador do barulho se revelar e quando isso aconteceu, Roderich viu que não era nenhum pagão, mas sim Ordem dos Cavaleiros Teutônicos.
"Perdido, mein herr?" o albino sorria diante da situação de seu senhor.
"Ordem."
"Você devia ter ouvido o Sacro Império. Como pode ter o senso de direção pior do que o de uma criança? Se bem que aquele garotinho não é tão melhor que você nesse quesito."
"Que ousadia! Eu não lhe permiti um tratamento desses."
"Kesesese! Desculpe, mein herr, só me pareceu divertido." Pegou delicadamente a mão do moreno e a beijou "Quer que eu o acompanhe até sua casa?"
"N-não precisa. Eu sei o caminho da minha casa."
Roderich não teve coragem de olhar os olhos vermelhos. Negava-se a confessar que não fazia ideia de onde estava e que seria muito bom se o cavaleiro o levasse de volta pra casa. Já Ordem tinha que se segurar para não cair na risada e ser expulso das terras de Áustria.
"Eu insisto, senhor. Você está perto da minha Haus Komtüren, então é meu dever lhe acompanhar. Além disso posso lhe proteger caso apareça algum inimigo."
"...Está bem. Obrigado."
"Ordem."
Os dois olharam para a pessoa que tinha chamado Gilbert. Era um cavaleiro de idade com armadura pesada e que mesmo assim conseguia se mover normalmente.
"Mein hochmeister?" disse o albino respeitosamente, se aproximando do cavaleiro.
O homem olhou de relance para Roderich, depois falou de um jeito que só Ordem pudesse ouvir.
"Precisamos de você na casa de comando. Os bruders precisam ouvir uma decisão."
"Eh? Posso levar o jovem amo pra casa primeiro? Ele se perde muito facilmente, sabe?"
O líder de Ordem olhou de relance para o austríaco e depois voltou-se para o albino.
"Está bem."
Roderich e seu cavaleiro caminhavam tranquilamente em direção à casa do austríaco. O sol já estava se pondo aquela hora.
"Será que é uma nova campanha?" arriscou o moreno.
"Não... Ele teria falado com o Sacro Imperador, não acha? Talvez a família ainda fique aqui e só eu tenha que sair pra visitar um ou outro forte."
Gilbert olhou para o austríaco com um sorriso.
"E ai? Como está o menino?" Depois de fazer pergunta, viu Roderich fechar os olhos e sorriu também.
"Perguntou por você ontem. Vive dizendo que quando crescer será um cavaleiro."
"Ele me disse isso também. Quem não quer ser incrível como eu, neh? Ele quer surpreender a Itália. Kesesese!"
"Ele precisa parar de assustá-la primeiro."
Quando chegaram, Sacro Império Romano estava lendo no jardim, mas ao ver os dois, fechou o livro, se levantou e caminhou alguns passos. Ordem sorriu, correu feliz até o garoto e se apoiou em um joelho.
"Bruder! Que bom ver você!"
"Bruder?" Áustria não entendeu.
"Claro! Todos os cavaleiros são irmãos, então nos tratamos por bruder. Sacro Império vai ser um cavaleiro, não é? Então é meu bruder desde já."
A criança sorriu e passou a olhar para Roderich.
"Áustria, Ordem vai jantar conosco hoje?"
"Se ele quiser, poderá ficar sim."
"Ah, hoje não vai dar, irmãozinho. Meu líder está me convocando. Outro dia talvez."
O menino assentiu.
"Está bem. Outro dia então."
Ordem se levantou e pegou a mão do austríaco "Até outro dia também, mein herr" beijou-a e foi embora.
A noite de inverno era de um céu nublado e ar silencioso.
Áustria já estava com roupa de dormir quando saiu do trocador e tirou os óculos. Tirou a colcha que cobria a cama e se deitou. Porém, quando virou-se para o outro lado, se deparou com um certo cavaleiro bem na sua janela.
"Ordem!"
O moreno rapidamente se levantou, abriu a janela e o puxou para dentro.
"O que faz aqui a essa hora?" Fechou a janela "E como conseguiu subir até meu quarto?"
"Eu tenho meus truques." o albino disfarçava a tremedeira decorrente do frio intenso. "Eu precisava lhe ver."
"E não poderia ser amanhã? Sabe que horas são?"
"Não. Eu vou embora."
O moreno paralisou quando ouviu aquilo. Foi tão de repente que ficou sem palavras. Ordem iria embora? Por que? Qual o motivo? Seus líderes haviam brigado? Não, tudo menos isso.
"Herr?" Gilbert o segurou pelos ombros "Está me ouvindo?"
"Você vai embora? Por... Por que?"
"Porque eu não tenho terra. Preciso de um lugar pra me instalar definitivamente e não vou conseguir isso trabalhando pra você e pro Sacro Império."
"..."
Ordem passou as mãos nos cabelos brancos e tentou sorrir.
"Eu só vim me despedir, sabe?"
Roderich não queria aceitar aquela realidade, mas não havia outra escolha. Ele pensou em dar parte de suas terras para o cavaleiro, como fez Hungria ao presentear o albino com Transilvânia, mas o que aconteceria depois? Ordem ia querer se expandir e era só uma questão de tempo até eles dois virarem inimigos.
Áustria sempre foi muito racional. Sempre pensava nas consequências de seus atos, mas agora estava em dúvida.
Como se tivesse conseguido ler sua mente, o albino tocou no rosto do nobre.
"Isso não é pra sempre, Áustria. Eu vou voltar e quando isso acontecer, estarei mais forte."
Os olhos violetas encontraram os vermelhos.
"Vamos sentir sua falta. Sacro Império e... Eu."
"Também sentirei a de vocês."
"..."
O tempo passou devagar enquanto Ordem acariciava o rosto do austríaco. O moreno nem sabia explicar exatamente o que estava sentindo naquele momento. Só sentiu algo assim quando teve que se separar de Suiça e ainda assim sabia explicar. Afinal, Vash era seu igual, mas Ordem nem era um país. Apenas um cavaleiro.
Gilbert aproximou os rostos.
"Que engraçado... Eu sou um nômade, mas pela primeira vez quero me despedir da forma correta. Como você se despede das pessoas que gosta?"
"Eu... Eu as beijo."
As maçãs do rosto do prussiano reluziram.
"Se é assim..."
A medida que o prussiano se aproximava, o austríaco ficava cada vez mais corado. Devia dizer que estava falando em beijos no rosto, e alertar o albino que não podia ser beijado daquele jeito por ser solteiro. Mas ao invés disso, fechou os olhos e sentiu os lábios dele pousarem nos seus.
Ele voltaria. Sim, voltaria. Um cavaleiro sempre volta para o seu amo.
Notas finais
Juntei isso pra fazer um cap fofo com Sacro Império :3
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