Providence - The Last Chapter
2 Resgate
–COMO ASSIM? EXPLICA ISSO DIREITO, IA! – Gritou Holly. Eu já sabia que a reação seria essa. Holiday era tão previsível...
–Eu já disse, ele foi se encontrar com a Turminha do Van Kleiss. Se bem que, com aquele cabelão, ele parece um vampiro de um jogo que eu gosto muito.
–Quem te deu permissão para jogar videogame? – Perguntou Seis, sem olhar para o lado.
–É... – Comecei a dizer, até que Holly começou a "ter um ataque".
–ELE NÃO PODE FAZER ISSO! NÃO AGORA! NÓS CUIDAMOS DELE E É ASSIM QUE ELE AGRADECE!? – Falou, enquanto quebrava alguns potinhos com líquidos estranhos.
–Holly, por favor...
–Não adianta. Ela vai continuar assim até amanhã. – Falei, já indo para meu quarto.
–Vamos procurar o Rex. – Disse Seis.
–LÓGICO! E RÁPIDO! – Berrou Holly, quebrando mais alguns frascos.
–Posso ir jun...
–NÃO!!! – Disseram, em coro.
–Posso processar você, Seis?
–Vamos logo, Holly. – Murmurou ele, levando-a para um dos hangares.
–Sério, posso te processar? – Indaguei, seguindo os dois.
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–Vamos alla playa! Oh oh oh oh oh! – Cantava Haha, alegre, com uma daquelas camisas que surfistas usam por algum motivo oculto (por que eles gostam tanto de palmeiras e coqueiros? Se são surfistas, deveriam gostar de mar! Se joguem na boca de um tubarão. Eu pago quinze pilas para ver de camarote. Posso filmar também? Obrigada).
–Nós não vamos à Praia, Haha. – Disse Seis, sem se virar para trás.
–Eu acho que vou... Ugh! – Segurei a vontade de vomitar quando Seis virou uma curva brusca. – Odeio naves! Odeio!
–Você que insistiu em vir conosco. Poderia ficar lá... ver um filminho... chamar o amigo do Rex...
–Doutora, você está insinuando que eu e o Noah... – Comecei, já tendo a resposta pela cara maliciosa de Holiday. – Não!!! Nós não estamos namorando!!! – Gritei.
–Não parece. – Disse Seis, se aliando a Holly.
–Qual é, gente? O Noah gosta daquela garota que eu não decorei o nome! Eu não tenho chance nenhuma com ele!
–Então, afinal, você admite seu amor pelo Noah? – Disse Holiday, num tom sapeca.
–Posso enforcar você? – Senti minhas bochechas queimando. Não sei se era de raiva ou de vergonha.
–Sem violência aí atrás! – Ordenou Seis, provavelmente já sabendo que eu poderia atirar Holiday daquela nave em três minutos.
Um tempo se passou. Ficamos em silêncio, apenas escutando os chiados dos puns de Haha.
–Doutora...
–Sim?
–Por que seu nome é Férias?
–Meu nome é Rebecca, Iris. E é porque meus pais tinham este sobrenome. – Explicou calmamente. Parece que já tinha passado o surto.
–Entendo... E seus pais eram legais? – Perguntei, sentindo um formigamento na perna direita. Eu já sabia o que iria acontecer. Holiday e Seis também.
–Não é hora para isso, temos que buscar o Rex. – Disse Seis, alguns segundos antes de uma lágrima começar a descer pelo meu rosto e o formigamento ficar ainda mais forte. Já chegava a ser tremedeira.
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Chegamos no Castelo de Diamante da Barbie... ops! Digo, de Van Kleiss. Por uns minutos, ele realmente parece MUITO com o vampiro daquele jogo. Ok, não é hora para isso, vamos lá!
Assim que entramos, Biolobo surgiu de um monte de fumaça negra que estava quase chegando em nós. Seis olhou para mim. Eu entendi o recado em poucos segundos.
–Assado ou frito? – Brinquei, antes de criar cinco katanas (aquela espadinha de guerreiro japonês... ou seria chinês?) com meus dedos e derrubar Biolobo com dois golpes.
Entramos cada vez mais no castelo e, depois de andar alguns metros dentro da fumaça, vi um brilho azul no meio da escuridão.
–Rex? – Disse, aumentando o tom da voz e correndo na direção da luz. O som dos passos de Seis e Holiday atrás de mim me dava certa segurança.
Me joguei na luz azul (não falei que eu era doida?) e acabei sendo jogada direto em uma parede.
–Aaai... – Coloquei uma das mãos na cabeça. – Alguém anotou a placa do busão que passou por aqui?
–Você não vai machucar meus amigos. – Disse Rex, de um jeito estranho. Normalmente, aquelas palavras me deixavam tranquila, mas, desta vez, me deram medo. Os olhos dele estavam completamente azuis e ele estava com duas armas afiadas nos braços. Eu não acredito. Ele realmente foi para o lado dos nossos inimigos?
–Mas... NÓS somos seus amigos! – Holly tentou correr na direção de Rex, mas foi contida por Seis.
–Rex, por favor! Eu sei que você está magoado comigo. Talvez... talvez... se eu não tivesse atacado a Sirene naquela hora... se eu não tivesse te perseguido... nada disso teria acontecido... – Falei, com um certo receio.
–Sim. É tudo culpa sua. Você a matou. A CULPA É SUA!!! – Gritou ele, correndo na minha direção.
–E-eu... – Minhas palavras sumiram e eu fiquei com a boca aberta. Eu a vi. Eu vi Sirene passar rapidamente por trás da fumaça. Talvez ela não esteja realmente morta. Talvez tudo tenha sido uma armação.
–VOCÊ SABE COMO DÓI PERDER ALGUÉM QUE VOCÊ AMA? – Berrava Rex, enquanto me nocauteava com os braços mecânicos.
Com o canto dos olhos, percebi que Holiday e Seis tinham voltado para a nave. Holly tentava arrebentar a porta, o que era comprovado pelos estrondos, enquanto Seis segurava ela por lá, junto com Haha.
–Talvez...
–...como assim? – Perguntou Rex, me segurando a uns 4 metros de distância do chão.
–Eu não queria... eu não quero conhecer essa dor... Mas eu vou saber se... – Ok, chegou o momento. Não posso falhar. Por favor, voz, não suma agora! – ...se eu perder você.
Minhas palavras fizeram Rex me soltar e voltar ao estado normal. Ele parecia confuso, depois alegre, depois triste, então levou a mão a cabeça como se tivesse esquecido de algo... e caiu desacordado.
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