Protocolo - Bebê Aranha

2 Primeiro Dia de Aula


Notas iniciais
Sim, agora de tarde, pq vou estar ocupada e não sei se poderia postar mais tarde. Bem, de qualquer forma, bem-vindos a história oficial. Esqueci de dar um pequeno aviso antes: Querendo ou não, essa parte 2 vai focar um pouquinho mais na vida do Pete na escola. era só isso mesmo! ~~ Boa Leitura

— Você tem os livros de matemática, ciência e história? — Tony perguntou, vagando sem rumo pelo quarto de Peter freneticamente, apenas chegando se tudo estava em ordem. Ele parecia mais nervoso do que o próprio filho.

Peter se permitiu rir disso, balançando a cabeça de um lado para o outro enquanto olhava para aflição do pai.

— Sim — Ele afirmou, ajustando os três livros em uma pequena pilha em cima da escrivaninha que agora estava ocupada por um notebook e alguns livros de Romance ainda espalhados.

— Lápis? Caneta? Compasso? — Tony continuou perguntando, como se estivesse recitando uma lista de compras. Ele parou de andar e olhou para Peter. — As crianças ainda usam compasso?

Peter riu, abaixando a pochete cheia de lápis, canetas, borrachas e tudo mais que o sr. Stark pensou que ele precisaria — o que incluía coisas estranhas como fita adesiva. Ele nunca pensou que viveria uma cena assim, com seu pai querendo ter certeza de que tudo estava em ordem para o “primeiro dia de aula”.

Peter sentia como se estivesse entrando no fundamental novamente.

— Sr. Stark está tudo bem, eu tenho tudo que preciso — Ele disse, se virando para o homem mais velho com um sorriso no rosto. Tony se aproximou e afagou seus cabelos carinhosamente.

— Você não pode me culpar quanto a isso — Ele disse, balançando a cabeça negativamente para o menor, rindo de si mesmo apesar de tudo.

— Eu vou ficar bem, acho que a escola continua a mesma de antes — Peter disse, dando de ombros. — O senhor sabe, pressão psicologia, provas, valentões, professores chatos... o mesmo de sempre. Eu ainda acho que poderia ir a pé...

Peter sabia que tocar nesse assunto novamente não era uma boa ideia, considerando o quão protetor Tony estava; como se Peter fosse sair da Torre e ser abduzido por alienígenas na mesma hora.

— Nós já conversamos sobre isso Peter — Ele disse num tom firme e repreensivo, soando realmente diferente de antes. Peter estava aprendendo a identificar esse tom de voz como um aviso. — Happy te leva, Happy te traz. Você não vai andar sozinho até Forest Hill

Peter gemeu, deixando seus ombros caírem apenas para demonstrar a sua insatisfação com isso. Não é que ele não gostasse de Happy — apesar do homem parecer bem rabugento —, o fato é que Tony não estava considerando a antiga vida de dele. Peter viveu nas ruas durante um ano e meio antes do bilionário aparecer, o garoto sabia como se cuidar e andar de metrô não iria decapitar ninguém.

— Mas sr. Stark eu posso ir de metrô, não é uma grande coisa. Eu pegava o metrô todos os dias para ir pra escola, a única diferença agora é que é um pouquinho mais longe — Peter argumentou, uma tentativa de convencer o homem, mesmo sabendo apenas pelo olhar em seu rosto que era em vão. — Eu vivia nas ruas, sei me cuidar. Você está se preocupando demais

— Já disse que não Peter — Tony disse, firme e forte, nenhum pouco afetado pelos olhos de cachorrinho que Peter estava lhe dando. — Você vivia nas ruas, não vive mais. É minha responsabilidade cuidar de você agora, e isso inclui me certificar de que você vai e volta da escola inteiro. Não estou arriscando.

Peter bufou, cruzando os braços sobre o peito com as sobrancelhas franzidas em descontentamento. É claro que tinha um motivo para toda essa teimosia, e de acordo com os planos de Peter, ele logo seria conhecido nas cores vermelho e azul.

Ele não ia deixar o Homem-Aranha para trás, e agora que tinha tecnologia Stark a sua disposição Peter pretendia criar um traje real e atiradores de qualidade, que não fossem relógios quebrados. Ele já tinha toda uma ideia formada e só estava tentando ganhar tempo.

— Vamos lá garoto, não faça essa cara — Tony disse, estendendo os braços pra puxar Peter para mais um abraço.

Isso tem se tornado recorrente, e Peter detesta admitir que ele realmente ama os abraços do sr. Stark. São tão acolhedores e é exatamente o tipo de atenção que ele sempre ansiou. Ele nunca iniciava, por isso era quase um acontecimento raro, mas Peter amava quando acontecia, contribuindo no mesmo instante.

Agora não foi diferente, apesar de ele estar emburrado.

Peter podia dar um jeito no Homem-Aranha, se dividir em dois e continuar com as suas ideias de patrulha. Pode ser um pouco trabalhoso, mas ele ainda pode tentar.

Ele só tinha que ludibriar um bilionário, conhecido por ser um gênio em todo o mundo.

...

Peter nunca sonhou que um dia iria estudar em Midtown High School, uma escola somente para gênios e todas essas baboseiras que há muito tempo ele já tinha parado de pensar sobre, mas agora era obrigado a voltar a uma realidade de adolescente. Ele não tinha certeza se estava preparado para isso.

Peter só teve um amigo em toda a sua vida, e nesse momento ele ainda deve estar morando na Europa, estudando em um colégio interno e curtindo uma vida de playboyzinho rico. Provavelmente, nem sequer lembra da sua existência.

Enquanto isso Peter está aqui, enfrentando o desafio de encarar o primeiro dia de aula no meio do ano, como se estivesse entrando em uma escola pela primeira vez — pelo menos era assim que ele se sentia. Ele teve sorte de ter sido aceito no oitavo ano, já que perdeu os últimos dois anos letivos, mas Tony já resolveu isso, ou quase.

Peter terá que participar das aulas de verão nas férias, e não importa qual for a sua média, afinal, ele tinha que recuperar o tempo perdido. Parecia um bom plano quando o sr. Stark falava, mas agora a única coisa que ele consegue pensar é no quão cansativo isso vai ser.

— Happy vai vir te pegar as quatro em ponto, okey? — Tony disse, se virando para encarar Peter do banco de motorista. Estavam apenas os dois no Audi e o carro estava parado em frente ao enorme colégio. Peter podia ver a multidão de adolescente entrando e saindo, passando por eles. — Se alguma coisa acontecer...

Peter apertou a alça da mochila, se sentindo ansioso e talvez um pouco, apenas um pouco, assustado. Ele ajeitou o cachecol ao redor do pescoço e observou quando o sr. Stark tirou um celular do bolso do casaco.

Era o mesmo celular que ele vinha trabalhando nos últimos dias, totalmente focado enquanto Peter se debatia com seus projetos secretos relacionado ao Homem-Aranha — ou ficava apenas no tédio mesmo.

— Pode me ligar

O bilionário estendeu o celular para Peter, que aceitou ainda um pouco relutante. Era um Starkphone, um modelo que ele ainda não tinha visto antes e o pensamento de que tinha sido feito especialmente para ele fez o rosto de Peter esquentar.

— Não fique mandando mensagens durante as aulas — Ele avisou, mesclando o tom sério com um pouco de diversão. Peter acenou firmemente. — Ah e Karen está embutida, mas não se aproveite dela

Peter piscou para isso, levemente confuso e espantado. Eles ainda nem tinham planejado colocar a Karen em algum lugar, mas parece que Tony tomou a dianteira.

O jovem abriu um enorme sorriso, não se contendo.

— Serio? Isso é tão legal! Obrigado s- Tony — Peter corou mais profundamente, quando novamente se viu tendo que se corrigir no meio da frase. Isso tem acontecido muito mais do que ele gostaria.

Ele estava tentando, okey? Era difícil ver o homem que você sempre admirou de longe como seu pai.

Felizmente, Tony não pareceu se importar e sorriu pra ele, pegando dessa vez uma folha e estendendo ela para Peter.

— É o seu horário, junto com o número do seu armário e o código — Peter pegou o papel e olhou para ele quase que ansioso para ver qual seria a primeira aula de hoje.

Ele não escondeu sua decepção ao ver que era espanhol.

— Obrigado — Ele disse de novo e dobrou a folha, guardando-a no bolso do casaco.

Peter sorriu quando o sr. Stark estendeu a mão e bagunçou seus cabelos, anteriormente alinhados em um estilo simples. O gesto era afetuoso e Peter já estava assimilando ele ao modo como Tony demonstrava carinho; ele decidiu que não tinha nada contra, na verdade, era até bom ganhar um pouco de atenção. O único que sofria com isso era o seu cabelo.

O menor abriu a porta, lançando um sorriso de despedida para o sr. Stark, que estava apenas encarando cada um de seus movimentos com receio.

Peter estava nervoso para o primeiro dia de aula, mas Tony estava assustado em deixar seu filho sozinho por oito horas consecutivas.

— Até depois — Ele acenou para o bilionário, descendo do carro para enfrentar o vento frio e a neve que ainda caia do lado defora.

Ainda é janeiro, o começo de mais um ano, e o inverno está ficando cada vez mais intenso com o passar dos dias. Peter se recusa a imaginar como ele estaria se seu pai não tivesse o encontrado.

Provavelmente morto.

Mesmo com o suéter e o casaco cheio de dimensões, Peter ainda estava tremendo. O frio se infiltrava pelas suas roupas até sua pele e ele decidiu que tinha que sair dali o mais rápido possível.

— Se cuida! — Tony gritou de dento do carro, esperando que Peter entrasse no colégio para enfim ir embora.

Foi exatamente isso que aconteceu.

O colégio estava mais quente do lado de dentro, cheio de adolescentes andando de um lado para o outro. O barulho e a quantidade de gente falando ao mesmo tempo confundiu um pouco Peter; eram coisas demais para os seus sentidos aprimorados, por isso ele tentou empurra-los para o fundo da sua mente.

Peter tentou passar despercebido, e de certa forma funcionou.

Ele parou de andar quando viu um monitor em meio ao corredor, uma espécie de “Jornal da Escola”, onde uma garota loira estava apresentando as manchetes. Peter estranhou isso já que, na sua antiga escola, o grupo do Jornal da Escola era praticamente alvo de bully de todo mundo — ele sabe bem disso porquê ele era o “fotografo” —, mas aqui isso parece ser um pouco mais importante.

Peter de fato parou para ouvir quando reconheceu a garota.

Era Betty. Ela trabalhava junto com a MJ no abrigo nos finais de semana — e aparentemente nas férias —, Peter não pode evitar e abriu um pequeno sorriso, se sentindo feliz em reconhecer um rosto amigo no meio de tantos adolescentes estranhos.

— Bem-vindos de volta alunos de Midtown! — Ela disse, sorrindo amigavelmente para a câmera. — Espero que tenham curtido as festas de fim de ano. Mas agora temos algumas notícias sobre o que aconteceu durante esse tempo-

Peter enfiou a mão no bolso do casaco, desviando a atenção do monitor. Ele pegou novamente o papel que seu pai lhe deu para ver qual era o número do seu armário e o código. 342.

Peter de uma última olhada para Betty que agora estava falando sobre uma briga que teve em um retiro da escola. Ele se afastou, tentando se guiar sozinho pelos corredores, perdido no meio de tanta gente que simplesmente ignoraram sua presença; ele estava contente com isso. Por fim, ele finalmente encontrou seu armário, que era ao lado do laboratório de química.

Peter colocou o código e o abriu, encontrando o espaço completamente vazio, mais ainda assim haviam marcas de figurinhas na porta e mais no interior. O azul na porta era diferente do azul do armário — mais claro —, aparentemente alguém havia colocado um espelho ali. Ele tirou a mochila, pegando os livros didáticos para organiza-los em seu armário. Peter tomou seu tempo, sem se importar muito com o resto dos alunos.

Até que alguém parou do seu lado, lhe cutucando de forma hesitante.

— Com licença — Uma voz perguntou e Peter se virou para ver quem era.

Um garoto com a mesma idade de Peter estava parado ao seu lado, mãos ocupadas com pelo menos cinco livros didáticos diferentes. Ele tinha pele morena e estava gesticulando com a cabeça para o armário embaixo do de Peter.

Ele pegou a dica.

— Deixa que eu te ajudo — Peter disse, sendo rápido em pegar os livros da mão do garoto e abrir espaço para ele abrir o seu próprio armário.

— Obrigado — Ele disse e logo os livros estavam guardados em seu devido lugar, alinhados. — Odeio quando o meu armário é em baixo — O garoto brincou, se levantando para encarar Peter. — Você é novo?

Peter bufou um sorriso nervoso antes de concordar com um aceno, fechando a mochila para joga-la por cima dos seus ombros de novo.

Ele realmente não estava esperando conversar com alguém tão cedo, mas esse garoto parecia querer puxar conversa, então Peter seguiu a dele, tentando ser gentil.

— Seja bem-vindo então. Edward Leeds, mas pode me chamar de Ned — Ele disse, estendendo uma mão para Peter, oferecendo um sorriso.

O jovem aranha decidiu que gostava dele.

— Peter. Peter Parker — Ele disse, apertando a mão de Ned enquanto se esforçava para contribuir o sorriso da melhor maneira possível.

Tony e Peter haviam chegado a um acordo, junto com o diretor Morita. Basicamente, ninguém precisava saber que Peter era um Stark, já que isso poderia complicar um pouco a sua vida na escola — tanto pela atenção que ele certamente receberia dos seus colegas quanto pela mídia.

Por enquanto ele vai apenas omitir tudo isso.

Talvez a pior parte disso era que Peter estaria logo de cara mentindo para um possível amigo. Essa não era a melhor maneira de iniciar uma amizade — nem de longe.

— O que achou da escola? — Ned perguntou e Peter distraidamente fechou seu armário, trancando-o.

— Ainda não sei direito, mas parece ser legal. Você estuda aqui a muito tempo?

— Dois anos. A maioria dos professores são legais— Ele explicou de um modo descontraído. — E você, de onde é?

Peter estava agora apoiado no seu armário, conversando com um garoto que ele acabou de conhecer. Parte da tensão tinha saído dos seus ombros assim que ele viu Betty naquele monitor, mas agora a outra parte também estava indo embora com ajuda dessa conversa.

— Aqui mesmo do Queens — Respondeu em um impulso, mesmo que agora ele não morasse mais no Queens. Era difícil explicar tudo isso então ele apenas foi com o fluxo. — Só... estou mudando de escola

Peter, realmente, não queria afastar esse garoto. Ele parecia ser legal, o tipo de amigo que o jovem aranha gostaria de ter. Contar pra ele sobre os acontecimentos recentes — consequentemente explicar a sua outra vida — era quase como um repelente de pessoas. Era melhor deixar as coisas escondidas, pelo menos agora no início.

— Acho que você vai se dar bem aqui, é legal até — Ned disse, olhando por cima dos ombros de Peter por apenas um segundo antes de voltar a encara-lo. — Qual é a sua primeira aula?

— Espanhol — Peter respondeu, não esperando o sorriso cheio de dentes que ele recebeu logo em seguida.

— Sério? Que legal. Acho que estamos na mesma turma

Peter se permitiu sorrir, dessa vez de verdade, como se um peso tivesse sido tirado do seu peito.

...

Ned era legal. Muito legal na verdade. Ele e Peter eram dois nerds bobões e que certamente seriam intitulados como “Perdedores” por MJ. Ambos gostavam de Star Wars, ciências e entendiam as referências idiotas a cultura pop que um fazia de vez enquanto pro outro. Eles tinham quase todas as aulas junto, com exceção de Inglês e geometria.

A presença de Ned de fato acalmou um pouco Peter; pelo menos ele tinha certeza de que não ficaria sozinho assim como foi na sua outra escola. Era bom tem um amigo que curtia as mesmas coisas que ele.

Ned, aparentemente, também compartilhava esse sentimento.

Quando chegou a hora do almoço, ambos já estavam andando lado a lado para cima e para baixo, conversando sobre tudo; fosse o cartaz de boas-vindas pendurado no corredor — chamativo demais para o gosto de ambos —, fosse dos atletas particularmente marrento ou até mesmo sobre algumas aulas.

Peter chegou à conclusão de que gostava de Ned.

Na hora do almoço, ambos estavam sentados em uma mesa vazia no meio do grande refeitório, imersos em uma conversa sobre quem venceria uma luta entre Kratos e Thor. Ned acha que seria Kratos e Peter estava convencido de que seria Thor, mas a briga entre eles não era nada além de apenas uma brincadeira agitada.

As comidas em suas bandejas estavam esquecidas, ambos imersos em uma disputa boba e ainda assim divertida, quando de repente o celular de Peter vibrou no bolso.

Ele foi rápido em pega-lo, sorrindo quando viu que era uma mensagem de Tony.

“Como estão indo as coisas? ”

— Wow! Isso é um Starkphone? — Ned disse espantado, encarando o celular nas mãos de Peter com admiração e curiosidade. — É um modelo novo? Eu nunca vi antes

Ned parecia ser um nerd da tecnologia e Peter sorriu para isso. Essa, pelo visto, era mais uma das coisas que os dois tinham em comum, e era tão legal olhar as coisas desse ponto de vista.

— Acho que sim, não tenho certeza na verdade — Peter entregou brevemente o celular para Ned poder ver mais de perto, observando a reação do mais novo amigo. — Meu pai me deu

— Mas isso nem está nas lojas ainda... — Ned disse encantado, girando o aparelho em suas mãos com espanto. Peter sorriu para isso. — Seu pai é sócio do Tony Stark por acaso?

Peter encolheu os ombros na menção do nome do seu pai, pensando se esse era um bom momento para dizer a verdade, mas ele ainda tinha a sensação de que Ned só ficaria ao seu lado por causa do seu pai. Com medo disso, Peter resolveu esperar mais um pouco, optando por apenas dar de ombros.

— Algo assim

Ned devolveu o celular e Peter, que foi rápido em responder à mensagem do sr. Stark, esboçando um sorriso ao se dar conta do quanto o bilionário se preocupava com ele.

Esse ainda era um sentimento novo, mas Peter teria que se acostumar.

“Está tudo ótimo!

Pelo menos até agora”

Peter olhou para cima, guardando seu celular no bolso e logo em seguida o aparelho tremeu. Ele resolveu ignorar por enquanto até a aula acabar — certamente era apenas uma mensagem de “se der alguma coisa errado, me liga” — quando, de repente, seus olhos pousaram em uma figura familiar, tão familiar que fez seu coração tremer e ele abriu um sorriso de orelha a orelha, não escondendo a sua felicidade.

Peter não estava pensando direito quando ele levantou a mão direita e gritou:

— MJ!

Instantaneamente, milhares de cabeças viraram na sua direção, olhando diretamente para ele, incluindo a de quem ele queria.

Michelle Jones estava sentada em uma mesa não tão distante de Ned e Peter, mas igualmente solitária. Havia um livro grosso em suas mãos, o que provavelmente estava prendendo a sua atenção antes de Peter chama-la. Ele não ficou impressionado com isso, já que essa era MJ.

Ela era a mesma de antes, e ele não podia descrever a felicidade que foi vê-la logo ali, a poucas mesas de distância. Seu coração estava tremendo de euforia e Peter não pode conter tudo isso só para si.

No mesmo instante, os olhos castanhos se arregalaram em surpresa, encarando Peter que ainda estava com a mão levantada. Ele acenou, como se para deixar claro que era realmente ele ali, e só então MJ pareceu entender.

Ela ficou de pé rapidamente, pegando sua bandeja e contornando a mesa para se aproximar de onde Peter estava, uma certa urgência em seus movimentos.

— Você conhece a Michelle? — Ned perguntou ao seu lado, sussurrando em seu ouvido praticamente. Peter acenou sem desviar o olhar da garota que se aproximava dele, finalmente abaixando a mão.

— É uma velha amiga — Ele suspirou, talvez um pouco sonhador demais.

Fazia semanas que ele não via MJ, desde a última vez em que esteve no abrigo, antes de tudo isso acontecer. Peter sentia que tinha que falar com ela, talvez explicar algumas coisas ou apenas botar as novidades em dia, mas a emoção de novamente ver um rosto conhecido fez ele se sentir tão empolgado, incapaz de esconder o enorme sorriso e provavelmente um pouco alheio.

— Eu não acredito! — Ela exclamou, não parecendo furiosa, apenas surpresa.

Como o esperado, uma bandeja bateu na mesa com uma certa força desnecessária e Michelle tomou o assento na frente de Peter, se inclinando para frente para poder encara-lo firmemente.

Peter não se sentiu intimidado com aquele olhar, na verdade, ele estava borbulhando por dentro.

Ele notou então que seu cabelo estava solto, caindo pelos ombros, os cachos tão rebeldes como nunca. Peter tomou um momento para admira-la antes de ser atacado por uma batata frita no rosto.

Seu sentido aranha nem o avisou.

— Desde quando? — Ela perguntou, ignorando completamente a presença de Ned, o que pareceu ofender o garoto.

— Oi Michelle — Ned a cumprimentou, ganhando um olhar intrigado da morena.

Ela olhou para Ned e para Peter diversas vezes, antes de esboçar um sorriso divertido. Peter podia sentir que Ned estava confuso ao seu lado, provavelmente com mil perguntas rondando a sua cabeça; ele deveria conhecer MJ, mas essa também deveria ser a primeira vez que ele vê ela sem ter um livro enterrado em seu rosto.

— Certo. Perdedores se combinam — Ela brincou, o que Peter rir, mas deixou Ned pasmos, com o queixo caído. — Agora responde a minha pergunta Parker

Peter não pode ignorar a forma como ele se sentiu feliz em olha-la, é claro que MJ estudava em uma escola de nerd, ela era uma nerd, por mais que negasse.

De repente, ele estava realmente feliz e contente em voltar a estudar.

— Desde hoje — Ele disse, tentado a contar tudo o que aconteceu nessas últimas semanas, mas ele não queria expor seu passado estranho na frente de Ned.

Pelo menos ainda não.

— Droga... — MJ murmurou, passando as mãos pelo rosto. Ela suspirou e voltou a encarar Peter intensamente. — É verdade?

Não precisou de muitas palavras, Peter sabia perfeitamente ao que ela estava se referindo. Ele corou quando se lembrou que Tony disse que Michelle tinha sido a única a dizer a onde ele morava. Se não fosse por ela, ele não estaria aqui.

— Sim, é verdade — Ele admitiu.

MJ riu, ela genuinamente riu, algo tão raro até mesmo para Peter. Isso pegou Ned de surpresa, que arregalou os olhos e encarou MJ como se ela estivesse louca. Peter apenas a observou, sorrindo junto.

— Eu só espero que você não vire um playboyzinho metido! — Ela disse, pegando uma batata frita e levando-a a boca.

Peter se sentiu horrorizado com esse pensamento.

— Nunca! — Ele disse, um pouco alto demais, o que fez MJ rir novamente.

— Ai ai. Não se preocupem comigo perdedores... podem voltar a falar sobre LEGO — Ela brincou, lançando um último olhar cheio de alegria para Peter antes de abrir novamente o seu livro.

— A gente não tava falando sobre LEGO — Ned rebateu, soando um pouco ofendido. Ele cruzou os braços sobre o peito e desviou o olhar da morena, parecendo magoado.

— Ah, mas eu gosto de LEGO — Peter riu, lembrando o que Tony disse para ele quando ambos estavam vagando em uma loja de moveis online. Peter era, aparentemente, viciado em construir LEGO e quebra-cabeças quando crianças.

A ideia ainda parece ser divertida, por mais infantil que seja.

— Sério? Eu também — Ned abriu um, tão grande e radiante que fez o próprio Peter abrir um sorriso. — Eu comprei millennium falcon! Sete mil e quinhentas peças

— Que maneiro!

— A gente pode montar juntos um dia desses — De repente, Peter percebeu que estava borbulhando de alegria, se sentindo completo e feliz, realmente feliz. Ele acenou para Ned, ainda sorrindo abertamente.

— Isso seria tão legal!

Ambos os garotos acabaram se perdendo em uma conversa animada sobre Star Wars e conjuntos de LEGOS. Peter estava tão animado, mas ainda assim pode ouvir quando MJ murmurou um:

— Perdedores...

Ele não precisava olhar pra ela pra saber que ela estava sorrindo.

...

— Tá, eu acho que agora você pode me contar tudo... — MJ disse assim que eles sairam da sala de aula. Os dois tinham geometria juntos, assim como ciências, educação física e história.

Ele olhou para ela com um sorriso estampado no rosto, pensando por onde começar a falar. Peter realmente tinha tantas coisas para contar, mas não conseguiu colocar uma ordem especifica.

— Eu não sei por onde começar. Tudo tem sido uma louca nas últimas semanas — Peter disse, suspirando. Ambos começaram a andar, indo na direção completamente contraria da saída.

— Que tal começar do início. O que aconteceu que você foi separado do seu pai? — Ela perguntou, sem rodeios. Peter sorriu para isso.

Mas então ele se lembrou que realmente não sabia explicar como as coisas aconteceram. Ele sabia apena só básico do básico, já que o próprio Tony não queria falar muito sobre isso.

— Tem algo a ver com o trafego de crianças. Acho que fui levado com três anos e perdi a memória... — Peter disse meio por cima, não tendo certeza se as coisas estavam na ordem certa. Seu coração ainda se sentia pesado quando ele pensava que algo assim aconteceu, mesmo que ele não tenha memórias para lembrar.

— Céus Pete... — Ela suspirou, encolhendo os ombros. — Eu não sei dizer se você tem sorte ou azar, mas espero que agora você se endireite

Peter franziu o cenho, parecendo ofendido com isso, mas em seu rosto ainda tinha um sorriso brincalhão.

— Eu continuo o mesmo MJ — Ele disse, esperando que fosse o suficiente para convence-la de que ele não mudou em absolutamente em nada.

— Eu acredito em você tigrão, só espero que não se esqueça de mim — Ela disse e parou de andar quando ambos chegaram a uma porta.

Peter chutou que aquela ali era a sala do Decatlo acadêmico.

— Nunca. Você continua sendo a minha melhor amiga

Talvez Peter estivesse ficando maluco, mas ele poderia jurar que viu um brilho cor-de-rosa nas bochechas de Michelle. Poderia apenas ser um truque da luz, mas foi adorável de ver e ele não pode conter outro sorriso. Suas bochechas já estavam doendo a esse ponto.

— Certo perdedor... — Ela desviou o olhar, evitando os olhos de Peter. Antes que ele pudesse responder, MJ voltou a falar. — Quer conhecer o Decatlo? Talvez até entrar para o time

Peter franziu o cenho. Particularmente, ele não tinha certeza se estava pronta para entrar em algum clube ou atividade extracurricular. Ele passou tanto tempo longe desse universo que essas coisas pareciam complicadas demais.

— Acho que não combina muito comigo... — Peter disse, dando de ombros. Ele estava se sentindo pequeno sob o olhar que MJ lhe deu.

— Sério? Você se daria super bem... — Ela revirou os olhos antes de cruzar os braços sobre o peito. — Vamos lá! O Ned também participa

Peter olhou de soslaio para dentro daquela sala, vendo alguns alunos já reunidos. Ele sentiu uma pontada de nervosismo em seus sistemas e encarou novamente MJ. Era uma boa oportunidade de se misturar com o resto dos seus colegas... além do mais, Happy chegaria apenas daqui a uma hora, sendo assim, Peter era obrigado a dar uma volta pela escola e conhecer as atividades extracurriculares.

— Tá bom — Ele acenou com um encolher de ombros.

MJ não esperou que Peter se manifestasse, ela mesma agarrou a mão dele e o arrastou para dentro da sala. Ele pode ver de vislumbre que Ned estava no pódio junto com outros dois adolescentes, enquanto uma garota mais velha fazia perguntas.

MJ marchou em direção a um professor — a única pessoa mais velha na sala — soltando a mão de Peter apenas quando ambos estavam na frente dele.

— Ei sr. Harrington! — Ela o chamou e o homem se virou para os dois adolescentes, abrindo um pequeno sorriso quando seus olhos pousaram em Peter. — Esse é Peter Parker. Ele tem interesse em entrar para o decatlo

Essas palavras de MJ pareceram ecoar pela sala inteira até desaparecerem, e de repente todos estavam olhando para Peter descaradamente. Não seria tão ruim se ele não pudesse sentir o peso do olhar de cada um deles em seus ombros, quase como chumbo.

— Oi Peter — O sr. Harrington sorriu amigavelmente para Peter, cumprimentando-o com um aperto de mãos. — Bem, se esse é o caso então seja bem-vindo. Vou colocar o seu nome na chamada

Peter franziu o cenho, assustado porque tudo foi tão fácil. Ele nem precisou abrir a boca. Um breve olhar para MJ confirmou que sim, ela provavelmente tinha planejado isso, mas ele não teve forças — ou sequer interesse — em protestar; então, abriu mais um sorriso. O jovem acenou firmemente, lançando um olhar agradecido para MJ que retribui com um sorriso de canto.

— Você pode se apresentar aos demais se quiser

MJ voltou a puxar Peter, dessa vez em direção ao pódio, parando ao lado de uma garota de, pelo menos, 16 anos, que estava lendo as perguntas antes de Peter entrar. Ela tinha cabelos castanhos e estava sorrindo para Peter antes mesmo dele falar alguma coisa.

— Olá Peter, bem-vindo — Ela disse. — Pode me chamar de Liz

Peter pode sentir que sua voz ficou presa na garganta. Nunca antes uma garota mais velha tinha falado com ele assim, tão abertamente — afinal, ele era um nerd estranho —, então talvez foi por isso que seu coração tremeu e, por alguns segundos, sua mente foi desligada e ele simplesmente não pode formar uma frase coerente.

Liz era linda, principalmente agora que ele estava olhando para ela com um pouco mais de atenção. Seus cabelos, liso e castanhos escuros, caiam sobre seus ombros graciosamente. Talvez fosse seu sorriso que lhe deu um ar tão acolhedor ou o brilho em seus olhos.

Seja lá o que for, realmente a deixava mais amigável.

— Ela é a líder — MJ sussurrou em seu ouvido e foi como um balde d´água gelada, que acordou Peter e de repente ele estava corando firmemente, envergonhado.

— Por que você não se junta ao Ned, assim nós já vemos se você é bom responder algumas perguntas — Ela piscou, claramente incentivando Peter que não pode fazer nada além de acenar.

Ele se afastou de MJ e se juntou a Ned no pódio, ganhando um olhar que gritava “cara, que bom que você está aqui! ” do garoto. Peter sorriu para isso.

Talvez as coisas fossem mais fáceis do que ele imaginava.

...

O Decatlo era mais divertido do que Peter esperava inicialmente, pelo menos para ele — era como um desafio e ele gosta de desafios. Peter acabou respondendo a maior parte das perguntas, surpreendo Liz e o resto dos seus colegas.

Falando em seus colegas, a maioria veio até ele cumprimenta-lo. Haviam Cindy, Abe, Ave e Tiny, que pareceram ser bem amigáveis com ele. Não precisou que MJ apontasse e lhe mostrasse quem era o famoso Flash, porque Peter o reconheceu no instante em que ele abriu a boca para responder.

Depois que acabou, Ned estava ao seu lado falando o quão incrível seria ter ele na equipe.

— Eu acho que esse ano a gente ganha as nacionais — Ned disse com confiança, acompanhando Peter e MJ pelo corredor.

— Bem, com o Pete é fácil — MJ disse, brincando enquanto empurrava Peter com os ombros. Ele riu em resposta, corando com o leve elogio.

— Vocês estão se precipitando — Ele respondeu com um encolher de ombros.

— Cara, você acertou todas as perguntas! — Ned disse levemente impressionado. — Michelle! Você viu a cara do Flash quando o Peter acertou aquela sobre o potássio

MJ riu alto ao seu lado. Peter a conhecia bem o suficiente para saber um pouco sobre Flash Thompson, já que ela sempre reclama dele não importa a situação.

— Vi sim — O trio passou pela porta de saída lada a lado e logo de cara Peter foi recebido com uma rajada forte de vento gelado, fazendo-o estremecer. — Foi incrível. De qualquer forma, eu vejo vocês amanhã perdedores

Michelle foi a primeira a se afastar, ganhando despedidas tanto de Ned quanto de Peter. O jovem aranha a observou indo embora pela neve e logo recebeu um cutucada de Ned.

— Cara, eu não sabia que a Michelle podia ser tão legal assim, então é bom você continuar fazendo o que você está fazendo — Ele disse parecendo sugestivo, como se ambos estivessem falando de um segredo obscuro, o que causou uma certa confusão em Peter.

MJ sempre foi assim, ele nunca precisou fazer nada para trazer esse lado brincalhão dela.

— Do que você está falando? A MJ sempre foi assim — Peter disse, tentando ignorar o Audi preto que estava estacionado na calçada apenas esperando por ele.

— Bem, só se for com você, porque essa é a primeira vez desde que estudo com a Michelle que eu vejo ela sorrindo — Ned disse, balançando a cabeça de um lado por outro.

Isso deixou Peter pensativo. MJ sempre foi assim com ele, brincalhona, sempre dando um jeito de zoar com a cara dele. Era apenas o jeito que ele a conhecia, mas pelo visto Michelle era bem mais reservada do que ele imaginava.

— De qualquer forma foi muito bom te conhecer Peter. A gente se vê amanhã! — Ned disse e acenou.

— Sim, sim, até amanhã

Ned se afastou, assim como MJ, desaparecendo na neve. Peter então tomou seu próprio caminho até o Audi preto, abrindo a porta para entrar no banco de trás. O ar dentro do carro estava mais quente do que lá fora e isso fez Peter soltar um suspiro aliviado.

Ele já estava abrindo a boca para dizer “— Hey Happy” quando outra voz falou antes.

— Então você é realmente amigo dessa MJ? — A voz do sr. Stark o pegou de surpresa, fazendo seu coração saltar.

Peter arfou em surpresa, olhando para o bilionário no banco do motorista com os olhos arregalados; ele realmente não estava esperando por isso. Porém, não era uma total surpresa que fosse Tony ali.

— Sr. Stark? O que está fazendo aqui? — Ele perguntou no impulso, encarando a figura logo na sua frente.

Tony estava usando óculos escuro, o que deixava ele um pouco mais intimidante, já que Peter não podia ver os seus olhos, mas ele ainda assim podia ver o leve sorriso estampado no rosto do mais velho.

— Decidi vir te pegar no primeiro dia — Ele explicou, rindo da reação de Peter. — Além do mais Happy estava reclamando de voltar a ser parcialmente um motorista

Peter riu disso e colocou o cinto de segurança, prevendo já o que o sr. Stark ia dizer.

— Como foi seu primeiro dia? Pelo visto você encontrou com um rosto familiar — Tony disse, ligando o carro e saindo do meio fio.

— Foi legal até! — Peter disse, com um sorriso ainda estampado em seu rosto. — Acho que eu fiz um amigo

Notas finais
Desculpa pelos erros, eu meio que revisei isso aqui correndo (não literalmente). Como prometido, um capítulo por dia, mas não tenho certeza se amanhã vou conseguir manter isso pq o próximo capítulo está relativamente incompleto; bem... vamos ver no que vai dar. Obrigada por ler ♥ ~~ See Ya Later