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3 III. Aulas/A volta


Uma semana depois.

Deidara andava de um lado para o outro pela casa, ai da cozinha para a sala, pegando doces e guloseimas enquanto assistia a um desenho animado.

Sasori havia saído para a escola e deixou o loiro sozinho em casa, claro, com regras:

Não abrir a porta para ninguém.

Não atender ao telefone.

Não fazer muito barulho.

Não sair de casa.

E o mais importante, não mexer nas coisas do ruivo.

A relação dos dois havia avançado e muito. Durante uma semana juntos, Deidara aprendeu a conviver com o ruivo e já o considerava um irmão mais velho.

Havia uma coisa que o intrigava; em uma das paredes, havia um calendário marcando um dia como se fosse muito importante, Sasori nunca falou sobre isso, mas o loiro também nunca perguntou.

Ouviu a porta se abrir e o ruivo entrar com uma cara cansada.

“Tadaima”

“Okaeri, nii-san” sorriu indo até o ruivo e o abraçando. Deidara era uma criança bastante carinhosa.

O ruivo pegou o loirinho no colo e soltou a mochila no chão.

“Você está pesado” riu e o loiro revirou os olhos.

“É por que eu não sou criança, hn”.

“Haha, quem disse isso?” colocou o loiro no chão novamente.

“Passou na televisão, falaram que eu sou um pré-adolescente”.

Sasori olhou para o loiro e riu.

“Você vira um pré-adolescente quando fizer seus 13, 14 anos de idade, gênio”. Bagunçou os cabelos lisos do menor.

“Mas estava na televisão, hn!” se sentou no sofá ao lado do maior.

“A televisão mente...” bocejou esticando as pernas na mesinha de vidro no centro da sala. “Quer comer o que?” pegou um folheto na mesinha e começou a escolher algo para pedir para o jantar.

“Pizza”

“De novo?”

“Sim, por favor, nii-san.” Pediu dengoso. “Uma pizza doce”

“Você vai ficar diabético se continuar a comer tantos doces” procurou o número da pizzaria e pediu o telefone para o menor, que correu pela sala pegando o objeto e entregando para o ruivo.

“O que é diabético?”

“Uma doença que você não vai querer ter” ligou para a pizzaria e fez um pedido.

Os dois realmente estavam se dando muito bem.

“Sasori, porque tem aquele dia marcado no calendário?” Deidara perguntou depois do que mais velho havia feito o pedido.

Voltou seus olhos avermelhados para o calendário e suspirou.

“É o dia em que a Chiyo-baa irá voltar...”.

“E é quando eu vou ter que ir embora?” Sasori se assustou com a pergunta.

“Claro que não! Conhece minha avó e sei que ela não faria isso...” na verdade, ele não tinha certeza. “E se acontecer qualquer coisa, você pode ficar com a Konan por algum tempo até eu resolver tudo com minha baa-chan”

Ficaram em silêncio.

Sasori se levantou indo até sua mochila e pegando seu material com um livro de ficção. Voltou a se sentar, começando a fazer seu dever.

Não queria falar sobre sua avó, muito menos sobre se o loiro iria ou não poder ficar com ele.

O Akasuna realmente havia se apegado ao pequeno.

Sentia o olhar do mais novo sobre si, e quando o olhava ele desviava o olhar para a televisão. E foi assim por alguns minutos até que o ruivo se irritou um pouco.

“O que foi Deidara?”

“Nada”

“Sei que há alguma coisa... agora diga” mandou e o loiro mordeu o lábio inferior.

“Como...” começou timidamente. “Como é saber ler?” corou constrangido.

Sasori sorriu.

“Quer aprender a ler?”

Confirmou com um aceno de cabeça tímido.

“Vem aqui” chamou o menor para mais perto e pegou um lápis e uma folha de caderno. “Não é difícil... Quando você aprende a ler, aprende a escrever também”.

Deidara balançou a cabeça como se estivesse entendendo.

“Primeiro você tem que aprender o alfabeto... olhe A, B, C...” colocou todas as letras no papel. “Estes são os aconsoantes e esses são as vogais...” separou as letras e o loiro mal piscava os olhos. “Para formar palavras você tem que juntas as vogais com os aconsoantes, quando se usa o E, por exemplo, o som do aconsoante não muda...” e assim Sasori foi explicando para Deidara.

O loiro parecia entender tudo com facilidade, quando não entendia perguntava sem hesitar e Sasori explicava novamente, esquecendo-se de seu dever de casa.

“Consegue formar seu nome?”

O loiro pegou o lápis e escreveu seu nome devagar com uma letra tremula e quase não dava para entender. Era normal, o pequeno não tinha jeito para isso ainda.

“Muito bom” sorriu orgulhoso com a inteligência do mais novo. “Consegue escrever o meu?”

E o loiro conseguiu.

“Vamos tentar algo mais difícil” sorriu diabolicamente escrevendo uma frase qualquer e mandando o menor ler. Deidara leu com dificuldade, parava às vezes e Sasori o ajudava, mas para alguém que estava começando agora ele estava indo muito bem.

Logo a pizza chegou e os dois foram comer. Na verdade, Deidara comeu já que o mais velho só pegou um pedaço enquanto o loiro devorou a pizza inteira sozinho.

“Nii-san... quem é Sakura?” Sasori franziu o cenho com a pergunta, mas logo viu seu celular tocar e o nome da rosada aparecer na tela.

Sorriu, Deidara estava avançando muito. A criança era realmente muito inteligente... Ou o Akasuna era um bom professor... Fez uma nota mental para pensar nisso depois.

Pegou o celular e atendeu.

“Mochi-mochi” silêncio. “Já disse que não posso Sakura, tenho muitas coisas para fazer...” o loiro não gostava quando essa garota ligava, não sabia quem era, mas não gostava dela. Sempre que ligava, o ruivo ficava de mau humor. “Eu gosto de privacidade, sabia?” aumentou o tom de voz. “Sim, acho que um tempo vai ser bom” bufou. “Ótimo!” desligou.

Ficou em silêncio suspirando. Jogou-se no sofá ao lado do loiro e encostou a cabeça nas mãos.

“Droga”

“O que foi?”

“Nada” se levantou indo até a cozinha, levando a caixa da pizza.

O ruivo nunca falava sobre a tal Sakura para o loiro, iria perguntar para Konan futuramente.

Sasori voltou e olhou o calendário, o dia que sua avó chegaria estava próximo, não parava de brigar com a namorada, estava cansado, não dormia direito há uma semana.

A dor nas costas estava lá e ele apenas disfarçava. Se pelo menos o quarto de sua avó estivesse aberto...

Balançou a cabeça tentando esquecer-se dos problemas e sentou-se novamente no sofá encostando a cabeça no colo do menor. Os dois pareciam mesmo ser irmãos, e nem parecia que o loiro era o mesmo tímido de semanas a trás.

Sasori gostava disso, gostava da companhia de Deidara; o loiro também, sentia algo forte pelo ruivo, mas não sabia que sentimento era esse, simplesmente fingia que era amor de irmão.

Mesmo sabendo que não era isso.

***

Era o dia da chegada de Chiyo e Sasori andava de um lado para o outro, pensando como iria contar para sua avó sobre o loiro.

Estava nervoso e angustiado e as risadas escandalosas que o mais novo soltava com um desenho animado não ajudava.

Olhava para o relógio de minuto a minuto, contando o tempo para ouvir a campainha tocar. Riu de leve ouvindo Deidara cantar a abertura de um anime e pegou uma garrafa de agua, tentando se acalmar.

Estava com medo, era visível em sua expressão.

Já havia mandado uma mensagem de texto para Konan dizendo que sua avó estava voltando hoje e qualquer coisa ele iria deixar o loirinho lá.

Depois de muitos pensamentos corridos, ouviu a campainha e começou a soar frio.

“Nii-san, a porta!” Deidara avisou não muito alto para não chamar a atenção da pessoa do lado de fora.

Andou até a porta branca e olhou pelo olho magico. Sim, era sua avó cheia de malas.

Respirou fundo e abriu a porta, sorrindo para sua avó que retribuiu com um abraço.

“Que saudades meu amor” se livrou do abraço e tentou entrar, mas o ruivo não deixou. “O que foi?”

“Chiyo-baa... eu... Tenho que te contar uma coisa...”.

Ela ficou em silêncio, esperando que ele começasse a contar;

“Na verdade, é melhor você ver.” Suspirou. “Mantenha a calma.” Deu espaço para a mais velha que entrou com o cenho franzido.

Ela olhou em volta, não estranhando nada. Até que viu uma cabeleira loira aparecer.

“Sasori nii-san, quem era?” o loiro perguntou, mas logo arregalou os olhos vendo à senhora de idade ao lado do ruivo.

“Sasori, o que significa isso?”

“Chiyo-baa, esse é o Deidara.” Sorriu amarelo. “Dei, essa é minha avó.”

Silêncio.

“De quem é essa criança?”

“Eu... eu o achei na rua...” respondeu com a voz baixa.

“Meu deus...” respirou fundo. “Sasori, e os pais dele?”

“Morreram.” Respondeu fazendo uma careta constrangida ao ver a expressão triste do loiro. “Vó, por favor... Ele não tem para onde ir.”

Ela não respondeu.

Sasori começou a ficar tenso.

“Chiyo-baa-sama.” Tocou o ombro da mais velha que tentava colocar os pensamentos no lugar. “Não pode o mandar embora, ele é apenas uma criança e...”.

“Eu nunca disse que iria o mandar embora!” deu um tapa leve na cabeça do ruivo. “Seu idiota, porque não me ligou falando dele? Você não sabe cuidar nem de você mesmo, imagine de uma criança?” foi até o loiro e sorriu. “Quantos anos você tem, Deidara?”

“Dez” respondeu timidamente.

“Seja bem vindo a família Akasuna”