Protection
1 I. Prólogo
A chuva caía sem dó ou piedade, o vento frio e gélido fazia as pessoas na rua estremecerem. Sasori andava pelas ruas, segurando seu guarda-chuva indo à direção a sua casa. Aquele dia de aula não foi muito produtivo, ainda por cima havia brigado com a namorada e estava de mau humor.
Seu celular estava descarregado e não podia ouvir música em sua trajetória, apesar de estar com uma blusa e um cachecol gostava do frio e aproveitava a brisa gélida em seu rosto estranhamente pálido.
Também gostava da chuva, porém, não queria ficar doente.
Andava lentamente aproveitando aquele tempo sozinho, em silêncio apenas com o som da chuva. Passou por um beco pouco iluminado e ouviu um choro sofrido, pensou em passar reto, mas achou melhor ver o que era.
Apesar de sua expressão indiferente e seu jeito frio, ele era um bom garoto que tinha um coração grande.
Encontrou um garoto loiro sentado e espirrando entre o choro. Tremia muito e fungava com dificuldade. O ruivo se aproximou agachando-se chamando a atenção do garotinho
Este aparentava ter uns 9 ou 10 anos de idade.
Sasori encarou os orbes azuis do garotinho que se encolheu entre seus próprios braços como se estivesse com medo do ruivo.
“Você esta bem?” Sasori perguntou sem desviar os olhos do menor. O loiro não respondeu. “Como se chama?”
A criança abaixou a cabeça timidamente. Sasori suspirou se levantando e saindo lentamente do beco.
Não estava de muito bom humor naquele dia, então não iria perder seu tempo. Deu apenar alguns passos para fora do beco quando ouviu som de pisadas pequenas atrás de si.
Olhou para trás, encontrando o loirinho abraçando os braços e tremendo pela brisa gélida daquela noite. O ruivo olhou para os lados e logo voltou seu olhar para o pequeno, esticando seu braço para ele como se o chamasse. A criança correu ate Sasori, pegando timidamente em sua mão e acompanhando sua caminhada.
Depois de andar um pouco, pararam em um ponto de ônibus, o ruivo fechou o guarde chuva se aproximando do loiro.
“Onde estão seus pais?”
Sem resposta.
Sasori suspirou novamente.
“Esta com frio?” questionou o óbvio, apenas queria uma resposta do menor.
O loiro assentiu confirmando timidamente, o ruivo deduziu como avanço na "relação" dos dois.
Aproximou-se um pouco mais do loiro, tirando seu cachecol e colocou no menor, tirou sua blusa de frio colocando no menor, o cobrando.
“Tem fome?” recebeu um aceno positivo.
Sasori se levantou colocando sua mochila nas costas e abrindo o guarda-chuva novamente, esticou o braço pegando na mão do loiro e saindo rumo a algum lugar onde vendesse comida, sua casa estava longe e aquela criança devia estar com muita fome para esperar.
Entraram em um bar pouco movimentado e puxou o menor para o banheiro, dobrando as mangas da blusa que havia colocado nele e que havia ficado enorme, pegou sabonete e colocou na mão do loiro.
“Esfregue” pediu abrindo a torneira e vendo a temperatura da água, estava gelada. Mas o garotinho devia lavar suas mãos. “Suas mãos irão doer um pouco” avisou e colocou as pequenas e delicadas mãos na água fria, ouvindo protestos baixos e um choro de dor; a água realmente estava muito fria a ponto de doer.
Esfregou as mãos do loiro e fechou a torneira, secando as mãos da criança e desdobrando as mangas da blusa preta de moletom. Levou o loiro para dentro do bar novamente, e o deixou sentado em uma das mesas afastada da janela.
Foi até o balcão pedindo um hambúrguer e um suco qualquer.
Quando seu pedido chegou, levou até o loiro e colocou em sua frente. A criança lançou seus olhos azuis para o ruivo, como se pedisse permissão. Sasori sorriu de lado e assentiu com a cabeça, como se dissesse para ele comer.
E foi o que o loiro fez. Parecia estar mesmo com muita fome, pelo jeito desesperado que comia. Seus olhos se encheram de lágrimas quando deu a primeira mordida e Sasori sentiu um aperto no coração.
O loiro terminou de comer e o ruivo se levantou, chamando-o para ir juntos ao balcão pagar o lanche. Pegou alguns chocolates e o levou até o ponto de ônibus novamente.
***
“Come devagar” Sasori pediu olhando o garoto que comia as barras de chocolate. Estavam sentados nos últimos bancos do ônibus indo em direção à casa do mais velho.
O garotinho não tremia tanto quanto antes, e isso deixou o ruivo mais aliviado. Não sabia o porquê estava ajudando o loiro, mas sentiu muita dó este.
E quem sabe aquele garotinho não fosse uma companhia para ele?
“Meu nome é Sasori” comentou, mas não houve resposta. Parecia que o loirinho tinha medo do ruivo.
Levantou do banco apertando o sinal de parada, chamou o loiro que se levantou do banco e saiu do ônibus junto ao maior. Andaram dividindo o guarda-chuva até um prédio bem grande; entraram e Sasori cumprimentou um homem de idade, o porteiro.
Entraram no elevador, o que assustou um pouco o loiro, fazendo Sasori rir.
Quando chegaram a frente à porta do ruivo, o loiro entrou timidamente olhando para os lados. Sasori jogou sua mochila no chão e tirou seus sapatos, jogando a chave em uma mesinha em frente à televisão e ao lado do sofá.
“Vem comigo” pediu indo até seu quarto sendo seguido pela criança loira. “Você tem sorte por eu não ser muito alto” comentou e bufou logo após. Mexeu em umas gavetas enquanto o loirinho apenas observava.
Tirou um short de moletom e uma camiseta branca. Foi até o loiro tirando o cachecol e a blusa e colocando em um sexto de roupas sujas.
Puxou o menor até o banheiro, ligando a água da banheira e colocando as roupas sobre a privada. Saiu do banheiro, deixando o loiro sozinho, mas logo voltou com duas toalhas e as colocou junto com as roupas.
Mexeu nos armários do banheiro, tirando dois potes; shampoo e condicionador.
“Você vai tomar um banho, antes que pegue pneumonia.” O ruivo disse fechando a torneira da banheira quando esta já estava cheia. “Tire suas roupas e entre, eu volto logo”.
Saiu do banheiro indo até a cozinha, colocando água em um bule e colocando no fogão. Iria fazer um chá para aquela criança.
Mexeu nos armários pegando alguns biscoitos doces e colocando na mesa, voltou ao banheiro encontrando o menor já dentro da banheira brincando com a água. Sasori se aproximou, dobrando as mangas de sua camiseta de uniforme e pegou um chuveirinho, certificando se a água estava quente e molhou a cabeça do loiro, colocou shampoo e começou a esfregar.
“Você tem um cabelo bem grande para um garoto” riu sozinho, enquanto a criança ficava em silêncio de bochechas coradas. “Quantos anos você tem? 9?” silêncio. “10?” o loiro assentiu positivamente. “Temos sete anos de diferença... acha que é muito tempo?” o loiro confirmou. “Eu também... em sete anos você cresce, tem mais responsabilidades... É um saco!”
Tirou o shampoo e colocou o condicionador, finalizando a lavagem. Levantou-se secando suas mãos em uma das toalhas.
“Termine seu banho, e pode se sentar no sofá” comentou saindo do banheiro. Foi até a cozinha, vendo o bule começar a apitar. Desligou o fogo e pegou uma caixa de chá, preparando tudo.
***
O loiro já estava com as roupas de Sasori, o short parecia até uma calça e a blusa ficou até os joelhos. O ruivo forrou sua própria cama para o loiro, colocando mais alguns cobertores caso a criança sentisse muito frio.
Por sorte, o loiro não havia ficado com febre.
Também estava preocupado com o que sua avó iria pensar disso. Mesmo que ela esteja viajando, um dia ela irá voltar e se o loiro ainda estiver lá, pode ser um problema.
Voltou para a sala encontrando o loiro terminando de tomar o chá e de comer os biscoitos. Colocou um cobertor no sofá e pegou a xícara das mãos do menor, o puxando para o quarto.
“Pode dormir aqui, você parece cansado” o loiro foi até a cama, se deitando. Sasori o cobriu. “Se precisar de alguma coisa, eu estarei na sala.”
O ruivo estava prestes a sair do quarto, quando ouviu o loiro.
“Meu nome é Deidara”
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