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3 Capitulo 2
Notas iniciais
Acordei com Illya me chamando para descer do carro, passei as mãos no rosto numa tentativa de espantar o sono, e de vagar foi abrindo meus olhos de forma que eles se ajustassem a claridade sem machuca-los, foi ai que percebi que estávamos de frente a um aeroporto, desci do carro com uma carranca desconfiada, para onde iríamos? Eu se que sabia quem ele realmente era e havia aceitado ir numa boa com ele a um lugar desconhecido, céu se meu pai me visse nesse momento ele me crucificaria na mesma hora, eu só podia estar embriagada quando aceitei uma loucura dessas, acreditar que o meu pai, seja lá onde quer que ele esteja, havia mandado alguém me buscar sem dizer absolutamente nada, ajeitei minha postura, como uma estudante de direito eu sabia como me mostrar superior ou inferior quando precisava e nesse momento eu sabia que o mais adequado seria a postura superior e prepotente, com uma voz calma mas demonstrando impaciência e indiferença eu comecei
—Illya onde nós estamos e para onde vamos?
Illya parecia impaciente e inquieto mas quando ouviu o tom da minha voz seu rosto se tornou duro e misterioso, naquele momento eu percebi que tinha feito uma bela duma cagada, com uma voz dura e cheia de certo.. desprezo? Serio isso?
—Russia
Perai, perai, perai como assim Russia?! Eu NÃO posso ir para a Russia, alias eu não podia se quer ter saído da cidade, um bolo se formou em minha garganta, como minha amiga diria “ eu to na roça”
—como assim o “ perigo vermelho”?!?! você não pode chegar e simplesmente dizer “ vamos para Russia”
Disse enrolando a língua para pronunciar Russia, a carranca dele ficou terrivelmente assustadora, uma sirene tocou em minha cabeça, eu estava ferrada ele parecia possesso, mas então foi ai que eu percebi que aquela carranca assombrosa não era bem pra mim mas sim para algo atrás de mim, me virei de supetão e vi três homens, ou melhor três armários, vindo em nossa direção, o da direita puxou o que parecia ser uma Glock 42 automática e apontou em nossa direção, Illya me pegou pela cintura e me jogou atrás do carro, ouvi disparos e a lataria do pobre carro sendo atingida, Illya olhou para mim e puxou duas Glock 19 9mm com silenciador, e me estendeu uma
—sabe atirar?
Eu queria rir naquele momento, ano passado meu pai havia me feito estudar todas as armas feitas pelo homem e depois me treinado com todas elas, segundo ele proteção nunca era demais, na época eu achei que ele estava ficando neurótico mas agora eu agradeço de joelho encima do milho por ele ter me ensinado tudo isso, peguei a arma da mão dele e joguei metade do meu corpo encima do carro de forma que tivesse apoio para atirar, atirei no joelho do primeiro, o que havia mirado primeiro em mim, e em seguida nos joelhos dos outros dois, eu não os mataria nem que me pagassem para isso, quando voltei para trás do carro Illya me olhava surpreso, dei-lhe meu melhor sorriso de “wtf?!”
Nos levantamos, entreguei a belezinha da Glock para ele que a guardou no mesmo instante, após guardar as glocks ele me pegou pelo pulso e começou a caminhar em direção ao aeroporto, estanquei no mesmo instante, eu não iria a lugar algum, puxei minha mão com violência e no mesmo instante ele se virou para trás exasperado
—VOCE!
Ele gritou comigo o que me fez dar um passo para trás e me encolher, ele percebeu o meu medo e suavizou o rosto e a voz, respirou fundo como que para que conseguisse manter a pouca calma existente nele
—você não acha que se eu a quisesse fazer algum mal eu não teria deixado eles fazerem você de um pedaço de queijo cheio de buracos?
Ele tombou a cabeça para o lado, o que ele havia acabado de dizer era verdade, em momento algum ele tentou fazer algo comigo, talvez depositar um pouco de confiança nele não fosse tão ruim, assenti de forma breve e me pus ao seu lado, voltamos a caminhar em direção ao aeroporto, eu sentia seu olhar sobre mim mas não me atrevi a olha-lo, paramos em frente as portas de vidro e elas lentamente se abriram para que nos deixassem passar, ouvi Illya arfar, alguma coisa não estava certa ali, me virei de frente a ele depois de passarmos pelas portas, sua camisa preta por debaixo do blazer estava molhada, estendi a minha mão para tocar o tecido e após toca-lo percebi que era sangue, quando ele havia sido atingido eu não sei mas ele precisava de ajuda, o puxei pela mão na direção do banheiro, quando estávamos quase de frente ao banheiro masculino ele parou bruscamente
—não vai entrar ai não é?!
Eu me olhei de cima a baixo, estava com roupas mais masculinas do que femininas, olhei para Illya com um sorriso sacana no rosto
—e sapatao não pode entrar em banheiro de “macho”?
Fiz aspas com os dedos e ele me olhou incrédulo, o puxei para dentro do banheiro que por sorte ou obra do destino estava vazio, pedi que Illya desabotoasse a camisa para que eu pudesse ver a extensão do problema, segurei o ar quando o vi sem a camisa, tinha que admitir que o “perigo vermelho” aqui era bem saradinho, me virei para pegar uma caixa de algodão que estava em minha bolsa, mulher sempre esta preparada pra tudo monamour, molhei um pouco do algodão e o passei em volta da ferida, por sorte a bala tinha passado de raspão em seu abdômen, peguei mais um pedaço de algodão e o molhei passando logo em seguida em seu ferimento, Illya não demonstrava reação alguma, parecia um boneco Ken tamanho real, a única coisa que indiciava que ele estava vivo e consciente eram seus olhos que me acompanhavam a todo momento e sua respiração que batia de encontro ao meu rosto enquanto eu limpava a ferida, assim que terminei joguei o algodão fora e pedi que ele se vestisse, peguei minha bolsa e sai do banheiro, assim que abri a porta uma criança parou na minha frente com uma coxinha em mãos
—tia a senhora errou o banheiro?
Dei uma risadinha fraca
—estou sem meus óculos, erre o banheiro por muito pouco
Disse passando a mão em seus cabelos, nesse momento sua mãe veio de encontro a nós, chamando a criança que ria divertida com meu comentário, o menino se despediu e correu em direção a mãe dando sua mão a ela, Illya saiu do banheiro e meu estomago roncou, aquela coxinha tinha aberto meu apetite, olhei para Illya
—vá na praça de alimentação comer, eu vou comprar as passagens e te encontro lá
Assenti e me direcionei a praça de alimentação, comprei dois pasteis de frango com catupiry e dois copos de 500 ml de suco de laranja, eu não sei se ele come isso mas se não comer eu mesma como heheh, dei uma mordida no meu pastel e beberiquei meu suco, foi ai que eu ouvi uma voz que eu reconheceria até no inferno e que eu jurava que seria somente lá que eu a ouviria novamente.
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