Protect me with your life
2 Capítulo I – Stubborn Love
Nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo.
(Friedrich Nietzsche)
Point of View — 3° pessoa.
The Lumineers — "Stubborn Love"
Os dois homens continuavam ali, ansiosos. Aquele era o momento tão esperado, Collins tinha esperança de ver o seu bebê e Eve; Andy ansiava voltar a ver a sua amada depois de tanto tempo, mas o destino sabe brincar, e brinca bem. Naquele instante, apenas um teria a sua felicidade de volta. E quando as portas se abriram, começou a competição. Somente um sairia do hospital campeão. Ou não.
Andrew arregalou os olhos quando viu aquela garota. Ela era extremamente bonita, e em sua mente tudo gritava o doce do amor quando a viu novamente. E esperou. Esperou um abraço, um sorriso, qualquer coisa.
Collins, por outro lado, saiu abruptamente, buscando desesperadamente o quarto 409. Aquela faísca mínima de esperança agora se alastrava por todo o seu corpo. Ele soube imediatamente que aquilo não era só esperança, era felicidade. Não se importou e nem sentiu raiva com esse novo sentimento. Não o impediu também, como na última vez.
Com a mão na maçaneta, abriu com tudo. Tentou até se controlar, dar um sorrisinho e talvez, fingir-se estar surpreso. Talvez funcionasse mesmo se ele soltasse um ''oh, me desculpe, senhora...! Eve?! Que grande coincidência!'', mas desistiu no mesmo instante. Então, em passo lentos, ele fechou a porta e criando coragem, a olhou. E fosse o que fosse.
Andrew, por outro lado, estava bem longe de ter aquela sorte. Ele esperou por longos minutos depois de dar alguns passo para frente. Estava tão feliz e extasiado que não percebeu os três passos para trás de Mona. Seu rosto parecia uma máscara, mas algo o fez congelar totalmente no lugar. Ela parecia estranhamente calma, estranhamente normal enquanto continuava a olhá-lo.
— Mona? — sussurrou. Ele correu para abraçá-la e pedir desculpas por tudo, mas foi impedido por dois braços pálidos e fortes.
— Andrew — ela falou, como um cumprimento. — Não.
Seus olhos arregalaram-se de incredulidade. Como assim, ''não''? Depois de meses de angústia e noites mal dormidas, tinha chegado o grande momento. Como nos livros, o clímax. Ele não era romântico nem nada, mas poxa! Até um corridinha brega e um beijão de filmes para solteironas, com lágrimas e juras de amor seria mais legal do que um ''não''. Cadê os finais felizes?!
Eles não existiam. E não era melodrama, não. Mona estava totalmente conformada quando o viu. Não esperou que fosse fugir dele, e nos primeiros dias ela desesperou-se. Tentou negar à si mesma a sua paixão e um jeito para terminar com tudo, mas à beira do desespero, ela disse não. Um sussurro fraco, mas poderoso.
Mas como resistir? Como não poder abraçar quem você ama e quem você deseja? Ela não resistiu.
O abraçou com todas as suas forças, sentindo sua cintura aos poucos sendo enlaçada. A respiração um pouco acelerado de Andrew a fazia suspirar, enquanto sentia o seu cheirinho bom. Ela queria sair correndo, mas aqueles braços pareciam aço em sua cintura. Sentiu certa dor, mas ignorou. Nada importava. Não mais.
Ela estava aonde deveria estar.

Naquele quarto pequeno, azul e que cheirava à remédio, era um tédio. Isso era o que Eve pensava depois que terminou de comer, mas de repente, as paredes do quarto estavam coloridas e tudo cheirava à rosas. Era a colocação mais estranha que Eve já ouviu, principalmente porque veio dela. Ela tentou novamente descrever a paixão pelo seu pequeno ruivinho, mas não conseguiu.
Aquele figurinha adorável era simplesmente carismático demais. Ele agora era o seu tudo e só de pensar na ideia de perdê-lo, Eve já sentia uma dor no coração. Porque depois de tantos desafios, loucuras e aventuras, aquele era o momento mais feliz de sua vida. Porque enquanto aquela criaturinha pegava em seus seios com suas pequenas mãozinhas para se alimentar, ela já sabia que ele a amava. Era uma ligação muito forte entre os dois. Muito forte.
Por isso, ela tomou uma decisão. A decisão de recomeçar, só que agora ela não estava sozinha. Ela tinha um filho, uma coisinha que tinha saído dela e estava disposta a fazer tudo diferente. Não seria fácil, porque ela nunca esqueceria da Mona e de... Collins. Ela pensava seriamente o que diria para Thomas quando ele crescesse e perguntasse pelo seu pai. E no mesmo instante, ela soube o que faria. Contaria toda a verdade para ele.
Não suportava mais a camada de mentiras que viveu em sua vida. Ela faria questão de falar para o garoto o que o pai pensava sobre o assunto de tê-lo, mas só no momento certo. Por enquanto, ela só queria curtir aquele momento e sair do hospital. Depois, ela veria o que iria fazer.
Depois de amamentar o seu bebê, sentiu ele ressoar tranquilamente em seu colo. Ela se recostou mais na cama, aconchegando-se. Concentrou-se na quentura do filho e tentou esquecer todos os problemas que a cercava. Só por um instante.
Não se surpreendeu ao ouvir a porta abrir abruptamente. Por isso, nem abriu os olhos. Deveria ser a enfermaria que cuidava dela, ela sempre entrava daquele jeito e de cara amarrada. Esperou a voz grave da velha falar em russo, mas nada vinha. Abriu os olhos e o seu coração acelerou-se.
Aquele era Collins. Com a mesma roupa e acessórios que o deixava impotente, mas ao olhar em seu rosto, ficou chocada. Ele tinha mudado muito. Sua barba estava meio crescida, não feia, ele parecia até mais charmoso. Os cabelos estavam do mesmo jeito, mas o que mais o diferenciava era os olhos apreensivos e a expressão de choque ao olhá-la.
— Olá, Collins — ela começou, decidindo que seja lá o que ele veio fazer aqui, não importava.
— Eve, meu Deus... — ele falou, ainda chocado. Deu alguns passo para frente, decidido. Seus movimentos se aceleraram ao fincar seus olhos em seu colo.
Thomas. Ela o apertou em seus braços firmemente. Ele continuava ali, parado, olhando para o garoto. Eve se preparou para gritar, e chamar uma enfermeira. Sentia o nervosismo corroer o seu corpo e seus olhos beirarem ao desespero.
— Eu sinto muito...— Chocada, arfou ao ver o impotente Collins, o mesmo Collins que viu há meses atrás, ajoelhando-se aos seus pés, de cabeça baixa. Ficou ainda mais incrédula ao ver o homem puxar os seus cabelos freneticamente, deixando suas mãos ali. Continuou parada ao ver que o loiro não tinha nenhuma reação, parecia uma estátua.
— Collins... Céus, não faça isso! — o puxou, obrigando-o a olhar para os seus olhos. Ela o amava, e por mais que ele a fizesse sofrer, não aguentaria vê-lo daquela forma tão desumana. — O que está fazendo aqui, na Rússia? Por que está aqui? — perguntou, falando baixo.
Ele continuou olhando-a. Grandes mãos deslizaram-se pelo seu rosto pálido, acariciando.
— Está tão linda — ele sussurrou. — Parece mais madura. Seus cabelos, suas roupas, seu corpo... Mas nada se compara aos seus olhos. Eles brilham de felicidade e de orgulho. Mas ninguém no Mundo estaria mais feliz e orgulhoso do que eu. Você conseguiu segurar a barra, você deu à luz ao nosso filho. Olhe para ele, parece com você e comigo. Eu realmente espero que ele tenha tudo de você, não quero que vire um monstro como eu.
Ela ficou em silêncio e aos poucos, seus olhos lacrimejaram.
— Por que fez isso comigo? Eu estava tão feliz... Estava grávida e tinha acabado de reencontrar a minha melhor amiga. E do nada, o Andy... — sua voz ficou trêmula por causa do choro que segurava. — Ele disse aquilo.... Você aceitou, e eu fiquei pensando, sabe... ''Por que ele fez aquilo comigo? É o filho dele também, mas ele parece não se importar com isso. Porque ele me ajudou, somente para me ferrar novamente?''.
Depois daqueles palavras que soaram melancólicas, o silêncio só ficou por instantes. O homem de repente pareceu revoltado com algo e remexeu-se, com as mãos em punho. Grunhiu alto, caindo logo em seguida com todo sua face na cama. O silêncio foi preenchido por um choro desesperado, era aquilo mesmo? Eve não acreditou naquilo, porque nem mesmo ela chorava.
Mas ele sim. E chorou muito, por longos minutos. Ela com cuidado, recostou sua cabeça na dele e com a mão livre, acariciou os seus cabelos.
— O que nós fizemos com a nossa vida? — ela sussurrou. — Por que tudo tem de ser tão difícil? Por quê? Por que você não pode... me amar? — aquilo não passou de um sibilar, mas Collins ouviu. E ouviu muito bem, erguendo sua cabeça.
— O que disse? — perguntou, com a voz grave.
Ela arregalou o olhos, surpresa. Mas do que adiantava agora, negar? Ela falaria tudo que estava entalado em sua garganta por meses.
— Estou que te amo, seu imbecil! Por que você fez isso... Seu canalha...
Sua frase foi interrompida por um beijo desesperado e necessitado que vinha dele. Ela retribuiu, satisfeita. Queria aproveitar aquele momento, antes que ele escapasse de suas mãos novamente.
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