Protect Myself
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Boa leitura
“Você deve pensar que sou estúpida
Você deve pensar que eu sou uma tola
Você deve pensar que sou nova nisso
Mas eu já vi isso tudo antes”
Antes mesmo que seus olhos tivessem focado qualquer coisa dentro do quarto a mão dela já havia ido para o criado mudo e alcançado o aparelho celular de capinha colorida preso a um carregador, era instintivo.
Alguém lhe avisou que jamais deveria se acostumar a certas coisas porque quando elas se forem não seria fácil lidar, entretanto, tudo que ela fez foi querer rir e negar veemente a possibilidade de que isso iria acontecer com ela...
Mas aconteceu...
A tela ascendeu ao seu toque e ali uma cascata de notificações cobria o protetor de tela fofo.
Mãe;
Irmão;
Amigos;
Prima;
E ele...
Um suspiro escapou por seus lábios ao passo que seus dedos soltavam o aparelho com um baque baixo e ignorável. Aquele sentimento de inquietação estava lentando se aproximando, aquela curiosidade de ler suas palavras enquanto divagava sobre algo que nem era tão importante, ouvir sua voz dando um talvez “bom dia” e questionando seu desaparecimento.
Ainda era estranho pensar que uma pessoa conseguiria ser capaz de trazer uma nova cor para sua vida quando chegava, mas ele fez e fora tão maravilhoso no inicio quando cada conversa trazia um gosto de quero mais, dei-me mais.
Todavia, à medida que elas diminuíam a frequência e as coisas ficavam estranhas uma sensação amarga começava a se apoderar de seu ser sorrateiramente e aquela cor começava a embaçar sua visão.
Seus passos se tornaram vacilantes e suas inseguranças começaram gradativamente a aflorar a lembrando que não deveria ser precipitada.
Entretanto, mais uma vez ela quis ignorar e seguir com o pouco de confiança que lhe restava para subir por uma escada cujos degraus não estava conseguindo ver com perfeição.
... E então caiu.
Em momento algum havia o visto como um santo, mas descobrir que alguém poderia ser um pequeno demônio em sua vida que a machucaria com alfinetes que fariam seu corpo sangrar em quantidades tão pequenas que mal percebia a principio e depois lhe confortaria com palavras bonitas.
Era nocivo.
Como as coisas haviam se tornado assim?
Talvez, em um futuro longínquo pudesse ter essa resposta.
Por hora tudo o que tinha era a consciência para pelo menos desta vez seguir o conselho de alguém de verdade e se afastar dos alfinetes que a machucavam e até mesmo das palavras que a confortavam.
O mal deveria ser cortado pela raiz.
Por mais que doesse e, céus como doía.
“Eu estou apenas protegendo minha inocência
Estou apenas protegendo minha alma”
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