Protège-moi de Mes Désirs
1 Capítulo 1 // 1º parte - Helena
Notas iniciais
Eu sou péssima nisso. Nossa... o_o' Enfim, espero que vocês gostem e comentem. A__A' Se vocês acharem que o capítulo está longo demais nas próximas vezes eu divido eles em mais partes ^^'
Uma mulher sempre forte, a guerreira que cuidava de seus netos como uma fera ama e cuida de seus filhotes. Mas como todo ser que desce para esse lugar imundo, um dia volta para onde havia saído. Ela nunca fugiu nem da vergonha e muito menos da dor, mas daquela vez a vida havia lhe dado uma verdadeira rasteira. Tudo o que a fizera adoecer e cair de cama, tudo o que ela sempre teve, mas escondeu dos netos com medo de fazê-los se preocuparem, foi o que a fez voltar para lá... Enquanto tentava \"entreter\" os que ali faziam presença, Gerard fazia de tudo para aparentar força e assim não deixar seu irmão ainda mais desesperado. Ele, que em breve faria seus 18 anos de vida, por dentro estava tão despedaçado quanto um vaso de porcelana se quebra em \"n\" pedaços quando o tacamos com toda nossa fúria contra um chão de mármore. Ele não queria se despedir da Avó, muito menos daquela forma. Porém ele, no fundo de sua consciência, sabia que teria que seguir em frente e cuidar de Mikey. Seu emprego não o garantia o necessário para manter ele e seu irmão... E deixar Mikey sair da escola para começar a trabalhar seria a última coisa que Gerard deixaria acontecer para seu menino. Entre os que marcavam presença, estava Jamia Nabokov, sua tia por parte de Mãe. Ele teve que forçar a memória para reconhecê-la, já que desde que a bela mulher se mudou para um lugar distante de New Jersey, eles nunca mais se viram. As únicas lembranças que tinha dela eram coisas banais, tão banais a ponto de ele sequer conseguir citar alguma com toda a certeza de que ela realmente já havia acontecido. Porém Mikey parecia ter uma memória bem melhor do que a dele, já que o menino estava agora junto de sua tia, chorando. Gerard se aproximou dos dois, para recomeçar o papel de pai de família e fazer o espetáculo pelo qual todos dali pareciam ansiar e exigir: - \"Erm... — ele hesitou antes de chamar a atenção de qualquer dos dois... — tia?\" A mulher se levantou. Ela realmente era bela e o tempo não havia feito prejuízo algum à sua pele branca... Ela era a cópia fiel da mãe de Gerard, talvez por isso ele se sentisse tão mal ao lado dela: - \"Venha, eu sei como você se sente por dentro.\" — ela o abraçou de forma amiga, o que fez o garoto sentir-se estranho, já que nenhum dos outros com quem ele foi obrigado a falar cometeu a proeza de tentar entendê-lo ou o consolar. — \"Quando Bob morreu eu também tive que vestir uma espécie de escudo e fingir que tudo estava bem. Eu ainda tinha que batalhar e criar Frank e Lolita... Mas hoje está tudo bem, está tudo mais fácil. Ray os trata tão bem...\" Mikey apenas observava. Pouco ele havia falado durante todo aquele tempo. De repente um vazio tomou o lugar que seu estômago antes parecia ocupar. Foi quando ele finalmente percebeu que a vida dali para frente em nada se parecia com a que ele vivia até aquele tarde. Logo o dinheiro que Gerard recebia não seria o bastante para sustentá-los e tão logo quanto os dias que se aproximavam, eles teriam que sair de casa... A vida deu início à batalha que sempre parecia amena e distante para ele... - \"Quê isso, tia. No duro, eu \'tô bem...\" — Gerard tentou forçar um sorriso. - \"Não, você não está e eu sei disso.\" — Jamia insistiu, enquanto puxava Mikey pela mão. — \"Eu não quero que vocês passem pelo o que eu e meus meninos passamos. Eu sei que vocês irão negar até um certo momento e com certeza estranharão mudar de cidade, mas, minha própria mãe pediu para que eu fizesse isso caso ela não resistisse mais. E em meu lugar, com minha condição, eu me sinto obrigada a fazer isso. Hoje, após tudo isso, vocês irão para minha casa...\" *** Things Are Better If I Stay *** Os dois irmãos arrumaram suas malas. Talvez o mais estranho de tudo fosse fazer aquilo: abrir mão do único e último lugar que ainda aspirava ao ar que Helena um dia respirou. Mikey relutava de forma infantil a tacar seus pertences naquelas \"prisões\". Gerard apenas fazia o que lhe fora repassado, como um robô. E como um filme que se repete infinita e incessantemente em sua mente apodrecida, ele via e revia sua Avó sendo enterrada, e ele lá, paralisado, sem nem ao menos ter a oportunidade de dizer \"até mais\" para ela. Jamia os esperava na porta da casa. Eles iriam para a casa dos Nabokov naquela mesma manhã. Por estarem muito cansados por passarem a noite em claro, e por sequer terem algum carro para levá-los para lá, eles iriam de ônibus. Tudo estava tão bem arranjado, tão bem planejado que os irmãos Way tinham a insistente sensação de que Jamia já sabia que aquilo iria ocorrer.
A despedida da casa em que cresceram talvez fora uma das partes mais difíceis de todo aquele pesadelo. A bondosa tia os informou de que em breve Ray e Frankie iriam voltar lá para buscar os restos dos pertences, até mesmo alguns de Helena, assim seria mais fácil de eles se sentirem em casa junto dos parentes distantes. Deixar para trás tudo que remetia à Avó era bem mais difícil do que eles um dia imaginaram que seria. Por mais que Jamia fosse simpática, o vazio permanecia entre eles durante todos os instantes que respiravam, checando seus sinais vitais e assim percebendo que permaneciam vivos. Gerard se trancou no banheiro, com a gilete na mão. Já estava há alguns meses sem fazer aquilo, mas ele sabia que não seria forte o bastante para conseguir passar por isso e sair respirando, com os braços ilesos... A viagem seria longa e o cansaço forte o bastante para os derrubarem em um sono profundo, porém inquieto. Eles estavam tão exaustos ao ponto de sequer sonharem com alguma coisa além da escuridão proporcionada pelos seus olhos permanecerem fechados de tanto cansaço. Na mente de ambos, a única coisa que insistia em ser pensada era que as que as coisas seriam estariam melhores se eles ficassem. Jamia sabia da responsabilidade que havia comprado de \"bobeira\" ao aceitar o pedido de sua Mãe. Mas ela não poderia deixar aqueles dois meninos sem eira nem beira, como a própria Helena citou quando implorou que sua filha os criasse caso ela não resistisse mais à doença. Mas Jamia nunca levara tanto jeito com filhos como Lorelai levava com Gerard e Mikey. Frankie e Lolita não eram os filhos perfeitos que os Way aparentavam ser. Frankie era retardado, disso ela tinha certeza. E sua filha, a \"puta viajante\" como ela mesma já gritara à sua menina durante uma de suas tantas brigas. Ela sequer conseguia criar seus dois filhos, e agora seria ainda mais difícil. Frankie já tinha 17 anos porém agia como se tivesse a idade de Lolita, 14. Porém a menina já era o oposto de seu irmão. Sempre madura, distante e indiferente para com o resto da casa, ela nunca aparentou precisar de alguém. Ray, apesar de não ter muita intimidade com Lolita [assim como Jamia], sempre a tratou bem e prometeu fazer o mesmo com os meninos. Com o sono lutando forte para derrubá-la, Jamia resolveu acreditar que daquela vez seria fácil e simplesmente adormeceu, assim como Mikey e Gerard.
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