Prostitution Is Revolution.
3 Capítulo 3
03. I’m just setting a trap and I’m not pulling for ya.
POV do Brendon.
“E para a sua diversão, voltem seus olhos para o palco! A grande Loise vai dançar para a gente. Dance, Loise, mostre pra gente teu segredo!”
A música começou a tocar e eu esperei os primeiros dez segundos da mesma para entrar no palco. Eu adorava o alvoroço causado quando eu entrava naquele recinto, adorava quando todos os olhares se voltavam para mim. Quando eu sentia o homem mais desejado de toda a terra. E eu realmente era, mas havia apenas um olhar que eu queria arrebatar, mas o dono desse olhar não era um dos tantos que estendiam o dinheiro para que eu pegasse e me sentisse satisfeito com tudo aquilo, mas o que me satisfazia eram os olhares e ele, os demasiados drinks que ele tomava em cada roupa que caía do meu corpo. Eu confesso que o amava, o amava mais do que era necessário, mais do que eu podia e muito mais do que eu conseguia amar alguém.
Abaixei-me sedutoramente até para pegar o dinheiro oferecido por um dos homens que estava perto do meu palco. Aproximei meu ouvido dos lábios daquele homem que me deu o número de um dos quartos. Sorri malicioso e assenti, deixando um beijinho no canto dos lábios dele. Mantinha o meu olhar no homem que eu chamava de meu, e de novo ele pediu mais um drink. De longe eu podia ver o quão estava ferido, mas ao mesmo tempo tinha uma determinação que eu quase não reconhecia. Desci do palco – e não era algo que costumava fazer – e fui até aquele castanho mascarado, que tinha os olhos fixados em mim de uma forma que não tinha como ignorar. Aquilo me deixava meio nostálgico, mas ao mesmo tempo eu gostava daquilo tudo. Parei na frente dele, quase sem nenhuma roupa, rebolando para ele. O homem tirou umas notas do bolso – notas grandes, porque sabia que me atraíam – e enrolou-as devagar. Ele prendeu as notas nos seus dentes, indicando que se eu as quisesse, pegasse daquela forma um pouco mais suja que o usual dele. Deixei um beijinho no canto dos lábios dele e peguei as notas com a boca, como ele queria que eu fizesse, mas ao contrário de mim, ele fechou os olhos para curtir nossa proximidade. Eu gostava daquele jeito delicado e feminino, mesmo que ele fosse um homem muito interessante.
Eu conheço os olhos – de quem agora eu me afastava, grudando o dinheiro na cueca enquanto dançava para o resto dos clientes e me encantava com seus elogios e com os toques, a final muitos me apertavam enquanto colocavam dinheiro em mim – do homem que eu amava mais que minha vida, eu conheço seu rosto sem aquela maldita máscara que impede que o mundo conheça a delicadeza e beleza de seu rosto. Eu conhecia o gosto doce daqueles lábios cor de salmão e eu conhecia bem suas atitudes. O único problema é que ele conseguiu pegar o Brendon para ele e não a Loise. Certos dias era impossível separar o ser humano apaixonado do personagem fútil e desprendido que os homens amam. Só um conhecia meu nome, meus anseios, meus sonhos, minha origem. Coisas que nenhum empregado estava autorizado a contar à ninguém e — na verdade, eu não estava autorizado a me envolver daquela forma – se contasse teria graves conseqüências. Eu estava literalmente nas mãos macias dele. Esperei por um número de quarto que não veio; ele sabe que eu largaria qualquer cliente para ser eu mesmo.
Ao contrário do que se pode pensar, eu gostava do que fazia. Eu gostava de ter um milhão de homens que jamais conheceriam meu rosto – ou o rosto de qualquer presente – leiloando uma noite comigo. Eu não tinha sonhos de abandonar o que eu fazia, eu nunca tive sonhos de deixar aquele cabaré e ser feliz casado com o homem que eu amava. O homem que fazia tudo ser diferente em minha vida, quando estava na cama comigo. Eu nunca desejei ser outra coisa senão dançarino de um cabaré luxuoso. Era um tanto quanto estranho, mas esse assédio me mantinha vivo.
Quando o show acabou e eu estava completamente nu – tendo apenas a máscara no rosto e todo dinheiro estava posto no bolso da calça que usava antes – eu saí do placo, dando uma última olhada para o rosto do homem que eu amava e fui para bastidores, colocar uma nova Loise para encontrar o homem que me solicitou. Eu o amava mais que tudo na minha vida, mas precisava me deitar com outros para manter meu padrão de vida que minha família gostava. Outro capítulo importante é da minha família, talvez a mais conservadora e chata de todo o cast do cabaré. Eu era de Las Vegas, a cidade da perdição e pecado, mas meus pais são mórmons e não há lugar melhor no mundo para se viver que Salt Lake para isso, quando se pertence a essa religião. Eu fui expulso de casa na praça do templo, um dos lugares mais importantes e visados na cidade. Eu fui expulso de casa sem direito a nada, sequer ao meu sobrenome. Aquilo doeu mais que tudo em minha vida e olha que eu tinha perdido muita coisa tendo essa escolha, mas nada doeu mais. [n/a: http://ohswingthefocus.tumblr.com/post/5218103592]
Eu olhava para o camarim e procurava alguma coisa que pudesse favorecer minha personagem. Eu estava apenas de cueca e SLC, naquela época, estava fria. Muito fria. Ouvi baterem na porta do camarim, mas nem liguei. Deveria ser alguém do staff, então preferi fingir que não ouvi alguém bater e continuar minha produção. Suspirei fraco quando percebi que minha técnica não havia dado certo e abri a porta, encontrando com o homem que eu amava na porta. Não contive o meu sorriso quando ele me puxou para um beijo e eu o puxei para dentro do meu camarim, prendendo-o contra a porta de forma violenta e necessitada. Eu precisava daquele renovo, precisava da adrenalina de fazer algo completamente proibido e ao mesmo tempo me entregar ao dono dos lábios mais doces do mundo, sem me importar em ter que montar um personagem para agradá-lo. Eu o agradava por ser apenas o mórmon que foi expulso de casa por ser homossexual e dançar sensualmente para entreter homens.
Pode soar hipócrita – e na verdade é – mas minha família me aceita relativamente bem, hoje em dia. Anos se passaram e esse emprego me deu excelentes oportunidades de subir na vida, de conseguir coisas que ninguém conseguiria se tivesse um trabalho mais honesto e mais limpo. Hoje em dia eu sustento meus pais e dou tudo o que meus sobrinhos querem, embora não os conheça. Não é hipócrita da minha família?
“Boa noite, Ryan.” Sorri ao final do beijo.
“Boa noite, Loise. Ótimo show, como sempre.” Ryan Respondeu, tirando minha máscara aos pouquinhos. Eu sorri para ele, deixando que o mesmo fizesse o que bem entendesse. Era isso que o encantava, essa minha submissão repentina que ele sabia só era para ele. “Boa noite, Brendon, meu amor.”
Meu amor. Como eu ansiava por ouvir aquelas doces palavras dele. Como eu ansiava por tudo o que acontecia comigo após as apresentações. Eu parecia tão imaturo e inexperiente toda vez que ele vinha ao meu camarim e me deixava o número de um quarto. Eu não era infeliz com outros caras, eu gostava de ter o mundo esperando por mim e outros números de quartos esperando por mim, mas era com ele que eu me sentia completo e realizado. Era sendo romântico e fingindo sonhar ao lado dele com família e filhos que eu me sentia completamente encantado. Eu realmente queria todos aqueles sonhos, todos aqueles planos, mas quando eu ficasse um pouco mais velho e não pudesse mais me sentir tão desejado. Um ponto para almejar e alguém que me desse motivos para eu ser acorrentado a alguém era o que me motivava a guardar o Brendon para esse momento e entregar a Loise a quem mais me pagar.
“Quer ir pra Downtown*?” Ryan me perguntou baixinho, distribuindo alguns beijinhos por meu pescoço, arrepiando-me completamente com o que ele fazia. “A gente pode jantar algum lugar e ir lá pra casa, conversar, tomar vinho...”
“E fazer amor também?” Apertei-o, sorrindo maliciosamente. Ryan girou os olhos, mas assentiu com a cabeça. Às vezes eu acho que o meu desempenho sexual quando eu sou eu mesmo é muito inferior quando eu encarno minha personagem, porque Ryan era o único que não gostava de quando eu falava de sexo e das coisas que ele me fazia sentir no meio do ato, sensações que por mais que eu tivesse um milhão de homens em um milhão de outras vidas eu não conseguiria chegar a ter de novo, com outro. Ryan era meu dilema, meu martírio, meu carma e o amor da minha vida. Eu não resistia a nada que vinha dele. Até mesmo as flores que todos os dias chegavam ao meu camarim, que vinham dele, me lembravam o quanto eu era feliz e completo.
“Por que você sempre tem que tocar nesse assunto, hm?”
“Por que você fica tão triste quando toco nesse assunto?” O soltei vagarosamente, pegando de volta a máscara que ainda estava com ele. Meu sorriso se desfez enquanto eu me trocava em sua frente. Não era a primeira vez que ele me desapontava, que a gente caía na mesma pergunta, não era a primeira vez que eu ia do céu para o inferno em segundos. “Você não me quer na sua cama, meu amor?”
“N-não é isso, hunf.” Ele girou os olhos e passou as mãos pelos pseudo-cachinhos, irritadinho. “Eu só queria que isso acontecesse de uma forma mais romântica e não que viesse antes de tudo como sempre é.”
“A verdade é que você não gosta de mim, Ryan.”
“Nós estamos namorando, B.” Mordeu o cantinho do lábio e me abraçou por trás. Eu já havia me trocado e colocava a máscara, olhando para o homem que me abraçava através do espelho.
“Você nomeou assim, sabendo que eu nunca seria de um só.” Recuei, agora já montado como Loise, olhando fixamente em seus olhos castanho-esverdeados que me enlouqueciam. Eu poderia tirar todo aquele preparo se ele dissesse que queria fazer amor comigo. “Você sabe que eu estou em suas mãos, sabe também que com você é diferente. Você me ensinou a te amar muito mais que eu queria ou poderia te amar e isso é perigoso pra mim. Conhece esse lugar pelos olhos do cliente e não conhece o staff, os donos. Você não sabe o que tem por trás da Loise.”
“Eu só queria que escolhesse a mim e não essa personagem.” Suspirou, me soltando completamente. A tristeza estava dentro dos olhos dele, como nunca esteve antes. Ao mesmo tempo, compartilhando com aquela tristeza, os ciúmes também apareciam com ele, mostrando que aquela conversa não acabaria muito bem. Eu abaixei a cabeça, pensando no que ia dizer que amenizaria aquela dor que eu causava nele diariamente, mas ao oposto do que eu pensei, Ryan tremia ao segurar uma Colt que eu não podia distinguir que data era, mas era uma arma maravilhosa. “E você vai escolher hoje, eu cansei de dividir você...”
“Eu sou livre, Ross, não me leve a mal.” Suspirei, andando vagarosamente até meu amor, na tentativa de que ele entendesse que eu o amava, mas eu precisava continuar vivendo da forma que me completava, que me fazia feliz. Eu estava alguns passos a frente do meu tempo. “Eu te amo, mas eu deixo você ir se não suporta mais me dividir. Justamente por você me deixar livre, por me amar como me ama é que eu sempre caio por você e em seus braços. Não me peça pra escolher entre a Loise e você, por favor. Vocês me completam.”
“Você já fez sua escolha, Urie.” Andei até Ryan e apoiei sua arma em meu coração. Se ele fosse mesmo capaz de atirar em mim, que atirasse naquela hora que eu pretendia beijá-lo para que todo o sentimento que eu tinha guardado por ele, fosse emitido. Que ele sentisse que aquilo era muito mais que sexo. Que ele era o amor da minha vida. Segurei seu rosto e o tomei em um beijo que foi correspondido e fui pegando a arma dele, mas Ross não era tão desligado quanto eu planejei que fosse, e ele atirou.
Apertei meus olhos esperando sentir à queimação da bala, mas a Colt caiu no chão, e o chão do meu camarim foi se manchando de vermelho. Ryan caiu sobre mim, completamente morto. Eu havia matado o único homem que um dia se importou com quem estava por trás da máscara da Loise, que se importou em fazer comigo uma família. O único homem que todas as noites estava na minha mente enquanto a minha personagem estava na cama com outros. Minha liberdade perdeu o sentido, meu coração se destroçava e por trás da máscara que eu suava. Sentei-me no chão, com o corpo de Ryan aninhado em meus braços. Nunca pensei que em meio a uma poça tão grande de sangue e a um amor tão maravilhoso quanto o nosso pudesse haver um fim tão trágico. Não tinha forças para chamar a segurança, para me ajudar com o corpo de Ryan. Não tinha coragem de levantar dali, trocar de roupa e ir ao número indicado. Pra quê? Até o sentido dos aplausos se perdera naquele momento.
Puxei a arma para mim e contei as balas. Sorri ao perceber que ainda restava uma. Eu havia matado um ser humano cheio de sonhos. Eu havia matado por ser egoísta e queria ser aceito de uma forma desleal. Ao puxar o gatilho em minha cabeça decidi que nunca mais pertenceria a outro homem. Nem Loise e nem eu. Brendon Boyd Urie.
Fim do POV do Urie.
Notas finais
Downtown também é conhecida por suas estações de esqui. ou seja, é um lugar muito romântico.
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