Prose Edda
4 Dormir
Notas iniciais
–Tudo que devem saber sobre a sua tarefa, já lhes foi dito ou por mim, ou através do Duat.- disse o mestre -A primeira etapa de sua missão é ir ao bairro do Brooklyn. Lá, vocês vão achar algo que será a proxima fase da missão.
–Mas, como saberemos o que é?- perguntou um menino ao meu lado.
–Vocês saberão...- disse o mestre, sorrindo.
Olha, quando um velho sorri desse jeito, normalmente é porque ele acabou de te dar dois reais e você faz aquela cara de surpresa, mas com o mestre Pedibastet geralmente era um sinal de que a gente aprenderia alguma coisa nessa missão.
Minha total prioridade no momento era entrar no Duat. Eu não podia perder tempo. Nem tinha me tocado que eu não conhecia as pessoas que iriam na missão comigo.
Entrei no meu quarto, feliz de mais para me expressar com palavras.
Abri uma mochila pequena e coloquei tudo que achei que fosse precisar: meu cajado, rolos de papiro com feitiços, um livro, roupas, escova de dentes, etc.
Deitei na cama e por muito tempo, só fiquei lá, sem fazer absolutamente nada. Sabia que tinha que entrar no Duat, mas era uma experiencia desconfortável e queria estar bem preparada.
Uma meia hora depois (sim, meia hora), eu respirei fundo e entrei.
Mudança de POV
Não sabia como me praparar para uma missão! Era a primeira em minha vida inteira!
Mordi o lábio inferior e parei para pensar. O que seria importante em uma missão? Livros com certeza, roupas... Meu cajado... Parecia pouco de mais... Simples de mais...
Então, a porta se abriu de repente e Ayodele, minha colega de quarto entrou, ofegando e disse:
–Senbi... Aconteceu... Acidente... Menino quebrou o braço...Eu vim... O mais rápido que pude.
–Tudo bem, obrigado Ayodele.
–De nada- ela disse e então se jogou na cama, tentando recuperar o fôlego.
Sai do quarto e fui até a enfermaria do nomo, lá tinha um menino com o braço torcido, choramingando e gemendo.
–Oi- eu disse.
–Oi- ele respondeu- você vai botar ele no lugar? Tá doendo de mais.
–Vou...- eu disse, e então conjurei a palavra "consertar". O hieroglifo rosa brilhou na minha frente e o braço do menino voltou ao seu lugar.
–AAAAAAAHAGSH AAAH- ele gritou- VOCÊ DISSE QUE IA CONSERTAR, PORRA!
–Eu sei, mas eu não disse que seria indolor. Como foi que você fez isso?
–Uma guria retardada torceu ele.
–Por que ela fez isso?
–Sei lá...- ele bufou.
–Olha, uma das coisas que eu sei fazer muito bem é detectar quando uma pessoa esta mentindo... E você é um péssimo mentiroso... Agora me diga, você mereceu isso?
–Não! É sério!
–Mentiroso- eu disse e então completei- Pronto, já pode ir...- e bati levemente no braço dele, fazendo ele quebrar de novo.
–AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHGH- ele gritou -POR QUE FEZ ISSO?!
–Pelos próximos três dias, toda vez que você maltratar alguém, seu braço vai se quebrar e então dolorosamente se colocará no lugar.- expliquei.
–VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO!- ele gritou.
–Posso sim.- disse, -Tchau.
Voltei para o meu quarto com um sorriso no rosto.
–O que você fez dessa vez, Senbi?- perguntou Ayodele.
–Nada...- eu disse.
–Eu conheço essa sua cara...
–É sério, nada...
–Tá bem... E por que tá fazendo as malas?
–Nada...- murmurei,
–OH MEUS DEUSES! Você vai numa missão!- ela disse, enquanto prendia seu longo cabelo preto e cacheado em um rabo de cavalo.
Ayodele é africana, da Africa do Sul, para ser mais precisa, ela se mudou proa EUA quando tinha cinco anos. Um ano depois seus pais morreram e ela teve que viver nas ruas, até que o mestre Pedibastet viu que ela tinha o dom da magia e a acolheu no 21 nomo. Ela tem pele bem escura e não é muito alta, tem olhos marrons e lábios grossos.
Eu sou mais alta que Ayodele, tenho cabelo loiro- avermelhado, olhos azuis que ficam rosa quando eu uso meu poder, um rosto oval. Não tenho uma história interessante como Ayodele, mas quando descobri que tinha sangue de faraó, vim ao 21 nomo quase imediatamente para desenvolver minhas habilidades.
É uma sensação estranha quando te dizem que você tem poderes mágicos. Você se pergunta: "sério? Eu? Tem certeza?"
–Talvez...- murmurei.
–HÁ! VOCÊ VAI! Não se preocupe, querida, estes lábios estão se-la-dos.
–Valeu, Ayodele... Eu não sei o que levar.
–Olha, minina, em primeiro lugar, nada de ficar enchendo a mochila com livro pesado.- ela tirou Crepúsculo da minha bolsa. (eu ia levar caso ficasse entediada).
–Em segundo lugar, transfira tudo esses feitiços pra um rolo só, assim- ela disse, então conjurou a palavra "combinar" e todos os rolos se tornaram um maior e mais compacto.
–Não fique se preocupando em ficar "bonitinha". Isso é uma missão. Seja uma garota de atitude! Use roupas que sejam fáceis de correr e se movimentar.- então tirou as roupas de botão da minha mochila.
–É isso, basicamente...- disse Ayodele -Sem falar em uma boa noite de sono, vai dormir.
–Mas são só oito horas!
–E você vai acordar às cinco amanhã. Durma...
–E você? Aonde vai?
–Sair...!
–Ayodele! Sair aonde?!
–Shhh! Eu só vou dar uma volta! Durma!- ela disse, fechando a porta.
Revirei os olhos e deitei na cama, sorrindo.
POV BRENDA
Argh, acabei de voltar do Duat.
Basicamente, o que pude ver foi uma serpente gigante. Ela mudou de forma e se tornou um homem. Não pude ver direito e não forcei tambem, mas sabia que coisas ruins estavam por vir.
Não entendi muito bem o queria dizer. Me deitei na cama, na tentativa de dormir, mas não conseguia. A emoção era intensa de mais.
E olha que eu amo dormir.
Lá pelas duas da manha, consegui dormir um pouco, mas tive um pesadelo e acordei novamente às cinco da manhã. Hora que eu deveria me apresentar ao salão principal, pronta para a missão.
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