Prose Edda
13 A História de Senpi
Notas iniciais
POV Senpi
Ahmose foi levada para outra sala na enfermaria. Eu fiquei com Choi e Ijaya, mas Ijaya foi convocada para outra sala, ela preciava tratar de ferimentos muito mais graves que os meus e Choi disse que ela podia ir.
-Como você se machucou?
Expliquei a ele sobre a minha ligação com Imhotep e como ele me possiui na hora da batalha.
-Que legal.- ele disse, sorrindo. –Bem, Ijaya me disse que não tinha nada com que me preocupar, só uns hematomas na perna e uns arranhões...
-É, bem isso.
-Ela me disse que você tem o poder de cura. É verdade?
-Sim, haha, eu e ela temos o mesmo poder.
-Né.- ele pegou a minha perna e passou antisséptico.
-Ai.- eu murmurei.
-Eu te machuquei?- ele parecia preocupado.
-Não, só... O antisséptico dói, mesmo.
Ele passou de novo, dessa vez muito mais lenta e cuidadosamente. Enquanto ele passava o remédio, percebi que ele estava murmurando alguma coisa.
-O que foi?- perguntei.
-Ahn?
-Você tava falando algo, não sei bem o que era.
-Ah. Bem, eu tava murmurando uma musica, na verdade.- ele disse, eu acho que ficou um pouco envergonhado.
-Que musica?
-Uma que minha avó costumava cantar pra mim quando eu era menor. Era a única coisa que me acalmava.
-Acalmava? Como assim?
-Bem, eu sou bem mais velho do que aparento, mas Skadi, minha mãe, pediu aos deuses para eu ter “outra vida”.
-Outra vida?
-Eu nasci em 1948. Em 1950, foi a guerra das coréias. Meu pai era soldado e eu morava bem na fronteira, vivia com medo de bombas...
-Mas como assim outra vida?
-Bem, como eu disse, minha mãe ficou com pena de mim... Eu vivi uma vida horrível. Quando eu tinha quase cinquenta anos eu morri de fome e sede. Nunca achei esse lugar... Então, minha mãe me deu outra vida. Não era pra eu poder me lembrar da minha antiga, mas eu tinha muitos pesadelos com a guerra, Ijaya me ajudou a descobrir o que eles queriam dizer. Assim, eu soube que eu tive duas vidas. Eu nasci novamente, nunca conheci meu outro pai, fui órfão por dois anos, até que uma família me adotou... Eu gritava durante a noite e era minha avó adotiva que me acalmava. Serei eternamente grato a todos eles.
-Uau, isso é uma história bem intensa... Eu não sei se eu aguentaria.
Ele sorriu e voltou a aplicar os curativos, então disse:
-A pior parte é que a minha ligação com a minha vida passada está ficando cada vez mais forte, se é que me entende. Ultimamente, uns ferimentos que eu tive quando era pequeno em minha primeira vida estão re aparecendo.- ele virou o braço e mostrou um ferimento de tiro, o sangue escorria lentamente para fora.
-Ah, meus deuses!- eu disse, pegando no braço dele.
-Não se preocupe, não dói.
Ignorei o que ele disse e conjurei uma palavra para fazer o ferimento desaparecer. Os hieróglifos rosa brilharam na sua frente, Choi tinha ficado paralisado com a beleza e a força dele.
O sangue e o local do tiro sumiram lentamente.
-Pronto.- eu disse.
-Obrigado- ele disse, e começou a colar um esparadrapo na minha perna.
-Mas ei,- eu disse –cante pra mim.
-Cantar? Eu?- ele ficou vermelho.
-É. Eu quero ouvir.
-Uh... – ele respirou fundo –Está bem.
Choi tinha uma voz bonita, ele sabia cantar muito bem.
“She was just sixteen and all alone... When I came to be[...]”
Ele cantava enquanto terminava o curativo
“And she would sing shananan na na nanana it’ll be all right [...]”
Choi terminou de fazer o curativo e parou de cantar.
–É... Eu não sou muito bom...- ele disse.
–Que história é essa? Choi, você foi incrível!
–Sério?
–É...- eu disse, sorrindo.
Notas finais
http://www.youtube.com/watch?v=2TKCJjGwTac
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