Notas iniciais
Olá! Essa fic faz parte do Projeto One-shot Oculta, um amigo oculto entre autoras do fandom de Crepúsculo. Confira as regras e todas as participantes no nosso perfil oficial – bit.ly/POSOnyah – na aba "Favoritas” e “Estou Acompanhando”. Essa fanfic é dedicada à minha amiga oculta psc_07_ espero que tu goste da história. O combo usado foi a imagem do casal dançando + a música bad idea right? da Olivia Rodrigo. Este 'novo' site ainda não está permitindo que os autores respondam os comentários, mas assim que estiver liberado irei responder todos, sendo assim não deixem de comentar. Boa leitura!


A música era tão alta dentro da casa que meus ouvidos doíam, saí para o quintal, logo sentindo o cheiro de cigarro insuportável em minhas narinas, fazendo com que elas ardessem e eu espirrasse umas três vezes seguidas. Bebi mais um gole da minha cerveja e estava partindo para mais um quando o celular na bolsa vibrou, o peguei e vi quem estava ligando para mim.

Arregalei os olhos para a tela do aparelho, sem conseguir acreditar naquilo. Depois de todo aquele tempo meu ex estava mesmo entrando em contato comigo? Era alucinação por conta da cerveja? Só podia ser, ele não poderia estar ligando, não…

edward: ei

edward: como você está?

— Puta merda — sussurrei, ele não estava apenas ligando, como também mandando mensagens.

Olhei ao redor, observando todos na festa curtindo, completamente alheios ao que estava se passando entre o meu celular e eu. Bom, entre meu ex e eu. Quer dizer, nada estava de fato rolando, quem sabe ele não tinha apenas mandado mensagens para a pessoa errada, e ligado também, não?

— O que foi, Bella? — Alice Cullen surgiu ao meu lado, trajando seu biquíni estampado com a bandeira dos Estados Unidos, seu look oficial de todos os dias da independência. Ela era de família inglesa, mas morava na América desde seus dez anos de idade e adorava o feriado. Naquele ano, estávamos comemorando o 4 de Julho na casa da família do namorado dela, Jasper Whitlock, uma mansão com piscina e quadra de tênis numa das áreas mais caras de Seattle.

— Eu? Nada, tudo bem! — respondi, justamente para a prima do cara que estava me mandando mensagens. Foi por ela que nós dois nos conhecemos, Alice e eu no nosso primeiro ano de faculdade na Universidade de Washington dividimos um dormitório e assim fui apresentada ao seu primo, um ano mais velho do que nós duas e que também estudava lá, Edward Cullen.

Ele e eu começamos a namorar cerca de seis meses depois do meu ingresso na universidade, e era um romance de conto de fadas, que tinha ruído no começo do meu último ano na faculdade. Eu não via Edward desde o dia da minha formatura, há um mês, quando ele foi prestigiar a formatura da prima, só que não nos falávamos desde quando terminei nosso namoro, em outubro do ano anterior.

— Você está com uma cara de suspeita — Alice falou, olhando para mim como se pudesse enxergar minha alma com seus grandes olhos azuis. Seus cabelos pretos, recentemente cortados na altura das orelhas, estavam molhados do seu último mergulho na piscina. Ela e alguns outros corajosos estavam enfrentando a máxima de 16º naquele final de tarde.

— Você tá bêbada e vendo coisas — falei, forçando uma risada e desconversando logo em seguida, ela amava o primo e tinha sido uma das grandes apoiadoras do nosso namoro, porém também me apoiou em cada segundo da minha decisão de terminar, pois sabia que a relação já não estava sendo mais boa para ninguém. — Como tá sendo em New York? — perguntei para minha amiga, que tinha se mudado para a costa leste com o namorado logo após nossa formatura, os dois iriam fazer o curso de direito em Columbia.

A pergunta foi o suficiente para minha amiga se distrair, logo acabamos indo conversar com outros amigos, entre eles minha irmã mais velha e meu cunhado, que era amigo do irmão mais velho de Jasper. A minha irmã, Rosalie, ouvindo meu celular vibrar na bolsa, perguntou baixinho para mim.

— O que tá rolando? Por que seu celular não para de tocar?

— É telemarketing — menti, e ela não pareceu acreditar, franzindo sua testa para mim, mas alguém lhe perguntou sobre seu trabalho como engenheira elétrica e isso a fez se distrair como Alice anteriormente.

Aproveitei que todos meus amigos estavam entretidos com outra coisa para dar mais uma olhada em meu celular, além de ter ligado mais uma vez, Edward tinha enviado um endereço por mensagem. Eu ainda estava absorvendo tudo aquilo quando ele ligou de novo, impulsivamente, pensando mais pela bebida do que com o cérebro, me afastei do grupo e atendi a ligação.

— Oi — ele falou e sua voz rouca, e carregada pelo sotaque britânico me fez derreter, foi sua voz que me chamou atenção pela primeira vez, na ocasião parecia que estava silenciando todas as outras do lugar. Diferente da prima, Edward tinha se mudado para os Estados Unidos apenas quando começou na faculdade, então ele mantinha seu sotaque 100%.

— Oi — respondi, respirando fundo, me sentindo sem fôlego. Pensar nele, na sua voz e em tudo que vivemos mexia demais comigo. Constantemente eu me recordava de uma cena muito específica de nós dois dançando em meu minúsculo apartamento, horas antes de ele ir me deixar no aeroporto e me dar um último beijo.

Eu usava um vestido rodado, ele ainda estava apenas em sua calça jeans. E enquanto terminava de me arrumar, tinha colocado a trilha sonora de La La Land para tocar, ele era um grande fã de musicais e eu uma grande fã daquele filme em específico, em determinado momento Edward me fez dançar, no apartamento vazio, mas prometeu que quando voltasse seria para morarmos juntos, o que definitivamente não aconteceu.

— Você tá na festa do Jasper? — perguntou.

— Sim — respondi, em um tom de voz baixo, apesar de ser a casa da família do namorado de sua prima, no término eu meio que acabei com a guarda da maioria dos nossos amigos em comum. O que não queria dizer que Edward não falava mais com eles, claro que falava, mas o grupo como um todo evitava nos colocar no mesmo ambiente para impedir qualquer tipo de atrito, e meu ex tinha outros vários amigos. — E você? Tá passando o feriado onde? — me vi perguntando, sem conseguir impedir minha boca de proferir tais palavras.

— Em casa — respondeu. — Sozinho.

— Ah — falei em um sussurro.

— Quer vir para cá? — o questionamento dele fez meu corpo estremecer, e sabia que aquilo não era nada relacionado a frio.

Era uma péssima ideia ir ver ele, não? Nosso relacionamento terminou de uma forma muito difícil, para mim, para ele.

— Podemos jogar papo fora e comer aquela Yakisoba que você gosta — completou, e isso me fez dar um sorriso. Eu sabia que ele estava falando da Yakisoba que fazia, Edward mandava muito bem na cozinha, diferente de mim.

Olhei ao redor, todos meus amigos estavam ali, mas naquele momento tudo que eu queria era correr até meu ex. Quão errado isso era? Eu sabia que não deveria fazer aquilo, ir ver Edward naquela noite, e em nenhuma outra, mas…

— E tem Coca-Cola, a normal porque sei que você detesta a zero — ele disse e isso me fez sorrir ainda mais.

Talvez ninguém me conhecesse tão bem quanto ele me conhecia, e constatar aquilo me fez sentir saudades da amizade que construímos antes do namoro. Das noites que passamos estudando juntos na biblioteca, nos almoços compartilhados em seu carro, das idas frequentes ao cinema, dos jogos que assistimos juntos e os gols que ele tentou marcar contra mim e nunca conseguiu.

— Você vem?

Aquela altura meus pensamentos eram tão confusos, eu poderia ir até ele apenas como amiga, não?

— Eu vou — me vi respondendo.

— Te espero, não demora! — falou e estava tão animado que visualizei seu sorriso com perfeição em minha mente.

Eu disse um tchau apressado e desliguei, meu coração já batia em disparada por estar mesmo indo ao encontro daquele que tinha o feito sofrer antes. Mas, ao mesmo tempo, também era alguém que tinha feito bem ao mesmo coração. E eu sabia o que estava por vir em meu futuro, mas e se conseguíssemos fazer tudo ser diferente daquela vez?

Caminhei até a rodinha de antes, que tinha reduzido ao meu cunhado, Rose, Jasper e Alice. Emmett, o noivo da minha irmã, colocou seu braço ao redor dos meus ombros. Ele era um homem grande, que gastava muito do seu tempo em academia, mas não era chato como a maioria dos marombeiros que conhecia por aí.

Rosalie e ele eram deslumbrantes juntos, deveria ser até crime ser tão bonitos quanto os dois eram. Altos, malhados, ela com longos cabelos ondulados loiros e ele com cabelos cacheados pretos, entretanto tinha recentemente cortado bem baixinho. Ser irmã mais nova de alguém tão bonita quanto Rose me garantiu algumas sessões de terapia na adolescência, isso e a separação nada amigável dos nossos pais.

— Hum, eu vou precisar ir — comuniquei, evitando olhar diretamente nos olhos de Rose e Alice, temendo que elas fossem capazes de perceber o que eu estava escondendo. Os meninos não iriam brigar comigo, só que as duas iriam me impedir de ir até meu ex-namorado, eu sabia disso e mesmo tendo mais de 21 anos não saberia como argumentar contra elas.

— Por quê? — Rose indagou.

— A minha vizinha ligou, o Sirius tá chorando muito. — Grande mentira, só que a desculpa perfeita para usar. Meu cachorro filhote, que deixei sob cuidados da vizinha idosa legal, chorando era totalmente plausível.

— Coitadinho, você pode pegar ele e o trazer pra cá — Alice disse. — Não é, Jasper!?

— Claro, sem problemas — Jasper concordou, assim como minha irmã e Emmett, era bem alto, seus cabelos eram cacheados e loiros, e naquele dia estavam presos em um coque.

— É melhor eu ficar lá em casa com ele — insisti. — Ele ia pirar com tanto barulho, até porque mais tarde terão os fogos.

— Putz, a gente devia ter comprado fogos silenciosos — Emmett disse para Jasper e os dois começaram a conversar paralelamente sobre aquilo.

— Tem certeza de que precisa ir? — Rosalie questionou.

— Sim, sim. Vou aproveitar e dormir cedo. — Só que não nos meus lençóis… — Vocês sabem que vou ter muito o que fazer nos próximos dias.

— Por isso deveria ficar aqui com a gente — Alice disse, fazendo um biquinho.

— Amanhã a gente pode ir almoçar, vamos ver — sugeri. — Agora eu preciso ir.

— Cuidado, ein? — Rosalie falou, desconfiada, mas não disse mais nada. Talvez fosse só paranóia da minha cabeça e ela nem estivesse suspeitando de coisa alguma, eu tinha de me lembrar que o único ex-agente do FBI na nossa família era apenas nosso pai.

Abracei os quatro rapidamente e segui para fora da mansão, sem perder mais tempo dando tchau para ninguém além deles. Pedi um carro de aplicativo, o destino era a cama… a casa do meu ex.

X

Edward tinha se mudado do apartamento em que vivia antes do nosso término, estava em um prédio mais distante do campus da universidade, onde eu sabia que ele continuava estudando, fazendo sua pós-graduação em fisioterapia. Quando o carro parou me sentia menos bêbada, e mais nervosa, o coração sairia pela boca a qualquer momento em antecipação a vê-lo.

— Como eu estou? — me vi perguntando para a motorista, a mulher olhou para mim, aparentando não estar entendendo nada. — Tô bonita? Ou horrorosa? Eu vou encontrar meu ex, mas como amigo, só isso, não vai ter flashback, vamos apenas nos reconectar e retomar a amizade. Com certeza não terá uma prorrogação entre nós dois…

— Não existe amizade com ex — a mulher disse, em um tom de voz entediado. — Pode sair agora? Tenho outra corrida — falou, indicando a porta para mim.

— Certo, claro — concordei e deixei seu carro rapidamente.

Eu passei as mãos pelo vestido que usava, um azul marinho que ia até meus joelhos e tinha alcinha, o decote era em formato de coração. Estava de saltos, pretos. De acessórios apenas uma bolsinha com apenas meu celular e documentos dentro, e uma pulseira com o brasão do time que tinha jogado no Brasil, o Esporte Clube Bahia. Meus cabelos castanhos, que tinham uma tonalidade mogno, e ondulados, estavam soltos. E usava pouca maquiagem, a parte mais trabalhada tinha sido os cílios postiços que coloquei para realçar meus olhos também castanhos.

Respirei fundo algumas vezes, encarando o prédio bege, até que por fim caminhei em direção a entrada. Antes de se mudar para lá, Edward dividia apartamento com um amigo da faculdade, James, em um prédio bem mais simples, mas aquele novo tinha até porteiro, me identifiquei para o homem, que interfonou para meu ex e minha entrada foi liberada.

O apartamento era no segundo andar, então para gastar um pouco da energia e do álcool, optei por subir pelas escadas. Logo que cheguei no andar, eu o vi, parado diante da porta de seu apartamento, sorrindo para mim. Provavelmente já tinha visto homens mais bonitos que ele, mas não conseguia me lembrar quem, nem quando.

Edward era uns 20 centímetros mais alto do que eu, cabelos acobreados que estavam bem parecidos a época que me mudei, com o comprimento até abaixo de suas orelhas e alguns fios mais curtos caindo por sua testa. Ele estava usando uma camiseta preta e por cima uma camisa de botão — e mangas longas — acinzentada —, calça jeans escura e em seus pés chinelos da Havaianas que tinha lhe mandado do Brasil logo depois da minha mudança.

— Oi, Miss Simpatia — ele disse, sua voz chegando até mim como se fosse minha canção favorita e o apelido me fazendo rir.

Quando nos conhecemos foi em uma festa, e eu estava tão animada naquele dia por ser minha primeira festa na faculdade, que não parava de falar por nenhum segundo. O apelido surgiu dali, e Edward com o passar do tempo fez dele o apelido carinhoso em nosso relacionamento.

Antes que eu pudesse terminar de andar até ele, Edward fez isso. Cruzando o corredor até mim, segurando meu rosto entre suas mãos quentes e beijando minha testa demoradamente.

— Estou tão feliz que você veio — ele falou, eu suspirei. Minha cabeça estava cheia de pensamentos conflitantes, mas quando Edward beijou minha bochecha esquerda ao tirar sua mão, todos os pensamentos pareciam ter sido silenciados, não era mais capaz de escutá-los.

Então, sem meu cérebro discutindo com meu coração, fiz o que o segundo órgão queria. Beijei Edward Cullen, reencontrando os lábios de quem tanto sentia saudades. Eu fui imediatamente correspondida, ele me segurou pela cintura, me puxando mais para si e eu agarrei seus braços. O beijo foi cheio de vontade, de ambas as partes, e estaríamos dando um belo show para qualquer vizinho dele que passasse ali, mas não me importava com isso.

— Você quer entrar e conversar… — ele falou, ofegante como eu também estava, quando nossas bocas se separaram por um segundo.

— Não, quero entrar e ir pra sua cama — falei decidida. Edward riu, me beijou, mas foi só um rápido encostar de lábios e tirou suas mãos da minha cintura, para minha total insatisfação. — O quê? — resmunguei, abrindo meus olhos, encontrando os seus, verdes e felizes, voltados para mim.

— Eu queria muito, muito, muito, te levar direto para minha cama, Isabella. Mas, acho que precisamos conversar um pouco antes.

— Precisamos mesmo? — indaguei, temendo qualquer conversa, eu não queria voltar a ouvir meus pensamentos coerentes.

— Precisamos. — Mais um beijo em meus lábios. — Seu gloss tem gosto de cereja — falou, isso me fez rir de novo. — Justamente minha fruta favorita.

Era por isso que eu tinha comprado aquele gloss, para ter algo que me lembrasse dele.

— Vem. — Segurou minha mão e me conduziu para o interior do seu apartamento. — Você tem que comer.

— Eu queria ser seu jantar — murmurei, mas ele escutou e gargalhou, entendendo o que quis dizer.

— Bem-vinda — falou ao entrarmos no apartamento, que estava meio bagunçado para os padrões Edward. Tinham sapatos perto da porta, coisa que ele nunca deixava, e sim na área de serviço, fios expostos de televisão e videogame, o que meu ex abominava, era o maior hater de fios aparecendo.

— Você não mora sozinho — deduzi, aquela bagunça deveria ser de outra pessoa, tirando meus saltos e deixando perto dos outros sapatos.

— Sim, mas não se preocupa, o cara com quem divido apartamento está viajando.

— É algum dos seus amigos? — perguntei, enquanto ele fechava e trancava a porta.

— Não, eu o conheci só quando vim morar aqui no mês passado, se chama Demetri. E vou cair fora assim que possível, ele é muito bagunceiro, como você pode ver e não se importa com fios aparecendo.

— Você não mudou nada — comentei, rindo mais uma vez, e era tão bom rir novamente da fixação de Edward por conta de simples fios.

— Eu mudei, é sobre isso que quero que a gente converse, antes de qualquer outra coisa — falou, afagando minha mão que ainda segurava e eu estremeci, lembrando de todas as nossas intermináveis brigas por ligações, mensagens e videochamadas quando estavamos em países diferentes, tudo motivado por ele ser muito ciumento para suportar um relacionamento a distância.

— Podemos ir comer? — indaguei, querendo adiar mais um pouco qualquer conversa sobre aqueles últimos meses infernais do nosso namoro, que me faziam lembrar tanto do casamento igualmente infernal dos meus pais.

— Sim, claro! — concordou e me conduziu até a cozinha. O apartamento tinha conceito aberto, então, a sala e a cozinha tinham visão uma para a outra.

Edward beijou minha mão, antes de soltá-la e abrir a geladeira. Eu sentei ao balcão da ilha da cozinha, que estava bem arrumada do jeito que Edward gostava, ele me serviu com um copo generoso de Coca-Cola e falou:

— Aqui sua bebida, senhorita.

Agradeci e tomei um longo gole, logo em seguida soltando uma frase que Edward sabendo muito bem que eu falaria a pronunciou comigo.

— Dos deuses!

— Você sempre fala isso — complementou, se aproximando e beijando minha bochecha.

— Não posso fazer nada se é realmente uma bebida dos deuses — afirmei, ele se inclinou para me beijar novamente, mas se afastou quando ouvimos a campainha tocar.

— Que estranho — falou, franzindo a testa. — O porteiro não interfonou.

— Pode ser algum vizinho vindo pedir uma xícara de açúcar — brinquei.

— Deixa eu ir me livrar logo disso — ele disse seguindo até a sala, a porta não tinha olho mágico e ele não se importou em perguntar quem era, logo abrindo.

Entretanto, Edward mal tinha aberto a porta quando seja lá quem estivesse do outro lado a empurrou com tanta força que fez com que o Cullen se desequilibrasse e quase caísse no chão. Eu imediatamente fiquei mais atenta a todo o resto, achando aquilo muito estranho, levantando lentamente do banco que estava.

— Cadê o Demetri? — Um homem branco e que devia ter minha altura, de cabeça raspada e a tatuagem de um V na lateral dela, entrou no apartamento, gritando e trancando a porta.

— Que merda é essa? — Edward perguntou. — Quem é você?

— Cadê o Demetri? — o cara repetiu a pergunta, encarando Edward.

— Não importa quem eu sou, importa que quero saber cadê o Demetri.

— Ele viajou, não sei pra onde ele foi, agora pode ir embora? Como entrou no prédio? — Edward estava vermelho de raiva.

— Foi assim que entrei no prédio, seu idiota! — o cara ergueu sua camisa, mostrando uma arma na cintura.

Isso não me fez gritar, mas Edward paralisou e ficou pálido na mesma hora. Eu tinha crescido com um pai do FBI, não era qualquer arma que iria me desestabilizar, mas ele era apenas filho de um casal de professores do ensino médio, cresceu sem ouvir nenhuma das história horripilantes que eu ouvi.

— O Demetri viajou — respondi, notando que Edward não conseguiria dizer nada. — Por que você não pega o que quer e nos deixa fora disso? — sugeri, mantendo a calma e ficando de pé. A pequena parte de mim que um dia, por volta dos meus 11 anos, quis ser uma agente do FBI como meu pai, tomando conta da situação.

Eu não tinha exatamente um plano, mas sabia que tinha de cooperar com o cara e não deixá-lo mais furioso.

— Eu só saio daqui com a maleta do Aro, e o rastreador aponta para esse endereço — o homem disse e eu não fazia ideia de quem caralhos era Aro, mas algo no nome me era familiar. — E se vocês não me derem a maleta, eu mando os dois pra conhecer Deus hoje mesmo.

— Não sabemos de maleta nenhuma! — Edward falou finalmente, gritando. Muito desesperado, mesmo que o bandido ali fosse mais baixo que ele, diga-se de passagem.

— Eu te ajudo a procurar — declarei para o bandido, tramando o plano para escaparmos dali por fim.

— Não, nem pensar! — Edward gritou, olhando para mim em pânico. Eu mexi meu nariz, uma dica que por sorte ele pareceu compreender, como o sinal que usávamos quando estavamos jogando poker e queria que o Cullen confiasse em mim.

— Cala a boca! — mandei. — Pode ser assim? — perguntei para o bandido.

— O que eu faço com o seu namoradinho? — ele perguntou.

— Tranca ele no banheiro — sugeri, dando de ombros, tentando não transparecer que aquela era minha ideia desde o princípio. — Sei lá, você decide.

— Certo, mas quero o celular dos dois, agora! — ordenou, Edward entregou o seu, o tirando do bolso rapidamente. Eu andei até eles e entreguei para o homem minha bolsa, depois ele questionou onde era o banheiro, e nos levou até lá quando Edward lhe deu a resposta.

— Cuidado — Edward sussurrou para mim quando entrou lá, o homem arrancou a chave da porta para trancá-lo pelo lado de fora, os olhos dele estavam cheios de pavor antes da porta fechar.

— Vamos começar pelo quarto do Demetri? — perguntei para o bandido, que colocou o celular de Edward e a chave do banheiro dentro da minha bolsa e passou a alça por seu pescoço, o que teria me feito rir se aquilo fosse um filme e não a vida real. — A maleta deve estar lá.

— Ok, vamos lá.

Naquele corredor do banheiro tinham outras duas portas, e a do quarto de Edward reconheci pela plaquinha com o trecho “lights will guide you home” de Fix You do Coldplay, era minha banda favorita e eu tinha lhe dado a placa, se ele tinha a colocado ali só porque eu estava indo ao seu encontro foi uma bela jogada de mestre, sabia que aquilo mexeria comigo.

— Aqui. — Entrei no outro quarto, o do tal Demetri, que estava com a porta aberta, sem querer aquele homem revirando as coisas de Edward, mas torcendo para lá ter algo que ajudasse na segunda parte do meu plano. — Por que você não olha no armário? Eu olho embaixo da cama — sugeri, com a voz mais mansa do mundo.

— Certo. — O homem andou até o armário e eu fui olhar onde tinha dito, mas não encontrei nada que pudesse me ajudar, meu plano era bater na cabeça dele com algo e o desmaiar, pegar meu celular e chamar a polícia, só que não tinha nem um abajur naquele quarto, apenas travesseiros de aspecto bem fofo sobre a cama.

A outra alternativa era mais arriscada, e me faria fugir dali sem meu celular, ou o de Edward. Antes que o cara, que estava de costas para mim, resolvesse me olhar, eu levantei e tirei a chave da porta, a colocando no meu decote.

— Qual seu nome, garota? — ele perguntou, parando de revirar o armário. Eu já estava de pé junto a cama, ele revirou os travesseiros, os tirando de dentro da fronha como se uma maldita maleta fosse estar camuflada ali.

— Diana — menti. — E o seu? — perguntei, enquanto pegava um travesseiro em mãos, teria de usar o segundo plano.

— Caius… — Ele mal tinha acabado de falar e joguei o travesseiro na cara dele, o suficiente para o distrair e me fazer correr para fora do quarto. — Que merda! — gritou de lá de dentro, enquanto eu segurava a maçaneta da porta com toda minha força com um mão e com a outra pegava a chave do meu decote para trancá-la. — Me deixe sair! — continuou gritando, batendo contra a porta tentando abri-la, eu tirei a chave e a joguei de volta em meu decote.

— Edward, chuta a porta pra sair — gritei para ele, enquanto andava para perto da porta do banheiro.

Ele começou a chutar e xingar, Caius no quarto estava fazendo a mesma coisa, mas sem sucesso. Meu pai tinha ensinado muita coisa para Rose e eu, inclusive arrombar portas no chute, mas Edward claramente não levava jeito para aquele tipo de coisa.

— Se afasta da porta, Edward — ordenei e sem esperar muito tempo chutei a porta com toda minha força, fazendo com que ela abrisse.

— Porra, como você está? — ele perguntou a me ver.

— Sem tempo pra isso, vamos embora daqui. — Agarrei seu braço, e o puxei para a sala, temendo que Caius conseguisse abrir sua porta logo, ou que resolvesse usar sua arma.

Na sala vi uma carteira em cima da mesa, a mesma que Alice tinha dado de presente para Edward anos atrás, eu a peguei e o mandei guardar em seu bolso, para caso fosse preciso para algo na delegacia quanto aos seus documentos, os meus já tinham desistido. Saímos do seu apartamento, depois de eu pegar meus saltos, mas sem os calçar, e vimos dois homem subindo as escadas, eles nos olharam e eu soube imediatamente que estavam com Caius, já que um deles também tinha a cabeça raspada e a mesma tatuagem de um V como o outro.

O elevador estava parado no andar, mais próximo de Edward e eu, então a única solução foi atirar os sapatos na direção dos homens. Não os acertei, mas os distrai e conseguimos entrar no elevador, eu apertei o andar do térreo e para nossa sorte o elevador foi bem rápido.

— Corre, corre! — mandei para Edward quando o elevador parou, não vimos o porteiro ali na portaria, mas não tínhamos tempo de procurar pelo homem, era melhor corrermos para a delegacia mais próxima.

Um dos homens estava nos seguindo, o que não tinha a cabeça raspada, era loiro, entretanto conseguimos deixar o prédio antes dele e definitivamente tivemos mais sorte quando um táxi parou para Edward assim que ele fez sinal. Falando todo embolado, porém ainda assim conseguindo falar, Edward mandou o motorista dirigir para a delegacia mais próxima.

Olhei para trás e vi o cara entrar em um carro que estava estacionado na frente do prédio, passando a nos seguir. Eu tremia, e suava, suava tanto que suspeitava até estar fedendo nas axilas, tinha sido muita adrenalina para tão pouco tempo.

— Moço, posso usar seu celular? — perguntei para o motorista, eu só sabia o número de uma pessoa de cabeça e era o de Edward, mas obviamente não adiantaria ligar para ele naquele momento. E conhecendo meu ex, ele também não sabia o número de ninguém de cor. Sendo assim, iria ligar para a polícia, querendo que ela agisse logo.

— Não — ele negou, curto e grosso.

— É uma emergência — Edward afirmou, olhando para trás e também percebendo que estavamos sendo seguidos.

— Vocês tão doidões? Não vou emprestar nada!

— Moço… — comecei a falar, mas calei a boca quando algo aconteceu, o bandido loiro colocou uma sirene da polícia no teto de seu carro, não saberia dizer se ela era verdadeira, ou não, mas o motorista aparentemente acreditava que sim.

— Droga! — xingou, virando tão rápido para entrar em uma rua paralela que não deu tempo do bandido loiro continuar a segui-lo. — Saiam do carro, saiam, saiam! — mandou, três esquinas depois, depois de correr feito um louco, furando todos sinais no caminho, comigo e Edward gritando no banco de trás.

Nós saímos rapidamente, afinal não queríamos ficar no carro de alguém que claramente estava fugindo da polícia. Parados na rua, de noite, comigo descalça e Edward mais pálido do que antes, vi meu ex sentar no chão e respirar fundo.

— O que foi isso tudo que aconteceu?

— Não me pergunte. — Olhei para as placas da rua, tentando me localizar, ao mesmo tempo que tentava pensar em qual seria o melhor passo a ser dado.

— Aquele cara é mesmo da polícia? — Edward perguntou.

— Não faço ideia, mas não estou com vontade de arriscar ir até uma delegacia e dar de cara com o maldito.

— O que a gente faz? Liga pro seu pai e ele coloca o FBI nisso? Por favor, diz que sim.

— Sim, mas não sei o número dele de cabeça. Vamos pegar outro táxi, ir até meu apartamento, vou olhar pelo meu notebook meus contatos, de lá eu pego o telefone da vizinha e ligo pro papai, no momento só confio nele pra ajudar a gente — falei decidida.

Ficamos uns 10 minutos naquela esquina esperando um táxi, mas nenhum passou.

— Vamos andando.

— Estamos perto do seu apartamento pra ir andando? — perguntou arqueando a sobrancelha.

— Uma hora de caminhada, mais ou menos, pouca coisa.

— Sim, bem pertinho, graças a Deus.

— Nem todo mundo mora em um local tão bem localizado quanto você — debochei de volta.

— Eu claramente tava morando com um bandido, por isso o aluguel era tão barato — ele reclamou. — Toma, calça isso. — Tirou seus chinelos e passou para mim, eu os calcei, já tinha arriscado muito meu pé com o chute na porta, não podia arriscar mais andando por aí descalça, não podia acabar com meus principais instrumentos de trabalho.

— E você?

— Se a gente ver uma loja aberta, paramos pra comprar algo para mim, mas vamos encontrar um táxi antes disso.

Não encontramos, nem loja aberta, nem táxi. Todos deveriam já ter parado de trabalhar para comemorar o feriado com a família, os ônibus e metrôs estavam circulando, mas Edward nem sugeriu isso, pois sabia que eu morria de medo daqueles transportes. O segundo por ter ficado presa num, debaixo da terra, em uma queda de energia quando era muito criança, o primeiro por meses depois da história do metrô ter sofrido acidente em um da escola, nada grave, mas eu ainda não conseguia lidar com eles também, nem mesmo bandidos nos perseguindo me faria entrar em um.

— Acho que sou amaldiçoada — falei.

— Quê?

— Sofri acidente de ônibus, fiquei três horas presa num metrô e agora tem uns doidos atrás de mim procurando uma maleta que nunca vi na vida.

— Você não é amaldiçoada, eu sou, fui morar justamente com o cara da maleta.

— O que esse tal de Demetri faz?

— Ele não trabalhava nem estudava, dizia que estava em um ano sabático. Sempre falava que o pai mandava dinheiro pra ele, um tal de Aro, que agora tô achando que não era pai coisa nenhuma.

— Edward, Volturi! — Parei de andar e ele também.

— Quê?

— Aro é o nome daquele mafioso da cidade, o tal Volturi. — Ele arregalou os olhos, fazendo a mesma conexão que eu entre o nome e a tatuagem na cabeça dos homens, a marca registrada dos ‘seguranças’ de Aro Volturi.

— O traficante de drogas!?

— Sim!

— Merda, merda, merda, eu tava morando com um traficante. — Começou a andar de um lado para o outro.

— Calma…

— Eu te fiz ir pra casa de um traficante.

— Calma…

— Não tem como ter calma, Bella, ninguém nunca conseguiu juntar provas suficientes para prender esse tal de Aro, dizem que ele tem aliados na polícia e agora tem gente desse cara atrás de nós dois. Vamos morrer! — Sentou no chão mais uma vez, colocando a cabeça entre as mãos.

— Edward, nós precisamos ir, não dá pra ficar sentado agora.

— Só queria ligar pro meu terapeuta — murmurou, me pegando de surpresa.

— Você tá fazendo terapia? — Ele suspirou, tirou as mãos da cabeça e olhou para mim.

— Estou.

— Sério?

— É. — Engoliu em seco e se levantou. — Comecei depois que… — Mais um suspiro. — Depois que você terminou comigo.

— Ah — falei, sem realmente saber o que dizer.

Ficamos em silêncio, cada um olhando para um lado, por muito tempo, até que ele finalmente disse:

— Vamos, não podemos mesmo perder tempo.

Concordei com um aceno de cabeça e voltamos a andar, mas não demorou muito para que eu perguntasse:

— Por quê?

— O quê?

— Por que você começou a terapia?

Ele não olhava para mim, nem eu olhava para ele, era uma conversa difícil demais para ambos e sabíamos bem o motivo.

— Fiquei cansado de ficar longe de você — respondeu.

Nós não falamos mais nada pelo resto do caminho, apesar de que tínhamos muito a dizer.

X

Quase chorei de emoção quando finalmente avistamos meu prédio, tinha sido um longo caminho até ali. Silencioso, e também sem comida ou bebida porque não queríamos demorar a chegar, eu também não queria conversar sobre nada com ele naquele instante, não com tantas memórias invadindo minha mente.

— Você tem um kit de primeiros socorros, né? — ele perguntou quando entramos no prédio.

— Sim, o que foi? — perguntei sem entender.

— Cortei meu dedo.

— O quê? Como assim? Quando? — Olhei para os pés dele e não vi nada, mas ele ergueu o esquerdo e vi um corte na parte debaixo do dedão, o sangue ali me assustou muito. — Edward, por que você não falou nada?

— Foi aqui pertinho, o que adiantava falar antes? Acho que foi em um vidro, só higienizar e colocar um curativo.

— Vem, Edward! — Fiz com que ele subisse comigo até o primeiro andar, onde ficava meu apartamento, a cada degrau mandando ele tomar cuidado para não ferir ainda mais seu dedo, estava apavorada daquilo infeccionar.

Já no interior do meu apartamento ele sentou no sofá, enquanto eu ia até o banheiro pegar o kit de primeiros socorros.

— Não precisa fazer isso, eu faço. — Edward tirou o kit das minhas mãos.

— Edward…

— Relaxa, você sabe que eu já fiz curso de primeiros socorros, um corte desse dou conta de resolver sozinho. — Ele apoiou o pé esquerdo sobre sua coxa direita para que conseguisse mexer nele. — Mas eu aceito algo para comer e beber, pode ser?

— Claro, vou fazer um lanche pra gente antes de ir pegar o número do meu pai.

Fui até a cozinha, começando a fazer sanduíches para nós dois, o máximo que eu era capaz de cozinhar. Até que me distraí, observando Edward no meu sofá, não era o mesmo apartamento que eu morava antes da minha mudança, entretanto, aquela cena me enchia de nostalgia de quando estavamos juntos e tudo era mais simples, até eu me mudar e ele surtar por conta dos ciúmes.

Eu jogava futebol, desde criança, e tirando o tempo que pensei em ser do FBI, ser jogadora profissional sempre foi meu grande sonho. Então, quando apareceu a oportunidade de fazer um intercâmbio no Brasil para cursar alguns meses de faculdade lá e jogar em uma das categorias de base do Esporte Clube Bahia, em Salvador, eu a agarrei com unhas e dentes.

Nem por um segundo Edward e eu pensamos em romper, seriam apenas alguns meses longe, daríamos conta. E talvez o namoro tivesse resistido à distância se ele não tivesse deixado seus fantasmas de um relacionamento anterior afetarem o nosso.

Edward tinha sido traído por sua namorada do colegial, com o melhor amigo dele quando se mudou para fazer faculdade. Então, quando eu estava longe, ele ficou completamente inseguro, mandava um milhão de mensagens por dia, perguntando com quem eu estava, fazendo o que, sempre questionando quem eram os garotos que eu mencionava, ou que postava fotos e vídeos em minhas redes sociais.

E se ele tinha os fantasmas dele, eu também tinha os meus. Minha mãe era uma mulher muito ciumenta, e seu casamento com meu pai foi tumultuoso demais por conta disso, sempre fiscalizando, suspeitando, brigando. Para Rosalie e eu tinha sido muito mais fácil quando eles se separaram, antes disso era impossível conviver com nossa mãe, ela estava casada de novo e morando em Phoenix e era feliz lá, e meu pai apesar de não ter casado de novo teve suas namoradas e também foi mais feliz longe dos surtos de mamãe provocado pelos ciúmes.

Sendo assim, quando senti que meu namoro com Edward estava indo pelo mesmo caminho, cercado por tanta insegurança e desconfiança, eu decidi romper. Precisava me preservar, não era justo comigo permanecer em um namoro que estava me fazendo mal e ele não aceitou fazer terapia quando usei isso como último recurso para tentar sustentar a relação.

Deixei os sanduíches sobre o balcão da cozinha e fui até a sala, Edward estava terminando o curativo em seu pé. Sentei ao lado dele e fui logo perguntando:

— O que exatamente você quis dizer com ter ido pra terapia por estar cansado de ficar longe de mim? — Ele olhou para mim, seus olhos verdes logo se enchendo de lágrimas.

— O término foi todo minha culpa, Bella. Eu fui tão macho tóxico com você, como Alice fez questão de deixar bem claro para mim várias vezes. Comecei a terapia uns dois meses depois, tinha de melhorar minha cabeça, melhorar pra um dia, quem sabe, ser o cara ideal pra você, Miss Simpatia. Estamos em uma noite bem estressante, mas o que acha? Talvez possamos recomeçar?

Eu respirei fundo, tinha algo que Edward não sabia, e com certeza era uma noite muito estressante para conversarmos sobre aquilo.

— Preciso ligar pro meu pai, os sanduíches estão pela metade na cozinha e tem Coca-Cola na geladeira, se serve, tá?

Ele suspirou parecendo bem insatisfeito, mas concordou. Fui até meu quarto, troquei de roupas rapidamente, enquanto o notebook ligava, colocando uma calça jeans, uma regata marrom e um casaco preto, mais leve, por cima. Também coloquei tênis, Edward não poderia continuar andando descalço por aí, precisaria de seus chinelos.

Assim que terminei de me arrumar, meu notebook finalmente ligou. Rapidamente mexi nele, procurando pelo número do meu pai e assim que o achei anotei em um pedaço de papel e deixei meu quarto.

Edward estava comendo na cozinha, quando me viu anunciou:

— Terminei seus sanduíches.

— Valeu, vou só ligar pro meu pai lá da vizinha.

Deixei meu apartamento, sem esperar uma resposta dele, precisava logo ligar para meu pai e saber o que deveríamos fazer no meio daquele caos todo. Subi para o terceiro andar, para a casa da minha vizinha Siobhan. Era uma senhora de 70 anos, que ficava de olho em Sirius — meu filhote de dois meses — quando eu precisava passar muito tempo longe de casa.

Toquei a campainha e ela não demorou a aparecer, mas ficou bem surpresa quando me viu.

— Bella, pensei que só iria voltar mais tarde, querida. — Me deixou entrar. — Tudo bem? — Era uma mulher alta, cabelos grisalhos e poucas rugas já que cuidava muito bem de sua skin care.

— Sim, claro — menti, sem querer envolver ninguém naquela loucura mais do que o necessário, por isso não tinha ido atrás dos meus amigos e minha irmã na casa de Jasper, era arriscado demais, os bandidos de Aro Volturi ainda poderiam estar atrás de nós. — Mas eu tive um problema com meu celular, você pode me emprestar o seu? Preciso fazer uma ligação.

— Sim, vou pegar ele no quarto. Olha o seu bebê enquanto isso. — Gesticulou em direção ao sofá na sua sala e seguiu para o corredor, eu fui até o sofá, vendo meu filhote dormindo ali. Sirius era um labrador preto, que tinha muita energia e amava detonar minhas meias, seu nome foi escolhido em homenagem ao meu personagem favorito de Harry Potter. Ele estava abraçado com seu ursinho de pelúcia favorito. E bom, era o ursinho de pelúcia que Edward tinha me dado depois do nosso primeiro encontro.

Ali, sentada ao lado do meu filhote, pensei em como nós dois e Edward poderíamos ser uma família. Porém, o Cullen teria de saber algo sobre meu futuro em breve e talvez não fosse querer reatar por conta disso.

— Aqui. — Siobhan voltou com o celular.

— Muito obrigada! — agradeci, peguei o aparelho, o papel com o número do meu pai no bolso e liguei para ele várias vezes. Entretanto, a voz robótica do sistema de companhia telefônica informava que o número estava fora da área de cobertura, ou desligado, o que não era do feitio dele, papai nunca ficava sem seu celular por perto e nunca perdia uma ligação que fosse, isso era bem estranho.

Não sabia o número de nenhum vizinho do meu pai, ele tinha se aposentado há um mês do FBI e se mudado de Seattle para uma cidade ali mesmo Washington, Lynnwood. E ele era um cara muito quieto, não fazia amizades com facilidade, eu sabia que minha irmã também não saberia do nome e nem nome de ninguém lá.

Pensei em ligar para a polícia de Seattle, e até mesmo a de Lynnwood — essa para localizarem meu pai, já que ele nunca ficava sem atender o celular —, mas eu ainda tinha medo de entrar em contato com alguém que pudesse estar aliada a Aro Volturi. Preocupada com papai e apavorada de que um dos capangas de Aro Volturi aparecessem, eu decidi que iria até Lynnwood procurar pelo meu ex-agente do FBI favorito.

— Está mesmo tudo bem, querida? — Siobhan perguntou.

— Eu preciso ir. — Fiz um último carinho em Sirius e me levantei. — Você pode ficar com ele mais do que previsto? Vou ter que fazer uma rápida viagem.

— Claro, posso ajudar em algo mais?

— Não, está tudo bem — continuei mentindo. — Na verdade, me faça outro favor — pedi. — Se alguém aparecer perguntando por mim, diga que não me conhece, certo?

— Por quê?

— Promete que vai dizer isso? — Era importante que ninguém tentasse machucar aquela senhora por estarem procurando por mim, nunca me perdoaria.

— Isabella…

— Até mais! — Devolvi seu celular e rapidamente deixei seu apartamento, de volta ao meu, Edward estava no mesmo lugar terminando seu sanduíche. — Vou para Lynnwood atrás do meu pai.

— Quê? Ele mandou você ir?

— Ele se mudou pra lá, fica a meia hora de distância daqui de carro, um pouco mais por conta do feriado. Mas eu bebi e estou sem minha habilitação, não posso ir no meu carro, vou ter que pegar um ônibus, sei lá. Meu pai não atende, tô achando estranho, ele pode ter se machucado com alguma das ferramentas dele, sabe que o homem é doido por carpintaria.

— Não acha melhor irmos para a policia?

— Não, meu pai é a única pessoa que confio nisso, e se ele tiver se machucado pelo menos poderá dizer o que devemos fazer e em quem confiar.

— Bella…

— Edward, você vai pra casa de algum amigo, tá? Eu vou atrás do meu pai, te localizo depois e damos um jeito nessa loucura que o tal Demetri nos enfiou.

— Não vou te deixar ir só, nem a pau. Eu não bebi, posso dirigir seu carro e estou com minha habilitação, ok?

— Ok — murmurei, querendo sentar e chorar de nervoso, mas não tínhamos tempo para isso.

— Vamos levar sanduíches e algo para beber…

— Coca-Cola!

Ele riu um pouco.

— Coca-Cola, obviamente.

X

Os 30 minutos de carro até Lynnwood pareceram durar 30, vimos os fogos de artifício logo depois de entrarmos no meu pequeno carro cinza. Ouvimos minha playlist de favoritas do Coldplay, Edward falou sobre sua pós graduação, eu falei como estava viciada em The Office e em determinado momento, ele perguntou:

— Quais os planos agora que você se formou?

Eu pensei em não responder, mas não aguentei e disse de uma vez:

— Fechei com um time da Flórida, me mudo para Miami no final do mês.

— Isso é sério? Parabéns! — ele exclamou, parecendo estar mesmo animado por mim, mesmo que isso implicasse que fossemos mais uma vez estar bem distantes um do outro. — Qual time? — respondi e ele ficou ainda mais empolgado.

— Edward, isso quer dizer que eu vou estar longe.

— É, sei disso, Bella, mas falei que estou na terapia, justamente para lidar com questões de insegurança e tudo mais da minha parte que fez o nosso namoro ruir. O que você acha? Podemos tentar de novo?

Apertei meus lábios, claro que queria, se eu não quisesse não teria ido até ele no começo daquela noite. No entanto, e se fosse tudo tão caótico de novo? Não saberia lidar com todo aquele drama mais uma vez.

— Podemos falar sobre isso depois? — pedi.

— Claro, melhor, estamos bem estressados hoje.

— É.

Ficamos em silêncio pelo resto do caminho, apenas a playlist de Coldplay tocando. Quando cruzamos os limites da cidade, entrando em Lynnwood, respirei aliviada por um segundo, logo iria ver meu pai. Entretanto, qualquer alívio desapareceu quando um carro vindo na outra mão freou diante do nosso, fazendo Edward parar bruscamente.

— Merda, o que foi isso? — indaguei.

— Porra, Bella — ele disse ao meu lado, olhei para ele, depois segui seu olhar e vi o homem que eu tinha acertado com um travesseiro mais cedo naquela noite saindo do carro do cara loiro que nos seguiu.

— Puta que pariu!

Eu saí do carro, Edward gritando mandando eu voltar saiu logo em seguida.

— Pensei que pudesse confiar em você, Diana — Caius disse. — Mas pelo que descobrimos você na real se chama Isabella. E ainda por cima é filha de um ex-agente do FBI, estava tentando nos pegar, não era? Bom, deu errado, porque pegamos seu pai primeiro, os outros caras e Aro estão com ele na casa do papai Swan.

Meu corpo todo tremeu ao escutar aquilo, eles iam matar meu pai? Iam matar Edward e eu?

— Queremos a maleta! — Caius declarou.

— Caralho, não sabemos de maleta alguma! — Edward gritou de volta.

Os fatos a seguir aconteceram todos muito rápidos, ouvimos sirenes, pneus freando, gritos, tiros e quando me dei conta estava deitada no asfalto, com Edward sobre mim. Ele me protegia, de toda a confusão ao nosso redor, eu me agarrei ao ruivo, tremendo perdê-lo para sempre.

— Essa noite foi uma péssima ideia, quer repetir amanhã? — perguntei e mesmo em meio a todo o pandemônio, ele riu e respondeu:

— Eu topo.

X

Era sempre muito bom jogar, melhor ainda vencer e incrível quando eu deixava o campo e encontrava meu namorado. Edward me beijou assim que eu o encontrei na saída do gramado, estava vermelho e suado, ainda se acostumando ao calor da Flórida, mas também por estar comemorando a vitória do meu time.

Naquela noite em Lynnwood fomos salvos pela polícia, que tinha prendido Demetri na estrada tentando fugir com a maleta de Aro Volturi. Uma maleta que continha um diamante avaliado em 10 milhões de dólares, eles o fizeram falar tudo e ao irem ao apartamento de Edward depois do que tinha acontecido por lá, e terem soltado o porteiro do banheiro da portaria, passaram a procurar pela gente.

Nos localizaram pelo rastreador do diamante, que Demetri tinha tirado da pedra e colocado na carteira de Edward na tarde daquele 4 de julho, um chip minúsculo em um dos bolsinhos. Foi por isso que Aro e os capangas dele, inclusive Mike Newton, o loiro do carro com sirene que era da polícia, acharam que estavamos com o diamante de alguma forma.

Aro, Demetri e todo o resto da quadrilha do Volturi foram presos e nós finalmente pudemos respirar em paz. Inclusive meu pai, que estava sendo feito de refém em sua própria casa, mas que não estava nada abalado, porque segundo ele, era apenas mais um dia normal em sua vida de ex-agente do FBI.

Edward e eu, no dia 5, depois de vários depoimentos e de um médico me garantir que o pé dele estava bem, fizemos a mudança dele para meu apartamento. Não iríamos morar juntos de fato, como eu me mudaria em poucos dias, ele ficaria com o aluguel do apartamento e deixaria o do tráfico que dividiu com Demetri.

Porém, claro que foram dias e dias matando as saudades um do outro. Nós mal saímos da cama e quando chegou a hora de eu ir para Flórida, não parava de chorar. Mas, ele me acalmou, garantiu que ficaria tudo bem, que nós ficaremos bem e que nunca mais daria motivos para eu terminar com ele.

Em janeiro do ano seguinte, ele se mudou para Miami comigo, depois de decidirmos em comum acordo que estavamos sentindo muito a falta um do outro e não iríamos aguentar o tempo dele finalizar a sua pós em Seattle. Edward conseguiu a transferência para uma universidade em Miami, então estavamos juntos com mais frequência, com exceção de quando eu tinha de viajar a trabalho.

No final das contas, eu tinha amado dar uma prorrogação para nosso relacionamento.

— Amo você, Miss Simpatia, jogou bem pra caralho, como sempre.

— Obrigada, Pé Furado!

— Bella — resmungou, irritado com o apelido que tinha criado para ele depois daquele desastrosa tentativa dele de arrombar a porta e o corte sofrido no mesmo dia.

— O quê? Te amo — falei inocentemente, ele resmungou outra vez, mas também voltou a me beijar.

E Deus, meu cérebro ainda dava pane e os pensamentos eram silenciados quando estava nos braços de Edward.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 14.12.24
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!