Proposal
16 Stand by me.
Notas iniciais
Ignorem os erros. HEHE.
Ao descer do carro deu um leve aceno ao motorista, ajeitando o cachecol que usava, por sorte fazia frio e a peça era indispensável para manter seu corpo aquecido, e esconder as marcas em sua pele. Poucos alunos se encontravam no colégio, ainda era cedo, mas esses poucos alunos o olhavam com curiosidade, ele estava sendo o alvo de fofocas novamente.
Então a notícia já havia se espalhado.
Naquela manhã ao levantar, tentou ficar mais seguro de si, pelo menos até olhar no espelho e ver seu estado lastimável, a pele abatida, olheiras e um semblante triste em seu reflexo. Passou o domingo inteiro deitado, chorando e remoendo aquela dor, sentia-se melhor assim, e por mais que seus amigos ligassem não quis receber visitas por um dia.
Porém agora ele teria que encarar seus amigos, os alunos e eles...
O casalzinho do colégio que tinha se reconciliado.
Caminhava a passos lentos até onde sabia que Jino e TaeMin o esperavam, no fim, esconder-se por um dia não mudou nada, teriam aquela conversa de um jeito ou de outro.
Avistou seus amigos sentados nas arquibancadas do campo do colégio, era um lugar seguro para conversarem e não serem espionados ou algo do tipo, aquilo era muito comum, principalmente depois de seu namoro com JongHyun.
“JongHyun...”
Até mesmo a lembrança de seu nome era dolorosa.
- Bom dia. – Murmurou.
Jino e TaeMin não responderam, apenas se levantaram e ao mesmo tempo confortaram Key em um abraço, que foi retribuído prontamente.
Precisava tanto de um gesto como aquele.
- Acho que alguém aqui está precisando desabafar. – TaeMin quebrou o silêncio.
- Nada escapa de vocês não é mesmo? – Key perguntou já sabendo a resposta, recebendo um aceno dos dois em afirmação.
- Sabemos, ou melhor, sentimos quando você está bem e quando não está. – Jino confessou assim que se sentaram.
- Acabou. – Disse simples.
- E você vai deixar tudo terminar assim?
- E o que eu poderia fazer, Jino? – Indagou. – Aquele idiota não percebeu meus sentimentos! – “Nem ao menos quando me entregava a ele...”, completou em pensamentos.
- Já cogitou a ideia de se declarar? – Jino perguntou com receio.
- Não! – Suspirou. – É perigoso eu me afastar ainda mais dele. Eu... Eu vou superar isso, ok? Só preciso de tempo.
Não queria tocar naquele assunto, a ferida em seu peito ainda estava longe de se cicatrizar, e as sensações da noite de sábado ainda queimavam em sua pele. Não contaria sobre a noite que passou ao lado de Jong para seus amigos, pelo menos até se sentir melhor com tudo que estava acontecendo. E algo dentro de si, queria guardar aquilo só para ele, como um segredo.
Olhou TaeMin de soslaio que permanecia quieto, parecia pensativo. O amigo também estava confuso, sabia disso, mesmo que ele também evitasse tocar no assunto.
- Tae, e você e o MinHo como estão? – Perguntou, tirando alguns fios que teimavam em cair no rosto do amigo.
- Não estamos Key, não estamos... – Bufou.
- Tae, me escute... – Segurou o rosto do menor, fazendo com que ele o encarasse. – Você tem a chance de ficar com quem gosta, sendo que ele também gosta de você! – Alertou. – Se eu tivesse um pouquinho que fosse dessa oportunidade, aproveitaria.
- Eu não gosto dele! – Afirmou.
- Não me diga que ainda ama o... – Jino começou mais foi interrompido.
- Por favor, não pronuncie o nome que eu tanto lutei para esquecer. – Pediu.
- Minnie... – Key começou doce, sabia que para o amigo aquele era um assunto delicado. – Você pelo menos depois desse tempo parou com a besteira de dizer que não era gay. – Pausou. – E não foi por causa do MinHo Hyung?
TaeMin engoliu em seco. Key tinha razão naquele ponto, depois de sofrer a primeira desilusão amorosa, seu coração estava lacrado, pelo menos até o maldito Hyung tarado surgir em sua vida, provocando sensações que ele jurava ter esquecido.
Porém eram sensações, não sentimentos.
Iria manter-se firme naquele pensamento.
- Disso não tem como eu evitar fugir, admito... É coisa de “pele” entende? – Suspirou. – Eu não vou me apaixonar novamente.
Key iria rebater, afinal o amigo por causa do passado estava deixando de viver o presente, mas MinHo e Onew chegaram assim que as primeiras palavras ameaçaram sair de sua boca.
Já imaginava que os dois o apoiassem, porque se Jong não sabia que estava apaixonado, seus amigos tinham percebido logo de cara, até mesmo MinHo que era mais lento.
- Como nos encontraram? – Jino perguntou assim que os mais velhos se aproximaram.
- Depois de todo esse tempo vocês acham que não sabemos nada de vocês? – MinHo perguntou risonho, dando um abraço em Key.
- Viemos saber como você está. – Onew adiantou-se.
- Hm, pelo jeito todos tiraram o dia para se preocupar comigo? – Indagou, mas em um tom divertido.
- Claro! Apesar do TaeMin ser o maknae entre nós, é você que precisa de cuidados agora. – JinKi sempre atencioso.
- Eu estou bem, Hyung... – Respirou fundo. – Na medida do possível.
- Jong é muito cego!
- Por, por falar em Jong, ele disse algo para vocês, MinHo Hyung? – Key não resistiu em perguntar.
- Não, só que o namoro de vocês terminou. O que lamentamos.
Realmente um laço de amizade havia se formado entre eles, seguiram conversando de volta ao prédio principal do colégio, MinHo não desgrudava os olhos de TaeMin, que evitava retribuir, principalmente por causa da conversa de instantes atrás.
Seu coração batia mais forte conforme cada passo que dava.
Jino, Onew e Key conversavam sobre o tempo, os mais novos riam do que o mais velho dizia, não notando os murmúrios que começavam a surgir entre os alunos, que iam aumentando conforme andavam.
Até o motivo de tamanha movimentação ser avistado.
Shin Se Kyung tomava seu posto de rainha novamente, de braços dados com Jong, ela sorria e olhava por cima do seu nariz empinado todos a sua volta. Era maravilhosa a sensação de estar de volta ao topo! Só faltava o tapete vermelho abaixo de seus pés, e claro a humilhação de Kim Kibum.
Humilhação que era evidente, mesmo sem a garota pronunciar uma palavra ofensiva, seu braço entrelaçado ao do namorado dizia tudo: A guerra estava terminada e a vitória era sua.
Viu JongHyun vacilar um passo quando se aproximaram do novo grupinho de amigos do colégio, sendo que Key era o primeiro que podia ser visto na entrada principal da construção.
- O que foi, Oppa? – Perguntou com sua falsa doçura.
- Eu vou cumprimentar meus amigos. – Jong respondeu.
- Ah, faça isso depois de me levar até minha sala, eu estou um pouco tonta. – Sorriu.
- Se é assim tudo bem, eu te levo.
A garota agradecida depositou um beijo na bochecha do namorado, o que não passou despercebido e foi motivo de mais fofocas entre os telespectadores daquela cena, que para Key era ridícula.
Passaram reto pelos corredores, Shin apoiava-se em Jong conforme andavam, não o deixando nem ao menos olhar na direção dos amigos. Do jeito que ela desejava.
Quando Jong a deixou em sua sala, foi recebida com palminhas pelas amigas, Minzy e HyoRin comemoravam com ela a tão esperada vitória por cima daquele que diziam ser a “diva” do colégio.
- Eu não disse que conseguiria? – Perguntou quase em uma afirmação.
- Sim! Como sempre nos surpreendendo. – HyoRin adiantou-se. – Como conseguiu tal feito? Porque JongHyun Oppa parecia bem com a sua “namoradinha”.
- “Ex-namoradinha”. – Shin sorriu ainda mais. – Bom, como vocês perceberam eu cedi a semana toda, o jantar foi somente o golpe final.
- Golpe final? – Os olhos de Minzy brilharam.
- Uma mentirinha boba, Jong iria voltar para mim de qualquer forma.
- E o que pensa em fazer daqui pra frente?
- Hm, em relação ao Key? Nada. – Riu. – Essa guerra já está ganha, querida Minzy... Vamos procurar outra pobre alma para atormentar, e eu acho que até já sei qual.
Claro que seu veneno não poderia ser desperdiçado, mesmo que Jong tenha voltado a ser seu.
Precisava de outra diversão.
x-x-x
Seus braços mal conseguiam carregar a pilha de livros que levava consigo, arrependia-se de ter atendido o pedido da professora de filosofia, que ele por um momento esqueceu que era uma grande folgada. A tarefa para qualquer valentão do colégio era simples, carregar os livros usados em sala até a biblioteca, mas para um nerd, magro e sem graça como ele se nomeava, aquilo se tornava um pouco complicado.
- Precisa de ajuda?
A voz suave o despertou de suas reclamações mentais, olhou sobre os livros que carregava notando olhos curiosos o fitando. Estaria tão ridículo assim?
- Perguntei se quer ajuda, Jino. – O garoto sorriu. – É esse seu nome, não é mesmo?
- Sim, você está certo Hyung, me chamo Jino. E... Você?
- Como sou distraído, me chamo JunHyung, sou do terceiro ano, hm, da sala do DongWoon!
- Ah, sim, já te vi antes pelos corredores.
- Então aceita minha ajuda? Eles parecem pesados. – Disse novamente apontando os livros.
- Sim, sim! Obrigado. – Envergonhou-se dividindo a pilha com o simpático garoto.
Conversaram até chegarem a biblioteca, lá permaneceram em silêncio para entregar os livros. Jino estava achando um milagre alguém conversar com ele dessa forma, sem estar com Key ou TaeMin ao seu lado, porque em meio aos amigos era o último a ser notado. Jun conseguia ser engraçado, e também não se simpatizava com a professora de filosofia, mas quando saíram da biblioteca, o mais velho teve que voltar correndo para sua sala, ou se atrasaria para a terceira aula.
- Posso saber por que estava conversando com aquele garoto? – Onew parou na sua frente, de braços cruzados e uma cara de poucos amigos.
Seria ciúmes?
- Ele, ele... Ele me ajudou com alguns livros, só isso! – Ah, não devia satisfações a ele enquanto mantinham um relacionamento escondido. – E que milagre você conversar comigo no colégio. – Terminou irônico.
- Não quero você de papinho com o JunHyung, entendeu? Eu falo sério. – Quem era aquele Onew tão exaltado? Não o reconhecia.
- Pelo menos ele não tem vergonha de falar comigo, ao contrário de você. – Desabafou.
- Ah, vocês pelo jeito nem se conhecem e você já o defende? – Indignou-se.
- Não é questão de defender ele ou não, aish, estou atrasado para a aula, adeus, JinKi! – E partiu deixando um Onew completamente confuso.
E preocupado.
“O que aquele maldito queria com o Jino? Não, é impossível ele ter descoberto sobre nós, deve ter sido só coincidência”, pensou. Em hipótese alguma queria que Jino se aproximasse de Jun, pois sabia que por trás de um sorriso simpático ele escondia muitas coisas.
x-x-x
Depois de colocar o pijama se afundou em meio aos lençóis macios, repousando sua cabeça no travesseiro.
O cheiro dele ainda estava presente ali.
E por mais irônico que pareça, aquele cheiro o acalmava, foi assim que conseguiu dormir nas outras noites, em meio ao perfume que Jong usava.
Sorriu se cobrindo, pois fazia frio, se lembrando que justo o aroma tão envolvente foi seu primeiro contato com o mais velho, somado a um abraço esmagador.
Nesse momento seu coração também se comprimiu.
Pela manhã Jong não o olhou por nenhum instante, talvez quando chegou acompanhado de Shin, mas não tinha certeza. E não ter aqueles olhos tão peculiares o observando ou um sorriso brincalhão só para si, estava sendo pior do que o fato de Jong ter voltado com a cobra.
Porque queria ficar perto de Jong, nem que fosse por uma simples amizade, ou até menos que isso, um aceno já bastava.
Ele não tinha nada disso.
Quando a ânsia de chorar se fez presente, seu celular começou a tocar na mesinha de cabeceira, estendeu seu braço não querendo descobrir seu corpo, obtendo resultado ao atender o objeto e se enfiar novamente entre as cobertas.
- Alô? – Uma voz conhecida soou do outro lado da linha.
- Jjong? – Respondeu vacilante.
- Não, sua fada madrinha! Claro que sou eu, Bummie! – Riu.
- É quase uma da madrugada, o que quer? – Fingiu estar bravo, sendo que seu peito enchia-se de alegria ao ouvir a voz do mais velho.
- Hm, que falta de educação, ligo porque estou com saudades e é assim que me retribui? – Um pequeno bico formou-se em seus lábios.
- Duvido que seja só isso. – Revirou-se na cama, ficando com os cotovelos apoiados no colchão.
- Bom, não é só isso... Você e essa sua mania de saber tudo. – Riu. – Eu estava aqui compondo, e queria saber a sua opinião...
- Ah, em vez de dormir você fica compondo músicas? Muito bonito Hyung...
- É, eu sou realmente gostoso mesmo. – Orgulhou-se. – Quer ouvir ou não?
- Tudo bem... – Rendeu-se.
- É só um trecho, ok?
Key não respondeu, aliás, iria dizer algo quando a voz marcante de Jong saiu do aparelho celular, deixando sua mente nublada em meio a letra da canção.
Fique do meu lado! Olhe para mim, mesmo que eu ainda não entenda o que é amor.
Fique do meu lado! Cuide de mim, mesmo que eu ainda seja desajeitado no amor.
Quanto mais te vejo, mais fico feliz.
Às vezes até me pego cantarolando.
Repentinamente quero comprar uma rosa.
Este lado de mim nem mesmo eu conhecia.
Enquanto mais meu coração fica próximo de você.
O mundo começa a se tornar mais bonito.
Se você consegue perceber meu nervosismo.
Você poderia esperar apenas um pouco?
Juntos fazendo esse amor!
Para sempre fazendo você sorrir!
Preenchido com seu radiante sorriso.
Juntos fazendo esse amor!
Para sempre fazendo você sorrir!
Agora agarre, agarre a minha mão.
Fique do meu lado! Olhe para mim, mesmo que eu ainda não entenda o que é amor.
Fique do meu lado! Cuide de mim, mesmo que eu seja desajeitado no amor.
Quanto mais eu te conheço, meu coração estremece.
Tudo que eu consigo fazer é sorrir.
Será que devo tentar te roubar um beijo?
Isso vai me fazer ficar mais perto do seu coração?
Podia este sentimento ser amor.
Ainda agora, sou bastante tímido.
Nem consegui dar um passo para perto de você.
Então por favor, espere pelo meu amor.
- Não ficou muito bom, mas...
- Está perfeito. – A voz baixa de Key pode ser ouvida de repente.
- De verdade? – Animou-se. – Não sei em que pensava quando comecei a escrevê-la, só senti que precisava mostrá-la para você.
- Sua voz ela... Ela é linda. – Fechou os olhos se lembrando da melodia.
- Bom, é o que eu realmente gosto de fazer, tenho mais algumas composições, qualquer dia te mostro. – Pausa. – Ou ligo pra você de madrugada. – Riu do seu jeito peculiar.
- Eu sempre estarei aqui pra te ouvir. – Key respondeu, quase como uma confissão.
- Obrigado. – Jong parecia envergonhado do outro lado da linha. – Er, não vou ocupar mais o seu tempo, amanhã nos vemos, ok? Durma bem.
- Boa noite Jong.
E a ligação foi completada.
Key ficou olhando o display do celular até finalmente adormecer.
Com um pensamento...
“Eu estarei ao seu lado... Eu esperarei pelo seu amor”.
Notas finais
"Eu estou apaixonado".
Fale com o autor