Proposal
5 Boyfriend.
Notas iniciais
Começava a se arrepender de ter saído naquele horário, o display do celular marcava exatas onze horas da noite, e a rua estava deserta. Mas a culpa não era sua, aquela foi uma atitude desesperada, precisava de doces ou morreria de abstinência em pleno sábado, justo no final de semana que ele sempre se dedicava a sua eterna companheira: Açúcar.
Em suas mãos carregava uma pequena sacola com chocolates, gomas, balas... Agradecia aos céus pelas lojas de conveniência, porque se não fosse por uma delas estaria subindo pelas paredes, nem ao menos chocolate em pó o menor tinha em casa! Bom, ter tinha, mas assim como tudo que continha glicose naquela casa estava muito bem guardado. Sua mãe fazia questão de esconder e só dar ao garoto após as refeições, nunca pensou que se lindo menininho se transformaria em uma formiga.
- Ah, mas eles me subestimaram outra vez. – Murmurou para si mesmo. – Tenho tudo que preciso por uma semana.
A sacolinha de doces balançava de um lado para outro conforme TaeMin andava apressado de volta até seu prédio, ainda faltavam algumas quadras. Queria muito ver a cara do porteiro ao notar que ele tinha fugido, com seus pais fora de casa foi fácil e não seria a primeira vez, se sentia até mesmo em um filme de espionagem, mas a missão era bem mais simples.
Porém algo estava errado. Muito errado.
A sensação de estar sendo seguido se fazia presente desde que deixou a loja, chegando a ser sufocante, por esse motivo caminhava mais rápido pela calçada, a rua parcialmente escura não ajudava em nada e o fato de aparentemente não ter ninguém ali também não.
E sua sorte se foi com a escuridão da noite.
Uma mão com um aperto firme o pegou pelo braço, da mesma forma que sua boca foi tapada, não podendo gritar ao ser arrastado até uma árvore e preso ali. Era difícil até mesmo respirar. Quem estava o atacando? Quem seria ruim o suficiente para machucá-lo?
De olhos fechados sentia seu coração descompassado bater contra seu peito, não queria abrir os olhos e se deparar com a face de seu agressor, que o apertava mais, possessivo... Intimidador.
- Por favor, minha menina, não se assuste, sou eu. – A voz do agressor saiu rouca e pausadamente.
Abriu os olhos lentamente, soltando de suas mãos tremulas a sacola de doces.
Conhecia aquela voz.
- Min... Hyung?
- Sim, sou eu. Não precisa se assustar, hm. – O confortou. – Posso tirar minha mão? Promete que não vai gritar?
TaeMin apenas concordou com a cabeça, não estava em condições de contrariá-lo.
- Isso, boa menina. – Sorriu se afastando um pouco, mas ainda mantendo TaeMin em um abraço possessivo. – Esperei tanto para ficar assim com você.
O menor sentia o outro lhe olhando com desejo, uma das mãos de MinHo ainda se mantinha em sua cintura e a outra agora em seu queixo, em uma leve carícia. Queria gritar, fugir dali o mais rápido possível, não gostava daqueles toques. Não gostava de homens!
- Hyung isso é errado... Eu, eu não sou...
- Shiu. – Foi interrompido. – Fique quietinha agora...
A mão que estava em seu queixo foi até sua nuca, seus cabelos foram puxados com certa força e seu pescoço ficou exposto.
- Não faça nenhum barulho, ok? Não quero me zangar...
E a boca do mais velho entrou em contato com sua pele, seu corpo voltou a tremer de medo, enquanto aquela língua sedenta passeava por seu pescoço. Seu corpo sendo cada vez mais prensado contra a árvore, MinHo o dominava e parecia não ouvir seus pedidos para que parasse com tudo aquilo.
- Pare... Pare... MinHo, eu... – Implorou.
MinHo parecia não ouvir, era sua menina ali com ele, o contato de sua língua com aquela pele era de enlouquecer, mordia, chupava, levando sua mão por debaixo da camisa do menor, explorando suas costas, arranhando, mas não era o suficiente.
Queria alcançar aqueles lábios.
Antes de deixar o pescoço do menor, empurrou seu quadril contra o do mais novo, que não conseguiu evitar um gemido, mesmo baixo fez com que o seu desejo só aumentasse, concentrou sua boca em um ponto daquela pele, puxando com seus dentes e lábios para depois lamber amenizando a dor, como um vampiro.
TaeMin fechou os olhos de dor, aquele louco queria marcá-lo?
- Me deixe te beijar, hm. – Disse rouco já se aproximando mais uma vez.
Podia sentir a respiração acelerada contra sua face, era doce.
Sua menina era doce.
Quando seus lábios quase tocaram os do outro, um grito pode ser ouvido.
- Tarados, saiam já do meu jardim! – Uma Ahjumma enfurecida gritava da janela. – Saiam ou eu vou chamar a polícia!
Os dois se olharam como se pesassem na mesma coisa e saíram correndo pela rua, o susto foi grande mas TaeMin não se esqueceu da sua sacola de doces, a segurando contra seu peito em meio a corrida.
Não sabendo por quanto tempo correu, só parou quando chegou a seu destino, arfava em busca de ar, seus pulmões pareciam gritar, mas pelo menos estava a salvo e livre daquele tarado.
- É aqui que você mora? – Perguntou calmo.
Aquele cara além de tarado era maratonista? Correram por mais de um quarteirão e ele se mostrava intacto, enquanto TaeMin tentava controlar sua respiração.
- Olha se você... – Começou TaeMin.
- Jovem TaeMin! Como o senhor me foge de novo? Quer me arranjar problemas? – Era o porteiro desesperado atrás do fugitivo número 1 do prédio.
- Não, não me procure mais! – Gritou para um MinHo confuso e se foi.
Após receber uma boa bronca, TaeMin entrou no seu apartamento indo direto para o quarto, jogando a sacola em cima da cama e rumando para o banheiro.
- Tarado idiota, me fez uma marca enorme. – Disse para si mesmo avaliando uma mancha vermelha em seu pescoço, que depois ficaria roxa. — Ele me deixou um chupão! – Choramingou. – Que ótimo, além de tarado ele é um vampiro também.
Realmente não estava com muita sorte.
-x-
Olhava-se no espelho pela sexta vez naquela manhã.
E como esperado estava impecável.
Desceu as escadas correndo, não queria se atrasar. Tomou seu café da manhã acompanhado de seus pais que riam de algum assunto que só eles entendiam, acabou rindo também com aquela cena, amava seus pais e eles viviam um ótimo casamento, e seria eternamente agradecido por isso. Despediu- se e recusou a carona de sua mãe, porque infelizmente já tinha com quem ir.
Seu amável motorista já o esperava, ainda bem que não estava atrasado, pois sabia que iria ouvir um bom falatório até o colégio.
- Bom dia! – Disse um sorridente JongHyun.
- Bom dia. – Respondeu simples entrando no carro.
- Preparado? – Desafiou.
- Desde que nasci. – Sorriu de canto já colocando o cinto de segurança.
O colégio não ficava muito longe de sua casa, uns quinze minutos de carro, pelo menos com seu motorista e com sua mãe, já com o outro não tinha tanta certeza. Enquanto Jong dirigia, Key observava a paisagem que ia sumindo conforme o carro andava, foi quando começou a ter uma crise de risos ao imaginar algo.
- O que foi? Viu alguma coisa engraçada ou eu sou alguma espécie de palhaço? – Perguntou curioso.
- Nenhuma das opções. – Olhou de canto para o mais velho ainda rindo.
- E não pode me dizer?
- Hm, então JongHyun é curioso?
- Me chame de Jong. – Disse baixo.
- Como disse?
- Disse para me chamar de Jong. – Aumentou o tom de voz. – Acho muito sério quando me chamam pelo nome todo. É melhor “Jjong”.
- Ok, Jong. – Concordou.
- Agora me diz.
- O que? – Indagou fingindo dúvida.
- Porque você estava rindo tanto! No que pensava?
Key se virou um pouco no banco, olhando diretamente para a face do mais velho.
- Eu imaginei você entrando comigo no colégio...
- Só isso?
- Não! Você não me deixa terminar. – Suspirou. – Imaginei você entrando comigo no colégio... Nas suas costas! Com fogos por todos os lados e a Miss Kyung nos olhando com aquela cara de peixe morto dela!
- Ela não tem cara de peixe morto!
- Ah, tem sim. Você que é idiota ou cego e não reparou direito! – Acusou.
- Chegamos. – Anunciou, não tocando mais no assunto “cara de peixe morto” ou mataria o outro ali mesmo.
Jong desceu do carro seguido de Key, tinha estacionado bem na porta do colégio, assim todos iriam vê-los e as fofocas começariam a se espalhar.
- Pronto? – Perguntou pela última vez.
Key assentiu, começando a andar para dentro do colégio com sua mochila vermelha em um dos ombros, mas deu apenas um passo, porque seu corpo simplesmente travou.
Sentiu quando a mão do mais velho tocou a sua, para depois entrelaçar seus dedos aos dele em um aperto firme.
- Não posso entrar com você nas minhas costas. – Riu. – Mas podemos fazer isso. – Disse balançando suas mãos unidas.
Os olhares em cima dos dois eram de curiosidade, espanto, inveja e até mesmo raiva. Logo nos primeiros bancos do grande pátio, Shin Se Kyung e as amigas conversavam animadamente, mas seu sorriso morreu ao ver seu ex chegando no colégio.
De mãos dadas.
Com outro homem.
Aquele que mais odiava.
Jong sorriu internamente ao ver a ex mais uma vez perdendo a pose por causa do garoto ao seu lado, era mesmo um ótimo plano. Em breve ela voltaria para ele, não tinha como ser perfeito.
Já Key concentrava todas as suas forças naquele aperto de mão. Não notando que DongWoon também o observava de longe.
A mão do mais velho entrelaçada a sua estava quente, assim como seu coração.
E pela primeira vez desde que aceitou aquela proposta sua ficha caiu.
Agora ele tinha um namorado.
Notas finais
Prévia:
"DongWoon olhou incrédulo para o ex. Aquilo não podia ser verdade, não tinha como.
- Eu vou descobrir o que tem de podre nessa estória, Key. Pode apostar. - Disse para si mesmo sumindo pelos corredores."
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