Remus suspirava pelo que deveria ser a décima vez e Peter o olhava pela décima vez seguida. Remexeu-se desconfortável no sofá e abaixou levemente a tela do notebook, encarando o amigo que encarava o jornal, desolado.

“O que foi, Rems? Diga aqui pro seu amigo Peter o que lhe aflige.”

“Ai, Pete. Não consigo achar uma casa boa.” Remus suspirou mais uma vez, se jogando em cima da mesa, deitando a cabeça sobre o jornal. “Tudo é muito caro.”

“Já tentou olhar tipo… na internet?”

Sugeriu com um sorriso amarelo, recebendo um revirar de olhos em resposta.

“Claro que sim, Peter.” Suspirou e Peter já não aguentava mais ouvir os suspiros dele. “Só conheço você aqui. Sabe que não vai ser tão fácil assim.”

“Hmm…”

Assentiu de leve, mas acabou voltando a atenção para a tela do notebook, por alguns momentos ouvindo-se apenas o som das teclas e cliques ressoando na sala do apartamento de Peter. Remus havia se mudado há alguns dias, vindo da casa dos pais no interior, após ter perdido a mãe para uma doença. Já havia conseguido um emprego, tinha um dinheiro guardado que havia recebido vendendo a casa dos pais, mas não parecia ser suficiente para nada na capital. Peter, um amigo de infância que viera estudar na cidade, estava fazendo um grande favor deixando que morasse com ele e fazia com que se sentisse bem recepcionado, mas já sentia que estava incomodando. Não que o amigo tivesse dado algum sinal, era Remus quem ficava com aquele sentimento. Frustrado, largou o jornal com irritação contida, pegando o celular para seguir o conselho de Peter: uma olhada a mais não faria mal. Contudo, foi a voz do amigo quem chamou-lhe a atenção antes que começasse a pesquisa.

“Hey, Remus! Por que não se inscreve nesse programa?”

“Que programa?”

De cenho franzido, se levantou e foi até o amigo, espiando a tela do computador por trás dele.

“Esse aqui. Property Brothers Black.” Ele inclinou a tela de forma que não desse reflexo para Remus ler. “Estão recebendo aplicações para fazerem a segunda temporada. É um programa recente, mas parece que tem feito sucesso… Eles escolhem pessoas e ajudam a encontrar uma casa fodida para reformar.”

“Eu quero uma casa decente, Pete.”

“Mas então! É isso que eles fazem. Reformam e deixam… decente. Parece que os caras são confiáveis.”

“Ok… entendi. Eu acho.” Murmurou, sem entender direito o apelo do programa. “Mas não vejo porque me escolheriam. Sem chance.”

“Esses programas adoram uma história dramática. Tenho certeza que daria bom.”

“Esquece isso, Peter. Você está viajando. Não vou ficar me expondo na televisão também! Volte pra realidade que não é da TV, sim?”

“Tá bom…”

Peter resmungou, fazendo manha, mas não fechou a aba. Esperou apenas o momento que Remus saiu para ir ao trabalho e enviou a inscrição dele ao programa. Se desse certo, lidaria com isso quando chegasse a hora, mas não poderia deixar o amigo perder a chance por uma bobagem de insegurança. Se não desse, ele nunca saberia e nunca contaria sobre. Se Remus não soubesse, não faria mal, certo?

Notas finais
Não perguntem.