Notas iniciais
Boa noite, boa quarta-feira e espero que seja uma boa atualização de Promises também. Quero iniciar o capítulo agradecendo a recomendação da RaiiStew, querida obrigada por tudo, pelo apoio nas reviews e agora por esse mimo, fiquei felicíssima e espero que curta bastante o capítulo, assim como todas ;). Ao fim do mesmo, não se esqueçam de comentar, é importantíssimo que o façam. E deixarei novamente os links das minhas outras longs em andamento para que deem uma passada lá e se deliciem também. Para Te Encontrar: https://fanfiction.com.br/historia/781689/Para_Te_Encontrar/ Nosso Nós: https://fanfiction.com.br/historia/784686/Nosso_Nos/ Capítulo Postado Em: 15/01/20

POV Bella

Senti meu rosto quente logo após o beijo que Edward me deu.

Mas também o que ele quer fazendo isso? Ele percebeu que quase beijou minha boca?

Será que foi intencional ou apenas um deslize?

Intrigada, ao mesmo tempo em que afetada por conta da situação não expressei ação. Edward, no entanto, após me encarar por um tempo voltou a agir.

Pegando o chapéu e colocando-o na cabeça.

— Como ficou?

Lindo... Digo, o chapéu ficou muito bom, acho que acertei no tamanho, sim?

Perguntei logo desconversando minha fala inicial.

— Acertou. Não só no modelo em si, mas especialmente no presente. Emm e eu comentamos mais cedo que de tudo que ganhei só faltaria um chapéu, mas em momento algum pensei que você me presentearia com o mesmo, realmente agradeço Bella.

— Não tem o que agradecer, fico feliz em ter acertado, só espero que use. – Sorri.

— Eu irei não se preocupe, mas pretendo guardar sua estreia para uma ocasião especial. – Assenti.

Nesse instante fomos chamados por Esme e Carlisle que estão ao redor da fogueira.

— Edward, Bella, venham aqui queridos, só está faltando vocês. – Ela falou primeiro.

— Sim Bella, quero que ouça a história da Silver Horse. – Carlisle completou.

— Vamos, papai deve estar ansioso para inteirá-la do passado das nossas terras.

Edward comentou e seguimos até eles.

Mas antes o vi pegar a caixa e depositar o chapéu novamente, fechando a mesma e só então caminhando.

Ao nos aproximar da fogueira encontramos dois lugares vagos, essencialmente lado a lado, então sentamos.

Além de Esme e Carlisle, estão também ao redor da fogueira, Santiago, Gianna, Rose, Emm, Seth e Alec, o que me fez considerar que sobrou praticamente só a família, pois a meu ver o elo entre os Cullen e os McCarty já é como tal e fiquei feliz em me ver ao meio dessas pessoas.

Quando me acomodei, imediatamente Gus correu até mim, vindo brincar entre minhas pernas, ouvi risos ao acariciar o cachorro, olhei para Edward e o vi fazendo bico.

Dei-lhe um empurrão com o ombro e ele logo abriu um sorriso esticando a mão para acariciar Gus também, o cachorro ficou animado e dividiu-se entre as pernas de Edward e as minhas, depois de acalmá-lo um pouco, voltamos o foco a Carlisle.

— Estou muito feliz por estarmos celebrando mais um ano da vida do meu filho.

— Que a cada dia que passa fica mais velho.

Emm falou tirando risos de todos.

Edward lhe acertou com uma pedrinha, tomou uma reprimenda da mãe, então Carlisle prosseguiu.

— Sim mais velho, porém também mais maduro, centrado. Um homem que realmente enche de orgulho a mãe e eu. Lembro quando completei sua idade, você já era um menino ativo que vivia atrás de mim procurando inteirar-se dos assuntos da fazenda. Para o desespero da sua mãe que via a hora de você ser atropelado pelo gado, cair de uma árvore ou pior ainda, de cima de um cavalo.

— Algumas dessas coisas realmente aconteceram, mas graças a Deus meu menino sempre ficou bem. – Esme completou.

— Sim. Nossos filhos sabem que são os bens mais preciosos que possuímos, algumas pessoas devem pensar que nossa vida se resume apenas a fazenda, mas é ai que se enganam. Amamos a fazenda, porque em primeiro lugar amamos nossos filhos e sabemos como isso aqui, essas terras e seus derivados são importantes para todos.

— Também amamos muito o senhor e a mamãe, mais do que tudo.

Rose comentou e recebeu um afago de Esme que está sentada ao seu lado, enquanto Edward ao meu, assentiu diante das palavras da irmã.

— Sabemos disso querida. Hoje nos sentimos privilegiados por ter conseguido criá-los com o máximo de possibilidades que pudemos. Dando mais do que tudo a possibilidade de escolha. É satisfatório vê-los tomar suas decisões tanto quanto à vida profissional, quanto sobre o caminho que desejam trilhar...

Carlisle trocou olhares com Esme, então sorrindo ela completou.

Por quem vão se apaixonar... Isso é uma das coisas que mais agradeço. Seu pai e eu tivemos os corações entrelaçados no instante que nos vimos, talvez fosse mesmo o plano do destino, o que ocasionalmente calhou com o plano dos nossos pais. Mas não sinto alegria maior do que saber que meus filhos poderão unir-se a alguém exclusivamente pelos sentimentos de seus corações.

Ouvindo-a olhei para Rose e Emm que baixaram as cabeças.

Balançando a minha contrariada voltei o rosto para o lado e percebi Edward me olhando, sem entender o porquê fiquei presa em seu olhar até Carlisle voltar a falar.

— Esme tem razão. Não sabemos quando ou com quem, mas desejamos que nossos filhos possam conhecer o amor, assim como nós. E que se possível for, continuarem em breve a linhagem Cullen em nossas terras na Silver Horse.

— Eita Rose e Edward. Acho que seus pais estão dando pistas que esperam netos em breve, hein? – Seth provocou.

Carlisle sorriu prosseguindo.

— Não nego que ficaremos contente em vê-los casados e nos dando netos, mas sabemos que as coisas têm o momento certo de acontecer, porém nesse instante me referi mais em questão da história da Silver Horse mesmo. A maioria aqui conhece os fatos, mas como hoje é uma noite especial, quero contar mais uma vez, além do que, temos uma nova ouvinte. Gostaria de saber nossa história Bella?

Questionou e percebi todos me olharem.

— É claro Carlisle. No dia que cheguei Rose falou que um dia em volta da fogueira seria brindada pelos fatos do passado de vocês, desde então venho esperando ansiosamente por esse momento.

Sorri e vi Rose retribuir o gesto em minha direção.

— Pois bem, fico feliz em saber que está interessada em ouvir. Sendo assim, nossa jornada começou com meu avô Peter, ele era apenas um rapaz comum, com aspirações comuns a homens da terra. Aos 19 anos casou com a minha avó, uma moça prendada chamada Charlotte, porém suas vidas teriam sido muito diferentes se nesse mesmo ano não estivesse em vigor a Segunda Guerra Mundial. Com a mesma chegando ao pico, fazendo com que o alistamento no país se expandisse de forma desenfreada, levando assim meu avô ao confronto direto. Graças a Deus ele sobreviveu da forma que foi possível, se pensarmos no horror de tudo aquilo. Mas após o fim da guerra pôde voltar para casa e encontrar conforto nos braços da minha avó.

— Meu Deus Carlisle, jamais imaginaria que a história de vocês tem ligação direta com um fato tão importante quanto a Segunda Guerra. – Expressei. – Minha família é pequena, sempre descendemos de poucos filhos, geralmente sem irmãos e não temos memórias desse período, pelo menos meus avós enquanto vivos nunca falaram nada. E agora ouvir esse relato tão direto, me da outra perspectiva sobre tudo.

— Talvez sua família realmente não tenha uma participação tão direta, é possível que seus antepassados tenham contribuído de outra forma, sem precisar alistar-se. Porém na história do sul essa é uma questão recorrente, boas são as famílias que tiveram seus entes queridos de volta e hoje podem contar com algum tipo de alívio sobre o que houve. – Santiago explicou.

— Exatamente, mas é por conta disso também que nossa história tomou um rumo diferente. Meu avô não se confederou com alguma patente alta do exército, ele era um homem simples, porém de muita coragem e honra, por conta disso ao voltar para casa foi brindado com alguns pedaços de terra. Todos sabiam que não só o mundo como nosso país, precisavam reerguer-se após a tragédia e investiram no que puderam para fazer acontecer. Sendo assim, o sul ficou encarregado da parte pecuária da equação.

— Assim nasceu a Silver Horse? – Questionei.

— Ainda não. Meu avô apesar de ser um trabalhador do campo antes de ir para a guerra, nunca lidou diretamente com o gado e não sabia como investir no mesmo. Em contra partida, minha avó que permaneceu aqui, assim como várias mulheres, teve que aprender algum tipo de ofício durante a ausência do marido. Com isso aprendeu uma coisa ou outra sobre a questão e juntos começaram a cuidar das terras recém-adquiridas. Meu avô aprendeu tudo que podia, enquanto tratava do plantio e aos poucos foram tendo condições de contratar mais pessoas e dar andamento ao negócio da família.

— Sua avó era uma espécie de veterinária da época. – Pontuei.

— Ela não tinha muitos conhecimentos técnicos, quando algum animal adoecia, era bem capaz de o mesmo morrer sem que conseguissem contribuir muito. Mas em compensação, possuía um grande domínio sobre o tratamento para o abate, como também para o processo de produção natural e reprodução. Ela era uma mulher realmente obstinada, não só para a época, mas no conceito geral da palavra. Alguns a consideravam altiva e teimosa demais.

Bem semelhante a alguém que conheço. — Edward sussurrou.

O olhei de forma desafiadora, mas ele não disse mais nada, então continuei a prestar atenção em Carlisle.

— Por sorte meu avô não deu importância a isso, toda força que ela tinha serviu para que conseguissem seguir em frente e dar conta das questões da fazenda. Durante esse período eles tiveram quatro filhos, meu pai, Anthony, o mais velho, depois mais um menino e duas meninas. Todos foram criados aqui, aprendendo sobre a lida, contribuindo de alguma forma e entendendo a importância do legado que nossa família começava a construir. Com os anos meu pai foi instruído para assumir as questões principais e ter para si a maior responsabilidade de tudo. A meu ver, meu avô não fez a escolha mais justa em deixar o direito de herança apenas para o meu pai, por ser o irmão mais velho. Meu tio e tias receberam contribuições como parte da mesma, mas sabiam que quem seguiria com a fazenda era meu pai. O mesmo sempre amou esse lugar e tudo que o envolve então se viu contente por saber que seria o administrador de tudo no devido tempo. Aos 20 anos casou com a minha mãe, Elizabeth. Uma jovem que sonhava em ser professora, ela realizou o desejo, mas infelizmente por possuir uma saúde frágil não pôde exercer a amada profissão por muito tempo, junto a isso após três anos de casamento e muitas tentativas eu nasci. Para felicidade do meu pai e avô, mais um primogênito na linhagem dos Cullen, ainda que meus pais conseguissem ter outros filhos, já estava decidido que eu assumiria tudo no devido tempo. Porém acho que está no sangue dos Cullen se apaixonar por esse lugar e comigo não foi diferente. Desde menino era fascinado com tudo e empolgado por saber que as terras tão amadas por todos seriam minhas um dia. Infelizmente não pude conviver com meus avós tanto quanto queria. Quando tinha 11 anos, vovô Peter faleceu e três anos depois foi à vez da vovó Charlotte.

— É horrível pensar em quão baixa era a expectativa de vida da época. – Rose comentou. – Graças a Deus hoje sabemos que contaremos com vocês ao nosso lado por muito tempo ainda.

— Sim querida. Mas nesse caso não foi só por conta da expectativa de vida baixa da época, meus avós também trabalharam muito, vovô sobreviveu a uma guerra, procuro pensar que foi o momento de descansarem. Porém não quero deixar a conversa triste, pois foi mediante a esse momento que uma das coisas mais especiais aconteceu. Nossas terras já tinham bons anos de cultivo, o mercado já estava ficando mais propício na década de 70, porém ainda não possuíamos um nome próprio, as pessoas podem achar bobeira, mas ter algo a que se referir, uma marca para lembrar é muito importante. Foi então que em uma noite, meu avô teve um sonho. Sei que nesse ponto a história terá um tom de fábula, mas é o que aconteceu. – Sorriu. – Ele sonhou com vastos campos cheios, árvores frutíferas, estábulos preenchidos pelas mais belas raças de cavalos, um rio a margem de tudo e para completar afirmou ter visualizado todos esses feitos enquanto esteva montado sobre um cavalo prateado. Consegue entender onde quero chegar? – Perguntou a mim e sorrindo assenti. – Quando acordou contou esse sonho ao meu pai. Como disse, já tínhamos evoluído muito desde o início, mas nada a esse ponto, porém dizendo saber que esse era o futuro que nos aguardava, vovô nomeou a partir daquele momento nossas terras como a fazenda Silver Horse. E como sonhou ou previu, as coisas evoluíram até o ponto em que se encontram hoje.

— Carlisle, mal posso acreditar. Isso é lindo, imaginei que um nome tão impactante como esse não teria uma história obsoleta por trás, mas jamais pensei que a mesma fosse tão especial assim. E tem mais ou já acabou?

Inquiri realmente animada e envolvida com sede de aprender mais sobre a história desse lugar.

— A conclusão é que as coisas progrediram bem. Aos 19 anos, assim como vovô, conheci a mulher da minha vida e casei. Logo depois Edward e Rose nasceram sendo nossas maiores alegrias. Após o nascimento das crianças, infelizmente minha mãe não permaneceu muito mais tempo conosco. E por conta do seu estado, nunca foi muito ativa nas questões da fazenda, então fui criado vendo apenas papai lidando com tudo, ao me casar pensei que viveria da mesma maneira, mas Esme se mostrou mais do que a mulher e mãe perfeita, também a parceira ideal, então sobre a supervisão do papai expandimos as coisas como pudemos. Uma das maiores realizações que proporcionei ao meu pai ainda em vida, foi à compra das terras que rodeiam o rio. Na primeira vez que fomos até lá depois de saber que aquele pedaço do paraíso faz parte da Silver Horse, vi um sorriso diferente em seu rosto e entendi o sentimento, com a predestinação do vovô realmente acontecendo. Faz 10 anos que meu pai nos deixou e não há um dia que não me lembre daquele sorriso e das coisas que aprendi com ele. Mas existem ações que já fazem parte só da minha história com Esme, como a decisão de dividir por igual os direitos aos nossos filhos e não só a Edward, por ser o homem e primogênito. E agora esperaremos para ver o que eles farão dentro dessas terras. Você aqui já faz parte de um novo capítulo dessa história, a parceria com sua universidade, os bons frutos que isso trará. Tudo será contado um dia às futuras gerações de Cullen da Silver Horse. – Concluiu.

— Obrigada Carlisle. – Agradeci tocada. – Por me brindar com a linda história de vocês e por humildemente me incluir na mesma. Espero realmente ser merecedora de estar presente nas histórias futuras da Silver Horse.

— Não tenho dúvidas de que terá um ponto importante também querida, assim como todos que estão reunidos aqui que já o tem. – Esme pontuou.

Sorrimos preenchidos por bons sentimentos diante de tudo que acabamos de ouvir, porém sabendo como já está tarde e o amanhã cada vez mais próximo, decidimos por encerrar a noite e cada qual procurar o aconchego de sua casa.

Os McCarty foram embora com carinhosas despedidas, enquanto os Cullen e eu seguimos para dentro da casa.

Esme e Carlisle rapidamente desejaram boa noite e foram se recolher, Edward foi colocar Gus também em sua casa, enquanto isso Rose e eu subimos até nossos quartos.

— Bella, deixe-me perguntar, amanhã você pode ir comigo de novo a cidade? Agora que vamos a Nashville no fim de semana precisarei comprar umas coisinhas para o passeio.

— Ai Rose, eu até gostaria, mas já passei o dia ausente e como disse, nem no fim de semana estarei aqui, então prefiro ficar na fazenda amanhã.

— Ah, por favor, Bella, vamos? Olha, pode ser só no fim da tarde, também não pretendo demorar tanto por lá, mas gostaria de companhia. Você se organiza durante o dia e no fim da tarde saímos, pode ser?

Pediu fazendo carinha de cachorro que caiu da mudança.

— Tudo bem. Mas não se acostume Rosalie Cullen. Não é sempre que cederei aos seus pedidos, ainda que esses olhos azuis implorem bastante, ok?

Animada me abraçou.

— Obrigada, vai dar tudo certo, tanto aqui, quanto na ida à cidade e no fim de semana te mostrarei todas as maravilhas que Nashville tem a oferecer, Isabella Cullen.

— Oi? Perdi alguma coisa? – Nos afastei.

— Ah, todos já a consideram como parte da família. Você é praticamente minha nova irmã, aposto que no fim do verão sairá daqui como mais uma Cullen.

— Ok, já está na hora de dormir, creio que o sono está te fazendo delirar. Nos vemos amanhã, boa noite Rose.

— Boa noite Bella.

Sorrindo trocamos um beijo no rosto.

Ela entrou em seu quarto, mas antes de seguir para o meu fui impedida por outra voz.

— Isabella Cullen... Soa bem.

— Edward? Oi. Você ouviu o que Rose disse?

Perguntei quando o enxerguei em meu campo de visão, pude notar em suas mãos a caixa com o chapéu que lhe dei.

— Sim, concordo com ela em alguns pontos, em outros nem tanto. – Ergui a sobrancelha confusa. – Ela tem razão em dizer que você já é praticamente da família, acho que ouvir nossas histórias hoje selou o que faltava.

— Ah, isso. Eu amei ouvir tudo, vocês têm um grande legado que merece realmente ser prestigiado.

— Sim. E como uma pretendente a Cullen é bom que se sinta assim.

— Pretendente? Quer dizer que estou em algum tipo de teste?

— Talvez, como disse, tem pontos em que concordo com Rose, mas ainda falta algo para que se torne uma Cullen oficialmente.

Caminhamos até parar em frente a minha porta.

— E que pontos seriam esses? – Questionei.

— No momento certo você saberá. – Respondeu dando um sorrisinho cínico.

— Ah, Edward Anthony Cullen, você não me deixaria desfrutar da sua festa de aniversário sem ao menos uma provocaçãozinha, não é? Tudo até esse momento foi tão tranquilo, mas a noite ainda não terminou. Foi ilusão minha acreditar que algo relacionado a você não teria uma pequena dose do seu aspecto mais gracioso, para não dizer o contrário.

— Acredito que faz parte do meu charme. – Sorri entre um resmungo. – Mas não diria que esse é meu aspecto mais gracioso, ao menos não para você.

— Como assim?

— Você conhece diferentes partes minhas para saber em quais sou mais capaz de te desestabilizar...

Falou se aproximando até me deixar encostada a porta, com seu corpo em frente ao meu.

Ele tem mesmo que ser tão alto e forte?

Às vezes sinto-me uma menininha quando se aproxima assim, como se fosse Edward demais para administrar...

Nossos olhares ficaram presos um no outro, pela proximidade, compartilhamos também as respirações.

Por que meu peito está subindo tanto?

Ah, é. Por conta do aceleramento do meu coração.

Enquanto o olho, o vi passar a língua no lábio inferior, então tomada de uma coragem muito necessária, findei o momento.

— Feliz aniversário mais uma vez Edward, espero que tenha gostado do presente, boa noite.

Aproveitando que minha mão alcançou a maçaneta, a girei rapidamente abrindo a porta e entrando para um refúgio seguro, assumindo o controle dos meus sentidos novamente.

Boa noite Bella, tenha bons sonhos.

Ouvi sua voz do outro lado da porta, então o som de passos e também da porta ao lado abrindo e fechando, indicando que ele também já está em seu quarto.

Ao constatar esse fato pude respirar mais tranquila, porém imediatamente refletindo.

O que raios esse homem está fazendo comigo?

Ou melhor, o que estou deixando que ele faça?

Esse momento levou meus pensamentos diretamente ao acontecimento de domingo e o fatídico beijo que trocamos...

Até agora estou tentando entender porque fiquei tão abalada, não é como se estivesse há muito tempo sem beijar alguém e Edward chegou para reacender as chamas do meu corpo, apesar disso remeter bem ao que senti durante o ato.

No sábado anterior com a ficada com Tyler tudo correu conforme o esperado, rapaz simpático, interação legal e beijo satisfatório, deixando as coisas como sempre ao fim de uma ficada.

Então por que justo com Edward elas têm que ser diferentes?

Ele não é nem o melhor cara que já beijei!

Não, ele não é.

Não mesmo!

Talvez entre no top 3.

Mas se pensa que chegará já tomando o posto de primeiro lugar, está muito enganado!

Tendo isso esclarecido, continuo a me perguntar o que há de diferente.

Será que nosso histórico de implicância contribuiu para as sensações?

Acho que já ouvi por ai que desejo e irritação andam lado a lado, isso pode ter influenciado de alguma forma.

Porém nem brigamos naquele dia, pelo contrário. Tínhamos acabado de conversar sobre a situação do Emm e da Rose. E Edward estava em alta conta comigo pela forma que demonstrou apoiar a irmã e o amigo.

Será então uma questão de empatia?

Sensibilizada por comprovar que o mais velho dos irmãos Cullen tem sim sentimentos, me deixei envolver na aura do momento? Talvez...

Ai que coisa. Edward sai dos meus pensamentos!

Exasperei em voz alta para ver se atinjo algum efeito.

Mas contradizendo minhas intenções, as lembranças do beijo voltaram com ainda mais força, a forma como nossos lábios se encaixaram, o que senti quando encostou o corpo ao meu, como ainda a pouco na porta...

Isso não é normal, não pode ser.

Será possível que estou me atraindo por Edward turrão Cullen?

Que ele é atraente nunca neguei, lembro ainda da primeira vez que o vi, montado em Storm, sem camisa, sendo brindado pelos raios solares do fim da tarde...

Uma imagem realmente inesquecível.

Tenho mais algumas lembranças de seu belo corpo, quase totalmente desnudo como no dia no rio.

Mas questiono internamente se só esse apreço pelo físico bem feito de Edward será catalizador suficiente para me deixar no estado em que me encontro. Sem conseguir esquecer o que tivemos e tão pouco sem saber como lidar com novas aproximações.

Como quando lhe felicitei e permanecemos abraçados, me senti tão bem durante aqueles segundos, mas também senti os tremores voltarem quando Edward beijou minha bochecha, no canto da boca...

Meu lado consciente sabe que é um erro, porém o inconsciente ficou esperando por um algo mais, como ainda há pouco. E é essa incógnita por um algo a mais que me deixa desnorteada diante de tudo.

Sempre me garanti tão bem em meus desejos e sentimentos, que me sinto de mãos atadas ao não ter ciência exata do que está acontecendo ou do que ainda pode vir a acontecer...

Cansada de tantos questionamentos sem solução fui até o banheiro agraciar-me com um banho para ajudar a dormir, depois de pronta fui para a cama disposta a ter uma noite tranquila de sono sem sonhos, entretanto, posso não ter tido tanta proeza no último desejo...

— Vocês voltam para jantar?

Esme questionou a Rose e eu, enquanto seguimos para o carro da loira.

— Não sei mamãe, mas qualquer coisa eu aviso. – Rose respondeu.

— Tudo bem, divirtam-se.

Agradecemos e nos despedimos.

Entramos no carro, Rose deu partida e ligou o som deixando uma música ambiente tocar, seguimos pela fazenda até alcançar o portão principal.

— Conseguiu fazer tudo que queria?

— Sim, poderia até ficar um pouco sentida e ao constatar que tudo permaneceu bem na minha ausência, mas direi apenas que trabalho tão bem que mesmo com um dia de folga as coisas não saíram do esperado. – Rose riu quando terminei.

— É isso ai, nada melhor do que amor próprio.

— Isso realmente não me falta. – Rimos. – Mas falando sério, ocorreu tudo bem sim, tenho monitorado as últimas vacas que estão para parir durante a semana que vem então me preocupo de estar atenta a elas sempre, mas tirando isso o restante dos animais têm passado bem.

— E Snow? Ainda deu algum trabalho?

— Não, ela é a melhor égua que poderia querer como amiga. Falei ao seu irmão quando tratei dela pela primeira vez, ela só precisava se encontrar no novo lugar. Snow está em uma fase de mudanças e ter sido vendida bem nesse período não ajudou na sua adaptação. Mas agradeço por ter vindo justamente para a Silver Horse, talvez em outro lugar não fosse tão bem cuidada como aqui.

— E também não ganharia a melhor veterinária da região como cuidadora.

— Obrigada amiga, mas não sou a melhor nem da fazenda, quanto mais da região, só faço o que posso.

— Não seja modesta, você sabe que faz bem mais do que pode. Todos reconhecem isso, até meu irmão.

A menção do nome de Edward me levou de volta aos fatos do dia.

Digamos que preferi ficar distante para evitar questões as quais ainda não sei bem como lidar. Por saber que sairia mais cedo optei por não almoçar com todos e durante o trabalho fiquei atenta para não precisar cruzar com ele, ainda que os assuntos pudessem ser completamente relacionados às questões da fazenda, preferi prevenir.

Mas o que me deixa intrigada é saber como lidarei com sua presença sendo que passaremos o fim de semana inteiro juntos, não como na rotina normal, mas em uma viagem onde o plano é estarmos próximos a todo o instante sem pretensão de ficar a sós, no momento essa é a pergunta de um milhão de dólares.

Querendo desviar dessas ideias, voltei ao diálogo com Rose.

— O que mesmo estamos indo ver na cidade?

— Nada demais, quero comprar alguns produtos de higiene pessoal para levar, que os meus de viagem acabaram, coisas assim.

— Certo, aproveitarei para ver alguns também e repor os que trouxe.

— Caso não encontre algo da marca que gosta, podemos esticar até Memphis.

— Sim, mas ontem quando viemos ver as coisas para o aniversário do Edward gostei do que Collierville tem a oferecer, acredito que encontraremos tudo que precisamos.

— Pois é, somos uma cidade minúscula, mas ainda sim aconchegante.

— Foi o que notei.

— Mas falando no Edward. O que ele achou do chapéu? Serviu? Ele gostou?

— Sim, gostou bastante. E por sorte serviu, caso não, teria trago hoje para trocar.

— Que ótimo, fiquei sabendo pela mamãe que dos presentes que demos, só faltou o chapéu para completar o traje propicio do cowboy. Contei a ela que você o presenteou com o mesmo, ela ficou muito grata pela atitude.

— Não tem por que. Ele chegou a comentar isso comigo, mas está tudo bem, fiquei feliz em presenteá-lo, afinal de contas, era seu aniversário. Foi o mínimo que poderia ter feito.

— Nada disso e você sabe. O que fez foi mais que o mínimo e cordial. Você poderia apenas ter comprado qualquer coisa de lembrancinha. Mas eu vi seu empenho em encontrar algo que realmente o agradasse e as inscrições que mandou fazer, isso foi especial. Eu notei, minha mãe notou e tenho certeza que Edward também.

Concluiu e aproveitou que um farol fechou para me olhar diretamente, porém prontamente desconversei.

— Posso aumentar um pouco o som? É que adoro essa música.

— É claro.

Creio que ela entendeu que não quis prosseguir no assunto, então nos concentramos na música ou ao menos tentei, mas na verdade continuei a pensar nos porquês das atitudes que tenho tomado.

Rose tem razão, poderia muito bem ter comprado apenas uma lembrancinha para não ficar feio e só.

Mas quando soube do aniversário de Edward imediatamente comecei a pensar em possibilidades de presentes e ontem quando vi o chapéu soube que seria o certo.

Até fiquei receosa que ganhasse outro também, mas depois me toquei que para um homem como Edward, chapéus nunca são de mais.

E qual não foi minha surpresa ao saber que o meu foi o único presente que ganhou do tipo e ver a alegria em seus olhos, realmente me deixou contente com a escolha.

Porém o princípio fundamental da situação, esse ainda não consigo entender...

Entramos no centro de Collierville e Rose deixou o carro em um estacionamento, saímos pelos estabelecimentos à procura das coisas que precisamos, é claro que não compramos apenas os produtos de higiene pessoal a qual nos referimos mais cedo.

Já passamos em várias lojas e sempre que Rose entra em alguma é saudada por alguém, mesmo boa parte das pessoas tendo nos visto ontem, ainda sim a cumprimentam com um tom saudosista e sempre simpático.

Como sua companhia, os mesmos também são dirigidos a mim, o que me deixa com um sorriso bobo no rosto, contente em poder apreciar a hospitalidade sulista.

Decidimos entrar em uma confeitaria, para apreciar um delicioso pedaço de banana pudding, quando Rose pediu o prato, a dona da confeitaria explicou que o mesmo é uma espécie de torta, mas se quero continuar sendo bem servida, não devo me referir ao mesmo como torta.

A sobremesa é feita de creme de baunilha com bananas e biscoitos. E fui informada ainda que aqui no estado existem até competições para eleger o melhor pudim.

— É realmente gostoso. Da para entender porque as pessoas o apreciam tanto. – Comentei.

— Sim. E não é por nada, mas já experimentei banana pudding em outros estabelecimentos pelo estado e nenhum lugar conseguiu ser tão bom quanto aqui.

— Acredito em você. – Falei antes de pegar uma nova garfada.

Continuamos a comer por mais um tempo, até o celular da Rose tocar.

— Tenho que atender. Me da licença um instante?

— É claro Rose, fique a vontade.

Ela assentiu e levantou seguindo para fora da confeitaria para atender a ligação.

Continuei apreciando meu doce, quando de repente percebi um homem entrar no estabelecimento, ele foi até uma mesa mais afastada e sentou sendo logo atendido por um garçom.

Poderia ter deixado o fato passar despercebido, se não tivesse reconhecido sua fisionomia e estranhado seu jeito.

Ele está com o celular na mão, mas não parece atento ao mesmo, pois seu olhar dirige-se o tempo todo a Rose, que pode ser vista através das janelas da confeitaria.

E quando foquei meus olhos percebi que é o mesmo homem que peguei nos olhando ontem ao sairmos da loja de chapéus onde comprei o presente de Edward.

No dia anterior não dei tanta atenção ao fato, pois depois de passar um dia todo ao lado de Rose acabei me acostumando às pessoas olhando-a e cumprimentando a todo instante, mas algo nele não me inspirou bons sentimentos e agora a sensação só aumentou.

— Desculpe, eram assuntos relacionados à fazenda e como vamos passar o fim de semana fora achei melhor tentar resolver. – Rose falou ao voltar a nossa mesa, porém percebendo que não falei nada, questionou. – Bella, está tudo bem?

— Rose, discretamente olhe àquele homem de terno sentado na mesa do canto.

Como Rose está sentada a minha frente, teve que virar, mas fez de modo discreto e o observou.

— Sim, o que tem?

— Você o conhece? Sabe se ele é daqui da cidade?

— Não, acredito que não, sua fisionomia não me é familiar, mas também não conheço todas as pessoas de Collierville. Por quê? Há algo errado?

— Não sei. É que ontem o vi nos observando quando saímos da loja de chapéus e agora enquanto estava lá fora, ele não parava de te olhar. – Comentei.

— Huuum, vamos tirar isso a limpo.

Falou já se levantando.

— Rose!

Não acredito que essa louca está indo até lá!

Sem escolhas a segui me aproximando bem no instante de ouvi-la falar.

— Com licença senhor, mas nos conhecemos?

— Creio que não tivemos o prazer ainda, Alistair Weinberg. E as senhoritas?

— Esta é minha amiga Isabella Swan e eu sou Rosalie Cullen.

— É um prazer conhecê-las senhorita Swan e senhorita Cullen. Se me permite falar, seu sobrenome não me é estranho.

— É porque minha família é dona da fazenda Silver Horse. Talvez o senhor já tenha ouvido falar.

— Ah claro, já ouvi sim, ouvi muito. Mas as senhoritas gostariam de sentar?

— Não, muito obrigada, já estamos em uma mesa. Apenas quis esclarecer o fato que minha amiga notou que o senhor parecia interessado em mim, então vim averiguar se temos algum assunto em comum. – Rose soltou sem filtro algum.

Quero um buraco para me enterrar nesse momento.

— Oh, peço desculpas se pareci inconveniente de alguma forma. Creio que além de ter ouvido falar sobre a fazenda da sua família, posso ter lhe achado parecida com uma antiga conhecida, mas creio que é só isso, porém peço desculpas novamente se causei algum tipo de desconforto.

— Não tudo bem, peço desculpas também. – Justifiquei. – Já deveria ter me acostumado às pessoas conhecerem Rose. Agora se o senhor nos der licença vamos voltar a nossa mesa. Foi um prazer.

— O prazer foi meu. Espero revê-las em breve, só que em uma situação menos comprometedora.

— Esperamos que sim, até logo.

Rose se despediu, caminhamos de volta a mesa.

Ao nos sentar logo esbravejei.

— Rosalie! Você ficou louca? Como pôde fazer isso?

— Você ficou com vergonha? – Questionou rindo.

— Não, isso é o de menos. Rose, e se esse homem fosse um maluco?

— Não era melhor descobrirmos isso de cara? Além do que, ele pareceu ser apenas um turista bem afeiçoado. – Revirei os olhos diante da tranquilidade de sua fala. – Escute Bella, não quero parecer pretenciosa, mas você precisa entender que aqui na cidade minha família é meio que importante. Todos nos conhecem e mesmo quem não é daqui, acaba ouvindo uma coisinha ou outra. Você não tinha essa percepção ainda, porque veio direto para a fazenda e passa 99% do tempo lá, mas situações como essa são mais comuns do que imagina.

— Tudo bem, se você está dizendo. Mas sem querer parecer pretenciosa também, lá na Califórnia, se um homem estranho começa a aparecer nos lugares que vou e olha da forma como ele te olhou, corro imediatamente para a delegacia mais próxima e peço no mínimo uma checagem de antecedentes e medida preventiva.

— Malefícios da cidade grande. Mas não se preocupe esse tipo de coisa não acontece aqui em Collierville. Você ouviu, ele sabe sobre a fazenda e me achou parecida com alguém, nada demais. Agora vamos terminar nossa sobremesa e ir embora, pois ainda temos que arrumar as malas e descansar para amanhã cedo pegar a estrada.

— Tudo bem.

Prosseguimos a conversa e apesar de não tocar mais no assunto, homem estranho, não pude esquecer totalmente das inquietações que senti quando o vi...

— Todo mundo pronto para a diversão?

— Emmett, estamos indo a Nashville, não a uma excursão da 3ª série.

— Edward, você disse a sentença na frase. – Emm devolveu. – Estamos indo a Nashville, como posso me referir àquela cidade, senão como o lugar da diversão?

— Olha irmãozinho, nessa ele te pegou.

— Eu desisto, não contestarei mais nada que disserem, ainda que sejam os maiores absurdos do universo. – Retrucou com seu jeitinho de sempre e só sorri o observando pelo retrovisor do carro. – Não fique rindo Srta. Swan, você terá que lidar com os dois.

— Não se preocupe Sr. Cullen, pois adoro as conversas do Emm e os comentários da Rose. – Devolvi.

— Pois faça bom proveito de ambos.

— Ai Edward, agora quem parece estar na 3ª série é você. Deixe de ser chato que estamos indo a Nashville não só para apresentar a cidade a Bella, mas também para comemorar seu aniversário, então coloque um grande sorriso no rosto e vamos curtir.

— Uhuul.

Emm e eu gritamos animados contagiando até o ancião dentro do carro, mais conhecido como Edward, que finalmente abriu um sorriso.

E que coisa, é melhor quando ele mantém a carranca, pois Edward sorrindo é capaz de tirar qualquer um do eixo...

— Agora sim, partiu Nashville.

Rose disse ao começar a dirigir rumo à cidade...

Quando chegamos ontem, não vimos mais ninguém, então seguimos direto para nossos quartos.

Ao entrar no meu tratei de arrumar uma bolsa para levar, então dormi um sono confortável e sem sonhos.

Hoje pela manhã ao descer já encontrei Emm na casa, com Edward ao seu lado, ambos prontos, logo Rose desceu, porém antes de sair, ainda fomos brindados com um café da manhã reforçado feito carinhosamente por Esme.

Depois do mesmo colocamos as coisas no carro de Rose, nos despedimos de Carlisle e Esme e seguimos. Foi o momento em que Emm começou sua profunda animação.

A viagem apesar de durar três horas não deu a impressão de demorar tanto, Rose deixou o som ligado com músicas embalando os momentos de silêncio, mas os mesmos foram poucos, pois na maior parte do tempo mantivemos conversas sobre todos os tipos de assuntos.

Ao chegar a Nashville meus acompanhantes do carro trataram de pontuar os locais da cidade que devo prestar atenção, para alguns tive a promessa de conhecer daqui a pouco o que só me deixou ainda mais animada.

Seguimos direto até o hotel em que passaremos a noite, Rose achou melhor fazer a reserva pelo fim de semana completo, assim poderemos voltar e descansar a hora que quisermos durante a tarde e também nos arrumar com tranquilidade para curtir a noite.

Quando chegamos, Rose deixou o carro no estacionamento subterrâneo e subimos até a recepção. Lá ela fez o check-in e com tudo pronto nos entregaram as chaves dos dois quartos que dividiremos. Rose e eu em um, enquanto Emm e Edward ficam o outro.

O hotel é bem aconchegante e bonito, no andar que ficaremos, notei que os quartos dividem-se entre dois por patamar, ligando-se a uma varanda central, que tanto pode ser compartilhada por ambos os hóspedes dos quartos, quanto isolada no devido espaço.

— Bom pessoal é isso. Vocês querem tomar banho agora ou podemos só deixar as coisas e ir andar um pouco pela cidade? – Rose questionou.

— Acho que podemos sair, aproveitando desde agora podemos voltar um pouco mais cedo para descansar e então nos arrumar para a noite. – Comentei.

— Concordo com a Bella, além do que, já quero procurar um lugar para almoçar. – Emm falou e rimos.

— Pois faremos isso. Vamos ter só uns minutos no quarto e nos encontramos lá embaixo daqui a pouco, pode ser? – Edward disse e assentimos.

Assim cada dupla entrou em seu quarto, deixamos nossas bolsas nas camas escolhidas, Rose e eu tiramos uns minutos para ir ao banheiro, lavar o rosto e dar uma conferida no visual e depois descemos.

Ao chegar à recepção encontramos Edward e Emm já a nossa espera.

— Prontas? – Edward perguntou.

— Sim, me apresentem Nashville. – Respondi.

Na rua em que o hotel está localizado já tem vários bares e casas de shows, por conta do horário a maioria das casas ainda está fechada, mas só pela fachada já da para ver que a energia country realmente domina a cidade.

— Sabe onde está agora Bella?

Emm perguntou enquanto caminhamos.

— Não, onde?

— Na Broadway.

— Ah, para Emm, posso até não estar mais na costa oeste, mas sei que a Broadway fica em Nova York, do outro lado do país. – Respondi e os três riram.

— Emmett te pegou na piada clássica. Obviamente essa não é A Broadway que todos conhecem, mas o nome dessa rua é o mesmo que a de Nova York.

Rose comentou apontando para uma placa no cruzamento que estamos e confirmei a legitimidade do nome.

— Olha só, não precisei viajar até a costa leste para estar na Broadway. – Brinquei.

Continuamos a andar enquanto foram mostrando mais lugares, falando sobre os vários museus ligados a música que a cidade possui, mas também seus pontos abertos como parques, estádios e pontes históricas.

Durante a caminhada decidimos por fim parar para almoçar, escolhemos, ou melhor, eles escolheram, pois estou totalmente no modo guiada, um bar e restaurante com música ao vivo.

Ambiente que se divide entre música e esportes, segundo Emm e Edward, serve um dos melhores pratos de costelas, batatas e mandiocas fritas que poderia querer.

O bar também oferece um terraço superior que brinda os clientes com uma linda visão da cidade, foi onde escolhemos ficar.

Os meninos pediram o prato que comentaram. Rose e eu pedimos algumas saladas para balancear, mas no fim acabamos compartilhando tudo uns com os outros.

Passamos um bom tempo não só almoçando, mas continuando a conversar e depois, com alguma dificuldade confesso, pois realmente comemos bastante, deixamos o bar e seguimos até o Country Music Hall of Fame and Museum.

O mesmo é conhecido por ser um dos maiores museus e centros de pesquisa dedicados à preservação e interpretação de música americana do mundo. Ele possui uma enorme coleção musical, que inclui gravações, vídeos, fotografias, instrumentos musicais e outros.

Quem olha de fora pode pensar que os meninos não gostam desse tipo de coisa, ok confesso, eu pensei isso quando Rose disse onde seria nossa próxima parada, mas acabei sendo surpreendida positivamente ao ver que ambos não só são interessados pelas relíquias do museu, como também têm grande conhecimento sobre a cultura musical não só do estado, como de muitos adjacentes.

Passamos um bom tempo visitando salas e apreciando a história, ao sair informaram que o próximo destino será o estádio do time de futebol americano Tennessee Titans e que para chegar ao mesmo atravessaremos uma ponte muito famosa chamada John Seigenthaler, onde pela mesma veremos o rio Cumberland.

Não pensei que o dia seria agregado de tantos conhecimentos e também que conheceríamos tantos pontos turísticos da cidade, durante o trajeto sobre a ponte aproveitamos para tirar muitas fotos.

Quase não o fiz desde que viajei, mas aproveitei para registrar esses momentos para levar comigo quando voltar para casa.

— O que houve? Está distante. – Edward comentou enquanto caminhamos.

Rose e Emm estão um pouco mais a frente.

— Não é nada, estava pensando que quando for embora terei vários momentos a recordar.

— Já está com vontade de ir?

— Não, definitivamente não. Apesar de ter saudades dos meus pais, pois costumo passar os verões com eles, estou gostando muito da minha estada aqui no Tennessee.

— Que bom, seria ruim se sentisse vontade de ir e não pudesse, por conta das questões com a universidade e tudo mais.

— Sim, mas estou aproveitando bem o verão.

— E tem conversado bastante com seus pais?

— Sim, troco mensagens com minha mãe constantemente e falo por telefone sempre que possível também. Eles sabem que estamos aqui e desejam que tenhamos um ótimo fim de semana. – Sorri e ele me acompanhou.

— Pois não vamos decepcioná-los, já estamos perto do estádio, vem.

Pegou minha mão e incompreensivelmente me senti bem com isso.

Caminhamos mais rápido passando Rose e Emm até chegar à frente do estádio. Tiramos mais algumas fotos, comemos besteiras das barraquinhas e aproveitamos o fim da tarde de forma descontraída e muito satisfatória.

Quando decidimos voltar ao hotel, optamos por pedir um uber, pois não temos mais disposição para fazer o trajeto todo novamente a pé.

Ao chegar, nos separamos por hora, com cada dupla entrando em seu quarto.

— Você me achará uma porquinha por não tomar banho agora?

Rose perguntou assim que ficamos a sós.

— Não, é claro que não.

— Que bom, porque quero lavar o cabelo e se o fizer agora não poderei tirar um cochilo. Então optarei pelo caminho inverso, primeiro descanso, depois higiene. – Sorri.

— Não se preocupe Rose, não tenho o que criticar, pois farei a mesma coisa.

Falei e ela riu também.

— Sempre soube que somos almas gêmeas da irmandade.

— Temos que permanecer unidas. E guardar segredo sobre esse tipo de assunto, pois tenho certeza que os meninos não passam por situações assim e tirariam uma com nossa cara se soubessem.

— Obviamente, segredo total.

Batemos as mãos e rimos das nossas besteiras.

Então apenas trocamos as roupas por peças mais confortáveis e caímos nas camas para desfrutar de um merecido descanso...

Acordei e vi Rose ainda dormindo, olhei o relógio e vi que passa um pouco das 20h, decidi levantar e ir ao banheiro do quarto.

Tomei um revigorante banho, lavei meu cabelo e ao voltar encontrei Rose desperta.

— Te acordei com o barulho? – Questionei.

— Não, mas já vou levantar também. Estava apenas conversando com Edward.

— Eles já estão se arrumando?

— Não, disse que estão sentados assistindo a um jogo e que só vão se arrumar mais tarde.

Rolamos os olhos diante da desigualdade da situação.

Temos que começar a nos arrumar praticamente duas horas antes de sair, enquanto os bonitos provavelmente tomarão um banho quinze minutos antes de sair, passarão um perfume e ainda sim parecerão deslumbrantes.

Que vida injusta...

— Como não possuo o tipo de privilégio deles, vou tomar banho e começar a me arrumar.

Informou e assenti, enquanto começo a separar minhas coisas.

Decidi secar o cabelo, mas não deixá-lo completamente solto, prendi metade, enquanto o restante caiu livremente pelas minhas costas. Quando Rose saiu do banho também secou seu cabelo, evidenciando mais as lindas ondas loiras.

Passamos para o estágio da maquiagem e ao terminarmos, Rose trocou novas mensagens com o irmão e o mesmo disse que estarão prontos quando estivermos. Tendo concluído as partes mais difíceis, nos vestimos.

Optei por um vestido azul, mais colado na parte superior, porém com a saia solta indo até mais ou menos o meio das coxas, para combinar optei por uma sandália preta.

Rose escolheu vestir uma saia preta e uma camisa verde que dá uma boa alusão à cor de seus olhos. E por fim calçou um par de botas de cano médio.

Depois de uma última olhada no espelho, perguntei.

— Pronta?

— Prontíssima. Vamos arrasar.

Organizamos as coisas no quarto e saímos para encontrar os meninos. Ao passar pela porta já os vimos a nossa espera no hall que liga os ambientes.

E caramba.

Será que agora a todo instante em que encontrar Edward terei que quase ter um colapso?

Já não devia estar no estágio do costume? Apenas tranquilidade e sossego?

Aparentemente ainda não atingi essa maturidade emocional, pois ao vê-lo tão ridiculamente lindo, senti palpitações em regiões que prefiro não pensar...

Porém diante da situação em que me encontro, conclui que se ainda nem saímos e já estou assim, me pergunto apenas aonde essa noite nos levará...

CONTINUA.

Notas finais
N/A: Onde vocês acham que essa noite os levará? *olhar misterioso haha*. E ai meninas gostaram de saber mais sobre a história da Silver Horse? Espero que sim, pois criei tudo com muita dedicação. E o que foi a Bella alucinando ainda sobre o beijo? Esses dois ficaram bem afetados com a ação, hein? Será que em breve teremos novidades sobre esses aspectos? E eles foram para Nashville, curtiram o dia, porém a noite é uma criança e agora que começarão verdadeiramente a aproveitar, palpites sobre o que acontecerá? E esse é o gancho para enfatizar novamente o pedido dos comentários. Promises tem uma boa margem de visualizações e acompanhamentos novos, porém as reviews não condizem muito com essa premissa, portanto, se chegaram até aqui comentem, uma palavra só já basta e me dá à ideia real do que estão achando de tudo. Promises ainda tem muita história pela frente e preciso saber se estou agradando. Então comentem, recomendem também, me sigam no twitter: @KNRobsten, para mais novidades. Espero vê-las pelos comentários e no próximo capítulo que sai quarta que vem, até lá. ~Kiss K Nanda.