Promises in the Dark
2 A Universitária
Notas iniciais
POV Edward
— Repete garota. Quero ver se tem a ousadia de dizer isso de novo!
Respondi sentindo meu sangue ferver.
— Não preciso de ousadia ou coragem para colocá-lo no lugar novamente, creio que uma vez só basta. A não ser que você, além de tudo, ainda sofra de falta de compreensão e não tenha entendido o que falei. Mas quanto a isso não posso fazer muita coisa. – Devolveu de forma petulante.
Nesse momento enxerguei vermelho...
Mas antes de colocá-la em seu devido lugar, fui interrompido pela voz do meu pai.
— Edward Anthony Cullen! Não quero ouvi-lo dizer mais uma palavra! A não ser que seja um pedido de desculpas a Bella. – Ah, pronto. Papai já está chamando a garotinha por apelido. – Que atitude é essa? De onde tirou que pode ofender Bella dessa forma? Tenho certeza que essa não foi à educação que sua mãe e eu lhe demos.
— O que sei, é que fui criado para dizer a verdade, doa a quem doer. Então só quis deixar bem claro para Bella, qual seu lugar nessa fazenda. – Retruquei.
— Edward, deixe de ser imbecil! Você sabe muito bem que existe diferença entre dizer a verdade, expor uma opinião e ofender as pessoas.
— Você também não tem o que falar maninha, porque tudo isso é culpa sua. Desde o começo deixei claro que não apoio essa ideia, que não vejo necessidade da vinda dessa moça ou de qualquer outra pessoa. Qual nosso beneficio com isso?
— E qual o mal? Posso saber? – Devolveu.
— Que não precisamos de uma garotinha metida a besta da cidade se intrometendo em nossas coisas. Atrapalhando o trabalho e arriscando a vida dos nossos animais vindo brincar de médica no interior do país.
— Edward, quanto mais ouço, menos te entendo. Com essa mente fechada não consegue enxergar uma coisa, mesmo ela estando bem diante do seu nariz! Ainda que, e existe um abismo bem grande nessa possibilidade, Bella seja essa pessoa horrível que descreveu, ela mal chegou. Ainda nem tivemos oportunidade de conviver, avaliar como é seu trabalho e se algo pode dar errado ou não. Porém baseado apenas em suposições e delírios da sua cabeça, você a ofendeu e destratou de forma horrível. Envergonhando não só a si, mas também toda família. Bella disse que espera uma decisão dos nossos pais sobre ir ou ficar, mas eu se fosse ela, não pensaria duas vezes em partir, pois definitivamente ninguém é obrigada a aguentar esse tipo de desfeita.
— Se ela for não fará falta. – Retruquei ao discurso de Rose.
— Edward. Já chega!— Mamãe se manifestou. – Se de alguma forma ainda disser algo que chegue perto de ofender Bella, não será ela quem sairá dessa casa, mas você! De forma alguma admitirei esse tipo de atitude em minha casa. Sua irmã tem razão, você não tem motivo algum para desconfiar de Bella e muito menos para tratá-la mal. Ela é nossa convidada e pelo tempo que passar aqui contará com todo nosso respeito. – Ela virou para a menina pegando em suas mãos. – Saiba Bella, que em momento algum pensamos em mandá-la embora e se realmente quiser permanecer, mesmo depois das afrontas feitas por nosso filho, a qual estamos completamente envergonhados e pedimos desculpas, nossas portas continuam abertas.
— Obrigada Esme. Peço desculpas por terem presenciado essa cena e ouvido as palavras que falei, mas simplesmente não pude deixar passar.
— Não tem que se desculpar querida. Se estivesse no seu lugar, nesse instante Edward poderia estar até com um olho roxo.
Mamãe me espantou tanto com suas palavras como com a expressão dirigida a mim.
— Daremos esse assunto encerrado nesse instante. Por mais que às vezes não pareça, ainda sou o dono dessa fazenda Edward, portanto, sou eu quem toma as decisões finais por aqui. Desde o início concordei em inscrever-nos no projeto, achei que traria bons frutos aos negócios, visibilidade a fazenda e a oportunidade de conhecer e conviver com uma pessoa nova. Bella está aqui com nossa benção, para exercer seu estágio em nossas terras, mas especialmente com nossos animais, porque como veterinária quase formada, tenho certeza que ela possui mais conhecimento que você e todos seus homens reunidos. E o que ela ainda não souber, ficaremos felizes em ensiná-la. Todos entenderam?
— Sim papai. – Rose foi a primeira a falar.
— Sim Carlisle.
Emm a seguiu, lhe dirigi um olhar atravessado e ele apenas deu de ombros.
— Sim Carlisle. Obrigada pelo apoio, darei meu máximo e espero não desapontá-los. – Bella respondeu.
— Tenho certeza que não desapontará. – Ele sorriu, então voltou-se a mim. – Perguntei se todos entenderam e ainda não ouvi sua resposta Edward.
— Como o senhor disse papai. Como dono da fazenda tem o poder de decidir. Se todos realmente estão de acordo, não impedirei que Bella exerça o que veio fazer. Só deixo claro que estarei de olho em cada passo que ela der e a qualquer deslize voltaremos a conversar.
— Como responsável pela fazenda, não estará fazendo mais do que sua obrigação. – Papai pontuou.
— Ótimo, então também estamos entendidos.
— Agora, depois dessas fortes emoções, algumas bem desnecessárias, podemos entrar para jantar. Talvez a comida já tenha esfriado, mas darei um jeito nisso rapidinho. – Mamãe falou e todos pareceram animados com a proposta.
Eu em contra partida, perdi totalmente a fome.
— Podem ir, não estou mais com fome e tenho certeza que se sentirão muito mais a vontade sem minha presença.
— Mas Edward...
— Deixe-o Esme, esfriar a cabeça nesse momento é provavelmente a melhor opção. Edward tem muito no que pensar e não iremos impedi-lo. – Papai falou, mas também não estava esperando sua permissão.
Apenas coloquei meu chapéu de volta e aproveitando que Storm ainda está aqui, caminhei até o mesmo, montando-o e rapidamente saindo a galope apreciando a noite, o vento e a tranquilidade.
Storm nasceu quando eu tinha acabado de completar 21 anos, sua mãe, uma belíssima égua mustang, era a égua do meu pai, então foi lógico que seu potro se tornasse meu cavalo.
Claro que já tive outros cavalos, praticamente nasci sobre eles, mas antes de Storm nascer, não criei o tipo de relação com um para considerá-lo apenas meu, um verdadeiro parceiro.
Então quando vi Storm pela primeira vez, finalmente senti a conexão que todos falavam. Sua penugem negra característica marcante da raça mustang, seu jeito imponente desde o nascimento, a aura que transmitia, tudo me fascinou.
A partir dai comecei a acompanhar seu crescimento, na expectativa do dia de poder montá-lo e quando o momento chegou, foi sem sombra de dúvidas algo sem comparação.
Galopamos tanto naquele primeiro dia que pensei que minhas pernas deixariam meu tronco quando finalmente desmontei. Lembro-me da bronca que tomei de papai por ter cavalgado por tanto tempo, com um cavalo novo e sem adestramento.
Mas não pude deixar de sorrir de satisfação por aquele momento, tirando Emmett, Storm é meu melhor amigo e às vezes consegue ser até o número um.
A sina de um homem, ter um único homem e cavalo como melhores amigos.
Bufei.
Ainda posso contar com a parceira dos rapazes da fazenda, mas sei que irmandade mesmo, tenho apenas com os dois.
Quando cheguei aonde queria, parei Storm deixando-o descansar e desci.
— Hey garoto, você é realmente um grande amigo. Me ajudou a sair daquela situação muito bem. Porque caminhar sozinho é para os fracos, agora montar um cavalo e galopar, isso é para líderes.
Storm relinchou como que concordando comigo, fiz mais um carinho em sua crina e o deixei pastar.
Observei a noite enluarada que se estende no horizonte, sentei na grampa e continuei a pensar no que aconteceu há pouco.
Talvez, e existe um grande abismo nisso, apenas talvez, possa ter exagerado um pouco em reação a chegada da tal Bella...
Mas já tinha avisado que não gosto dessa ideia.
Porque precisamos de uma universitária inexperiente? A sentença já diz tudo. Ela ainda não é nem formada e tão pouco tem tanta experiência na área, o que isso nos trará de bom?
Papai fala sobre a visibilidade que o projeto trará a fazenda e aos negócios, mas já temos crescido bem nos últimos anos e continuaríamos assim mesmo sem essa proposta.
Como se não bastasse ter passado os últimos dias ouvindo todos falarem sobre a chegada da universitária, o que faríamos para recebê-la, como lhe mostraríamos a rotina da fazenda, o que ela trará de conhecimento ao nosso serviço, como esse verão será memorável pela sua ilustre presença e afins...
Hoje para completar, fui informado que a égua que recebemos no início da semana continua sem deixar que ninguém se aproxime, causando além de problemas para nós, também para si mesma. Pois se continuar sem deixar com que cuidemos de sua baia e a alimentemos devidamente poderá adoecer ou até coisa pior...
Enfrentando esse e outros problemas, fui deixado sozinho, já que Emmett insistiu em ir buscar nossa convidada ao lado de Rose. Por um lado sei o porquê de sua vontade, mas caramba, ele não podia ter ficado em casa só hoje?!
Então depois de um dia cheio, de ter feito todo o trabalho sozinho, tendo que lidar não só com a égua arisca, mas também com os outros animais. Ao voltar para casa, só esperando saborear um delicioso jantar ao lado da minha família, fui recepcionado a minha porta, por aquela mulher...
Caramba!
Passei dias me irritando apenas com a citação do seu nome, mas quando a vi, imediatamente fiquei desnorteado...
Ela é simplesmente belíssima...
A forma bem feita de seu corpo coberto por um vestido floral, deixando às longas pernas a mostra, com o cabelo longo e escuro caindo livremente por seus ombros, em aspecto ainda molhado indicando um banho recente.
E seu cheiro? Tenho certeza que o mesmo não provém apenas da mistura de sabonete e perfume, é algo único, sem dúvida uma fragrância só dela.
E se o pacote já não fosse excitante o bastante, ainda tem o rosto. Com olhos de um profundo chocolate, que me deixou quase compelido a mergulhar, uma boca de aparência tão doce e suculenta que me fez refrear muito para não tocar.
Quase deixei meus instintos me guiarem, mas parei ao ouvi-la se apresentar.
Então voltei à realidade e percebi que aquela mulher não é alguém para pensar de forma alguma em me envolver, pois ela veio apenas para ser a pedra no meu sapato. E ao trocarmos mais que duas palavras percebi o quão certo estava.
Perdido em pensamentos infundados, comecei a ouvir sons de trote de cavalo, olhei para trás e enxerguei Emmett vindo em minha direção.
Ao ficar próximo o suficiente, desmontou de Thor, seu cavalo Friesian e caminhou até parar ao meu lado.
— Como me encontrou? – Perguntei assim que ele sentou.
— Te conheço. Sabia que viria diretamente para cá.
— Mas não sai de casa com um destino em mente, apenas cavalguei até decidir deixar Storm descansar.
— O que por algum motivo sempre acontece por essa parte da propriedade. Então depois de deixar sua casa, ter que recusar o delicioso jantar da sua mãe, peguei Thor e vim até aqui. De nada.
— Não pedi que viesse atrás de mim. – Retruquei. – E não reclame sobre o jantar, já que eu também tive que sair sem aproveitá-lo.
— Você saiu porque sabe que foi um babaca.
— O que? Até você?
— É claro, sua atitude com a Bella foi simplesmente horrível. A menina não fez nada e você a recebeu com quatro pedras na mão, ou melhor, com as quatro patas arriadas.
Riu da citação idiota, enquanto apenas fechei a cara lembrando o que a tal Bella falou.
— Não sei onde está a graça.
— A graça está no fato da Bella ter te posto no devido lugar. Não sei se já vi alguma mulher, tirando Rose ou sua mãe, lhe dando uma resposta tão direta como ela fez. Já que todas as mulheres da cidade faltam arrancar as calcinhas ao te ver e fazem de tudo para que você ao menos as olhe. Foi interessante ver uma mulher que não baixou a cabeça diante de qualquer palavra sua. Ainda mais daquelas grosseiras e totalmente desproporcionais. Você realmente foi muito babaca.
— Tudo bem Emmett, já entendi que agi errado. Mas não deixei de ser sincero, você mais do que ninguém sabe que não estou de acordo com essa história e quis deixar logo de cara o que penso sobre isso, não tenho porque fingir.
— Uma coisa é não apoiar a ideia, outra totalmente diferente é tratar uma garota super legal como a Bella, da forma que fez.
— Bella, Bella, Bella. O que essa garota tem que fez todos se apaixonarem perdidamente? Você mal passou cinco minutos ao lado dela e já está aqui defendendo-a com todo fervor.
— Se alguém está apaixonado não sei. O que posso falar é que Bella é sim uma boa garota. Na verdade foram mais que cinco minutos, entretanto, mesmo com pouco tempo de conversa, pude notar o quão legal ela é. Bella não é como aquelas meninas metidas a besta da cidade grande, na verdade ela parece tão simples quanto nós. – Bufei. – É sério cara, você nem ao menos quis conhecê-la e já fez um escarcéu. Mas ela foi bastante atenciosa comigo e Rose. Inclusive adorou a plaquinha que fiz com seu nome enquanto a esperávamos no aeroporto.
— Você fez mesmo uma plaquinha? E Rose não te matou?
— Bem que tentou, mas ao chegar Bella informou que apesar de não precisar, pois ela e sua irmã já se conheciam por fotos, disse que adorou o gesto e guardou a plaquinha consigo. E você tem que ouvi-la falar sobre os animais, quando perguntamos se sabia dirigir ou cavalgar, ela disse que domina ambos, mas que está louca para montar novamente. Você pode ter razão quando diz que ela ainda não é formada e possui pouca experiência. Mas cara, nós mais do que ninguém sabemos que essa questão de diploma, às vezes, é só mera formalidade. Para pessoas como Rose e talvez até para Bella, pode ser que tenham mais valor, mas na prática, na lida, no dia a dia, é o conhecimento natural que conta. E é onde aposto minhas maiores fichas que Bella nos surpreenderá.
— É bom mesmo que tenha algum talento ou aptidão, pois se ao menos por um instante colocar em risco a vida de qualquer ser vivo dessa fazenda, ela, assim como vocês, vão se ver comigo.
— Edward, deixe de ser chato. Bella não fará nada para prejudicar a fazenda. Ela ama o que faz, assim como nós. E está aqui tanto para ajudar, como para aprender, apenas lhe dê uma chance. – Dei de ombros. – Você sabe que não sei bem como funciona esse projeto que a faculdade dela resolveu implementar, mas pelo que ouvi Rose falar, somente um aluno de cada curso foi selecionado para participar desse estágio, ou seja, para Bella estar aqui, ela teve que ser no mínimo a melhor da turma e vindo de onde vem, isso não deve ser pouca coisa.
— Talvez você tenha razão, mas ainda sim ficarei de olho.
— É claro que tenho, posso não ser letrado como as meninas, mas sou um homem que sei das coisas.
Falou todo se gabando e não pude evitar sorrir com seu jeito.
— Você se arrepende de não ter feito faculdade?
Soltei de repente.
— Como poderia me arrepender de não ter feito algo que nunca esperei?
— Não diga isso. Você sabe que se quisesse realmente, meus pais teriam ajudado, eles ofereceram a mim, como a você e aos seus irmãos.
— E eles talvez por serem mais espertos do que nós, aceitaram? – Emm retrucou.
Alec e Seth, os irmãos mais novos de Emm, desde pequenos nunca apresentaram a verdadeira aptidão para trabalhar com a coisas da fazenda, ajudavam no que era necessário, mas sabíamos que seus caminhos não seriam trilhados aqui.
Sendo assim quando o tempo de escolher uma faculdade chegou, ambos aceitaram o auxílio que meus pais ofereceram e procuraram caminhos que mais lhe agradavam.
Alec fez análise de sistemas e hoje trabalha em uma empresa de redes em Memphis. Já Seth está no 2º ano de educação física, sendo muito atlético desde criança, não foi uma grande surpresa para nós sua escolha de curso.
— Não sei se eles são mais espertos, creio que são apenas diferentes. – Comentei.
— Sim, falo isso, mas não me arrependo. Como disse, para algumas coisas não sinto que passar quatro ou cinco anos dentro de salas de aula fariam diferença. O que precisamos aprender, descobrimos literalmente no campo, dia após dia, problema após problema. Rose precisava ter feito faculdade para cuidar do que cuida hoje, Bella também, porque jamais a deixaríamos ficar aqui sem que realmente tivesse um conhecimento vasto. – Piscou.
— Você não sabe disso com certeza. – O interrompi.
— Mas acredito que ela tenha e é o que importa. De qualquer forma o foco não é esse, a questão é que existem pessoas e pessoas, situações e situações. A das meninas é a das meninas. E a nossa é a nossa.
Emm concluiu, mas continuei pensando no assunto.
Realmente na época em que estávamos terminando o colégio e todos começaram a pensar no que fazer na faculdade, meus pais sentaram comigo para conversar sobre meu futuro.
Foi então que falei seriamente que não pretendia fazer faculdade, o que obviamente gerou uma grande confusão em casa, mas tratei de deixar bem claro meus motivos e porque não via aquele caminho para o meu futuro.
Porque sair? Minha vida sempre foi na fazenda. Desde pequeno gostava do que fazia, ao chegar à juventude percebi que realmente gostaria de continuar lidando com o que já trabalhava, hoje sei que fiz a escolha certa e continuo a pensar que esse é o caminho que quero para a vida inteira.
Se as pessoas vão à faculdade para descobrir o que querem, isso eu já sabia, então para que ir? Preferi continuar aprendendo na prática sobre o caminho que escolhi e assim o fiz.
Não foi absolutamente fácil conseguir ficar em casa, mas depois de muitas conversas, algumas discussões e uma conciliação, meus pais e eu conseguimos entrar em um acordo.
E quando eles ofereceram a oportunidade a Emmett, em uma total coincidência, acabaram por receber a mesma resposta. Emm agradeceu muito, mas disse que também não via sua vida longe da fazenda, que seu futuro é aqui e que gostaria de trilhá-lo ajudando a Silver Horse a prosperar.
Assim ficamos os dois, nos aperfeiçoamos em todos os aspectos que tínhamos aptidão e determinamos como objetivo fazer a fazenda crescer ainda mais. E creio que conseguimos, porque agora quase 10 anos depois o tanto que conseguimos evoluir, não só no trato animal e seus derivados, como também nos plantios que fazemos e suas exportações. Acredito que podemos concluir que escolhemos o certo.
No entanto, as coisas foram diferentes quando chegou à vez de Rose ir para faculdade. Eu mesmo fui um dos primeiros a incentivá-la a cursar o ensino superior, se especializar em algo que a fizesse feliz.
Ela prontamente aceitou, mas nos surpreendendo positivamente, escolheu um curso não só que a faria feliz, como também seria de muito proveito para a fazenda. E sendo ainda mais maravilhosa, Rose conseguiu se graduar em duas especificações, podendo hoje não só administrar a fazenda, como também cuidar de sua contabilidade.
Ou seja, enquanto Rose lida com toda a parte burocrática da Silver Horse. Eu, com Emm ao meu lado, trato de toda parte prática, lida no campo, funcionários e afins.
— É, você tem razão nisso também. – Conclui. – Cada pessoa é uma pessoa e cada um sabe do seu destino e o que melhor lhe convém.
— Como já disse, eu sempre tenho razão. Mas não é só por isso que sei que estou certo. Conhecendo-o por uma vida inteira e tendo quase 30 anos nas costas, sei como são os aspectos da sua vida tão bem quanto você sabe dos meus.
Sorri ao constatar que sim, no auge dos nossos 28 anos, sendo amigos praticamente desde o nascimento, não tínhamos questões a esconder um do outro.
— Você realmente acha a vinda da Bella trará coisas boas? – Perguntei.
— Sim. Você confia em mim?
— É claro que sim.
— E na Rose, sua mãe e seu pai?
— É obvio Emmett.
— Então, não é possível que todos estejamos errados. Aguarde e verá, esse verão com a Bella aqui será simplesmente incrível. – Suspirei, esperando que Emmett tenha razão. – Não sei você, mas eu estou cansado e gostaria de aproveitar minha cama.
Começou a levantar, então o acompanhei.
— Você tem razão, está na hora de voltarmos. Eu, no entanto, creio que não terei a oportunidade de dormir tão cedo.
Resmunguei enquanto caminhamos até onde os cavalos estão.
— Acha que dona Esme e Carlisle estarão esperando por você? – Perguntou, enquanto montamos.
— Se serão os dois não sei, mas que alguém deve estar a minha espera, não tenho dúvidas.
Indiquei ao começarmos a cavalgar.
— Você ficou chateado com o que seu pai disse? – O olhei sem entender a que se referia, depois do fim da tarde de hoje, muitas coisas eram opções. – Quando falou que a fazenda ainda é dele.
— Mais ou menos, apesar de ser verdade e de não querer receber esse direito por muitos anos ainda. Pareceu que ele não confia totalmente em mim como gestor, apesar do que houve, bastou apenas um segundo, para reivindicar sua posse.
— Não pense assim. Como falei você foi realmente um babaca naquela hora, seu pai apenas quis remediar a situação, mas agora que já está com a cabeça fria, pode entender as coisas melhor e conversar com ele para esclarecer tudo.
— Assim espero. Agora chega de conversa que estamos parecendo duas menininhas do colegial, contemplando as estrelas e falando sobre a vida.
— E a culpa é de quem? – Retrucou.
— Não interessa. Agora chega disso, vamos.
Atiçamos os cavalos e iniciamos um rápido galope, igual quando éramos crianças, apostando corrida e sentindo apenas a brisa noturna nos envolver.
Rapidamente chegamos aos estábulos, guardamos os cavalos e caminhamos cada um para sua casa.
— Até amanhã.
Me despedi no trecho em que nos separamos.
— Até.
O vi seguir até a casa dos McCarty, enquanto subo os degraus da varanda de casa, ao entrar na sala vi que tudo já está escuro.
Suspirando aliviado comecei a caminhar em direção as escadas, mas fui parado pela voz imponente do meu pai.
— Edward. – Virei, vendo-o sair do escritório. – Será que podemos conversar? – Suspirando, mas sabendo que não tenho outra escolha assenti.
— Sim papai, como o senhor quiser.
— Me acompanhe ao escritório, não quero fazer barulho e acordar as outras pessoa da casa.
O segui para dentro do mesmo e ao fechar a porta vi papai caminhar até a cadeira atrás da mesa e sentar-se, indicando que devo fazer o mesmo na cadeira em frente, sentei e esperei que prossiga com o assunto.
— Você vai falar o porquê da atitude de hoje? Ou terei que deduzir que simplesmente enlouqueceu para ter agido daquela forma.
— Desculpe papai. – Comecei a falar, mas fui interrompido.
— Não é a mim que você deve desculpas.
— Eu sei, mas creio que devo fazê-las também ao senhor e a mamãe. Os senhores estavam certos em dizer que meu papel não envergonhou apenas a mim, mas também o nome da família.
— Fico feliz em perceber que entendeu isso. E o que mais?
— Amanhã conversarei com nossa convidada, pedirei desculpas pelas ofensas, mas manterei meus olhos abertos diante do que ela fará.
— Certo. Ninguém está pedindo que vocês se tornem melhores amigos, mas respeito é algo fundamental, não só nesta casa, mas na vida.
— Entendi. Algo mais? Está tarde e realmente gostaria de dormir.
— Você já poderá subir, antes gostaria de falar apenas mais uma coisa. – Assenti indicando para continuar. – Quando falei mais cedo sobre ainda ser o dono da fazenda, foi porque achei estritamente necessário impor alguma ordem àquela situação. Mas sabe que confio plenamente na sua administração, mas especialmente em você. Não gostei da atitude que teve hoje, mas confio que algo assim não se repetirá, portanto, nunca mais precisaremos citar algo do tipo, estou certo?
— Sim pai. Fico feliz em saber que o senhor confia em mim e espero que no futuro quando tiver que realmente assumir as coisas, possa ser ao menos metade do homem que o senhor é. Assim estarei realizado.
— Você será mais. No entanto, precisa apenas dosar um pouco seu temperamento e de resto já está pronto. – Sorri com o comentário. – Agora vamos dormir, pois não gosto de deixar sua mãe sozinha na cama. Ela não dorme sem meu corpo ao lado.
— Ai pai, não! Como dormirei agora? O senhor acabou com a minha noite.
Ouvindo o riso alto do meu pai, segui para fora do escritório, sem nem me dar mais ao trabalho de esperá-lo. Como deixou claro, tem uma mulher esperando-o, enquanto eu terei que passar a noite sozinho...
Cheguei ao quarto já tirando a roupa, realmente cansado daquele dia, depois de nu, fui até o banheiro e tomei um relaxante banho, ao sair, vesti apenas uma cueca e cai na cama desejando que a noite dure o tempo necessário para me recuperar...
Infelizmente meu pedido não foi plenamente realizado, pois quando o despertador tocou, senti que precisava de mais umas cinco horas na cama para me sentir minimamente restaurado, mas como nunca fui um homem de enrolação, acabei levantando e começando o dia.
Quando desci para tomar café encontrei apenas meus pais a mesa, como sempre, apesar de ter crescido na fazenda, Rose nunca foi muito adepta aos hábitos matinais.
Não me espantei em notar a ausência também da nossa convidada, não falei nada, pois não quero arrumar uma nova confusão, porém se ela tem a pretensão de ajudar na fazenda, terá que se acostumar com os horários matinais. Deixando esses assuntos de lado segui com a rotina.
Assim que cheguei aos estábulos encontrei Emmett, acompanhado de mais alguns homens, iniciamos nosso martírio de tentar lidar com a égua arisca, mas a mesma continua tão irredutível como sempre.
Depois de perder um bom tempo com ela e sair sem sucesso, fui tratar dos outros assuntos, coisas em que conseguirei sucesso e não estressará minha cabeça tanto quanto aquela égua faz.
No mais o decorrer da manhã conseguiu ser melhor que seu início. Fui até os campos de soja, avaliar como estão as plantações. Depois vistoriei o gado que será vendido para abate, assim como os que estamos preparando para reprodução, notificando o bom funcionamento em todas essas áreas.
Quando chegou o horário do almoço pude voltar mais animado e literalmente morto de fome, depois de perder o jantar e saindo só com um café no estomago, estou mais do que ansioso para me fartar novamente com a comida da dona Esme.
Ao me aproximar de casa diminui o galope em Storm, foi então que enxerguei Gus correndo, vindo por trás dos campos, seu latido eufórico, me fez sorrir com a cena.
Por conta de toda confusão ontem, acabei não tendo tempo de vê-lo, desci de Storm e caminhei em sua direção, ele continuou correndo e ao subir as escadas, se atirou em mim.
— Oi garoto, como está? Te trataram bem? Hein garoto?
— Ele é seu?
Virei no impulso vendo Bella saindo da sala em direção à varanda.
— Sim.
— Ele é lindo. – Ela caminhou um pouco mais, então Gus saiu correndo em sua direção. – Oi garoto bonitão, você é um menino muito lindo, sabia?
Ele, como um cachorro assanhado, começou a abanar o rabo e se animar todo com o carinho que Bella faz entre suas orelhas.
— Como é seu nome?
Sabendo que o cachorro não responderá, falei.
— Gus.
— Oi Gus. Gus, é nome de meninos maus, você é um menino mau? Não, né? É um bom garoto.
Ela continuou a acariciá-lo e comecei a temer que a qualquer hora meu cachorro, já adulto, deitará de barriguinha para cima esperando cócegas como um filhotinho.
— Estou impressionado. – Comentei.
— Com o que?
— Com a forma que Gus está reagindo a você.
— Por que diz isso?
— Porque Gus não é um cachorro que se dá com estranhos. Na verdade nem com os conhecidos, ele geralmente só tem esse tipo de carinho comigo. Esse foi um dos fatores que me fez adotá-lo.
— Ele foi adotado? Que legal.
Comentou parecendo realmente espantada.
— Sim, tivemos um cachorro na infância, mas quando ele faleceu, juramos nunca mais ter animal doméstico. Pode parecer bobeira, já que lidamos com cavalos e o medo de perdê-los também existe, mas com os animais domésticos é diferente. Mas enfim, a questão é que há dois anos quando a cadela da vizinha deu cria, todos os filhotinhos foram adotados, menos um. Ela comentou se sabíamos de alguém que gostaria de adotar, que ainda tinha um dos filhotes a ser adotado, pois o mesmo simplesmente não queria. Genioso desde pequeno, não é Gus? – Falei lhe fazendo carinho também e finalmente pareceu notar que ainda estou aqui. – E assim nos conhecemos, quando o vi, entendi que havia chegado o momento de ter um novo cachorro. Me aproximei, fiz carinho, ele aceitou e desde então não nos separamos, porém como disse, ele não é o cachorro mais receptivo do mundo, por isso me espantei com essa animação ao te ver.
— Agora entendo, a história de vocês é linda. E não sei explicar o porquê dele ter se aberto a mim, talvez sinta o quanto amo os animais e entende que pode confiar em mim. Não é Gus? Talvez saiba que nunca tive um animal de estimação e queira ser meu amigo nesse tempo que passarei aqui, não é?
— O que? Como assim? Você quer ser veterinária e nunca teve um animalzinho? – Perguntei espantado.
— Primeiro que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Segundo que estou me especializando em animais de grande porte, então poderia não me identificar com os domésticos. Só que a questão mais importante é que minha mãe é alérgica, então nunca pude ter um animalzinho em casa e hoje em dia moro no campus da universidade, onde infelizmente também não posso tê-los. Sendo assim, caso o Gus permita, poderemos construir uma boa amizade de verão, hein, você quer garoto?
Ele latiu, como que concordando.
— Acho que já tem sua resposta. – Gus latiu novamente. – E não que a essa altura minha opinião importe, mas sinto muito por você nunca ter tido um animalzinho.
— Tudo bem.
Gus saiu atrás de um bichinho voador e Bella levantou, mas não a deixei se afastar.
— Escute Bella. Quero pedir desculpas pela situação de ontem, sei que agi como um babaca, já entendi isso. Claramente usei as palavras erradas e também me expressei de forma errônea, então gostaria que me desculpasse por isso. Mas quero deixar claro que mantenho a posição de estar de olho em você, apesar do que todos dizem referente ao seu bom currículo como universitária, essa fazenda é minha vida e não permitirei o acesso de uma forasteira, sem me prevenir primeiro. Espero que entenda meu ponto.
— Tudo bem Edward, desculpas aceitas. Já que você o fez, lhe devolvo a mesma cortesia, perdão pelas palavras de ontem.
— Não tem pelo que se desculpar, eu mereci. Mas espero que esse aspecto já esteja encerrado entre nós.
— É claro. Agora sobre a questão da fazenda e seu pé atrás. Acho que você está certo, realmente sou a novata aqui e não pretendo fazer nada que possa atrapalhar ou prejudicar a fazenda. Esse projeto não é apenas algo que estou fazendo pela universidade. O que fizer aqui nesse verão farei também em grande parte por mim, então saiba que darei o meu melhor e se nesse tempo serei avaliada por você, tudo bem. Espero só que ao fim de tudo possa deixar as desconfianças de lado e comprovar meu valor.
— Espero que sim. Então estamos acertados?
Estendi a mão para selarmos o acordo.
— Estamos acertados.
Ela encostou sua mão na minha e nesse momento senti algo como uma descarga elétrica atravessar meu corpo, olhei em seus olhos e observei que ela pareceu sentir a mesma coisa.
Antes de conseguirmos reagir a isso, fomos dispersos pela voz do Emm.
— Já acabou a 3ª Guerra Mundial?
Imediatamente soltamos nossas mãos.
— Não há guerra nenhuma Emmett. Mas Bella e eu conversamos, deixamos nossos pontos claros e ela concordou que fique atento as suas ações.
— Assim como deixei claro a Edward que sou competente o suficiente para não me preocupar com sua vigilância restrita.
Respondeu de pronto e notei que a mocinha realmente não é de levar desaforo para casa.
Se ela mostrar esse empenho no trabalho, teremos grande ganho nesse verão...
— Pois que ótimo que se acertaram. Agora podemos entrar e saborear a comida da dona Esme? Estou morto de fome.
Nem nos preocupamos em responder, apenas entramos e seguimos até a cozinha onde papai, mamãe e Rose nos aguardavam.
Sem explicações muito longas, comentei que me acertei com Bella e que a situação de ontem não se repetirá, ao menos é o que espero.
Sendo assim, almoçamos tranquilamente sem mais transtornos.
Ao fim do mesmo, Emm convidou Bella para conhecer a fazenda, ela de pronto aceitou, então combinaram de sair.
É claro que não dará para conhecer tudo em um dia só, mas de qualquer forma é bom que ela comece a se habituar ao ambiente.
Assim voltamos aos afazeres gerais. Rose e papai dirigiram-se ao escritório, mamãe permaneceu na cozinha. Emmett saiu para o tour com Bella e eu voltei as minhas questões...
Entre uma reunião com o pessoal, para discutir a distribuição de laticínios da semana, mais algumas cavalgadas, onde observei como anda o rebanho reprodutor. E um bom tempo no galpão dos grãos, dando prosseguimento a distribuição mensal que começará segunda, preenchi as horas da tarde.
Quando o sol começou a baixar, segui em direção aos estábulos, mas de longe notei uma movimentação um pouco estranha dos homens.
Desmontei de Storm ainda do lado de fora e entrei para averiguar o que está acontecendo, mas ao fazê-lo quase não acreditei no que meus olhos estão vendo.
— Emmett!
Praticamente rugi.
— Edward. Cacete! Nunca mais me assuste assim. Ainda mais num momento desses.
— Emmett, diga que meus olhos não estão vendo, o que acho que estão!
— Edward, para de gritar. Você vai tirar a concentração da Bella.
— Emmett, seu animal. Não estou nem ai para a concentração da Bella. O que me importa é ela mesma!
Não dando mais importância aos disparates de Emmett, comecei a caminhar na intenção de interromper tudo aquilo, mas fui segurado por Emm.
— Edward, espera. Acha que não me preocupo com a Bella também? É claro que sim, caramba. Mas dê uma chance a ela. Ninguém nunca chegou tão perto antes, apenas espere, sim?
Soltei de seu aperto e respirei fundo, observando a cena a minha frente.
Bella se aproximou da baia da égua que vem nos dando trabalho e até o momento a mesma não tem reagido como de costume, com relinchos, coices e mais agressões.
Notei sua mão levantando, dando a entender que tocará na égua, prendi a respiração, pois esse é o momento do tudo ou nada.
Ela pode conseguir algo que nenhum dos meus homens, incluindo eu, conseguiu. Ou pode sair muito machucada e ai, cabeças vão rolar...
Entretanto, se ela conseguir, confirmará um fato que tenho pensando desde a sua chegada.
Que essa menina só pode ser uma bruxa, pois depois de enfeitiçar meus familiares e amigo, meu cachorro e agora até égua mais brava que já vi.
Ela simplesmente não pode ser uma garota normal.
Isso confirmará também o porquê de estar quase entrando nesse combo dos enfeitiçados.
Definitivamente estou no quase, porém no momento essa me parece ser a única explicação...
CONTINUA.
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