Promises in the Dark
18 A Consequência
Notas iniciais
POV Edward
— Aqui está menino.
Distraído depois que Bella saiu, não percebi a aproximação de Sue.
— Obrigado Sue.
Ela colocou na mesa um cesto de pães, garrafa de água com gás, limão e gelo, assim como posicionou copos a minha frente e da cadeira de Bella.
— Onde Bella foi? – Questionou.
— Ao banheiro.
— Ah, sim. Trate-a direito, hein? Estou de olho. – Sorri.
— Pode deixar Sue, serei um perfeito cavalheiro.
— Muito bem. Daqui a pouco trago as entradas.
Assenti e ela se afastou falando com clientes posicionados em outra mesa.
Coloquei gelo e limão no meu copo, então abri a garrafa me servindo da água, pensei em fazer o mesmo no copo da Bella, mas não sei se ela gosta de beber água com gás do mesmo jeito que eu e também não tenho ideia de quanto tempo demorará no banheiro.
Tomei um gole da água, porém quando coloquei o copo sobre a mesa uma ideia passou pela minha cabeça, totalmente infundada é fato, mas também pode ser, diante das coisas que fizemos, por que isso seria tão discrepante...?
Impulsionado pelo pensamento levantei da mesa caminhando em direção aos banheiros, caso esteja errado, posso apenas dizer que fui usar o masculino, mas se estiver certo...
Quando me aproximei do corredor onde ficam localizados os banheiros notei a presença de Quil e Embry, os capangas mais fiéis de Jacob desde sempre. Imediatamente uma sensação ruim me assolou quando não vi o dito cujo perto dos dois.
Eles pareceram não me ver, sem mais delongas e com um novo objetivo em mente, caminhei mais rápido até parar em frente ao banheiro feminino.
Ao fazê-lo, ouvi grunhidos, então a voz odiosa do Black, coloquei a mão na maçaneta tentando abrir a porta, mas obviamente a encontrei trancada.
Sem pensar duas vezes, forcei meu corpo contra ela e para minha sorte o material não parece ser dos mais resistentes, pois cedeu direto com o impacto fazendo meus olhos enxergarem a cena mais grotesca que já vi na vida.
Jacob acabando de dar um tapa no rosto de Bella, que com o impacto virou a cabeça, porém antes que ele pensasse em fazer qualquer outra coisa, avancei em sua direção.
— Desgraçado!
O tirei de perto dela.
Ele pareceu surpreso com minha presença se desequilibrando para perto da parede, aproveitei a deixa para lhe dar um soco no rosto.
— Seu filho da puta! — Acertei outro. – Finalmente. Finalmente você me deu motivo suficiente para matá-lo com minhas próprias mãos.
— Pode vir Cullen. Depois que acabar com você, terminarei as coisas com a sua vadiazinha.
— Infeliz. Desgraçado. Filho da puta!
Ele tentou avançar contra mim, mas munido de um ódio que nunca senti antes, não lhe dei chance alguma de rebater.
Acertei mais um soco em seu rosto, outro na barriga e por fim, um chute que o derrubou no chão.
Quando caiu, me joguei sobre ele continuando a socá-lo sem nem ver mais onde acerto, apenas querendo realmente matá-lo.
— Nunca. Nunca. Nunca. Nunca. Nunca. Nunca. Nunca. Nunca. Nunca. Nunca mais chegue perto dela novamente, está me ouvindo? Mas você também não terá a escolha, porque não sairá vivo daqui.
— Edward, por favor.
Ouvi a voz de Bella ao longe, porém nem isso foi capaz de me fazer parar.
Acredito que toda a movimentação chamou atenção das outras pessoas no restaurante, pois só percebi a presença quando fui arrancado, com muito custo, de cima de um Jacob praticamente desmaiado com o rosto todo desfigurado.
— Me solta porra! Eu vou matar esse filho da puta!
Tentei lutar contra quem quer que esteja me segurando, porém parei me debater quando Bella e Sue se posicionaram a minha frente.
Bella segurou meu rosto fazendo olhar diretamente em seus olhos.
— Edward, não! Esse desgraçado não vale a pena. Se você matá-lo, vai para a cadeia e a única pessoa que merece ir para a cadeia aqui é esse infeliz!
Após sua fala respirei fundo, assim ela soltou meu rosto.
— Filho, a ouça. Já chamei a polícia, esse verme só sairá daqui direto para a delegacia, mas você tem que se acalmar.
Me sacudi indicando para ser solto.
— Como me acalmar Sue? Esse pedaço de merda estava prendendo a Bella. Quando entrei ele tinha acabado de lhe dar um tapa. Só Deus sabe o que aconteceria se não tivesse chegado.
Bella estremeceu quando conclui a frase e quis me aproximar, abraçar e confortá-la, mas diante da situação, não sei como ela se sentirá com qualquer tipo de toque.
— Filho da puta!
Surpreendendo a todos, Sue deu um chute em Jacob que continua caído.
— É bom que a polícia chegue logo ou eu mesma acabarei com você. E vocês. — Apontou para Embry e Quil que estão parados próximos a porta. – Deem o fora daqui. A partir de hoje a presença de vocês está proibida nesse lugar.
— Mas Sue, não fizemos nada. – Quil falou.
— Não fizeram de fato, mas não tenho dúvida que estavam sabendo o que acontecia aqui. Todos na cidade sabem que são os cachorrinhos desse infeliz. Não pensem que deixarei isso quieto. A polícia ficará sabendo da presença e provável participação de vocês em tudo. É bom terem uma boa explicação a dar.
— É bom terem mesmo uma boa explicação.
Jenks chegou por trás dos dois fazendo-os entrar no banheiro e se olharem assustados. Atrás do delegado vi James e Laurent.
— Certo pessoal, todo mundo para fora. Não tem nada a ver aqui.
Laurent falou indicando para que tanto as pessoas que chegaram a entrar no banheiro, quanto os curiosos que ficaram do lado de fora, dispersem.
Assim, o delegado e os policiais olharam para o estado de Jacob, o meu e de Bella.
— Levantem o infeliz. Não temos obrigação de carregar um moribundo.
Jenks falou para Quil e Embry que acataram a sentença do delegado sem hesitar.
Quando tocaram no inútil, ele pareceu despertar, porém apresentou dificuldade em abrir um dos olhos e tanto o nariz, quanto a boca estão sangrando bastante, porém mesmo assim teve a ousadia de dizer.
— Isso não vai ficar assim Cullen.
Fiz menção de avançar novamente, mas Laurent e James me seguraram.
— Cala a boca desgraçado! Ou termino logo de acabar com você. Não me importo de ir para a cadeia se souber que livrarei o mundo de um verme do seu tipo.
— Cala a boca Black que sua barra já está muito suja. Levantem-no e levem para fora. Não pensem em dar um passo diferente do caminho da viatura. – Jenks mandou e os imbecis acataram a ordem saindo do banheiro. – Laurent vá com eles, já alcançamos vocês.
Meu amigo também saiu.
— Srta. Swan, sentimos muito pelo que aconteceu, mas precisaremos que a senhorita nos acompanhe a delegacia para prestar a queixa formal e fazer o exame de corpo de delito.
James comentou quando ficamos a sós.
— Tudo bem, sei como é o procedimento. O farei sem hesitar. Quando conheci esse imbecil, deixei bem claro que se algum dia ele apenas me ofendesse, prestaria uma queixa por assédio e danos morais. Só não pensei que chegaria o dia que o faria de fato e incluindo ainda a queixa por danos físicos.
É notável como Bella tem se mantido forte diante de tudo.
— Ah, minha querida, sinto tanto. Não acredito que na primeira vez que vem ao meu restaurante, algo tão terrível assim acontece.
— Não se preocupe Sue, não foi culpa sua. O único culpado de tudo é o Jacob e ele pagará pelo que fez. Mas saiba que voltarei, quero muito provar da sua comida e conversar mais.
Sue puxou Bella para um abraço, mas se retesou quando ela gemeu de dor, travei a mandíbula e apertei os punhos sentindo o sangue ferver novamente querendo mais uma vez dar cabo da vida do Black.
— Perdão, perdão.
Sue pediu.
— Tudo bem, não se preocupe. Podemos ir delegado? Quero acabar com isso o quanto antes.
— É claro senhorita Swan, vamos.
Jenks saiu à frente com James atrás de si.
Bella também caminhou e respirando fundo, fiz menção de segui-la, mas Sue me parou.
— Edward, escute com atenção. Ela precisará muito de você. Esqueça qualquer pensamento contrário que tenha na cabeça e cuide dela. A polícia tratará do idiota, mas você precisa ser a pessoa a estar ao seu lado.
— Pode deixar Sue, não pretendo deixar Bella por um instante sequer.
— Muito bem. Vão com Deus e me dê notícias depois, sim?
Assenti e sai do banheiro.
Achei que Bella já estaria lá fora ou ao menos na mesa, mas me surpreendi quando a encontrei próxima a parede, aparentemente nos esperando.
— Vamos? – Instrui.
— Sim.
Ela caminhou e a segui, só então passamos na mesa para pegar sua bolsa.
Notei os olhares das pessoas no restaurante e quis repreendê-los, mas é impossível fazer algo agora.
Collierville é uma cidade pequena e não tenho dúvidas que amanhã todos saberão o que houve aqui.
Por sorte, Bella passa a maior parte do tempo na fazenda e não será afetada por qualquer tipo de comentário.
Porém, entre muitos rostos conhecidos dos moradores da cidade, notei que o senhor que conheci durante a semana no bar também está no restaurante.
Não é atípico que qualquer pessoa que passe por Collierville venha visitar o restaurante da Sue, mas algo nesse homem não me desce e seu olhar dirigido a nós quando passamos, despertou um tipo de alerta, porém não posso me atentar a isso agora, já que meu foco total é Bella e seu bem-estar.
Caminhamos para fora do restaurante, vi duas viaturas saindo, então a conduzi até o carro do meu pai. Abri a porta do passageiro como na vinda, ela entrou e depois de devidamente acomodada, passei para o outro lado do carro entrando e dando partida no mesmo rumo à delegacia de Collierville.
O trajeto não durou cinco minutos, porém de todo modo, não trocamos qualquer palavra. Bella ficou apenas olhando pela janela do carro dispersa, enquanto mantive um olho na rua e outro nela querendo atestar seus movimentos.
Quando chegamos à delegacia, parei o carro, mas dessa vez ela não esperou que abrisse a porta, saindo e caminhando decidida rumo à entrada. O fiz também rapidamente seguindo-a e ao entrarmos, encontramos Jenks voltando do corredor onde sei que estão as celas.
— Jacob já está preso. Os amigos serão interrogados, mas provavelmente serão soltos, já que de fato não fizeram nada, mas estarão sobre nossa vigilância e com aviso de andarem completamente na linha caso não queiram terminar atrás das grades também.
— Sinceramente não ligo para o que acontece com eles. Não sei se sabiam que Jacob foi atrás de mim no banheiro ou se apenas estavam acompanhando o infeliz. O que me importa é denunciar Jacob e garantir que ele pague pelo que fez.
— Certo, senhorita Swan.
— Pode me chamar de Bella, delegado.
— Pois bem, nesse caso pode me tratar apenas por Jenks. – Ele comentou e Bella assentiu. – Mas como dizia. Bella, essa não é uma delegacia especializada em casos de violência contra mulher, porém, saiba que faremos nosso máximo para tratar desse assunto com o devido rigor. Ninguém aqui apoia esse tipo de atitude e se realmente as coisas não fossem se complicar para o lado do nosso amigo Cullen, não hesitaríamos em deixá-lo terminar o serviço que começou.
— Não Jenks, não acho que violência se resolva com mais violência. Não gostaria que Edward tivesse precisado revidar da forma que fez. Informei ao senhor quando nos conhecemos que meu pai também é policial, cresci sabendo que existe um limiar muito próximo entre a violência e a justiça, mas tendo sempre a acreditar que se a lei existe, devemos procurar nos defender e proteger visando segui-la. E é o que espero conseguir agora.
— Você tem toda razão. Pode me acompanhar até minha sala para que colha seu depoimento? Depois uma das nossas agentes a acompanhará para fazer o exame.
Bella assentiu e quando começou a caminhar a segui, Jenks me olhou estranho.
— Você não se importa que Edward venha conosco? Caso contrário, posso fazê-lo ficar.
O olhei atravessado.
— Não, Edward pode entrar. Acredito que o senhor tenha que ouvir também sua versão da situação, podemos prestar os depoimentos juntos.
— Tudo bem Bella, mas a qualquer momento, por qualquer motivo, se não se sentir confortável, por favor, avise.
Ela assentiu e entramos na sala do delegado, fomos apresentados a um cabo que é o responsável por tomar nota de tudo que falaremos.
Jenks indicou para Bella sentar na cadeira em frente a sua mesa, me foi oferecida a mesma cortesia, mas preferi ficar de pé. E seguindo a indicação do delegado, relatou como aconteceram as coisas...
E tive que me segurar muito para não sair correndo batendo de cela em cela atrás de Jacob para realmente terminar o que comecei.
Ouvir de sua boca como foi tudo e imaginar pelo que passou, apesar de ter chegado e impedido que algo pior acontecesse, só de saber que ela ainda foi ofendida, tocada, machucada por aquele infeliz, sinto um ódio insano me dominar.
E o pior é saber que só fui atrás dela, porque tive a ideia idiota de que teria ido ao banheiro apenas como desculpa para termos mais um encontro sexual furtivo.
Que grande babaca eu sou...
Mas, ainda assim, devo agradecer ao meu cérebro idiota e machista que pensou apenas movido pela cabeça debaixo e foi atrás de Bella livrando-a das mãos daquele crápula, ao menos isso.
Quando Bella terminou de contar sua versão dos fatos, Jenks questionou o motivo da minha ida ao banheiro. Tive que mentir dizendo que estranhei sua demora, esse fato foi verdade, mas que devido a ausência, pensei em também dar uma passada no banheiro.
Mas que no caminho quando vi Embry e Quil, fiquei com uma má impressão e quando parei em frente ao banheiro feminino e ouvi a voz de Jacob, não hesitei em derrubar a porta e atestar com meus próprios olhos o que estava acontecendo.
E que assim que vi o desgraçado batendo em Bella, simplesmente parti para cima dele sem pensar em mais nada, apenas com o objetivo de acabar com sua raça.
Ao terminar de relatarmos tudo, o delegado chamou uma policial para levar Bella a fazer o exame, já imaginava que minha presença não seria bem-vinda nesse momento, porém mesmo assim, Jenks me lançou um olhar firme para me manter no lugar quando as duas saíram da sala.
— Você pode esperar por ela lá fora Edward, ao voltar, já estará liberada para ir embora.
— Tudo bem. Mas Jenks, Jacob permanecerá preso, não é?
— Faremos o possível para que sim. É claro que ele ainda tem direito a um advogado e defesa, apesar de ter sido preso em fragrante, com marcas e testemunhas para provar o que fez e o que mais pretendia fazer. Porém esteja avisado que ele pode levantar uma denúncia contra você, por conta da agressão. Caso abra a denúncia, poderemos anexar o caso da Bella como legítima defesa.
— Que se foda o que ele tente fazer contra mim. Só preciso saber que nunca mais fará nada contra a Bella.
— Faremos o possível para evitar que algo assim volte a acontecer.
— Muito bem então, obrigado por tudo, boa noite.
— Boa noite Edward.
Sai da sala de Jenks, mas não quis ficar na recepção.
Caminhei até parar próximo ao carro, onde tomei uma grande lufada de ar pensando em tudo que houve.
Na perspectiva inicial da noite e os rumos que a mesma tomou, mas preocupado, sobretudo, em como Bella lidará com as coisas a partir de agora.
Mesmo não querendo relatar o que houve, aproveitei que estou sozinho para ligar aos meus pais, que a essa altura já voltaram do jantar nos McCarty.
Quando mamãe atendeu, contei resumidamente o que aconteceu. Ela ficou furiosa, mas também muito preocupada, querendo de alguma forma vir nos encontrar, mesmo sabendo que estou com o carro do papai e Rose viajou com o seu, porém a acalmei dizendo que já iremos embora e em casa conversarmos com calma.
Ao desligar a ligação, James e Laurent apareceram.
— Como você está cara?
Laurent perguntou.
— Como estou? Que pergunta é essa? Não fui eu quem sofreu uma agressão.
— Nós sabemos e também estamos preocupados com a Bella. Mas Laurent quis dizer como está se sentindo diante da sua situação. Eu sei que estaria possesso se algo assim acontecesse com a Vic.
— Simplesmente não paro de pensar no que mais poderia ter acontecido se não tivesse ido até aquele banheiro. Será que alguém ouviria os gritos e pedidos de socorro da Bella e faria algo? Ou simplesmente ignorariam? Também tem a opção de ninguém aparecer, nem mesmo eu e o filho da puta...
— Não. – James me interrompeu. – Não pense nisso. Você chegou, salvou sua garota e quebrou a cara do infeliz do Black. É o que importa e no que deve focar.
— Ela não é...
Tentei refutar.
— Não diga que ela não é sua garota. Não sabemos de fato o que há entre vocês. Mas não tente esconder que ela é mais do que só uma amiga. É claro que protegeríamos qualquer mulher que passasse por algo assim, mas o que você fez por ela e a forma que está com tudo, deixa muito claro que estamos na mesma posição. James e eu com nossas esposas e você com sua Bella.
Bufei diante do comentário sentimental e filosófico de Laurent, mas não retruquei e bem nesse instante Bella apareceu em nosso campo de visão.
— Podemos ir Edward?
— É claro.
— Boa noite rapazes e obrigada por tudo.
— Imagina Bella, não fizemos mais do que o nosso trabalho. – Laurent respondeu.
— E esperamos que fique bem. – James completou.
— Obrigada, boa noite.
Por estar ao lado da porta do passageiro, abri para que entre, depois acenei para os caras e dei a volta entrando e seguindo para casa.
Imaginando que permaneceremos novamente no silêncio, tratei de informá-la sobre a ligação aos meus pais, para que esteja preparada quando chegarmos em casa.
— Bella?
— Sim?
Respondeu totalmente dispersa.
— Enquanto te esperava, liguei para casa e avisei meus pais sobre o que aconteceu, não poderíamos esconder algo assim.
— Tudo bem. Não me importo de ter contado a eles, não teríamos como e nem por que esconder.
— Certo. Você pode descansar. Dormir se quiser. Aviso quando chegarmos.
— Agradeço a oferta, mas não obrigada.
Voltou seu rosto para a janela e entendendo que não quer conversar, permaneci em silêncio até chegarmos à fazenda.
Quando parei o carro em frente a casa, já vimos meus pais nos esperando na varanda. Mamãe não hesitou em envolver Bella em um abraço assim que ela saiu do carro.
Não sei se suas dores e desconfortos já passaram ou se ela simplesmente não quis rejeitar o abraço da minha mãe, só sei que Bella permaneceu no mesmo durante um bom tempo.
Quando mamãe finalmente a soltou, ela foi abraçada também pelo meu pai, de forma mais branda, porém, ainda assim, carinhosa.
— Vem querida, vamos entrar.
Mamãe pediu e assim fizemos.
— Como foram as coisas na delegacia?
— Jacob está preso. Prestamos depoimento e Bella fez o exame de corpo de delito. Tudo será anexado a ficha dele e se não pude acabar com sua raça com minhas próprias mãos, espero ao menos que ele apodreça na cadeia. – Exclamei.
— O que exatamente consistiu esse exame Bella?
— Então Carlisle, para cada caso eles têm um tipo de providência. No meu, fotografaram meus machucados e recolheram amostras de DNA, que provavelmente as mãos dele deixaram no meu corpo. Tudo isso será usado como prova, mas graças a Deus não passei por nada pior que precisasse de fato de um exame mais aprofundado.
— Graças a Deus mesmo. Mas ele te machucou muito? Se quiser não precisa falar, não imagino como seja reviver algo tão horrível assim.
— Tudo bem Esme, quando comecei a insultá-lo, ele não aguentou apenas ouvir a verdade e avançou segurando meus pulsos. E quando me debati, ele prensou os dois atrás das minhas costas e no momento que comecei a gritar, tapou minha boca.
Alguém, por favor, a pare!
Não aguento mais ouvir esses relatos sem sentir um incômodo por todo o corpo.
— Em determinado momento a pressão em meu rosto começou a tirar meu ar, então me debati novamente, quando a mão dele afrouxou, mordi com toda minha força, nesse instante ele me deu um tapa, foi quando o Edward chegou.
— Ah Bella, sinto muito. Aquele maldito Jacob merece realmente apodrecer na cadeia por somente pensar em fazer essas coisas horríveis com você.
Mamãe falou enquanto continuou afagando seu braço.
— Bella, peço que nos desculpe também.
— Desculpá-los pelo que Carlisle?
— Porque você está em nossa casa, sob nossa responsabilidade. A partir do momento que a deixamos chegar perto dos Black, colocamos sua vida em risco. Como contaremos aos seus pais, que confiaram em nós, permitindo que viesse para cá, que deixamos algo assim acontecer?
— Carlisle, por favor, vocês não têm culpa alguma. Eu agradeço todo o carinho e atenção que estenderam a mim desde que cheguei, mas acima de tudo, sou adulta, responsável pelos meus atos. Além do que, isso poderia ter acontecido comigo estando na Califórnia, em outra viagem ou outro lugar. Não temos como saber quando um homem imbecil tomará uma atitude dessas, por favor, o que menos quero no momento é que se ressintam de algo. Não poderia ter sido recebida por uma família melhor do que a de vocês e amo absolutamente todos os momentos que estou passando na Silver Horse. Agora quanto a contar aos meus pais, terei que pensar nas palavras certas para informá-los do que houve, sem causar grande alarde. Mas pensarei nisso amanhã, hoje só quero descansar.
— Tudo bem querida, amanhã conversamos mais. Mas antes de subir, não quer comer alguma coisa? Tomar um chá talvez? Imagino que em meio à confusão acabaram nem jantando.
— Não Esme, obrigada. Só quero tomar um banho e tentar dormir. Obrigada a todos por tudo, nos vemos amanhã.
Sem chance de mais sugestões ou refutações, Bella subiu.
— E você filho? Como está? Não se machucou enquanto bateu naquele cretino, não é?
— Não mamãe, estou bem, pode ficar tranquila.
— Não gosto de violência, mas sinceramente espero que você tenha dado àquele moleque ao menos um pouco do que ele merece.
— Pode acreditar papai, eu dei, mas sinto que poderia verdadeiramente tê-lo matado com as minhas próprias mãos.
— Não diga isso nem de brincadeira Edward. Jacob merece pagar pelo que fez sim. E talvez tenha lhe faltado receber uns bons castigos durante seu crescimento. Mas tirar a vida de alguém é algo muito sério.
— Tudo bem mamãe, me desculpe.
— Ao menos agora ele já está preso e estamos livres da sua presença. – Papai comentou.
— Sim.
Ficamos em silêncio por um momento, me preparei para subir, mas antes mamãe perguntou.
— Você também não quer comer nada?
— Não mãe, assim como Bella, vou subir. A noite foi desgastante demais, nada como imaginei quando propus a saída.
— Imagino que sim, vocês não mereciam passar por isso, especialmente a Bella. Mulher nenhuma merece vivenciar algo assim. Mas tudo bem, vá descansar, daqui a pouco subiremos também.
— Certo. Boa noite, pai, mãe.
Dei um beijo em cada um e subi.
Em meus pensamentos, meu único destino era meu quarto, porém ao olhar a porta ao lado, um ímpeto me impediu de seguir o roteiro premeditado.
Sendo assim, acabei batendo na porta do quarto de Bella, que não demorou a abrir.
— Oi.
— Oi.
Ficamos nos olhando por um momento, eu sem saber o que dizer, ela sem saber por que estou aqui.
— Quer entrar?
— Hun, é, sim. Se não for incômodo. Só quero mesmo saber como está.
— Pode entrar. – Deu passagem, entrei e ela fechou a porta. – Estava arrumando umas coisas para tomar banho, mas podemos conversar enquanto isso.
— Não, não quero atrapalhar, podemos conversar amanhã.
Fiz menção de sair, mas ela parou a minha frente.
— Edward.
— Sim?
— O que houve?
— Como assim o que houve?
— Você não vai mais me tocar? Vai fugir e se afastar toda vez que me aproximar?
— O que? Bella. Não. Por que está dizendo isso?
— Então por que de todas as pessoas que me ofereceram conforto. Você, que é de quem mais preciso, foi o único que não o fez?
Impactado por suas palavras e preso em seus olhos chocolates que começaram a brilhar em sinal de lágrimas, a tomei em meus braços em um abraço apertado.
— Bella, perdão. Assim que entrei naquele maldito banheiro e te vi indefesa, quis correr e tomá-la nos braços, mas antes tinha que dar uma lição no maldito que ousou te tocar. E depois, temi que não quisesse aproximação diante do que aconteceu e do que me viu fazer. Sei como abomina violência e que provavelmente não aprovou o que fiz. Por isso me resguardei, fiquei perto, mas sem invadir seu espaço.
Ela se afastou um pouco para podermos nos olhar.
— Edward, o que Jacob de fato fez e o que tentou fazer, não influenciará minha vida de agora em diante. Vocês não são a mesma pessoa, não são nem ao menos parecidos. Eu gosto de você e temos algo juntos e não quero perder isso porque um filho da puta foi abusivo.
— Perdão, perdão, perdão. Estou com você, como estive em todos os momentos e não pretendo me afastar, a não ser que peça.
Ela encostou novamente a cabeça em meu peito, mas a senti mexer como que concordando com o ato.
— Fica comigo? Acho que não quero ficar sozinha, ao menos não por enquanto.
— É claro que sim Bella. Pelo tempo que quiser.
Soltamo-nos voltando a nos olhar.
— Vou tomar banho.
— É claro, te espero...
— Você pode vir comigo.
— Tem certeza?
— Não faremos nada, porém imagino que também esteja precisando de um. Então, por que não otimizar as coisas?
— Certo. Vamos.
De mãos dadas, seguimos até o banheiro.
Nos despimos lentamente e pela primeira vez desde que a conheci, especialmente desde que começamos a nos envolver, estou perto, olhando seu corpo nu, sem que meus pensamentos viagem a algo sexual.
De tudo que já fizemos, acho que esse é o momento mais íntimo que compartilhamos.
Ela abriu o chuveiro e entrou recebendo a água quente sobre si.
Quando passou as mãos no cabelo para tirá-lo do rosto, as segurei salpicando beijos em seus pulsos que foram machucados pelo infeliz. Depois delicadamente beijei também o lado de seu rosto que foi atingido, apesar da marca já quase ter desaparecido, nunca esquecerei do momento que a vi receber o golpe e imagino que nem ela.
Permanecemos próximos, mas em silêncio.
Não estamos tomando banho de fato, apenas compartilhando os jatos de água e o ar quente.
— Sabe o que mais me dói nisso tudo?
Comentou de repente.
— Não.
— Que sempre me senti segura a defender-me na situação que fosse, pois sempre tive comigo o poder das palavras. As vezes elas podem machucar mais do que os atos, é verdade. Mas também sempre foram minha maior ferramenta. Porém hoje ele me subjugou no ponto onde realmente não poderia vencê-lo.
— Bella...
— E eu tentei, tentei me soltar, revidar, não ceder de forma alguma. Mas Jacob é claramente mais forte e preparado do que eu. Durante um instante, pensei que ele tinha extrema habilidade em imobilizar pessoas e fiquei pensando se talvez já tenha feito isso com outras mulheres. Usado sua força e superioridade física para conseguir algo.
— Não temos como saber, mas não me espantaria se descobrisse que sim.
— E isso é horrível. Pensar que ele pode ter feito algo do tipo com outras mulheres. Que outros homens façam isso diariamente. Que mulheres se sujeitem a situações assim. Porque além de lutar pela própria vida, também lutam muitas vezes para não perder a dignidade, o respeito e amor próprio.
— Bella, não faço a mínima ideia de como é isso. Não cresci aprendendo a me defender somente com as palavras, como você. Quando só elas não serviram, sempre contei também com minha força física e nunca encontrei um oponente capaz de me amedrontar verdadeiramente. Então de verdade, não sei como se sentiu e como muitas mulheres se sentem em situações semelhantes. Mas o que quero que saiba, é que no que depender de mim, algo do tipo nunca mais acontecerá com você. Não deveria ter acontecido hoje, de alguma forma deveria ter impedido que Jacob chegasse aquele banheiro e até você, mas como não pude evitar, não pretendo falhar mais daqui para frente.
— Edward, você literalmente me salvou. Sempre serei grata por isso. Independente do que aconteça em nossas vidas, jamais esquecerei o que fez.
— Não tem o que agradecer.
— Tenho sim. E você deve aceitar. Obrigada.
A puxei para um novo abraço e beijei sua testa.
— Pode contar comigo, sempre.
Encerramos o banho apenas depois de um bom tempo.
De volta ao quarto, Bella vestiu um pijama, enquanto permaneci com a toalha enrolada na cintura, já que não tenho outra muda de roupa para vestir, o que no momento pouco importa.
Sem trocar palavras, mas sabendo do que ela precisa, deitei ao seu lado quando arrumou a cama.
Um bom tempo passou e pensei que Bella tivesse pegado no sono, porém quando fiz menção de levantar da cama, ela me impediu.
— Não vai, fica...
— Pode dormir tranquila, não sairei do seu lado.
A deitei no meu peito e sentindo tanto seu coração bater, quanto sua respiração cadenciada, acabei adormecendo também...
Despertei de madrugada, observando que Bella continua dormindo, mas mudamos de posição, agora ela está deitada de lado apoiada no travesseiro, enquanto estou por trás, com o braço apoiado em sua cintura.
Com medo de me mexer e despertá-la fiquei na posição apenas velando seu sono por um bom tempo, mas fui impedido de continuar na posição pela súbita vontade de ir ao banheiro.
Com cuidado, nos desvencilhei e sai da cama, esperei por uns instantes para confirmar que ela não despertará e assim calmamente sai do quarto.
Já que até o presente momento continuo apenas com a toalha que coloquei após o banho optei por ir até meu quarto e vestir uma roupa.
Quando entrei, fui rapidamente até o banheiro esvaziar a bexiga, depois de satisfeito e de volta ao quarto, me vesti e aproveitei para pegar o celular, quando o fiz, senti imediatamente que preciso avisar Emmett e Rose do que houve.
Bella precisa de todo apoio possível nesse momento.
Iniciei uma chamada a Emmett, que demorou um tempo para atender, visto a hora, mas quando o fez, expliquei por cima o que houve e pedi para os dois voltarem, mesmo sabendo que saíram para comemorar o aniversário do meu amigo, não hesitei em fazer isso pelo bem-estar de Bella.
Emm e eu não conversamos muito, ele apenas explanou seu ódio por Jacob de muitas formas e disse que ele e Rose arrumarão as coisas e voltarão. Provavelmente quando Bella acordar, já estejam aqui, assim encerramos a chamada com a promessa de nos encontrar em breve.
Com isso, sai do quarto voltando ao de Bella, a encontrei dormindo na mesma posição e sabendo que não conseguirei mais dormir, apenas sentei na cadeira em frente à cômoda e fiquei velando seu sono, pronto para auxiliá-la no que precisar...
Durante o trajeto de volta, Rose e Emm trocaram mensagens comigo, então quando finalmente chegaram, não tomei como surpresa sua aparição.
— Como ela está?
Foi à primeira coisa que Rose perguntou quando me encontrou no corredor, já que sai do quarto para que não haja alarde arriscando acordar Bella.
— Ela está bem, ao menos acredito que esteja. Está dormindo agora.
— Não posso acreditar que aquele desgraçado teve a ousadia de tentar algo contra a Bella.
Rose explanou realmente furiosa.
— Por que ele ainda está vivo Edward? Não acredito que você não acabou com aquele infeliz.
— Não deixaram Emmett. Você sabe que se dependesse de mim, já teria nos livrado daquele verme há muito tempo.
— Pois façamos isso agora. Sem esperar por mais ou por uma próxima vez.
— Ele está preso Emmett.
— E? Não tenho dúvidas que Laurent e James nos acobertariam. O que não dá é para deixar que esse filho da puta saia impune.
— Emmett, já fiz o que podia. Agora ele está nas mãos da justiça. – Informei.
— Edward tem razão. Sei que você já deu uma boa lição naquele bastardo dos infernos, mas nossa preocupação agora tem que ser apenas com a Bella. – Rose falou e assenti. – Vou entrar para vê-la.
Emmett e eu acabamos seguindo-a. Rose se aproximou da cama fazendo carinho no rosto de Bella, enquanto nos posicionamos próximos à porta.
Não demorou muito para ela começar a despertar e confesso que senti um sentimento diferente dominar meu coração ao ouvir a primeira coisa que disse.
— Edward?
— Não amiga. Uma Cullen muito mais bonita.
Rose comentou apertando sua mão.
— Rose? O que está fazendo aqui? Dormi tanto assim? Cadê o Edward?
— Hey, fique calma, estou aqui.
Comentei me aproximando, ela virou o rosto e sua expressão suavizou quando me viu.
— Ok, mas já é de tarde? Por que Rose e Emm estão aqui?
— Ainda é cedo Bella, não se preocupe. Edward ligou contando o que houve, então imediatamente voltamos. – Rose explicou.
— Ele acha que nos chamou, mas diante do que houve, é claro que não a deixaríamos sozinha. – Emm completou.
— Edward, não acredito nisso. Você não deveria ter interrompido o fim de semana deles.
— Não adianta contestar, fiz o que achei certo. – Respondi.
— Edward fez muito bem em nos avisar Bella. Onde mais estaria senão ao lado da minha melhor amiga, quase irmã, possivelmente cunhada?
Bella acabou abrindo um sorriso.
— Exatamente. Ninguém mexe com a minha irmãzinha e sai impune. Sei que todos estão dizendo que Edward já fez grande parte do trabalho e agora o energúmeno está preso, mas basta dizer uma palavra Bella e termino o serviço.
— Obrigada pela oferta Emm, mas não quero que faça nada. Realmente Edward já fez muito, não só me salvando, como aplicando uma boa lição em Jacob.
Olhou diretamente em minha direção e sustentei seu olhar por um tempo.
— Mas agora ele é problema da polícia. – Rose e Emm assentiram. – Vou levantar.
— Não, você pode continuar dormindo. – Falei – Eles chegaram te acordando, mas você deve descansar.
— Não, já quero levantar mesmo, seguir com a rotina normalmente. E ainda tenho que pensar em como contar aos meus pais. É melhor fazê-lo o quanto antes.
— Tudo bem amiga, vamos sair do quarto para lhe dar privacidade.
Rose comentou e Bella assentiu.
Com isso, descemos até a sala, onde encontramos papai e mamãe.
— Minha filha, já chegaram.
— Sim mamãe. Edward avisou sobre o que houve e decidimos voltar para ficar com a Bella.
— Fez muito bem filho. É importante que ela esteja cercada de pessoas queridas nesse momento. E já que os pais não estão presentes, somos o mais próximo de família que ela terá para conforto.
Papai falou e assenti.
— E já a viram hoje? – Mamãe perguntou.
— Sim, ela já acordou, parece bem, daqui a pouco deve descer e juntar-se a nós. – Emm informou.
— Ótimo, vou preparar as coisas do café, quando ela descer faremos a refeição juntos.
— Eu ajudo à senhora mamãe.
Com isso, Rose e minha mãe foram em direção à cozinha.
— Edward, informei Aro sobre a situação. Como advogado da família, pedi para que se responsabilize pelo caso e nos mantenha informados sobre os trâmites legais que serão tomados.
— Tudo bem papai. É bom que um advogado fique de olho nisso mesmo.
Papai assentiu, então sentamos nos sofás, enquanto ele ligou a televisão.
Emm e ele engataram em um assunto que não faço a mínima ideia de qual seja, já que minha cabeça está focada totalmente em Bella, esperando para vê-la logo.
O caso aconteceu quase ao mesmo tempo em que ouvimos o barulho de um carro se aproximar.
Diante do que papai falou, não tenho dúvidas de que o visitante matinal seja Aro e as suspeitas foram confirmadas quando ele entrou na sala, enquanto Bella terminou de descer as escadas.
— Bom dia a todos.
Aro cumprimentou.
— Bom dia Aro. Imagino que tenha informações a nos dar.
— Sim Carlisle e diante da situação, achei melhor informá-los pessoalmente.
Enquanto papai começou a falar com o advogado, fui em direção de Bella.
— Como você está?
— Bem, não se preocupe. Por que o senhor Volturi está aqui? Aconteceu algo mais na fazenda?
— Não, papai achou melhor acioná-lo para que se responsabilize pelo seu caso.
— Oh, nem pensei nisso, mas que bom que seu pai o fez.
— Sim.
Então, mamãe e Rose voltaram à sala.
— Bom dia senhorita Swan. Sinto muito pelo que aconteceu.
— Bom dia senhor Volturi, agradeço a preocupação. Estou sabendo que o senhor foi colocado a frente do assunto. Está aqui por que tem algo a nos dizer?
Gostei de ver que Bella não aceitou enrolação, partindo logo para o assunto, bem algo característico seu.
— Na verdade sim. Quando Carlisle contou sobre o que houve, mesmo com o senhor Black preso, achei que seria viável pedir uma medida de restrição em nome da senhorita. – Informou.
— Eu agradeço. O senhor conseguiu?
— Sim. Assim que o fórum abriu, encaminhei a solicitação ao juiz e ele aprovou a medida.
— Essa é uma boa notícia, mas não precisamos nos preocupar com uma nova aproximação, já que ele está preso.
— Então Esme, é por isso que estou aqui.
— O que houve Aro?
— Quando sai do fórum passei na delegacia para informar o senhor Black sobre a medida. Porém ao chegar, o encontrei saindo.
— O que?!
Não me importei em gritar.
— Como isso é possível?!
Rose completou.
— Ele pagou a fiança. Quando o encontrei, foi com o pai e um advogado. Informei a todos sobre a medida, ele está avisado. Se ao menos pensar em chegar perto da senhorita Swan, voltará para a cadeia, mas no momento já está livre.
— Isso é ridículo. Como um crime desses pode ser afiançável? Ele deveria apodrecer na cadeia, não ser solto.
— Entendo sua indignação Esme, mas infelizmente as coisas são assim. Resta-nos no momento contar que ele acatará a decisão do juiz.
— Como se algum dia Jacob fez algo dentro da lei. Não acredito que Jenks não nos avisou sobre isso. – Protestei.
— Como passei na delegacia, falei a ele que avisaria vocês. Mas tenham em mente que o senhor Black está avisado e tanto o pai, quanto o advogado, disseram que ele cumprirá a medida. – Bufei.
— É bom mesmo que cumpra ou então não será a polícia ou Edward que tomará providências contra ele, serei eu.
Mamãe falou de forma enfática e ninguém se atreveu a contestá-la.
— Certo. Sinto muito em não ter notícias melhores a dar, mas ficaremos de olho. E qualquer coisa que acontecer ou que precisarem, é só chamar.
— Obrigado Aro, você como sempre fez muito por nós.
— Não tem o que agradecer Carlisle, só fiz meu trabalho. Agora já vou, espero que tenham um bom dia.
— O acompanho até a porta.
Papai falou e assim o fez.
Em sua ausência ninguém falou nada, porém quando papai retornou, anunciei.
— Alguém ainda tem alguma dúvida que os Black estão por trás das coisas que estão acontecendo na fazenda? Eles querem nos destruir de todas as formas. Jacob jurou vingança a Bella e o fez. Eles prometem acabar conosco há anos e agora finalmente estão começando a agir. Se não tomarmos nossas próprias providências, a chance de que consigam será muito maior.
— Antes diria que Edward está se precipitando, mas depois do que houve, começo a pensar que tem razão. Temos que ficar de olhos bem abertos nos Black.
Papai falou e agradeci aos céus por finalmente começar a ser ouvido.
— Mas e você Bella? Como está?
— Temos que confiar que Jacob não quer ficar preso Esme, caso contrário, não teria solicitado uma fiança tão cedo. E que com isso, não tentará nada novamente, ao menos não por enquanto. E concordo com Edward e Carlisle, eles voltaram a figurar na lista de suspeitos sobre as coisas da fazenda sem sombra de dúvidas.
— Ficaremos atentos e faremos todo o possível para provar que estão por trás disso. Então acabaremos com os Black e sua fazenda, antes que acabem com a Silver Horse. – Sentenciei...
***
— Tchau pessoal, se cuidem.
Rose acenou da varanda e buzinei saindo.
— Pode deixar amor. Vou cuidar bem do casal 20 aqui. Ai Bella.
Emm reclamou, depois que ela lhe deu um tapa no braço.
— Não fica gritando que somos um casal. – Reclamou.
— Mas vocês são. – Retrucou.
— Mas só vocês estão por dentro disso, não precisamos divulgar para todos os seres vivos da fazenda.
— Aposto que os animais estão por dentro do rolo de vocês. Talvez Storm e Snow estejam até traumatizados.
Emm falou e ri.
— Não concorde com ele.
Bella reclamou comigo.
— Não, claro que não. Além do que, Emmett está errado. Storm e Snow não ficarão traumatizados conosco. É capaz de qualquer dia, nós ficarmos traumatizados com eles.
— Edward.
— Porém acho que se temos a chance de traumatizar um animal será o Gus, ele é mais inocente.
— Edward!
Bella deu um tapa na minha perna, enquanto Emm caiu no riso.
— Bella, estou dirigindo, se bater o carro a culpa será sua.
— Então pare de falar essas coisas. Não vamos traumatizar animal algum, ainda mais o Gus. Ele é realmente inocente, praticamente um bebê.
— Na verdade Gus já está na idade de começar a procurar uma namorada, procriar, perpetuar a espécie... – Comentei.
— Devemos procurar uma boa cadela pelas redondezas? Ou será que Gus já tem fugido para namorar por aí e vocês que não sabem?
— Parem com isso os dois!
Bella esbravejou, enquanto Emm e eu não conseguimos parar de rir.
— Vocês são péssimos. Vou abrir mão de cuidar de vocês, mesmo que Rose tenha pedido.
— O que? Nós que estamos tomando conta de você. – Retruquei.
— Exatamente. – Emm completou.
— Para. Todos sabem que sou a mais responsável do grupo. E estou na missão de assegurar suas vidas, já que são dois, dos três homens mais importantes da vida da Rose.
Comentou apontando Emm e eu.
Como no carro do papai não tem cabine dupla, Bella está sentada no meio, enquanto Emm está ao seu lado direito e eu a sua esquerda.
— E de onde vem essa análise dos homens da vida dela? – Perguntei.
— Primeiramente o pai, pois não há homem mais importante na vida de uma mulher do que seu pai. Então o Emm, que é o amor da sua vida. E ai você, porque Rose tem um irmão, então temos que inclui-lo no pacote.
— Emm é mais importante do que eu? Amor familiar não deveria ser mais importante?
— Sim. Porém Emm tem a chance de ser o futuro pai dos seus filhos, isso conta muito.
Comentou e Emm começou a tossir, tirando riso de nós.
— Tá bom então. E quanto a você? Qual a classificação dos homens da sua vida?
Emm questionou depois de se recuperar.
— Como disse, em primeiro lugar meu pai. Então Carlisle, pois muita consideração por ele, depois vem o Gus, porque o amo muito. E aí talvez você e Edward...
— Você é uma péssima amiga. – Emm reclamou. – Nos colocar abaixo do Gus?
— Fala sério, minha conexão com o Gus é única. Vocês não podem querer competir com isso.
Pontuou de forma séria, porém sorrindo no final, arrancando risos de nós também.
Ao chegar a Collierville nos separamos, para otimizar tempo e fazer tudo que precisamos, manteremos contato por mensagens combinando a hora de voltar quando todos tiverem terminado.
De primeira fui contra a ideia de deixar Bella andando sozinha pela cidade. Não por achar que ela não dará conta de suas tarefas, mas pelo acontecido do fim de semana anterior.
No domingo ela pareceu um pouco frágil, ainda mais depois da conversa com os pais, que não foi nem um pouco fácil pelo que soube, mas não tiro a razão deles em ficar furiosos com a situação e também com a posição irredutível de Bella, que decidiu continuar na fazenda.
Pelo visto sua teimosia não é uma característica usada exclusivamente comigo, já que seus pais também tiveram que enfrentar e lidar com a mesma.
Meus pais também conversaram com o senhor e a senhora Swan, tentando de alguma forma passar conforto e garantir que algo do tipo não se repetirá.
Mas não os imagino ficando calmos apenas com isso, no entanto, tiveram que aceitar a decisão da filha.
Durante a semana, ficamos de olho esperando que a qualquer momento desmoronasse, mas surpreendendo-nos ou nem tanto, Bella mostrou-se firme.
Não deixou de fazer suas funções, trabalhou normalmente, mesmo que tenhamos oferecido que descansasse um pouco. Não se abateu em comentar sobre o fato, especialmente com as mulheres da fazenda, incentivando-as a não deixar uma situação como a que passou sair impune.
Mesmo que no fim das contas Jacob esteja solto, Bella não deixa de afirmar que não se arrepende de tê-lo denunciado.
Quanto a isso, fomos confrontar Jenks sobre a soltura de Jacob e a investigação da fazenda. Apesar de suas explicações referentes à lei e como ela funciona, deixei bem claro que não darei à mínima se aquele desgraçado cogitar se aproximar novamente de Bella.
E sobre a investigação, informaram apenas que estão de olho, que continuam procurando pistas e têm vigiado a fazenda, mas durante esses cinco dias nada mais aconteceu de modo a colocar nossos alertas em foco, porém afirmamos sem receios que nossas suspeitas mantém-se firmes nos Black e que não hesitaremos em encontrar provas de que são os responsáveis, com ou sem a ajuda da polícia.
Apesar de tudo, a semana seguiu dentro dos conformes, com certo clima de tensão no ar que já nos assola há um tempo, mas conseguimos prosseguir com tudo da forma mais normal possível.
O que não era propriamente normal, mas acabou tornando-se de certo modo, foi a rotina que Bella e eu estabelecemos de dormir juntos, não no sentido sexual da palavra, mas somente dormir mesmo.
De domingo para segunda, quando nos recolhemos aos quartos, acabei ficando mais uma vez pelo dela e assim adormeci. O mesmo aconteceu na segunda e terça, então quarta, quinta e ontem, dormimos no meu quarto.
No começo, pensei que a situação estava acontecendo apenas para o conforto de Bella, porque ela não queria ficar sozinha e eu também não queria deixá-la, mas agora começo a pensar que o que está acontecendo é simplesmente algo nosso...
A necessidade de permanecer unidos é maior do que qualquer situação externa, ela pertence apenas a nós.
Engraçado, pois nunca tive um relacionamento sério, nunca levei mulher alguma para dormir no meu quarto, na minha cama.
Nem quando tive a oportunidade de repousar acompanhado, aceitei a ideia. Então viver algo como o que estou passando com Bella é novidade total.
E surpreendentemente, ao menos para mim, estabelecer essa conexão não está sendo estranha, parecendo simples e fácil como respirar...
Outra coisa que tornou-se rotineira foi demonstrar meu carinho e respeito por Bella dando-lhe um beijo no lado do rosto que foi machucado.
Nunca falamos de fato sobre minha atitude, mas não tenho dúvidas que ela entendeu o que quero passar sempre que me aproximo e beijo sua bochecha.
Que ela, assim como todas as mulheres, merecem somente receber carinhos e afagos, jamais qualquer tipo de agressão e o que tento com meu gesto, é deixar em sua memória esse tipo de atitude e não o que passou com o infeliz do Black...
Avisei Emm que terminei de resolver meus assuntos e ele respondeu que também o fez e que no meio do percurso encontrou Bella e os dois estão a minha espera.
Sem demora segui ao encontro deles.
Quando cheguei próximo ao lugar os enxerguei, porém também uma terceira pessoa.
— Sr. Cullen, que prazer revê-lo.
O tal Alistair cumprimentou quando me aproximei.
— Bom dia.
Respondi apenas.
— Estava conversando com a jovem senhorita Swan e o senhor McCarty sobre o fato lamentável de sábado passado.
Ao me aproximar, fiquei ao lado de Bella apoiando a mão em suas costas.
— Acredito que vi o senhor no restaurante da Sue aquele dia. – Falei.
— Sim, é um ótimo estabelecimento, bom atendimento e comida, gosto de frequentá-lo, mas por conta do meu apreço pelo local, acabei presenciando aquela situação péssima.
— Foi algo deplorável mesmo, mas já passou. – Bella disse.
— Mas fiquei sabendo que o jovem meliante foi solto ou estou errado?
— Não, Jacob pagou a fiança e está livre, porém com uma medida de restrição, caso volte a tentar algo, a cadeia será seu destino certo e não imagino que sairá tão fácil novamente.
— Então vamos torcer para que ele aprenda a lição e cumpra a lei.
Respondeu a Bella e assentimos.
Prestes a chamar Emm e ela para irmos, ele completou.
— Mas devo parabenizá-lo senhor Cullen.
— Pelo que?
— Por sua atitude em defender a senhorita Swan, foi muito corajoso e nobre. Queria eu ter feito isso na minha época...
— Como assim?
Emm perguntou.
— Não lutei pela vida de uma mulher quando tive chances e ela se perdeu.
— Ela faleceu?
Bella questionou espantada.
— Não, a meu ver teve um destino muito pior do que a morte. – Seus olhos escureceram de repente. – Mas isso é passado. E o importante é que a senhorita está bem. Agora vou deixá-los seguir seu caminho, sinto que já tomei muito do seu tempo.
— Tudo bem Alistair, sem problemas. Até uma próxima. – Emm falou.
— Não sei se haverá próxima, pois estou de partida da cidade.
— O senhor terminou o que veio fazer aqui? – Perguntei.
— De certo modo sim, espero que não seja um adeus definitivo. Collierville é uma cidade aprazível demais para partir sem retorno, mas, por enquanto, meus negócios me levarão a outro rumo.
— Boa sorte em seu próximo destino. – Bella comentou.
— Obrigado, a vocês também com as questões da fazenda. Porém contando com pessoas como vocês a frente de tudo, não tenho dúvidas que tudo correrá bem.
— A fazenda conta com um auxílio maior do que apenas nós e cada qual em sua função têm importância. – Respondi.
— É claro, mas pelo que sei, o jovem McCarty e você são os grandes responsáveis pelo bom funcionamento da fazenda. Ao menos foi o que ouvi por aí...
— As pessoas tentam me colocar na berlinda também, mas a responsabilidade maior ainda pertence aos Cullen, apenas tento evitar que eles errem bastante.
Emm brincou arrancando risos de Bella e um meio sorriso de Alistair, eu apenas revirei os olhos.
— Como disse, o senhor é o backup firme dos Cullen, mas não tenho dúvidas que todos juntos fazem seu trabalho muito bem.
— Exatamente. – Enfatizei.
— Bom meus amigos é isso, foi um prazer revê-los. – Assentimos. – Até mais ver.
Bella e Emmett se despediram, enquanto apenas balancei a cabeça.
— Olha, já vi turistas invasivos, mas esse excedeu o limite. – Comentei quando nos aproximamos do carro. – Cara chato.
— Não seja implicante Edward, você sabe que as pessoas da cidade já falam, imagina gente de fora que não está acostumada com o tipo de coisa que vê aqui.
— Sei lá Emm, talvez eu também não esteja acostumada a esse tipo de coisa, mas esse cara parece meio inconveniente mesmo.
— Viu só.
Apontei indicando que Bella concorda comigo.
— É claro, o casal compartilha opiniões semelhantes, que surpresa.
A surpresa se deu, pois sem combinar, Bella e eu erguemos o dedo do meio para Emmett que riu, causando risos em nós também.
— E ainda fazem gestos obscenos juntos, que fofinhos. Devia ter tirado uma foto desse momento.
Por conta das brincadeiras e provocações de Emm, que descontraíram o clima, voltamos para casa sem mais preocupações...
O sábado transcorreu normalmente depois que voltamos à fazenda, na hora do jantar, Rose, Bella, Emmett e eu combinamos de cavalgar pela manhã cedo, já que faz um tempo desde que o fizemos e diante dos acontecimentos, nada melhor do que uma cavalgada matinal para espairecer.
— Me pergunto por que Diana e Thor nunca quiseram namorar. – Rose comentou em meio à cavalgada. – Eles são da mesma espécie. Acredito que teriam potros lindos.
— Acho que é porque foram criados juntos, talvez tenham desenvolvido um tipo de amizade, possivelmente até irmandade. – Emm respondeu.
— Pode ser. Afinal de contas, eles não são como uns por ai que mal conseguem se segurar na presença do outro. – Rose provocou.
— Hey! – Bella protestou. – Não fale dos nossos cavalos como se não estivéssemos aqui. Aliás, não fale como se os próprios não estivessem presentes.
Elas prosseguiram num diálogo sobre suas éguas enquanto Emmett e eu só rimos.
Preferi me abster do debate, pois não posso dizer que Rose está errada, justamente por conhecer Storm por toda sua vida, não coloco a mão no fogo sobre esse subido interesse em Snow.
De fato, nunca os vimos fazer nada demais, apenas costumam ficar próximos quando Bella e eu estamos no mesmo lugar.
Mas esses cavalos passam muito tempo sozinhos, realmente não fazemos ideia do que aprontam nesse período...
E Storm já está na idade de começar a pensar em envolver-se com uma égua, procriar e quem sabe formar uma família, deixar de ser apenas o garanhão declarado da fazenda...
Será que...
— Edward!
Meus pensamentos foram barrados pelo chamado de Emmett.
— O que foi?
— Olhe ali, ao norte.
O fiz conforme indicou e percebi as meninas também olhando na mesma direção.
Sem falar nada cavalgamos um pouco mais para entender o que estamos enxergando e ao constatar de fato, exclamações diversas foram pronunciadas.
— Ah, meu Deus!
— Não. Não pode ser!
— Porra. Desgraçado de uma figa. Isso já foi longe demais!
— Rosalie, ligue para a polícia, depois aos nossos pais. Isso não pode continuar assim.
Fui o último a declarar e vi minha irmã sacando o celular do bolso fazendo conforme instrui.
Desmontamos dos cavalos e os afastamos um pouco, pois não queremos que presenciem de perto a cena grotesca que está a nossa frente.
— Você acredita que estão...
Emmett começou a falar, mas não terminou a frase.
— Não tenho dúvida alguma. Temos somente que descobrir como. – Respondi.
— Edward.
Ouvi a voz de Bella e quis por tudo que é mais sagrado não ter que olhá-la nos olhos agora, pois sei que encontrei um tipo extremo de dor, porém reunindo uma coragem extrema, o fiz.
Não me surpreendi em encontrar seus olhos marejados e diante de tudo, a vontade de chorar também se abateu sobre mim, mas o ódio pelo responsável por isso sobressaiu-se, contendo minhas lágrimas.
— Vão descobrir quem fez isso, não é? Essa pessoa, se é que posso chamar um ser odioso desses de humano, pagará pelo que fez?
— Eu juro a você Bella. Nem que seja a última coisa que faça na vida, a pessoa por trás disso irá pagar!
Me aproximei a puxando para meus braços, vendo que Emmett tem Rose entre os seus também.
Esse desgraçado, filho da puta realmente ultrapassou todos os limites!
Estamos diante não só do corpo morto do nosso touro reprodutor, mas também da vaca e o bezerro que Bella e eu fizemos o parto...
Papai e mamãe chegaram antes da polícia, porém logo vimos uma viatura aproximar-se, quando os cabos saíram, informaram que chegaram tão logo, pois eram os responsáveis por rodear a fazenda no turno da noite.
Minha vontade foi de avançar nos dois e exigir explicações!
Como responsáveis pela vigilância, por que não ficaram de olho como deveriam?
Como algo assim aconteceu bem debaixo dos olhos de todos sem suspeitos e pistas aparentes?
Porém fui contido do rompante por papai e Emm.
Quando o delegado chegou com uma equipe maior, foram informados da situação e começaram uma operação mais ágil e tática.
— Ouçam, não queríamos chegar a isso, porém de acordo com os policiais que fizeram a ronda noturna, nenhuma pessoa desconhecida entrou na fazenda, sendo assim, teremos que investigar por dentro.
— O que quer dizer com isso Jenks?
Papai perguntou.
— Que investigaremos as pessoas daqui também. Sei que a fazenda é enorme, que uma extensão de terra como essa pode ter milhares de rotas, esconderijos e saídas, porém não podemos mais adiar esse tipo de medida diante de como a situação está.
Olhamo-nos consternados, apreensivos e até indignados diante da fala do delegado, mas, por fim, papai deu autorização para que comecem a investigar todos os limites da Silver Horse.
Foi um dos piores dias da minha vida, passamos por interrogatórios para informar sobre nosso paradeiro na noite anterior. Cada qual prestou seu depoimento de forma isolada.
Depois tivemos que ir as casas de todos os funcionários que vivem aqui para informá-los da situação e falar sobre a medida que a polícia está tomando.
Riley mais uma vez coletou material dos animais para analisar e ver se descobre a causa da morte.
Porém o pior de tudo foi quando após os corpos serem liberados, termos que dar um fim a eles...
Quando um animal, que não é criado para o abate, morre de velhice, já é uma situação chata, mas passar por algo assim, ainda mais com os em questão, foi mil vezes pior.
A polícia não parou de circular pela Silver Horse um instante sequer, do nascer do sol ao crepúsculo e mesmo com a chegada da noite, os policiais continuaram investigando, revirando cada pedaço de terra atrás de qualquer pista, algo que os dê uma ideia ou ligue diretamente ao responsável por tudo.
Sabendo que não podemos fazer nada para ajudar e que ficar em cima dos policiais só atrapalhará, fomos instruídos a ficar em casa esperando por uma resolução.
Mamãe convidou os McCarty para ficar conosco e nos encontramos agora na sala a espera de qualquer notícia.
— Estou vendo uma movimentação a caminho daqui.
Alec comentou observando pela janela.
— Será que descobriram algo ou apenas dirão que vão embora? Visto a hora, não me surpreenderei se for a segunda opção.
Emm comentou, mas ninguém teve tempo de responder, pois Jenks seguido de James, Laurent, Riley e outros policiais, entraram em casa.
— Jenks, descobriram alguma coisa?
— Sim Carlisle. Encontramos uma prova que pode ter ligação direta com o sabotador.
— E é alguém da fazenda?
Mamãe questionou.
— Sim Esme. Infelizmente é alguém que trabalha e vive aqui.
Imediatamente trocamos olhares consternados sem acreditar que alguém que provavelmente convive e trabalha conosco por quase toda a vida, possa estar por trás disso.
— Não enrole mais Jenks. Diga-nos, quem é o responsável por isso? – Exigi.
Ele não respondeu, ao invés disso, caminhou parando em frente a uma das pessoas na sala.
— Emmett McCarty. Você está preso pela acusação de assassinato dos animais de criação da fazenda Silver Horse. Além de também ser suspeito no envolvimento dos outros crimes de sabotagem infringidos a mesma.
O que?!
CONTINUA.
Fale com o autor