Promises - Petyr & Catelyn
1 Unique.
Notas iniciais
Boa leitura.
Ele cumprira sete das oito promessas que lhe fizera.
1 — Ele lutaria por ela se fosse preciso.
"Mas Brandon Stark fora mais forte", pensou ela, desgostosa. Assim como Ned. Ned também fora forte durante a guerra, e sobreviveu para lhe dar cinco lindos e saudáveis filhos.
2 - Ele jamais a abandonaria. Mesmo que estivesse longe dela, seu coração ainda sim estaria ali.
Catelyn recebia suas cartas todos os dias. O castelão de Correrrio arrancava-as dos bicos dos corvos antes que Lorde Hoster pudesse vê-las e queimá-las e as entregava à ruiva. A jovem Tully lia todas elas milhares de vezes, absorvendo suas doces palavras, as belas palavras que Catelyn tanto gostava, e que Petyr decorara só para proferí-las e ver um sorriso surgir no rosto de sua amada.
3 — Ele nunca a trocaria por nenhuma outra mulher.
Ela nunca saberia se ele realmente cumprira essa promessa, pois Catelyn sabia que, assim como Ned, Petyr Baelish também era um homem, e ambos têm desejos que os levam à loucura. Ambos têm a capacidade de produzir bastardos com outras mulheres, e se uma vez Eddard Stark, o homem mais honrado que Catelyn já conhecera e com o qual se casara, fora capaz de se deitar com outra mulher dias depois de seu próprio casamento, porque não Petyr?
4 — Ele pensaria nela todas as noites, até adormecer.
Catelyn tinha certeza de que sim. Mesmo que ele tivesse outra mulher ao seu lado, Catelyn sabia que ele pensaria nela. Uma vez ela o flagrara cantarolando seu nome enquanto dormia, quando ainda era o protegido de Lorde Hoster em Correrrio. Lysa ficara louca de raiva quando sua irmã lhe contara. "Era para ele estar apaixonado por mim, e não por você!", dissera ela, com uma pontada de mágoa na voz. "Você está prometida a Brandon Stark, Catelyn, não pode se casar com Petyr!". Mas quem falara em casar? Cat só precisava de algo, ou alguém, que a fizesse se lembrar dele todos os dias.
5 — Pensaria em sua filha todas as noites, assim como pensava em Catelyn.
Filha. Aquela palavra causou a Catelyn doces calafrios que ela gostava de sentir. Filha. Sua filha. Sua primeira filha, muito antes de Sansa, ou de Arya, havia nascido Alayne.Depois de Petyr ter desafiado Brandon Stark e ter perdido a luta, ele e Catelyn tiveram um caso de uma noite antes de Lorde Hoster o mandar de volta para os Dedos, o que resultou em uma gravidez proposital. Quando se casou com Eddard Stark, a jovem ainda conseguia esconder o pequeno solavanco que se formava em sua barriga, e quando Lorde Stark retornou da Rebelião de Robert com seu bastardo Jon Snow, ela o presentou com um bebê "legítimo", uma linda garotinha com os cabelos negros e os olhos azuis de Catelyn. Por incrível que fosse, Ned acreditou que Alayne era realmente sua filha, fruto da noite de núpcias dele e de Cat, e logo em seguida vieram Robb, e Sansa, e Arya, e Bran, e por fim Rickon. Alayne crescera junto de todos eles, acreditando que era mesmo filha do Senhor do Norte, acreditando que era Alayne Stark, a princesa de Winterfell. Catelyn via a cada dia como sua filha ia crescendo e ficando mais parecida com o pai. Os mesmos cabelos negros como a noite, o mesmo olhar desconfiado, apesar de seus olhos serem azuis, e não verdes. Nela, Catelyn via Petyr. Nela, Catelyn encontrava esperança.
6 — Ele escreveria cartas para ela sempre que pudesse.
Cat não recebera muitas cartas de Petyr depois de seu casamento com Ned, somente algumas perguntando como ela estava e se estava com saudades de casa, depois de ter ido morar em Winterfell. Suas cartas nunca eram extensas, mas muito curtas e específicas. Ela própria mandara uma carta bastante concisa endereçada a ele alguns dias depois de Alayne ter nascido, sem muitos detalhes, mas somente o que ele realmente precisava saber:
É uma menina. Dei-lhe o nome de Alayne. Ela é linda. Se parece com você.
P.S.: Ned acredita que é filha dele.
Mas mesmo assim não houve resposta.
7 — Ele ficaria bem, não importava o que acontecesse; ele sempre estaria bem.
Catelyn só tinha certeza de tal afirmação por meio das raras cartas que recebia de seu amado. Fora isso, sempre temia por Petyr, sempre pensando onde ele estava e com quem estava. O mundo, principalmente Westeros, era cruel com as pessoas que não sabiam seu lugar na sociedade e que não sabiam se virar; mas Petyr Baelish com certeza sabia se virar, e este pensamento finalmente chegou à Catelyn quando Ned anunciou durante o jantar, em uma noite como qualquer outra, que recebera uma carta de Porto Real dizendo que um "velho amigo" de sua esposa havia tomado o lugar de Mestre da Moeda no Pequeno Conselho do Rei Robert Baratheon. Quase como que por instinto, Catelyn se virou para Alayne, mas esta continuava tomando sua sopa de vegetais, sem nenhuma reação. Naturalmente. Ela pensava ter seu verdadeiro pai ali, consigo, jantando á sua frente, e que estaria sempre ao seu lado. Catelyn sorriu com tristeza. Tudo o que mais desejava era estar novamente junto de Petyr, para que pudessem criar a filha de ambos, mas Alayne não sabia de nada disso. Ela era tão inocente quanto uma margarida desabrochando em uma tarde de verão. Mas ambas ganharam uma coisa naquela noite: Alayne, uma dose extra de vinho com mel, e Catelyn, a certeza de que o amor de sua vida continuava vivo.
8 — Uma hora ou outra, cedo ou tarde, hoje ou amanhã, daqui a um ano ou dez, no inverno ou no verão, ele voltaria para ela.
Essa fora a única promessa que ele ainda não fora capaz de cumprir, e também este era o dia, mês ou ano pelo qual Catelyn mais ansiava.
Ela costumava se sentar em uma cadeira de frente para a janela de seu quarto nas tardes frias em Winterfell, com as mãos postas uma sobre a outra e seu pensamento longe. Quando Alayne era bebê, Cat a colocava em seu colo e a deixava fazer desenhos na janela embaçada pela densa névoa que dominava Winterfell doze meses por ano.
Quando completara o décimo primeiro dia de seu nome, ela se sentara aos pés da mãe, que continuava na janela, e a fitara com seus olhos azuis como gelo:
"Por quem tanto esperas, mamãe?", questionara ela.
Catelyn sentiu uma lágrima escorrer lentamente por sua bochecha rosada. Alayne nunca lhe perguntara antes por quem ela esperava quando se sentava de frente para a janela, sem nunca se mover, com seus olhos fitando o além. Esta fora a primeira vez, e também a última. Catelyn tomou as mãos de sua filha nas suas e murmurou, já sem forças devido ao choro preso em sua garganta:
"Pelo seu pai."
Alayne parecia confusa.
"Mas papai está lá embaixo com Robb e Jon, ensinando-os a usar a espada."
Catelyn conseguiu lhe dar um fraco sorriso. "Pobre garota", pensou ela. "Ela herdou a minha inocência, é claro. Herdou, sim, é evidente. Eu fui tão inocente e bobinha quanto ela quando deixei que meu pai expulsasse Petyr de Correrrio. Pobre Alayne, pobre Catelyn".
"É claro que está, querida."
A jovem Alayne nunca mais fizera a mesma pergunta novamente. Ela deixava sua mãe sozinha, no quarto, esperando por um homem misterioso que parecia nunca chegar.
Chegou um momento em que Catelyn deixou de rezar à Mãe, e à Velha, e também ao Guerreiro, à Donzela e ao Pai. Ela não rezava à mais ninguém e para mais ninguém, exceto ao Estranho. Ela rezava ao Estranho dia e noite, noite e dia. Ela rezava ao Estranho para que ajudasse Petyr a cumprir sua última promessa; rezava para que o ajudasse a chegar até Winterfell, e então os três, ela, Petyr e Alayne, seriam uma família. Rezava ao Estranho pois não conseguia mais se lembrar da face de Petyr, ou de como os fios brancos de um envelhecimento precoce se misturavam ao seu cabelo negro, e como seus olhos cinza-esverdeados a fitavam com um ar apaixonado. Ela se esquecera do som de sua voz, de sua risada, de seu sorriso... De tudo. Ela se esquecera do homem que jurara nunca esquecer. Ela se lembrava de seu nome, mas em breve, depois de ter jogado todas as suas antigas cartas na lareira, ela não se lembraria mais. Ele seria só mais um estranho para Cat.
Mas ela não desistiria. Morreria naquela cadeira, se fosse preciso. Morreria fitando o infinito através daquela janela, esperando que Petyr Baelish viesse buscá-la como nos contos em que o cavaleiro salva sua donzela. Morreria sem contar a Alayne quem era seu verdadeiro pai, mas morreria sabendo que assim ela estaria segura.
Ela acendeu uma última vela para o Estranho no meio de outras centenas de velas já acesas. Cat sussurrou o nome de Petyr Baelish uma última vez antes que a chama em seu coração se apagasse, assim como suas velas, e deixassem um doce cheiro de insenso no ar, junto de uma voz desconhecida que parecia sussurrar:
"Cat... Apenas Cat..."
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