Promises

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Hey, guys! Então, acho que ainda estamos todos meio traumatizados com aquela season finale rs, e esse capítulo aqui é o resultado das minhas teorias sobre o início da sexta temporada. :) É inspirado nos spoilers que a tia Julie deu nas entrevistas recentes, junto com algumas coisas que eu espero ver quando a série voltar. Espero que gostem, boa leitura! "I'm finding out the ways to live In spite of all the wars you left inside my mind" (Love is just a way to die - I Am Strikes)

— Está demorando, sabia? — eu ergui a garrafa de Bourbon para a noite escura. — Você não disse que ia levar tanto tempo.

Tomei um gole da bebida forte e deixei que o líquido queimasse minha garganta.

Nesta noite, fazia um ano desde que o Outro Lado se desintegrou levando com ele todos os seres sobrenaturais que lá estavam, incluindo duas das pessoas mais importantes da minha vida: Damon e Bonnie. Eu disse um ano? Céus, parece que acabou de acontecer, era melhor conferir esse calendário.

A dor continuava toda aqui, assim como o buraco no meu peito, bem no lugar onde ele ficava, onde ainda estava, de certa maneira. De todas as maneiras. Não que eu não sentisse falta da minha melhor amiga, eu sofria por ela a cada segundo da minha existência. Mas o que a ausência de Damon me causava era algo que ia muito além.

Era como estar morta, porém viva o suficiente para sentir essa morte todo o tempo, sem trégua. Nesses 365 dias, não houve um só instante, por mais breve que fosse, em que eu não estivesse consciente de que ele havia partido. Ainda assim, a impressão de que ele chegaria a qualquer momento nunca me deixava, o que só tornava a dor mais profunda. Uma ferida aberta, em carne viva, sempre sangrando.

Esvaziei a garrafa de whiskey e deixei-a ali mesmo, no capô do meu carro, ou melhor, do carro de Damon que eu obriguei Matt a recuperar entre os destroços do Mystic Grill e com o qual gastei uma pequena fortuna em oficinas, até que ficasse exatamente como era antes. Não foi uma nem duas vezes que me olharam como se eu estivesse louca por causa disso, mas quem se importava? O carro era uma das poucas coisas que me restaram dele, já que nem para casa eu podia voltar, devido ao feitiço anti-magia que cercava Mystic Falls.

O carro e a jaqueta preta que eu vestia quase dia e noite foram o que me restou do meu amor, e isso porque ele tinha esquecido essa peça de roupa no meu dormitório da Whitmore uma vez. Até tentei convencer Matt a trazer algumas coisas da mansão, mas Stefan o proibiu. Ele achava que esse apego seria ruim para o meu estado emocional após o choque de perder seu irmão. Protestei e ele não cedeu, tentei usar compulsão em algum morador da cidade, mas era inútil. A hipnose passava assim que eles entravam na área sem magia. Acabei discutindo a sério com Stefan por isso e de nada adiantou, Caroline se intrometeu pra dar razão a ele e eu tive que mandar os dois irem cuidar das próprias vidas e pararem de vigiar a minha.

Nos últimos meses, a gente mal se falava, simplesmente não tínhamos mais assunto. Ele se culpava por aquela tragédia e eu não conseguia lhe dizer que estava errado. Deus sabe que eu não desejo seu mal, mas quando penso que Damon estaria aqui se não fosse aquele plano pra reviver Stefan…

Melhor não pensar, ou eu corria sérios riscos de não resistir à tentação de cruzar a entrada da cidade, poucos metros adiante. Foquei meus pensamentos em tirar a jaqueta para que não se desgastasse mais e deitei no asfalto, bem no meio da estrada, encarando o céu estrelado e esperando que algum humano idiota aparecesse.

Essa visão, porém, me lembrava o maldito “universo” que ousou dizer que Damon e eu não teríamos futuro. Eles não sabiam nada sobre nós… Eu não podia imaginar minha vida sem ele, e sabia que Damon se sentia da mesma forma. Nós podíamos ser problemáticos, bagunçados e complicados, mas éramos reais. Nosso amor era real e nosso futuro também seria… Se a noite de um ano atrás não tivesse acabado daquele jeito.

Era até morbidamente irônico que os fatos mais cruéis da minha vida sempre acontecessem nesse horário. Havia a noite da morte dos meus pais, a da morte de Jenna e depois a de Ric, a morte de Jeremy, a de Damon e Bonnie… Por outro lado, eu também tinha maravilhosas noites pra lembrar, não que isso amenizasse alguma coisa depois de tudo. A noite que perdi meus pais foi também a que conheci Damon. Então havia a noite da nossa primeira vez, a da nossa última – que ele prometeu ser a melhor da minha vida, e cumpriu –, além de todas as outras noites com ele.

Perdemos tanto tempo com discussões sem propósito, tentando nos convencer de que éramos errados um para o outro… Se eu soubesse que os viajantes estavam vindo, teria aceitado o convite que Damon me fez no verão. Ele queria sair da cidade, ficar um tempo fora, queria que eu não fosse para a Whitmore. Se eu tivesse concordado, ele ainda estaria comigo.

~~*~~

— Eu te deixo escolher o lugar.

— Ah, você “deixa” — eu ri da presunção daquele vampiro.

— É, eu tenho umas sugestões, mas a palavra final é sua.

Damon tinha acabado de me tentar com a ideia de como seria bom mudar de ares, esquecer os transtornos que passamos com Silas e toda aquela quase inútil corrida pela cura. A proposta era sedutora, especialmente quando ele me dizia desse jeito, sussurrando no meu ouvido, com o corpo junto ao meu entre os lençóis, no meio da madrugada, depois de fazermos amor por horas.

— Não posso, Damon — era preciso que um de nós fosse racional. — Não por enquanto. Jeremy acabou de voltar e…

— Ele vem junto, problema resolvido — disse prontamente, mas não acreditei que falava sério. Eu sabia que meu namorado tinha um carinho pelo Jer, mas entre isso e levá-lo na mala havia uma distância considerável.

— Quer mesmo que o meu irmão vá nessa viagem?

— Sob a condição de que ele não nos atrapalhe quando a gente estiver na cama, no sofá, na banheira, ou no chão da sala, ou… enfim. Insira aqui o lugar de sua preferência — brincou, me fazendo corar com a verídica lista. — Não vejo impedimento nenhum.

— O problema é que eu não acho que ele vai querer. De qualquer maneira, eu tenho a faculdade.

— Claro, a faculdade. Elena Gilbert, você tem noção de que é uma vampira agora, o que significa que tem, literalmente, todo o tempo do mundo pra fazer quantos cursos quiser?

— Mas não com a Car e a Bonnie.

— Aí é covardia, não posso competir com esse triângulo. Tudo bem, lua-de-mel adiada.

Fez uma carinha de decepção que só podia ser pra ver se me convencia. Pra ser sincera, minha vontade era largar tudo e ir com ele sem data pra voltar, mas eu não queria ficar longe do Jer e também queria muito frequentar a mesma universidade onde meu pai se formou, e na companhia das minhas melhores amigas. Era algo com que sonhávamos desde pequenas.

— Nós podemos planejar isso com calma para o próximo verão — eu lhe disse com um selinho de consolação. Damon deu de ombros.

— Ok, eu vou começar a planejar as festas que eu e o little Gilbert vamos dar quando você estiver na Whitmore.

— Faça isso e eu arranco o seu…

— Hey, hey, quanta violência pra uma caloura! — ele riu quando eu deixei minhas presas propositalmente aparecerem. Tocou os caninos afiados, seu rosto foi ficando mais sério. — Fica linda assim. Você sempre foi, mas… É tão viva. Tão minha.

E tão meu como era, Damon me beijou sem esperar que minha fisionomia voltasse ao normal, deixando que meus dentes arranhassem a pele sensível dos lábios e que o sabor do seu sangue enviasse uma onda de prazer a mais pelo meu corpo. Mordiscou o canto da minha boca sem romper a pele, só por saber que isso me excitava, e eu retribuí mordendo o meu próprio lábio apenas forte o suficiente para que ele tivesse as mesmas sensações que eu. Era a mais doce verdade. Eu era dele.

— Como é que vou ficar sem isso toda noite? — sussurrei com seu rosto a centímetros do meu. O início das aulas se aproximava e eu teria que me mudar parcialmente para o campus. A perspectiva de um namoro à distância não era nada animadora.

— Eu te explico assim que souber como eu vou conseguir.

— Talvez eu não deva mesmo…

— Shhh… Você vai para a faculdade e tudo estará aqui quando voltar.

Mesmo querendo viver aquela experiência com minhas amigas, havia um mau pressentimento me rondando, uma sensação de que a nossa felicidade estava acabando junto com o verão. Eu precisava que ele me dissesse que ia ficar tudo bem, que os melhores dias das nossas vidas não iriam acabar. Como se lesse meus pensamentos, foi isso que ele fez.

— Vai dar tudo certo, baby.

— Promete?

— Prometo.

~~*~~

A despeito da dor no meu peito, das lágrimas nos meus olhos e da saudade me consumindo, um sorriso se formava nos meus lábios a cada vez que eu me lembrava do dele.

— Que inferno, Damon! Você prometeu… — cobri o rosto com as mãos sem qualquer intuito de reprimir meu choro. Era parte da minha rotina, afinal de contas.

Depois de quase três anos com ele, mesmo que na maior parte desse tempo nós não tenhamos sido um casal, eu simplesmente não conseguia me acostumar a não tê-lo por perto, mesmo que fosse só pra me provocar, implicar com minhas tolas atitudes humanas, ou pra me fazer rir e me dizer que ia ficar tudo bem, até nos momentos em que quase perdíamos as esperanças. Como podiam esperar que eu aceitasse a ideia de que o homem que eu amava estava morto?

Eu não podia imaginá-lo assim, eu não conseguia. Não me deixaram ver seu corpo, a xerife contou com a ajuda de Matt, Jeremy e Tyler para se livrar dos nossos cadáveres carbonizados no Grill depois da explosão. A última imagem que tenho de Damon é do momento em que alcançamos Bonnie na floresta, na hora de atravessar para o Outro Lado. Ele não estava vivo naquele momento, tecnicamente, mas nós estávamos na mesma condição, então como eu seria capaz de conceber a ideia de que nunca mais veria aquele rosto de novo? Damon tinha que voltar para mim. Ele prometeu.

Um som de motor me fez virar a cabeça para os faróis do carro se aproximando, permitindo que minha visão de vampira logo identificasse o veículo. Sequei o rosto rapidamente, pois fazia um tempo que eu não chorava na frente deles. Aliás, na frente de ninguém.

— Elena… — meu irmão veio com aquele tom de reprimenda.

— Jeremy — devolvi do mesmo jeito. — Eu não preciso de babás.

— Não é o que parece — Alaric rebateu, mas sem a menor sombra de irritação. — Na entrada da cidade, sério? Sabe que é perigoso, nós nunca podemos garantir que o feitiço continua estático.

— Quem se importa? — eu dei de ombros, me levantando e indo para o meu carro.

— Nós nos importamos. Não queremos te perder, Elena.

— Pra tranquilidade de vocês, ainda estou aqui. Se não se incomodam… — apontei o carro de Ric na estrada, esperando que eles me deixassem sozinha.

Mas os dois não iam arredar pé, era sempre assim. Tinham medo que eu fizesse alguma loucura. Jeremy levou a sério o último pedido de Bonnie, sobre cuidar de mim, e Ric continuou sendo como nosso pai desde o segundo em que voltou.

— Pelo menos você tem algum Bourbon aí? — atirei minha garrafa vazia no acostamento, com força suficiente pra ela se espatifar em mil pedacinhos, e fui em direção ao carro de Ric.

— Não acha que já bebeu demais?

— Tem ou não?

— Não — ele mentiu. Era óbvio que tinha, por isso eu ia checar sob o banco do passageiro, mas Jeremy se colocou na frente da porta:

— Elena, por favor… Você tem que parar com isso.

Seu tom de preocupação só me deu vontade de rir. Em um segundo, eu estava gargalhando.

— Relaxa, Jer, eu não vou me tornar alcoólatra.

— Vai acabar se matando.

— Com whiskey?! Eu sou uma vampira, tenho toda a maldita eternidade pela frente!

Meu riso nervoso desaparecera. A perspectiva de ser imortal sem a única pessoa que me fazia querer viver para sempre era opressora demais. Só havia uma coisa me segurando de pé no último ano: era uma ideia completamente absurda, mas que eu não conseguia abandonar.

— Elena… — Ric interveio e eu logo vi que ia começar a mesma conversa que todos sempre tentavam. — É difícil pra todos nós, ele era meu amigo também.

— Eu não vou falar disso.

— Esse é o problema, você começou a guardar tudo pra si, como a gente pode te ajudar desse jeito?

— Se a ajuda que me oferecem é essa ladainha sobre superar e seguir em frente, eu dispenso! — os dois me olharam com compaixão. Eu sabia que só queriam o meu bem, mas estavam exigindo muito de mim. — Vocês não podem me ajudar. A menos que tenham alguma bruxa no bolso, e que ela seja boa o suficiente pra…

— É impossível, você sabe.

— Não, eu não sei. Depois de tudo o que vocês dois viveram, como podem não acreditar?! Será que eu preciso refrescar suas memórias? Vocês morreram, foi isso que aconteceu. Quando pensamos que estava tudo acabado, o feitiço certo foi feito e os dois voltaram à vida! Como podem me dizer pra não ter esperanças?!

Eu via nos olhos de Jeremy que ele queria ter tanta fé quanto eu. Por Bonnie, seu desejo era acreditar. Mas também por Bonnie, ele se obrigava a seguir em frente. Ela gostaria de vê-lo bem, levando uma vida normal.

— E se eles encontraram a paz? — era nisso que o meu irmão vinha confiando desde aquela noite.

— Você encontrou? — quem sabe pelo menos eles conseguissem enxergar as coisas como eu, ou entender porque eu não era capaz de desistir. — E você, Ric? Algum de vocês conseguiu pensar em ter paz enquanto ficavam olhando para as pessoas que amavam aqui?

— O Outro Lado foi destruído — Ric argumentou. — Aquele lugar estava desmoronando, você mesma viu.

— É mais um motivo. Eles podem estar sofrendo, presos em algum lugar ainda pior.

— É assim pra todos, Elena. Humanos ou sobrenaturais, quem sobrevive nunca vai ter certeza de onde os seus entes queridos estão.

— “Entes queridos”… É assim que se refere ao Damon quando pensa nele? É assim que chama a Bonnie, Jer? Eles estão mesmo mortos pra vocês?

— Não tem nada que nós possamos fazer, Elena — Ric lamentou. — Eu queria que houvesse um meio, mas…

— Tem que haver, e eu vou descobrir qual é.

Jeremy e Ric me dirigiram um olhar que mesclava descrença e esperança. Não havia dúvidas de que eles me auxiliariam quando eu soubesse o que fazer. E mesmo que se negassem, isso não seria o suficiente para me impedir. Era melhor deixá-los cientes de que essa história ainda não tinha acabado, e estava bem longe de ter um fim:

— Damon me fez uma promessa naquele dia. E naquela noite, eu fiz uma promessa a nós dois. Eu vou trazê-lo de volta.

Notas finais
That's all, folks! Espero que tenham gostado e, por favor, não saiam sem comentar rs. Favoritos e recomendações também são muito bem-vindos... ;))) Até mais! Xoxo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!