Promise you
23 Uma armadilha para Natsu
Notas iniciais
Antes mesmo do almoço estavam todos preparados para o acampamento, os garotos tiraram o pó de suas barracas e foram arrumando os carros, enquanto que as garotas arrumaram os alimentos e bebidas em grandes caixas de isopor, é claro que deixariam o preparo para quando chegassem lá, já que estavam ansiosos por comer uma boa refeição assada ao ar livre.
Assim que chegaram ao local, já conhecido dos garotos, eles foram armando as barracas enquanto as meninas pegavam alguns pedaços de galhos espalhados perto de uma pequena vegetação próxima dali, era grande demais para ser chamada de bosque, mas não chegava a ser uma floresta.
No meio da tarde tudo estava pronto e todos resolveram ir nadar no rio que brotava de uma linda cachoeira, tinham comido uns sanduíches e estavam satisfeitos por hora...
_Eu amo água! – Disse Juvia empolgada.
_Então vamos lá minha sereia. – Retrucou Gray com um olhar sacana para sua namorada, enquanto entrelaçava os braços por sua cintura e cheirava os cabelos azuis da moça.
_Eu passo, vou ficar e preparar o jantar. – Disse Levy gesticulando para as amigas o fato de estar “naqueles dias”.
_Estou ansioso pela comida preparada por essas mãos... – Disse Gajeel beijando ambas as mãos de Levy, em seguida tirou a camisa e jogando do lado e correu com o restante do pessoal em direção ao rio.
Levy então colocou um avental sobre a roupa curta que vestia, uma blusinha fresca e shorts jeans desfiado. Prendeu os cabelos em um coque e logo depois verificou se a grelha estava posicionada sobre os gravetos que tinham recolhido, mas acendê-la estava sendo um tanto difícil.
_Deixa que eu te ajudo a acender. – Disse Natsu que apareceu de repente provocando um pequeno susto em Levy.
_Natsu! Quase me mata do coração... – Disse a pequena rindo com a mão no peito.
_Desculpe, eu só pensei que não seria fácil para você acender a fogueira em sua primeira vez acampando. – Disse ele que rapidamente fez as brasas brilharem.
_Obrigada, eu não teria conseguido mesmo. – Agradeceu ela indo em direção à caixa de isopor que continha os alimentos, tentando arrastá-la pra mais perto da mesa feita de toras onde picaria os itens da refeição, sem sucesso.
_Pelo jeito eu vou ter que te dar uma força com esse jantar. – Disse ele sorrindo para ela enquanto resolvia seu problema com a caixa.
_Tem razão, nessas horas vejo o quanto é difícil ser mulher e pior: Baixinha e fraca. – Disse ela rindo de sua condição.
_Você é perfeita do jeito que é. – Elogiou o rosado com um olhar doce.
_É melhor eu voltar aos preparativos. – Disse Levy cortando a conversa estranha do amigo.
_Vou te ajudar, mas sou uma tragédia na cozinha. – Disse ele rindo e disfarçando o comentário anterior, tinha percebido que ela recuou diante daquelas palavras.
_Então pique os legumes, não tente temperar nada. – Sugeriu ela rindo, pensando em aproveitar a situação para falar de Lucy para ele, quem sabe ela teria a sorte de convencê-lo a dar uma chance ao amor que a loira sentia por ele.
_Pode deixar... Sou o aprendiz aqui e estou disposto a aprender mais sobre culinária, Sensei. – Disse ele risonho fazendo reverencia a garota.
_Vamos ver o que posso ensinar ao meu mais novo aluno... Comece picando os temperos, salsa, cebolinha... – Instruía ela enquanto colocava a carne que seria assada em potes para serem em seguida temperada.
_Vamos ter peixes? – Perguntou ele alegre, pois gostava muito de comê-los.
_Sim, Lucy disse que você adorava peixes, então resolveu trazer muitos deles, ela quis mesmo te agradar... – Dizia ela quando ele a interrompeu:
_O que está fazendo? Ela te contou o que houve? – Perguntava ele tirando dos lábios o sorriso de antes.
_Na verdade sim, ela disse que vocês tinham combinado de começar a namorar, mas que de repente você mudou de idéia. – Comentou a pequena olhando-o, esperando alguma reação.
_Então foi idéia dela, isso de acampar. – Constatou ele ainda sério, mas permanecia picando as ervas, como Levy tinha pedido.
_Ela já tinha planejado, mas sua ligação a pegou de surpresa, enquanto ela me contava eu pensei que poderia ser uma boa idéia nós virmos tirar uns dias de descanso em um lugar tranqüilo, assim ela também teria a chance de passar um tempo ao seu lado e tentar ajeitar as coisas entre vocês dois. – Explicou Levy já lavando o arroz e o colocando em uma grande panela no canto da fogueira, dando um pequeno espaço entre ela e a grelha.
_Entendo. – Disse Natsu pensativo e depois disso seguiu-se um tempo em silencio absoluto.
Os dois continuavam cozinhando e Levy ia explicando a ele como temperar os alimento e picar as saladas, mas ele permanecia quieto, somente assentindo com a cabeça para tudo o que ela falava. Mesmo tendo passado algumas horas ninguém voltava do rio, afinal as meninas queriam se bronzear um pouco e os garotos estavam animados em se balançar em alguns cipós que ficavam dependurados nas árvores sobre as águas do rio.
_Está chateado com algo Natsu? – Perguntou Levy já se incomodando com o semblante sério dele, afinal não era natural dele permanecer tanto tempo com a cara fechada.
_Não. Só estou pensativo. – Respondeu ele ainda com as sobrancelhas juntas.
_Se quiser voltar para o rio, fique a vontade, já que a partir daqui eu posso me virar sozinha. – Afirmou ela passando o verso da mão na testa, evitando assim o acúmulo de suor ocasionado pelo calor da fogueira.
Natsu observou o gesto dela que se seguiu de um suspiro, o jeito como ela moveu os lábios durante o mesmo fez com que ele parasse os olhos sobre sua pequena boca por um momento, era tão delicada e fofa, seus pensamentos se perderam durante aqueles segundos e nem percebeu que ela, incomodada com seu olhar, se moveu e indagou:
_Tá tudo bem com você?
_Acho que sim. – Respondeu ele piscando várias vezes, tentando apagar de seu olhar a imagem da garota.
Levy foi então pegando uma sacola com pratos, copos e talheres descartáveis e os levava para a mesa, mas Natsu pensou que poderia ser desajeitado para ela então apanhou a sacola, tocando assim nas macias mãos da miúda. Ela nem percebeu nada, já que não tinha nenhum pensamento diferente de amizade em relação ao rosado, mas ele, depois de colocar os objetos sobre a mesa, ainda sentia o toque das mãos dela. Aquilo estava começando a ficar sério.
_Levy... Posso te perguntar uma coisa? – Indagou ele ainda de costas para ela.
_Se for sobre trabalho, não. Eu nem quero me lembrar disso durante esses dias. – Respondeu ela alheia as intenções do amigo.
_Não é sobre trabalho, é algo pessoal. – Disse ele não percebendo que ela se aproximava para colocar uma toalha na mesa.
_Pode perguntar. – Assentiu ela distraída.
_Você gosta mesmo do Gajeel? – Perguntou ele olhando triste na direção oposta a ela.
_Que pergunta estranha... É claro que sim. – Respondeu ela tentando fitá-lo.
_E se eu dissesse que rejeitei o pedido da Lucy porque acidentalmente me apaixonei por você? – Perguntou ele novamente, agora a olhando de perto.
_Que conversa boba Natsu... É melhor para com essas brincadeiras. – Respondeu ela rindo em estranhamento e se afastando, porém ele a pegou pelo braço e a puxou para perto novamente.
_Olha pra mim e diga se nunca sentiu nada enquanto nós estávamos juntos. – Dizia ele como olhar cheio de tristeza.
_Natsu, nunca teve “nós”. Então pare com isso, pois só vai dificultar as coisas. – Disse ela olhando-o de volta deixando claro que o que sentia por ele era única e exclusivamente amizade, então pôs a mão sobre a mão dele soltando-a de seu braço.
_Eu não pensei que fosse terminar assim. – Disse ele rindo em um breve suspiro.
_Mas não tem como terminar algo que sequer começou, você deveria prestar atenção em quem realmente gosta de você, pois eu só tenho amizade a lhe oferecer, já Lucy é uma garota muito legal e linda que está pronta pra te fazer feliz, dê uma chance à ela. – Sugeriu ela com um sorriso terno.
_Eu tenho medo... – Disse ele baixando o olhar ao chão.
_Medo do que? O que de tão ruim poderia acontecer? – Perguntou Levy ainda tentando dar um empurrãozinho no relacionamento entre os amigos.
_Sei lá... Medo de fazê-la infeliz... Medo de não conseguir te esquecer... – Disse ele a olhando no fundo dos olhos pegando em uma de suas mãos, mas ela rapidamente a soltou com os olhos assustados.
_Natsu... O que pensa que está fazendo? – Perguntou Gajeel que chegou somente durante as últimas palavras do amigo.
_Me desculpe Levy, não foi minha intenção te assustar. – Disse ele se voltando para a pequena.
_Hey... Vai me ignorar? Não acha que deve explicações pra mim? – Perguntava Gajeel se segurando para não socar Natsu até entender o que estava acontecendo.
_Eu gosto da Levy, é isso o que está acontecendo. – Disse Natsu encarando o maior.
Nesse momento Lucy que estava junto de Juvia saiu correndo de volta para a cachoeira aos prantos, sendo perseguida pela mesma, já que Gray preferiu ficar para o caso de ter que separar uma briga.
_Ele só está confuso e não está pensando direito, né Natsu? – Disse Levy tentando abrandar as coisas.
_Então é melhor ele começar a pensar melhor antes de dizer essas coisas... – Dizia Gajeel caminhando na direção de Natsu e Gray já ia entrando no meio, mas ele somente esticou o braço, puxando Levy para junto de si – Pois eu posso te dar o que quiser: Carro, apartamento, dinheiro, até mesmo meu cargo, é só pedir... Mas a Levy é a única coisa da qual eu não vou abrir mão, ela é minha.
_Gajeel espere... – Dizia Natsu vendo que o moreno saía de lá em posse de sua namorada.
_Não quero ouvir mais nada, vá dar uns mergulhos e refrescar sua mente, se eu deixei passar dessa vez é porque somos amigos, mas não tente nada estranho com a minha mulher de novo... Eu posso não estar bonzinho numa próxima vez. – Informou Gajeel com a mão na cintura de Levy, levando-a para sua barraca.
_Você perdeu o juízo? Tá a fim de morrer? – Perguntava Gray dando um tapa na nuca do rosado.
_Dessa vez eu acho que estraguei tudo. – Respondeu Natsu sentando a mesa com as mãos no rosto.
_Cara você pisou na bola com o Gajeel, mas nem se compara ao que fez com a coitada da Lucy. – Disse Gray sobre o fato de ela ter saído de lá chorando.
_Droga! O que eu fiz? Tenho que ir lá falar com ela. – Disse ele se levantando de supetão.
_É melhor mesmo, seu vacilão. – Retrucou o amigo dando-lhe um empurrão.
Ao chegar ao local onde Juvia estava abraçada a Lucy, Natsu deu sinal para que ela os deixasse a sós, recebendo a confirmação da loira, ela saiu e foi se juntar a Gray, deixando os dois sozinhos na intenção de que se entendessem...
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