Promise you
10 Não vou desistir de você
Notas iniciais
_Seu maluco, me solte! – Dizia ela tentando não gritar, mas por mais que se esforçasse, não conseguia se soltar do forte braço do moreno que caminhava parecendo nem notar as tentativas dela de escapar.
Ele mantinha no rosto uma expressão de “não chegue perto se quiser viver” enquanto andava pelo corredor com a garota no braço, então todos abriam caminho, até porque as aulas começariam a seguir e ninguém tinha tempo para ficar entrando em problemas de casais. Ao chegar a uma pequena sala, que ela não fazia a menor ideia para que finalidade era usada, ele a colocou no chão e trancou a porta.
_Eu sempre imaginei que você era louco, mas hoje passou dos limites. Abra agora essa porta, eu tenho aula e não tenho tempo para te ouvir, além do que... – Dizia ela quando ele a calou com um beijo, os olhos de Levy quase saltaram das órbitas, ela não podia crer que ele fosse tão ousado ao ponto de agir assim mesmo depois de tudo o que tinha acontecido. Com muita dificuldade se soltou e virou um tapa no rosto dele.
_Ok eu mereci isso. Mas eu não sabia como fazer você parar de falar. Me desculpe. – Disse ele com os olhos a medindo de cima a baixo.
_Como você pôde fazer algo assim? Ninguém nunca te ensinou que um beijo sem amor só serve para ofender a outra pessoa? – Perguntava ela ainda perturbada por seus sentimentos enlouquecidos.
_Mas eu te amo Levy, eu te esperei todos esses anos e quero explicar as coisas... Quero te pedir perdão. – Respondeu ele tentando toca-la, mas ela bateu em sua mão e se afastou.
_Nii-chan já me explicou tudo e eu te perdoo já que o que fez foi pelo meu bem. Agora abra essa porta. – Disse ela não dando chance de ele se aproximar.
_Mas eu pensei que poderíamos voltar a ser como éramos antes... – Disse ele tirando da carteira a carta que ela tinha escrito a ele na época em que terminaram e então perguntou: – Os sentimentos que você descreveu nessa carta não existem mais?
_Esses eram meus sentimentos... – Disse ela pegando a folha de papel das mãos dele e assim que abriu rasgou-a ao meio e depois de unir as duas partes amassou até que virassem uma pequena bolinha de papel – E foi isso que você fez com eles, peça perdão a essa bolinha e veja se ela volta a ser como era antes.
Depois disso ela caminhou até a porta enquanto ele permanecia inerte, abriu a mesma e antes que pudesse sair foi parada mais uma vez por ele...
_Não esqueça que tinha duas partes aqui, ou você acha que foi a única a sofrer? Não importa quanto tempo leve, eu não vou desistir de você, eu não preciso somente do seu perdão... Eu preciso de você, porque eu ainda te amo. Eu pensei que se você desistisse, eu poderia deixar isso pra lá, mas não existe eu sem você. – Disse ele percebendo que ela estremecia e ao notar isso completou... – E tem mais... Eu acho que você ainda me ama também.
_Você acha? – Perguntou ela evitando o olhar dele, pois estava quase em lágrimas.
_Sim e também acho que nós poderíamos tentar de novo, pois não tem motivos pra ficarmos os dois sofrendo separados. – Respondeu ele tentando arrumar os cabelos dela para que pudesse ver seu rosto e ela com os olhos marejados retrucou:
_O seu “achismo” é pouco pra me convencer Gajeel.
_Eu também prefiro demonstrar com gestos ao invés de palavras, mas acabei de levar um tapa por isso e prometo não fazer nada que possa te magoar de novo... – Disse ele ainda a segurando pela mão.
_Eu não sei como agir, minha mente está dando voltas e aquilo foi um reflexo, eu não pretendia te bater... – Disse ela com o semblante triste.
Ele então percebeu uma brecha em meio a ira que a pequena sentia, então a envolveu nos braços em pleno corredor e ela sem poder resistir mais, retribuiu o seu abraço.
_Eu esperei tanto por esse abraço que nem posso acreditar que é verdade. – Disse ele suspirando de alívio.
_Não pense que me convenceu só com isso, vai ter que me conquistar de novo, seu baka. – Retrucou ela não impedindo que algumas lágrimas rolassem.
_Eu vou começar de novo e farei isso quantas vezes for preciso pra fazer você entender o quanto eu te amo. – Dizia ele se sentindo finalmente em paz quando foi interrompido...
_Gajeel-kun! O que faz aqui? Já era pra você ter embarcado há duas semanas no voo para fazer o intercâmbio. – Disse uma senhora com um coque todo desarrumado.
_Eu tinha algumas coisas pra resolver, então eu tinha desistido, mas acho que posso ir tranquilo agora, se ainda der tempo. – Respondeu ele sorrindo enquanto admirava a garota em seus braços.
_Esses jovens... Vamos entrar, eu vou dar uns telefonemas e ver o que eu posso fazer. – Disse a senhora entrando na sala em que antes eles estavam.
_Se você disser que eu não posso ir, eu desisto agora mesmo. – Disse ele para Levy, como quem pede autorização.
_Não se preocupe comigo, vá em frente, não que as antigas promessas ainda valham de algo, mas sempre estivemos de acordo em não nos intrometermos nos estudos um do outro. Além do que, se você perder uma boa oportunidade por minha causa, eu não vou me sentir bem. – Disse ela já se virando em direção à sua sala.
_Eu posso te ver ainda hoje? – Perguntou ele segurando novamente uma das mãos dela, que respondeu com ar de superioridade soltando da mão dele e caminhando pelo corredor:
_Vou pensar nisso...
Tudo tinha ficado acertado para que Gajeel viajasse no dia seguinte logo de manhã, depois de devolver os documentos que tinha pegado anteriormente, ele se despediu da sua “salvadora” e foi saindo da sala quando se deparou com Levy encostada na parede ao lado da porta esperando por ele.
_Deu tudo certo? – Perguntou ela com a bolsa nos ombros.
_Sim, mas eu achei que você ia voltar para a aula. – Respondeu ele confuso.
_Hoje você tá “achando” demais, eu vim para ajudar você a fazer as malas... A não ser que você não queira. – Disse ela começando a caminhar rumo à saída do prédio.
_É claro que eu quero sua ajuda. – Disse ele com um sorriso largo e já ia abraçando a pequena, mas ela escapou do abraço dizendo:
_Nós combinamos que voltaríamos ao zero, então vamos evitar os abraços.
_Ah... Tudo bem. – Disse ele torcendo o nariz e fazendo bico.
Os dois caminharam até o estacionamento onde Gajeel tinha deixado sua moto, depois de conseguir um capacete emprestado para Levy, eles foram até o prédio onde ficava o apartamento no qual ele morava até que terminasse a faculdade.
O lugar não era muito luxuoso, mas era até confortável, Levy ficou muito impressionada que um cara solteiro pudesse manter as coisas em ordem, claro que tinha uma escrivaninha com muitos livros e papéis amontoados, mas ainda assim estava bem apresentável.
_Meu voo sairá amanhã logo cedo, então eu vou ter que deixar tudo em ordem hoje. – Comentou ele enquanto jogava as chaves em um balcão que dividia a pequena sala da cozinha – Essa é a sala e cozinha e o quarto é logo ali. –completou ele apontando uma porta branca.
_É bem legal aqui, mas porque não mora com seu pai? – Perguntou ela colocando a bolsa sobre o sofá de dois lugares que ficava bem perto da escrivaninha.
_Nós acabamos nos desentendendo por causa desse intercâmbio, na verdade eu não queria ir... – Explicou ele vagamente.
_Não queria ir por minha causa? – Perguntou ela diretamente.
_Eu te procurei, Laxus disse que eu poderia ir atrás de você somente depois que se formasse, mas não te encontrei. Queria explicar as coisas... Mas essa ideia do meu pai de me mandar no último ano pra fora na verdade é pelos interesses dele. Tem uma garota filha de um amigo dele nessa faculdade para onde eu vou, eles querem que eu a traga de volta quando terminar o curso, eu já disse que não quero me envolver nisso, mas ele sempre me chantageia, você sabe... – Esclareceu ele antes de abrir a porta do quarto para que pudessem começar a fazer as malas.
_Então tem uma garota... – Comentou ela escondendo sua irritação enquanto folheava uma revista dele.
_Mas eu já deixei claro que não quero nada com ela, só preferi te dizer antes que fique sabendo por aí e acabe imaginando coisas. – Disse ele fitando-a.
_De qualquer forma, você é livre para se envolver com quem quiser. Admiro que tenha dito isso, outro cara poderia ter escondido o assunto para tentar se dar bem com a garota que se ofereceu para estar consigo em seu apartamento. Deveria ter usado esse seu lado verdadeiro quando tivemos problemas anos atrás. – Disse ela como se ignorasse o passado romântico que tiveram e então colocou a revista de volta no lugar.
_Eu sei que foi ruim o que eu fiz, eu não tive coragem de pôr tudo a perder pensando nos seus sonhos e quando perguntei por isso, você disse que eram muito importantes... – Dizia ele quando ela o interrompeu:
_Sonhos? Nunca tive um sonho que não te incluísse, de que adiantaria eu me formar e ter uma carreira brilhante se você não estivesse por perto? Nunca passou por essa sua cabeça oca que eu não me importaria de entrar em confusão ou ter que ouvir comentários idiotas desde que você estivesse comigo? Ou você acha que não fui ridicularizada e humilhada do mesmo jeito? E pior... Sozinha. – Respondeu ela se aproximando dele.
Gajeel não podia acreditar no que estava ouvindo, afinal ele sabia que tinha sido difícil para ela tanto quanto foi para ele, mas nunca imaginou que ela tivesse passado por problemas graves novamente enquanto ele não estava por perto para ajuda-la. Naquele momento se sentiu o pior homem da face da Terra, seu peito doía, sua garganta parecia se apertar e imediatamente sua mente triste se refletiu em seu olhar vazio...
_Me perdoe... – Disse ele com os olhos rasos d’água – Laxus disse que tudo ficaria bem assim, mas a culpa não é dele... É minha. Se eu pudesse voltar atrás, nunca te deixaria. A verdade é que eu queria consertar as coisas, mas talvez seja tarde demais pra mim... Agora, mais que nunca, eu vejo o quanto eu não te mereço, então se quiser ir, eu não vou te forçar a ficar ao meu lado... – Disse ele enquanto escorregava pela parede e, sentado no chão, se colocou com a cabeça entre os braços que se apoiavam sobre os joelhos.
_A culpa é mesmo toda sua, por ser um idiota e não dividir suas cargas comigo, você acha que sou tão fraca assim? – Disse ela levantando o rosto dele – Vamos arrumar aquelas malas e pare com essa choradeira, eu já disse que te perdoei e que podemos começar de novo, então não haja como se só eu tivesse sofrido, eu sei que você passou uma barra sem mim também, sofremos separados, mas vamos lutar juntos daqui pra frente.
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