Promise you
26 Incerteza
Notas iniciais
Ao chegar a sua casa, naquela mesma tarde, Levy pensava em como faria quando estivesse na casa de Gajeel, já que o Sr Redfox passaria pela cirurgia no dia seguinte, mas somente estaria em casa no fim de semana, depois do tempo de observação em que ficaria no hospital. Entrou pela porta distraída e foi pega de surpresa por um forte cheiro das tintas de Juvia, o que a fez ter que correr até o banheiro, onde colocou para fora seu café da tarde.
_Juvia, até quando vamos ter que esperar pelo seu ateliê? – Perguntava ela depois de escovar os dentes.
_Já estou quase conseguindo, é só por mais um tempo. – Respondeu a maior pedindo à amiga um pouco mais de paciência.
Mais alguns dias se passaram e Levy foi avisada de que a cirurgia do Presidente tinha sido um sucesso e ele já estava em casa de repouso. Ela então avisou Gajeel de que iria até sua casa ver seu pai no sábado e ele ficou de buscá-la, assim ele poderia ficar de olho em cada reação de seu pai diante de Levy. Também aproveitaria para passar o restante do dia com ela, até tinha comprado seu picolé preferido, de melancia.
_Boa tarde Presidente. – Disse a moça ao entrar ao quarto do Sr Redfox.
_Minha tarde não poderia ficar melhor agora que minha pequena está aqui comigo. – Disse o emocionado Senhor ainda deitado, recebendo de Levy um terno beijo no rosto.
_”Sua pequena”?! Quem pensa que é para ficar dando em cima da McGarden? – Perguntava Gajeel afastando os dois.
_Não se chateie com esse rapaz bruto Levy, mas me diga... Ele tem dado muito trabalho a você? – Perguntou o mais velho ainda pegando na mão da garota que estava sentada bem ao seu lado.
_Ele tem se saído muito bem, só é meio desconcentrado às vezes... – Dizia ela quando Gajeel a interrompeu:
_Hey! Vão ficar aí falando de mim? Eu estou aqui, se não perceberam.
_Tão impaciente... Quando tiver seus próprios filhos, saberá como um pai se preocupa com suas crias. – Disse o pai ao filho.
_Eu não pretendo ter filhos, então não tenho com o que me preocupar. – Disse Gajeel sério, o que provocou uma reação de surpresa em Levy, mas ela disfarçou e permaneceu em silêncio.
_Não diga besteiras, Levy pode pensar que é um insensível, se ela já não constatou isso trabalhando com você. – Retrucou o mais velho e em seguida fez um pedido – Por favor, pegue um copo de água para seu pai, tenho que tomar alguns comprimidos.
_Ok, mas não tente nada estranho com a McGarden enquanto eu estiver fora. – Disse o moreno antes de deixar o quarto.
_Ele pareceu muito sério ao dizer aquilo sobre ter filhos... – Murmurou Levy sem se dar conta.
_Tem algumas coisas que talvez não tenha percebido, mas ele ainda sofre com a perda de suas memórias. Ele tenta fingir que se lembra, mas a verdade é que ele aprende a ser como era antes ouvindo dos outros as coisas de seu passado, porém teve algo que o fez ficar por dias em seu quarto: Foi quando contei para ele que sua mãe morreu em seu nascimento, talvez isso o tenha traumatizado. – Explicou o Sr Redfox com tristeza no olhar.
_Então ele na verdade não se lembra das coisas que aconteceram antes do acidente? – Perguntou ela tentando esconder sua preocupação.
_Não é que ele não se lembre de nada, ele só tem fragmentos de memórias. No início ele ficava muito violento por não conseguir se lembrar, mas com o tempo talvez ele tenha desistido de tentar lembrar e resolveu gravar na mente as histórias que contamos a ele. – Relatou o mais velho.
Levy ficou passada com o que tinha acabado de ouvir, mas a pior parte em tudo aquilo foi ter que fingir não estar chocada, já que não poderia contar nada sobre seu romance com o moreno. Gajeel voltou ao quarto de seu pai trazendo consigo o copo de água que ele tinha pedido, mas Levy tinha tomado uma grande decisão naqueles poucos minutos: Iria deixar de lado o passado e dar memórias novas e felizes ao homem que amava.
_Gajeel, eu já te contei que a mãe de Levy e eu quase nos casamos? Se isso tivesse acontecido, Levy e você seriam irmãos. Não seria maravilhoso ter uma irmãzinha tão fofa? – Perguntava o pai ao filho, tirando risos de Levy.
_Hey... Do que está rindo? – Perguntava o moreno a pequena.
_Já me imaginou te chamando de “Onii-chan”? – Perguntou ela e continuou a rir, nem se deu conta que ambos, pai e filho, coraram com aquela simples palavras.
_Levy, minha pequena, diga isso de novo olhando para cá. – Pediu o mais velho totalmente mergulhado em pensamentos impuros.
_Não! Ela não vai fazer isso, seu velho sem vergonha! – Disse ele a pegando pelo braço e fazendo-a se despedir de seu pai.
_Até mais Presidente, espero que possamos voltar a trabalhar juntos em breve. – Disse ela antes de ser arrastada para fora do quarto.
_Até mais Levy, venha me ver de novo... Sem o Gajeel. – Disse ele rindo da revolta de seu filho.
_Vai sonhando, velho pervertido. – Rateou Gajeel e fechou a porta atrás de si.
Os dois andavam pelos corredores e Gajeel continuava a arrastar Levy furioso, não via a hora de tirá-la daquela casa enquanto que ela ria da forma sem sentido como ele tentava esconder seus ciúmes...
_O que há de errado com você? – Perguntou ela, ainda sorrindo, quando entraram no carro do moreno.
_Não há nada de errado comigo, o que está errado é o fato de você ficar aceitando as cantadas daquele velho. – Disse ele manobrando com fúria o carro.
_Ele só estava brincando, você deveria parar com isso... Onii-chan. – Disse ela provocando o rapaz, que quase bateu o carro ao ouvir aquela palavra.
_Pare com isso agora mesmo! – Disse ele se segurando para não gaguejar, com a face toda corada.
_Sua perversão não tem mesmo limites. – Afirmou ela balançando a cabeça de um lado ao outro em sinal de desaprovação.
_Como?! E-eu não ficaria excitado com algo assim... Isso já seria um caso para tratamento com um especialista e eu não preciso me tratar. – Disse ele piscando os olhos de forma toda atrapalhada.
_Não ficaria? Hm... – Perguntou ela com um sorriso sacana no rosto.
_Não adianta nem tentar fazer coisas estranhas, até mesmo eu sei quando parar. – Afirmou ele já estacionando o carro, já que preferiu levar Levy para seu apartamento, mesmo estando ainda morando com seu pai até que ele se recuperasse.
Quando chegaram ao apartamento, viram um bilhete colado na porta, era de Natsu pedindo que ele fosse ao seu encontro. Ele então pediu que Levy entrasse enquanto ele foi ver o que o amigo queria, ela então iria pôr seu plano em prática, foi até o quarto do moreno e lá encontrou alguns elásticos de cabelo, fez então dois rabinhos muito fofos, pegou um picolé no refrigerador e ficou sentada na sala em posição de perninha de índio esperando por ele e quando ele chegou o saudou com um enorme sorriso:
_Okaeri Onii-chan!
Ao ver aquilo, Gajeel deu com as costas na porta atrás de si e já ia batendo a mão na maçaneta a fim de correr pelos corredores, afinal, tinha dito que não seria tão devasso ao ponto de ter fantasias com uma irmãzinha, mas ela realmente tinha apelado e ele não poderia nem ficar no mesmo apartamento que ela, quanto mais no mesmo cômodo, porém ela foi rápida e correu até ele.
_O que está fazendo?! – Perguntou ele enquanto ela o segurava, impedindo que ele fugisse.
_Quero passar a tarde com você. Vamos aproveitar... – Dizia ela o arrastando até o sofá e o sentando.
_Isso é apelação Levy, é melhor parar com isso... Eu não vou cair nessa. – Dizia ele ao ver ela se abaixar e ficar ajoelhada entre as pernas dele, apoiando-se com os braços em suas pernas e degustando seu picolé de forma muito provocante.
_Quer brincar comigo... Onii-chan? – Perguntou ela deslizando a língua pelo sorvete e em seguida o abocanhando.
_Droga, droga, droga. – Repetia ele rapidamente até que não pôde mais se conter e a pegou no colo, jogando em seguida o picolé na pia.
_O que está fazendo? Pra onde vai me levar Onii-chan? – Perguntou ela se fazendo de inocente.
_Você não queria brincar? O Oni-chan vai brincar com você a noite toda... Lá no quarto. – Disse ele e fechou a porta do quarto atrás de si.
Os dois passaram o resto do dia “se divertindo” a sós, Gajeel nem lembrava mais do pedido de Natsu, o rosado queria que ele fosse jogar bola juntamente com Gray e os outros, mas mesmo que batesse incessantemente na porta do moreno, nenhuma resposta vinha de lá, então foram sem ele.
Meses se passaram depois disso, Juvia conseguiu um ateliê e um lugar em uma galeria para expor seus trabalhos, isso gerou uma comemoração, mesmo que ela estivesse deixando a editora. É claro que seu lugar não poderia ficar vago, então mais promoções acabaram acontecendo: Levy seria a nova diretora geral e Wendy a nova responsável pelo departamento financeiro.
Todos então decidiram sair para comemorar em uma danceteria muito comentada entre o pessoal da empresa. Wendy não iria já que, “pra variar”, sua mãe estava em um daqueles dias depressivos e solitários, mas isso não os abalou, foram todos naquela mesma noite comemorar as realizações de cada um, porém Gajeel ainda tinha uma reunião e iria se atrasar um pouco, então foram Gray, Juvia, Natsu, Lucy e Levy primeiro e esperavam por ele.
A noite estava muito animada e o lugar era mesmo tão bom quanto ouviram falar, conseguiram uma mesa na lateral da pista de dança e lá esperavam por Gajeel, mas uma moça muito bonita encostou próximo à Gray e estava prestes a cantá-lo, quando Juvia interferiu, mas ela estava tão embriagada que continuou por ali...
_Hoje eu não saio daqui sem um homem a minha altura. – Dizia a garota ainda com um drinque na mão.
_Acho que você deveria parar com a bebida por hoje, não vai lhe fazer bem... – Aconselhava Levy quando ela se virou proferindo uma série de ofensas:
_Você fala isso porque é uma pirralha, nunca vai se dar bem com um homem de verdade... – Dizia ela quando avistou um rapaz moreno vindo em sua direção – Veja bem criança como se conquista um homem... Boa noite moço.
_Boa noite e você pode me dar uma licença? – Disse Gajeel ao se sentar ao lado de Levy, que estava na ponta da mesa.
_Me sinto tão sozinha, você não gostaria de me fazer companhia esta noite? – Insistia a moça se aproximando dele, já com a mão em seu rosto.
_Sinto muito, mas eu já tenho companhia e você não faz o meu tipo. – Disse ele pegando a mão de Levy e a trazendo para seu colo.
_Essa pirralha?! – Perguntou ela assombrada, então Gajeel resolveu tentar explicar a situação de forma que ela pudesse entender:
_Em primeiro lugar, essa é minha mulher, seu caráter e beleza são muito mais preciosos do que alguém como você poderia entender. E em segundo, eu não trocaria um centímetro desse doce e pequeno corpo por uma dúzia de mulheres vazias como você.
A garota saiu dali tropeçando em sua ira, enquanto que os outros riam com toda aquela situação. Gajeel estava desesperado para estar ao lado de sua pequena e tratou de beijar aqueles lábios tão desejados assim que teve oportunidade.
_Essa é uma história que eu farei questão de contar para seus filhos Gajeel. – Disse Natsu ainda rindo.
_Filhos? Nós não teremos filhos. – Disse ele voltando a beijar Levy, que mais uma vez ficou assustada com a idéia.
_Como “não vão ter filhos”? – Perguntou Lucy confusa.
_Nós já temos o Lily, não precisamos de filhos. – Respondeu ele deixando todos perplexos.
_Ok, vamos parar com essa conversa. – Disse Levy tentando não prolongar aquilo.
_Parar? Você tinha concordado com isso Levy? Você não quer uma família, não o ama? – Perguntou Juvia com as sobrancelhas unidas, inconformada.
_É claro que o amo. – Disse Levy sorrindo para ele, esperando que ele pudesse dizer algo para acalmar a situação.
_E eu... Sou grato por seu amor. – Disse ele em troca, fazendo com que Juvia batesse a mão na mesa, se levantando e indo contra ele.
_Gratidão? Não é capaz de dizer que a ama? – Perguntou Juvia injuriada.
_Juvia, pare, vamos dançar. – Disse Gray a puxando pela mão enquanto via o olhar desapontado de Levy.
_Não está certo! Ele é bom para transar a toda hora, mas não pôde responder que a amava... – Dizia ela sendo arrastada por Gray pelo salão.
Natsu e Lucy perceberam que os dois estavam em um momento delicado e preferiram deixá-los a sós, já que não queriam interferir nesses assuntos. Gajeel não sabia o que falar depois do fora que tinha dado, estava com a mente dando voltas, mas Levy, percebendo, o acalmou:
_Não se preocupe com isso... Você está aqui e isso já é o bastante para mim.
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