Promise

7 Eu vou com você!


Notas iniciais
TUDO QUE EU QUERIA FALAR JÁ FALEI NAS NOTAS ANTERIORES! BOA LEITURA.

Na manhã do dia seguinte, as ruas ainda estavam decoradas pelos adereços do festival, porém sem espectadores.

Sakura não dormira naquela noite. As palavras de Hyouko iam e voltavam em sua cabeça, fazendo-a ponderar se o que sentia por Sasuke era realmente amor, ou obsessão. Não era possível estar obcecada por ele, tampouco louca, entretanto, continuar amando um homem que já partiu tanto seu coração, também não poderia ser amor.

A intenção da ninja era continuar na cama o resto do dia e se possível, da semana, porém, surpreendeu-se quando ouviu batidas na porta. Certamente a seria Ino com alguma novidade quase inútil, mas ao abrir, deparou-se com Naruto.

— Naruto? — questionou — Aconteceu alguma coisa? Hinata está bem?

— Não, está tudo ótimo comigo e com Hinata. — o loiro respondeu — Você que não parece nada bem, está um lixo, Sakura-chan.

Antes que pudesse ver, a ninja desferiu um soco em sua cabeça, fazendo-o desculpar-se.

— O que quer aqui então?

— Eu só vim dar um recado. — o garoto enunciou.

— Que recado? — Sakura ainda estava nervosa, quase não deu importância para as palavras do ex-companheiro de time.

— Sasuke acabou de sair da vila. — o tom de Naruto estava diferente.

Sakura o olhou, com uma expressão de preocupação, não sabia que ele já estava de saída novamente.

— Por... Por que está me dizendo isso? — a rosada tentou disfarçar a reação anterior.

— É apenas um aviso. — O ninja retornou as mãos aos bolsos, acenou e começou a andar. — Tenho que ir, vou ver Kakashi-sensei.

Sakura pensou naquilo por pelo menos vinte minutos. Era como se Naruto estivesse mandando-a ir atrás dele nesse exato momento. O episódio a fez lembrar de quando a guerra havia acabado. O toque.

“Talvez na próxima.”

“Não voltaremos a nos ver.”

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Sasuke caminhava calmamente pela estrada que levava aos portões de Konoha, mas desta vez, para a direção contrária. Lembrou do alvoroço que Naruto fez para que ele não partisse, mas que acabou sendo em vão.

Ele havia decidido que o melhor para voltar a ser quem era, seria viajar para longe novamente e tentar esquecer Sakura de todas as maneiras possíveis, entretanto, ouviu um grito, completamente familiar.

— Sasuke-kun!

Virou-se rapidamente e viu a figura de Sakura correndo até ele com uma mochila nas costas.

— Eu vou com você!

O tom de Sakura soou decisivo. Deixou claro para Sasuke que iria com ele não importa o que houvesse.

— Não queria forçá-lo a nada, porém, sinto que não posso ficar em Konoha por um tempo. — a kunoichi fitou o chão com um olhar vago. O tom imponente se esvaiu por um instante de seu olhar e deu lugar à preocupação e talvez, tristeza — Embarcar nessa viagem com você é a desculpa perfeita para sumir por uns dias.

O Uchiha a observou, sério e enigmático. Notou na expressão da Haruno, o quão perdida ela estava e que ele não era seu motivo de deixar a aldeia.

— Você sabe que isso não é apenas uma viagem de férias? — Ele perguntou severamente em um tom frio, sem dar importância ao tom depressivo da ninja.

— Sim. — Sakura concordou ainda com um tom deprimido — Prometo ser útil e não atrapalhar.

No mesmo instante, Sasuke se lembrou de Naruto e de seus conselhos ridículos.

Se uma garota está triste e te procura, você se aproveita disso.

Ponderou por um tempo e acabou se julgando um tolo por pensar em algo tão egoísta e aproveitador, então, se virou e seguiu andando pela estrada de terra levantando pequenas nuvens de poeira na altura dos pés.

Ao perceber que ele já estava partindo, a ninja se apressou e seguiu ao seu lado em silêncio.

A situação trouxe um sentimento de nostalgia à Sasuke. O lembrou da época em que ainda fazia parte do time sete, no qual Sakura estava sempre ao seu lado ajudando-o com pequenas coisas que eram tão sem importância para ele, que passavam despercebidas.

A diferença daquela época e dos dias atuais se dava pela falta dos demais integrantes do time e da vivacidade e alegria da Haruno.

Não sabia o que estava acontecendo com Sakura e sentia-se mal por isso. Era como se ele estivesse invisível ou simplesmente não existisse. Talvez quisesse ser incomodado por ela com perguntas bobas sobre onde iria, o que fariam, onde passariam a noite. Mas o silêncio era absoluto.

Se isso estivesse acontecendo na época em que ainda eram um time, talvez pudesse identificar o que estava afligindo-a e reanimá-la de forma sutil como sempre fazia. Chegou à conclusão que deveria tentar algo.

— O que esteve fazendo todo esse tempo em Konoha? — Sasuke questionou, ainda olhando para frente tentando parecer não tão interessado.

— Bem... — a Haruno o olhou surpresa, não esperava que ele iniciasse uma conversa, ainda mais uma conversa sobre ela — Eu estive ajudando Tsunade-sama no hospital como pude, completava algumas missões com Ino ou Naruto quando necessário e... — a rosada fez uma pausa breve tentando lembrar se fizera algo mais nesses últimos anos e se surpreendeu ao ver que não — Bom, acho que foi apenas isso.

— Quer dizer que só trabalhou? — o Uchiha pareceu entender um pouco do estado deprimido da companheira.

Geralmente, Sakura era tagarela e sempre estava cheia de novidades para contar a quem quer que fosse. No entanto, esse papel parecia pertencer à Naruto agora.

— Acho que eu não tenho muito a fazer agora. — A kunoichi deu um sorrisinho — Quer dizer, todas as minhas amigas estão se casando e pouco a pouco deixando algumas atividades antigas. Não que eu me sinta mal por isso, apenas sinto que... Estou ficando para trás de novo.

Sasuke a fitou um pouco surpreso. Ao voltar para Konoha sentiu que estava em um lugar totalmente diferente. Todos haviam mudado. Amadurecido. Decididos a criar suas próprias famílias. Não pensou que Sakura sentisse o mesmo que ele. Estavam ficando para trás.

— E por que não fez o mesmo que suas amigas? — O moreno se arrependeu da pergunta assim que fez, mas a curiosidade de checar se ele era o peso que impedia Sakura de avançar com sua vida foi bem maior que o sentimento de culpa.

— A resposta parece bem óbvia, não? — a Haruno o olhou com um sorrisinho novamente — Nunca consegui me apaixonar por outro homem.

O Uchiha virou o rosto para o lado oposto à kunoichi, novamente impressionado com a calma naturalidade com que ela admitia isso. Suas suspeitas estavam corretas. Sakura nunca prosseguiu com sua vida por causa dele. Sentia-se mal por ainda prejudicá-la mesmo sem querer, mas não pode negar que a resposta o deixou alegre. Fora o primeiro e ainda é o único homem que ela amou.

Por que era tão difícil admitir que estava interessado nela? Não havia nada para impedi-lo agora. Não havia vingança, não havia crimes, não havia nada. Talvez, o que o impedia de dizer que estava feliz em estar com ela, não era nada além dele mesmo. Do seu orgulho e sim, sua timidez.

Não soube respondê-la depois daquilo. A viagem seguiu rápida e silenciosa até que resolveram parar para descansar.

Chegaram a um local aberto e fresco. Algum tipo de estrada alternativa de alguns anos atrás que acabou tornando-se esquecida. A terra era macia e poucas falhas de grama cresciam sobre ela. Em volta, carvalhos jovens de médio porte os cercavam juntamente de outras árvores menores e arbustos.

Montaram uma fogueira alguns minutos depois e sentaram-se sobre um tronco caído em frente um dos carvalhos da floresta; cada um em um canto dele, sem dizer uma palavra ou ao menos traçarem olhares. Comeram qualquer coisa que traziam na mochila e voltaram ao silencio, porém desta vez, O Uchiha fitava a garota, que acabou percebendo que estava sendo observada.

— Que foi? — ela perguntou, quebrando o silêncio.

— Por que não tagarelou sobre nada ainda?

— Tagarelar? — falou curiosa. — Não tenho sobre o que tagarelar.

— O que aquele cara disse para você? — o moreno virou-se para a fogueira com a mesma expressão séria de sempre e começou a brincar com o fogo com um pequeno graveto.

Sakura fitou o chão por um momento pensando se deveria ou não contar isso ao Uchiha. E no fim acabou explicando toda a situação a ele.

O interior de Sasuke tremeu de raiva. Quem aquele bastardo pensa que é para falar coisas assim à kunoichi?

— O pior de tudo é que eu acho que ele tem razão. — a rosada pronunciou baixo com o rosto sobre os joelhos juntos fazendo com que Sasuke arregalasse os olhos — Talvez eu seja maluca por insistir no que eu sinto por você, depois de tudo que aconteceu. Pode ser que eu esteja em algo abusivo e unilateral... Mas por algum motivo... Eu não consigo parar de gostar de você, Sasuke-kun.

Sasuke voltou a olhar para a companheira que, desta vez, também olhava para ele. Sentiu-se um idiota por vê-la nesse estado e ainda não ter feito nada.

Pense seu idiota! Faça alguma coisa! Se mova!

Sem perceber, o moreno se levantou e parou um pouco a frente da ninja. Olhou em seus olhos assim como ela olhava os seus e acabou falando algo:

— Eu sei que fiz e disse coisas ruins a você, e também sei que apenas aquele pedido de desculpas no vale do fim... Ou nada que eu fizer vai apagar isso, mas... Se tem alguém que deve se sentir mal, ou talvez maluco... Essa pessoa sou eu. — Sasuke nunca fora bom em se expressar com palavras, mas sentia que dessa vez finalmente disse algo que ajudasse.

Notou que estava deixando-se levar pelo momento e seguiu para o lado oposto do tronco caído novamente.

— Agora pare com esse choro desnecessário. — ordenou como se o rapaz sensível de dez segundos atrás não existisse mais.

Sakura o olhou por um instante, surpresa. Ainda tentava absorver o que havia acontecido agora. Seu coração estava acelerado e sentia um frio em sua barriga. A única vez que sentiu isso apenas fora na ultima vez que ele esteve na aldeia. No fim, viu que ele estava se esforçando para fazer com que ela se sentisse melhor. Sorriu, então.

Talvez ainda houvesse esperança para eles.

Notas finais
TUDO QUE EU QUERIA FALAR JÁ FALEI NAS NOTAS ANTERIORES! OBRIGADA POR LER! ♥