Promise
1 And Promise me this, you'll wait for me only
Notas iniciais
I may have fallen in love with you by only looking into your eyes.
A primeira reação de Rose Weasley foi entrar em pânico. Mas ela logo tratou de se acalmar, as mulheres da sua família entrariam no seu quarto a qualquer momento e não poderiam encontra-la naquele estado. Rose dispensou as criadas assim que elas terminaram de ajuda-la com o vestido. A princesa não sabia se alguma das criadas havia notado a marca, no entendo, se notaram não riam contar para ninguém.
Sentou na penteadeira e trançou os longos fios ruivos. Aquela não foi sua melhor trança, mas suas mãos tremiam tanto que sabiam que era impossível fazer algo melhor.
Sua mãe foi a primeira a entrar no quarto, seguida das primas e tias. Ser ainda estava sentada na penteadeira, colocou a mão sobre a coxa direita, como se as mulheres pudessem ver através do vestido azul claro.
Lily Luna, sua prima mais próxima, foi a primeira a falar:
— Quem é? — perguntou sem conseguir conter a animação/
Rose tentou parecer triste, o que não foi muito difícil, visto que ela não estava exatamente feliz.
— Eu não tenho uma marca — respondeu.
O sorriso animado de Lily sumiu e todas as outras mulheres ficaram sem saber o que fazer. O quarto ficou em silêncio até que sua mãe, rainha Hermione, aproximou-se. Ela estendeu a mão para Rose que a segurou sem hesitar, aquilo fez com que Rose se sentisse um pouco melhor.
— Está tudo bem, minha criança. — A rainha não parecia decepcionada, porém, todos ali sabiam que ela estava.
— Rose, querida. — Sua dia Fleur começou. — Tem certeza que olhou todos os lugares do seu corpo? Minha marca é tão pequena que eu quase não a vi.
Rose sacudiu a cabeça.
— Chequei em todas as partes do meu corpo, não tem marca nenhuma.
Sua mãe apertou a mão da filha de leve.
— Quer que a gente faça alguma coisa? — perguntou, preocupada.
— Não precisa — respondeu a princesa. — Gostaria de ficar sozinha por um tempo.
— Claro. Mandarei uma criada trazer algo para você comer.
Hermione soltou a mão da filha e saiu do quarto, as outras mulheres a seguiram rapidamente.
Rose suspirou, em poucos minutos o reino inteiro acharia que ela não possuía uma marca, ninguém a olharia do mesmo jeito.
Quando se sentiu mais segura, a garota levantou o vestido até a marca aparecer. Ela conseguia sentir as lágrimas descendo pelo seu rosto enquanto lia e relia aquele nome.
Scorpius Malfoy. De todas as pessoas, a sua alma gêmea era o príncipe do reino inimigo. Rose o odiou desde o dia em que nasceu, uma das primeiras coisas que ela aprendeu foi odiá-lo. E de repente, aquilo parecia errado.
No final, não importava se ela o odiava ou não. Eles nunca se conheceriam. Rose casaria com uma pessoa sem alma gêmea e ele também, talvez um dia os dois marchem seus exércitos, um contra o outro, no campo de batalha.
Uma criada aparece alguns minutos depois com uma bandeja cheia de comida, a princesa tinha que admitir que estava com muita fome. A criada foi saiu do quarto assim que terminou de arrumar a mesa, Rose conseguiu ver pena do olhar dela. As fofocas corriam rápido pelo reino, todos do castelo já deveriam estar sabendo que ela não tinha uma marca.
Todos deveriam acordar no seu aniversário de dezoito anos com o nome da pessoa que estavam destinados a amar em algum lugar do corpo. Algumas pessoas, porém, acordavam sem nenhum nome em seus corpos. Aquilo já havia acontecido em sua família, dois de seus primos não tinham alma gêmeas. Eram casos raros, algumas pessoas dizem que é uma maldição.
Todos eram obrigados a casarem com suas almas gêmeas, a rainha era uma camponesa que possuía muito pouco antes da guarda real bater em sua porta. Caso a pessoa não tenha uma marca, ela terá que se casar com alguém que também não tenha uma, é proibido manter relações com alguém que já tenha sua alma gêmea.
Rose não sabia o que fariam se descobrissem o nome de Scorpius Malfoy no seu corpo. A partir de hoje, caso ela morresse ele iria ficar tão doente que nem conseguiria mais levantar da cama. Rose poderia ser um jeito fácil de derrubar o único filho do rei Draco. E ela sabia que muitos guardas do castelo haviam perdido irmãos, pais e amigos pelas mãos de Draco Malfoy. Rose não estaria segura em sua própria casa.
“Um homem é capaz de tudo por vingança” sua mãe havia dito uma vez, a princesa sabia que era verdade.
Tentou tirar aqueles pensamentos da sua cabeça, resolveu se distrair com um livro, mas a verdade é que ela virava as páginas sem conseguir ler uma palavra sequer.
Já era tarde quando alguém bateu em sua porta. Rose não queria falar com ninguém, mas imaginou que sua família estivesse preocupada.
— Entre.
Era Albus, irmão mais velho de Lily Luna e um grande amigo de Rose.
— Al! — Rose se levantou da cama para abraça-lo, ele a abraçou de volta. Albus era um dos seus primos que não tinha uma marca.
— Os guardas na sua porta não me queriam deixar entrar — comentou assim que eles se separavam. — Desde quando eu não posso entrar no seu quarto?
Rose riu. Ela já se sentia muito melhor só pela presença dele.
— Mãe acha que agora que sou uma mulher não posso ficar recebendo visitas masculinas no meu quarto. É indecente.
— Besteira — bufou. — Não é como se eu nunca tivesse te visto sem roupa.
— Nós éramos crianças! — Rose bateu nele de leve.
Albus se aproximou da janela.
— Vamos sair para caminhar nos jardins — anunciou.
O sorriso no rosto dela desapareceu.
— Al, eu...
— Não seja boba, Rose. — A interrompeu. — Ninguém irá comentar nada, eu também já passei por isso. — Ele apontou para a janela. — Está um dia lindo lá fora!
Rose olhou para o céu cinza e arqueou uma das sobrancelhas.
— Parece que vai chover!
— Não seja fresca, Rose — falou antes de abrir a porta. — Calce seus sapatos e me encontre do lado de fora. — Antes de sair do quarto acrescentou: — Desfaça essa trança, ela está horrível, até o bebê de Victoire faz melhor.
A princesa mostrou a língua, contudo Albus já havia se retirado. Ela colocou o primeiro sapato que viu e desfez a trança. Seu primo estava certo, aquilo estava um desastre.
O tempo estava horrível e fazia um pouco de frio, entretanto, Albus sorria como se aquele fosse um lindo e ensolarado dia de verão. Rose admirava como o primo conseguia ser sempre positivo.
Eles não conversaram sobre a marca, Al passou o tempo contando fofocas para Rose. É impressionante o número de coisas que acontecem em um castelo em apenas algumas horas.
Já estava ficando tarde, quando eles resolveram entrar. Mas antes que pudessem sair dos jardins, Rose perguntou:
— Como foi para você? — Albus a encarou confuso e Rose completou a pergunta. — Não ter uma marca.
Ele sorriu para ela, como se soubesse que a prima faria aquela pergunta.
— Foi difícil — respondeu. — Primeiro James e depois eu, não sei como meus pais vão ficar se Lily não tiver uma marca.
Ele riu nervoso.
— Mas eu acho que você se acostuma com o tempo, as outras pessoas também vão se acostumar e... — Albus se interrompeu. Ele encarou Rose, mas não parecia estar olhando para ela. — Eu tenho que te contar uma coisa?
— O que foi, Al? — perguntou preocupada.
— Eu não posso mais guardar isso para mim e Rose, você é minha melhor amiga e eu não quero que você me odeie, mas...
— Eu nunca seria capaz de te odiar, primo — interrompeu, ela parecia ofendida que ele pensasse naquilo. — Pode me contar.
Albus suspirou.
— Eu tenho uma marca.
Por um momento, Rose ficou sem palavras. Por que ele esconderia algo assim? Será que sua alma gêmea também era de uma família inimiga?
— Quem é ela? — questionou a princesa.
O primo fechou os olhos, demorou um minuto para abri-lo de novo.
— Não é ela.
Rose demorou algum tempo para processar aquelas palavras, não sabia como responder aquilo. Pensou em contar para Albus da sua marca, quem sabe ela teria contado. Contudo, um guarda apareceu dizendo que o rei os chamava para o jantar.
Ainda era aniversário de Rose a final, era claro que fariam uma festa. Por mais que ninguém ali tivesse vontade de comemorar.
Às vezes, Rose se pergunta o que teria acontecido se ela tivesse, naquela tarde nublada e fria, contado a verdade para seu primo. Será que teria feito alguma diferença?
A comida estava boa, talvez Rose gostasse mais dela se tivesse com vontade de comer. Mas, a verdade é que não conseguia para de pensar em seu primo, Albus não havia falado com ela depois que saíram dos jardins. A princesa temia que ele havia se arrependido, que Al achava que ela o odiava.
Sua prima, Dominque, conversava com Rose no momento. A garota reclamava que a irmã mais velha, Victoire, só sabia falar do seu bebê e ela não aguentava mais a criança. Aquilo era mentira, Rose sabia que Domi estava feliz com o sobrinho e estava feliz estando noiva da sua alma gêmea. E Rose também sabia que aquele era o jeito da prima de tentar fazer com que ela se sinta melhor.
A conversa foi interrompida quando o rei, Ron, levantou-se de sua cadeira. E todos ficaram em silêncio.
— Quero agradecer a todos que vieram aqui comemorar o aniversário de nossa filha — começou o discurso. — Rose pode não ter recebido sua marca, mas ela ainda será rainha desse reino. Por isso, tenho o prazer de anunciar seu noivado com o lorde James Sirius Potter.
Ron voltou a se sentar e todos aplaudiram. Rose encarou seus pais confusa, mas nenhum deles olhava para ela. A princesa procurou James pela sala, ele estava sentado ao lado de outro primo, Fred II. Ele parecia tão confuso quanto Rose. Seus olhares cruzaram e nenhum dos dois sabia o que dizer.
Ela não falou com mais ninguém no jantar, apenas sorriu para aqueles que vieram parabeniza-la. Rose deveria falar com James Sirius, ele era seu noivo agora, mas não sabia sobre o que os dois deveriam conversar. Sempre viu o homem como um irmão mais velho e agora ela estava prometida a ele. James seria rei e Rose rainha.
Não poderia confrontar os pais, eles iriam arranjar uma marido para ela mais cedo ou mais tarde, Rose só queria que eles tivessem a visado mais cedo.
A princesa só conseguiu pensar melhor quando foi deitar-se. Não era tão ruim a ideia de se casar com James, nunca conseguiria vê-lo como marido e sempre o amaria como irmão. Entretanto, James não era um lorde estranho que ela acabará de conhecer e nem tinha o dobro da sua idade, ele era alguém que ela confiava.
Tinha certeza que um dia seu segredo seria descoberto, talvez James não o contasse para ninguém, pelo bem no reino. Talvez.
Rose Weasley procurou a marca em sua coxa direita assim que acordou e ficou triste ao encontrá-la. O nome de Scorpius Malfoy parecia pertencer ao corpo dela. Rose se perguntou o que aconteceria se ela perdesse a perna direita, será que a marca iria simplesmente aparecer em outro local?
Por uns minutos, pensou no príncipe Malfoy. Ela não sabia como era o rosto dele, havia ouvido boatos de que ele era muito bonito. Quando era pequena, Rose imaginava Scorpius como um ogro dos livros que sua mãe lia para ela.
Será que ele pensava nela? Onde a marca dele ficava? Ele olhava para ela todas as manhãs, sem acreditar que era real?
Rose ficou aliviada quando suas criadas entraram no quarto, só assim foi possível parar de pensar naquele nome que ela não conseguia esquecer.
Lizzie, uma das criadas, avisou que as visitas partiriam em algumas horas. Rose tentou se arrumar o mais rápido possível para poder se despedir dos seus familiares. Temia que Albus fosse embora achando que ela o odiava.
Por sorte, conseguiu alcançar os Potter antes que fosse embora.
— Albus — chamou o primo, os outros familiares não pareciam ter notado a presença dela. Tio Harry e James conversavam com alguns guardas, tia Ginny e Lily Luna não estavam por perto. Provavelmente estavam dentro da carruagem.
— Rose. — Albus a cumprimentou. — Vejo que veio se despedir.
Rose o abraçou. Al não parecia esperar por aquilo, por pouco não se desequilibrou e caiu no chão. A garota precisou ficar na ponta dos pés para alcançar o ouvido do amigo.
— Eu nunca poderia te odiar, Al — sussurrou. — Você é meu melhor amigo.
Os dois sorriam quando se separaram.
— Admito que estava com medo, achei que não queria olhar na minha cara novamente — disse envergonhado.
Rose colocou a mão no peito, fingindo estar ofendida.
— Você acha que eu te odiaria por causa de uma marca idiota?
— Só você para chamar de marca idiota.
Os dois sabiam que não havia nada de idiota nas marcas. Se Rose temia o que podia acontecer com ela, temia mil vezes mais o que poderia acontecer com seu primo. No entanto, só naquele momento, eles queriam fingir que nada daquilo importava.
— Então, você vai se casar com meu irmão... — começou Albus. — Isso parece ser uma piada.
— Não poderia concordar mais, meu caro primo — admitiu Rose.
— Vi pela cara de vocês dois que não haviam sido avisados do noivado — disse. — Já conversou com James sobre o assunto?
— Não e não pretendo. — Albus arqueou um das sobrancelhas, fazendo com que Rose revirasse os olhos. — Eu não consigo chegar no cara que eu vejo como um irmão para falar sobre o nosso casamento, ou pior, pensar no que vai acontecer depois da cerimônia.
Os dois fizeram caretas.
— Porém — continuou ela —, devo admitir que estou aliviada em estar me casando com uma pessoa de confiança, não um velho nojento que nunca conheci.
— Com certeza — concordou Al. — Mas, minha querida prima, você precisa saber que meu irmão é um porco.
A princesa riu.
— Os dias de porco de James Sirius Potter estão contado, pode ter certeza.
Eles se abraçaram mais uma vez, antes de Albus ir. O primo perguntou, novamente, se ela não iria querer conversar com James. Rose recusou rapidamente. Não saberia o que dizer e não queria ver um clima estranho se formando entre os dois.
Os próximos dias passaram-se bem mais rápidos do que ela esperava. Faltava uma semana para o dia do casamento, sua mãe andava de um lado para o outro no castelo, conferindo se tudo andava como o planejado.
O rei Ron havia perdido com o príncipe Hugo para as fronteiras, semana passada. As casas Malfoy, Greengrass e Nott estavam tentando tomar um forte que pertencia a casa Longbottom, que servia ao rei Ron.
Rose estava preocupada, fazia dias que não recebiam notícias. Além do pai e do irmão, quase todos os homens da família estavam lá.
Era um dia ensolarado, a garota tentava se distrair lendo um livro nos jardins, quando um guarda veio chama-la dizendo que seu pai havia voltado. Rose não conseguiu conter a animação ao entrar na sala onde seus pais e seu irmão estavam.
Ela logo abraçou Hugo.
— Estava tão preocupada — disse.
— Também é bom te ver, Rose.
Quando se separam, Rose notou o clima pesado da sala. Seus pais não sorriam, Ron pediu para os filhos se sentarem e eles obedeceram.
— Precisamos conversar — falou o rei.
Ela não gostava daquele tão de voz, parecia decepcionado, irritado e frustrado. Rose colocou a mão sobre a coxa, pensou na marca que olhava todas as manhãs ao acordar. Será que ele sabia? Será que os Malfoy entraram em contato com seu pai?
Rose nunca parou para pensar que Scorpius Malfoy iria querer se casar com ela. Ele era alguns meses mais velho, então já tinha a marca antes dela, caso quisesse falar algo já teria dito. Ou talvez não, talvez ele tivesse apenas esperado ela ganhar a marca.
— É sobre James Sirius — começou seu pai, Rose soltou a respiração que nem sabia que estava prendendo. — Ele tem uma marca.
— O que? — perguntou Rose, confusa. Ela para a mãe e para o irmão, pela expressão em seus rostos notou que todos ali já sabiam.
— Ele se feriu na batalha — continuou o rei. — O médico viu a marca nas costas assim que tirou a armadura.
— Por que ele esconderia sua marca? — Ela lembrou da marca de Albus, lembrou-se da sua também. James deveria ter um bom motivo para querer esconder sua alma gêmea.
— Porque carrega o nome de Autumn Greengrass.
Uma Greengrass. Um homem da casa Potter destinado a uma Greengrass. Enquanto, Rose, uma Weasley estava destinada a um Malfoy. O quão improvável era aquilo? Mas a verdade é que nada é provável quando se trata de amor.
Nascer sem marca era como uma Maldição, três pessoas da mesma família sem marca queria dizer que aquela família era amaldiçoada (Rose sabia que o povo comentava). Talvez a família Weasley não fosse amaldiçoada, mas Rose Weasley era e James Sirius Potter também.
O casamento foi cancelado. A casa Potter e a casa Greengrass se juntaram para decidir o futuro dos jovens, ninguém nunca imaginou que veriam essas famílias unidas em um lugar que não fosse o campo de batalha.
Depois de várias horas, o futuro de James foi decidido. Ele se casaria com Autumn Greengress em uma semana. Ninguém sabia o que aquilo significava. Uma nova aliança? Aquilo mudaria a relação entre os dois reinos?
E se tinha uma coisa que aqueles dois reinos tinham em comum era a religião. Almas gêmeas precisavam ficar juntas e fim de papo. Rose até pensou em contar sobre a sua marca, no entanto, juntar duas famílias antigas e importantes era uma coisas, juntar um futuro rei com uma futura rainha era outra.
Depois da batalha na fronteira, diversos soltados morreram. Os que ainda estavam vivos culpavam Scorpius Malfoy.
“Aquele príncipe deveria ser chamado de assassino.”
“Ele matou a maioria dos meus homens. A mulher de Wood finalmente conseguiu engravidar, mas ele nunca vai poder conhecer seu filho. Se eu pudesse matava aquele Malfoy, nem se fosse pelas costas.”
Rose estava apavorada. Sabia que caso se casasse com James, ele guardaria o segredo dela. Mas agora ela temia que fosse se casar com alguém que a mataria no meio da noite caso soubesse da marca.
E para piorar, Rose teria que comparecer ao casamento do primo e sabia muito bem quem estaria naquele casamento. As pessoas dizem que ao olhar nos olhos da sua alma gêmea, você esquece todos os seus pesadelos, como se nunca tivessem existido. Ao olhar nos olhos da sua alma gêmea, você se sente em casa, como aquele fosse o lugar que você procurou sua vida inteira.
Rose tinha medo do que veria nos olhos de Scorpius Malfoy.
O casamento foi nas terras dos Potter. James iria se mudar para o outro reino, Rose não sabia se eles se veriam de novo.
A segurança estava dobrada, os Potter temiam que as pessoas fossem começar uma guerra ali mesmo. Entretanto, o povo respeitava religião, por isso era difícil aquilo acontecer.
Não haviam muitas pessoas do outro reino, além da noiva e do príncipe. Nenhum dos reis compareceria ao casamento.
Rose ordenou que fosse levada para os aposentos de James, assim eles poderiam conversar antes da cerimônia começar. Ela o devia essa conversa.
— Olá, Rose — cumprimentou a prima, que rapidamente notou o quanto o homem estava nervoso, mas preferiu não tocar no assunto. — Eu sinto muito, pelo jeito que as coisas terminaram.
A princesa sorriu.
— Está tudo bem, Jay. — Ele sorriu ao ouvir o apelido. — Você vai se casar com a sua alma gêmea, isso é o único jeito de fazer com que essa guerra entre os reinos pare um pouco.
— Sim, mas... — começou. — Nunca achei que isso fosse acontecer. Sabia que se a gente se casasse, você guardaria o meu segredo. Mas... — Ele hesitou. — Estou apavorado.
Rose queria dizer que ele o entendia, também estava apavorada. Contudo, não iria contar o segredo agora. Talvez um dia, quando James não parecesse capaz de desmaiar, ou se eles se encontrarem de novo.
— Está tudo bem ficar apavorado. — Ela sorriu. — Vai dar tudo certo.
— Obrigado, Rose — agradeceu. — Por que nos apaixonamos pela pessoa errada?
A princesa não sabia se ele estava falando com ela ou consigo mesmo. Mas a resposta para a pergunta estava na ponta da sua língua.
— Se ela é sua alma gêmea então não importa o que o mundo pensa, ela é a pessoa certa.
Pensou no príncipe. Mesmo sem nunca ter o visto, Rose sabia que ele era a pessoa certa, mas para a futura rainha aquilo não bastava.
Despediu-se de James com um abraço, o desejou boa sorte e felicidades.
Ao entrar no salão onde ocorreria a cerimônia, Rose logo avistou algumas de suas primas e foi em direção delas. Tinha medo de olhar para outro lugar e encontrar Scorpius Malfoy, ele poderia estar em qualquer lugar.
— Rose! — exclamou Victoire assim que ela se aproximou. Cumprimentou todas as mulheres com o melhor sorriso que conseguiu colocar no rosto, não queriam que elas notassem que havia algo de errado.
— Como está se sentindo, Lily? — perguntou Rose.
Lily Luna suspirou. Ela estava linda com um vestido verde claro. Contudo, parecia mais confusa do que feliz por estar ali. Era como se ela não acreditasse que aquilo tudo era real.
— Sinto que fui traída. Ele poderia ter me contado, somos irmãos — respondeu. — Quem poderia esconder uma marca?
Rose tentou pensar em algo para dizer, mas, para a sua sorte, Roxenne Weasley foi mais rápida.
— Você tem que admitir que ele tinha um bom motivo — disse. — Eu não saberia o que fazer se tivesse no lugar dele.
Dominique entrou na conversa:
— Eu me mataria.
— Dominique! Não fale essas coisas. — Victoire a repreendeu.
Antes que Domi pudesse responder, Roxenne segurou o seu braço.
— É ele — sussurrou.
Confusa, Rose seguiu o olhar da prima.
Scorpius Malfoy estava parado na entrada do salão. Ela podia nunca tê-lo conhecido, mas já havia conhecido reis e príncipes, era fácil notar que aquele não era um simples nobre. Rose quis tirar os olhos dele, porém ela não conseguia. O príncipe tinha olhos cinzas, era alto, usava barba, todavia, os cabelos eram curtos. Eles eram quase brancos, mas aquilo não o fazia parecer mais velho.
Tudo no Malfoy a lembrava inverno. Enquanto ela era verão.
Ele não a notou encarando. Rose agradeceu mentalmente quando Lily começou a contar uma história, só assim conseguiu desviar o olhar.
O casamento foi melhor do que Rose esperava. Ninguém atacou ninguém, Autumn Greemgrass era linda, cabelo loiro, olhos claros e sardas por todo o rosto. James tirou os olhos dela por um minuto sequer, Rose até se esquecia que aquela era a primeira vez que ele a via.
Rose saiu do salão assim que a cerimônia acabou, não podia correr o risco de ser vista por ele. Então, ela seguiu em direção a um parte escondida dos jardins, que só conhecia por ter passado muito tempo ali quando era menor.
Foi só ficar sozinha que várias perguntas começaram a se formar em sua cabeça. Será que ele quer vê-la? Ou será que ele está fugindo assim como ela? O que aconteceria se eles conversassem?
— Desculpe-me interromper, mas acho que deveríamos conversar.
Rose não precisava virar para saber quem era o dono daquela voz. A marca em sua perna pesou como nunca, por um momento chegou a pensar que aquilo não bastava de um sonho.
— Como me encontrou? — indagou Rose, havia conseguido com sucesso controlar a sua respiração ao encorar o homem. No entanto, tinha certeza de que se ele chegasse mais perto conseguiria ouvir as batidas aceleradas de seu coração.
— Eu te segui até aqui — respondeu, mas logo em seguida sua expressão serena se tornou uma careta. — Por favor, não me ache estranho. Tenho certeza que ninguém percebeu que eu a seguia e.... — Ele coçou a cabeça, nervoso. — Acho que nunca estive tão nervoso em toda a minha vida, desculpe-me, eu só queria conversar com você.
Rose riu, talvez não tenha sido a coisa certa a se fazer, mas não conseguiu se controlar. Aquele era a sua alma gêmea, fofo, desastrado e envergonhado. Era totalmente diferente do homem com olhar gelado que ela viu mais cedo. Quem sabe Scorpius Malfoy não fosse inverno, talvez ele fosse verão, assim como ela.
— Está tudo bem — disse sorrindo. — Se te faz sentir melhor, também estou nervosa.
Porém, Rose não sabia se aquilo era verdade, conversar com ele parecia ser algo tão natural e ela poderia fazer isso o dia inteiro. Será que todas as almas gêmeas se sentiam desse jeito?
— Eu nem sei por onde começar — falou Scorpius. — Estava tão confuso quando recebi minha marca. Mas quando eu vi fosse ali, conversando com as suas primas, tudo fez sentido. — Ele mordeu os lábios. — Não deveria estar falando isso para você no nosso primeiro encontro, mas não consigo tirar isso da minha cabeça.
A princesa tentou não se prender nas palavras “nosso primeiro encontro” e, por um segundo, esqueceu que conversava com o maior inimigo de sua família.
— Eu te entendo. — Ela concordou. — Só faz sentindo.
— Sim, muito sentido. — Ele sorriu aliviado. — Nunca imaginei que ter uma alma gêmea seria algo tão complicado.
— Talvez um dia estaremos marchando nossos exércitos, um contra o outro, no campo de batalha.
— Talvez não — sussurrou em resposta. — As coisas estão diferentes agora, com o casamento de nossos primos...
— Não estão tão diferentes para nós. — Rose o cortou, ela queria conversar mais com ele, mas sabia o quanto aquilo seria doloroso. — Desculpe-me, mas preciso voltar.
Rose não conseguiu dar nem um passo em direção ao castelo.
— Espere! — Por um momento pensou que ele fosse segurá-la, mas Scorpius apenas esticou a mão e parou no meio do caminho, como se notasse o que estava fazendo. — Eu não quero que essa seja a nossa última conversa. Não consigo me imaginar voltando para aquele castelo e me casando com outra pessoa. Eu não sei por que você minha alma gêmea, mas eu não posso ignorar isso. Quero saber tudo sobre você, Rose Weasley. — Ele encarou o chão antes de olhá-la novamente. — Talvez eu tenha me apaixonado por você apenas por ter olhado nos seus olhos.
Rose sabia que iria se arrepender, ela não fazia ideia do que estava pensando quando disse aquelas palavras.
— Nós dois partiremos pela manhã, então me encontre aqui quando o sol nascer.
Scorpius sorriu e quando Rose notou, ela sorria de volta.
— Promete?
— Prometo.
E com um último sorriso, Rose Weasley voltou para a festa. Mas dessa vez ela não era mais a garota que estava com medo de conhecer a sua alma gêmea, era a garota que não sabia como iria embora no dia seguinte, como diria adeus para uma história que mal havia começado.
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