Promise

7 Capítulo 7


Notas iniciais
E o capítulo de hoje ficou um pouquinho mais comprido do que o de costume. Espero que não se importem com isso :v

Talvez ela tinha chego um pouco cedo demais. Lucy cruzou os braços, um pouco impaciente, olhando de um lado para o outro. Então, ela checou seu relógio de pulso. 2h e 56 minutos.

—Ainda acho que é uma má ideia. — Gajeel resmungou, encarando o nada. Ele estava preocupado com Lucy. Ele não queria deixá-la ir, mas não a proibiria de ir, se pudesse convencê-la, tentaria até o último instante. Sua última carta seria ir com ela, mas ele realmente não queria fazer aquilo. Não queria agir como o namorado ciumento.

—Eu acho que não vai fazer mal. Não é como se você não confiasse nele.

Gajeel preferiu não falar nada em relação àquele comentário. Ele ficou quieto, paralisado, rosnando levemente. Lucy descruzou os braços e encarou os olhos de Gajeel, perguntando novamente.

—Você confia nele, não é?

Gajeel evitou o olhar dela. O queixo de Lucy caiu. Ela não precisou falar nada.

—Faz onze meses que não vemos ele! Não sabemos o que ele fez, por onde andou... Pessoas mudam e você, entre todas as pessoas, deveria saber disso.

Gajeel fechou a boca tarde demais. Lucy tentou manter uma expressão de paisagem, mas não conseguiu. Seu olhar disse tudo o que ela não falou.

Mas Gajeel desviou o olhar, forçando Lucy a perguntar.

—O que você quis dizer com isso?

—Eu quis dizer que...

—É por causa do tempo que eu passei fora? — Ela perguntou. Dentro daqueles onze meses eles tinham adquirido algumas palavras chaves. O tempo que Lucy “passou fora”, foram as duas semanas que Lucy passara longe de qualquer um. As duas semanas que nem mesmo Gajeel sabia o que ela tinha feito. E isso dizia alguma coisa. Porque, desde o dia em que finalmente oficializaram o namoro, Gajeel se tornara um namorado grudento. E Lucy não se importava. Ela até gostava.

Lucy desarmou a armadilha.

—É, acho que você tem razão.

Gajeel suspirou, um pouco aliviado, podendo, enfim, respirar. Mas ele ficou um pouco preocupado. A maneira como ela abaixou a cabeça e como seu olhar perdeu o brilho. Gajeel se arrependeu amargamente de ter falado qualquer coisa naquele instante. Ele abriu a boca, mas Lucy interrompeu.

—Acho que eu realmente mudei. — Lucy disse enquanto parava para pensar no que aconteceu entre todo aquele tempo. Ela tinha se tornado mais cuidadosa, mais amedrontada, talvez até se tornado um pouco mais quieta. Tudo isso por causa daquele único evento meses atrás.

De certa forma, aquele medo se tornara parte dela.

—Eu não devia ter dito nada. — Gajeel disse arrependido.

—Não se preocupe. — Lucy sorriu docemente. — Eu posso ter mudado, mas se eu mudei, foi para melhor.

Ela disse aquilo da boca para fora. Na hora, Gajeel não percebeu. Ele não estranhou. Mas aquelas palavras que ela disse ficaram presas no subconsciente dele, para serem lembradas mais para frente. Quando ele for ter que salvá-la de novo.

Lucy não acreditava em suas próprias palavras. Mudou para melhor? Em que sentido? Ela tentou eliminar aquele pensamento de sua mente, pensar naquilo não ia lhe trazer nada bom. Contanto que Gajeel acreditasse naquelas palavras, estava de bom tamanho.

Gajeel não sabia se acreditava ou não. Ele não teve tempo de analisar as palavras de Lucy. Natsu tinha aparecido naquele instante.

—Você está atrasado. — Gajeel disse, reagindo de forma agressiva no mesmo instante em que enxergara Natsu à distância suficiente para que ele o ouvisse.

—O que você está fazendo aqui? — Natsu não soube reagir corretamente. A presença de Gajeel ainda o desconcertava. Eles ainda não sabiam como reagir perto um do outro. O motivo estava observando os dois, checando o relógio de pulso.

—Duas e cinquenta e nove. — Lucy disse, abaixando o pulso, ignorando o que os dois acabaram de dizer. Ela tinha se acostumado com aquela agressividade de Gajeel. — Você chegou um minuto mais cedo.

—Você vai vir junto? — Natsu perguntou para Gajeel, quase ignorando Lucy. Ela apenas resolveu esperar, observando os dois agirem como dois leões alfa lutando por território.

—E você tem algum problema com isso? — Dito isso, Gajeel queria ir junto com Lucy. Ele voltou a desconfiar das verdadeiras intenções de Natsu. Gajeel enxergou, do canto do olho, a expressão séria de Lucy, apenas a esperar os dois terminarem a briga. Ele suspirou e passou a mão no cabelo. — Não, eu não vou junto. Só vim trazer Lucy até aqui porque eu não conseguia acreditar que você realmente apareceria.

—Eu não brincaria com a Lucy, Gajeel. Eu jamais faria isso e você sabe disso. Achei que não fosse preciso dizer. — Natsu disse e então, olhou ao seu redor. — Se você realmente for, é bom a gente ir logo, senão perderemos o horário.

—Exatamente, aonde você vai levar ela? — Gajeel se intrometeu novamente na conversa. Era a vez de Lucy suspirar. — Qual trem vocês vão pegar?

—Não vamos pegar um trem. — Natsu respondeu. Ele não conseguiu disfarçar o leve sorriso que surgiu em seu rosto. — Nós vamos pra debaixo da terra.

—Hã? — Gajeel perguntou. Ele não tinha entendido. Mas antes que ele pudesse questionar os motivos de Natsu mais uma vez, Natsu puxou a mão de Lucy e saiu correndo, ela sendo praticamente arrastada atrás dele, tão espantada, que nem reagiu a tempo. — Ei, Natsu! Volte aqui!

Todos que estavam ao redor observou Natsu correndo com um sorriso no rosto, não conseguindo esconder sua animação, enquanto Lucy era praticamente arrastada e Gajeel corria atrás, gritando com ele. Natsu se lembrou de outra situação parecida, exatos onze meses atrás, e o sorriso diminuiu em seu rosto. Naquele instante, o chão se abriu debaixo de seus pés, os dois, Natsu e Lucy, caindo no escuro enquanto o chão se fechava novamente. Gajeel não percebeu o que aconteceu. Ele parou exatamente o buraco tinha se formado, olhando ao seu redor, procurando por Natsu e Lucy, praguejando.

—Ele me paga. — Gajeel bufou. — Próxima vez que eu te ver...

***

Exatos onze meses atrás, enquanto Natsu ainda estava em procura de seu pai, ele tinha feito a mesma coisa. Talvez tenha passado muito tempo, ou talvez, as corridas e gritarias eram tão frequentes que ninguém mais se importava.

Agora, Natsu podia se lembrar daquele primeiro dia em que esteve naquela situação com tanta perfeição, que, só de fechar os olhos, sentia como se estivesse lá de novo. Parado, em frente aos trilhos do trem, com um papel amassado em mãos, lendo a carta de Igneel de novo e de novo.

Ele lia em voz alta, outras vezes ele só conferia o horário. Mas a carta estava em sua mão. E ele não soltaria aquela carta, não perderia, até encontrar quem escreveu aquela carta.

Soava como Igneel. Mas fazia tanto tempo que Natsu não tinha tanta certeza.

Natsu checou o relógio da estação e leu a carta mais uma vez, impaciente.

Natsu,

Eu sei que você sofreu quando eu desapareci. Espero que acredite em minhas palavras quando digo que eu não pretendi que isso acontecesse. Acreditei que você conseguiria sobreviver, afinal, eu te ensinei quase tudo que você sabe hoje.

Só te direi isso por hora, foi por um bem maior.

Sei que você tem perguntas. Responderei todas, se quiser. Se ainda me considera como um pai.

Esteja na estação de trem às 3 horas.

Siga o coelho branco.

—Seguir o coelho branco? — Ele gritou. — O que isso significa?

Fazia tanto tempo desde a última vez que o vira, as imagens de sua infância, agora, pareciam como um sonho. Como o sonho de uma criança, tão distante, tão embaçado, que você mal poderia distinguir os detalhes. Ele não conseguia se lembrar se essa charada era uma das coisas de Igneel ou não.

O que ele sabia era que não tinha nenhum coelho ao seu redor, quanto mais um coelho branco.

—O que você acha que ele quis dizer? Você acha que era literal ou...?

—Eu não sei.

—Talvez fosse alguma coisa entre vocês dois quando você era menor?

Natsu suspirou alto. Ele estava irritado.

—Eu não me lembro.

Por causa disso.

Ele realmente não se lembrava. E, embora fosse a verdade, era doloroso admitir. Ele não tinha certeza como ele conseguiu se esquecer daqueles momentos de sua vida, mas ele tinha. E agora... Não tinha como voltar atrás. Já estavam longe demais para serem recuperados.

Ele fechou seus olhos tentando se lembrar enquanto se punia mentalmente por não conseguir. Então, quando ele abriu seus olhos, ele enxergou um movimento de luzes, visível apenas no canto de seus olhos. Ele virou para encarar as luzes e ali estava.

Um coelho branco.

Literalmente.

Natsu estava estupefato. Ele começou a andar em direção ao coelho, mas o coelho se assustou e correu dele. Natsu não perdeu tempo.

—Pare! Volte aqui! — Ele gritou e começou a correr atrás do coelho, sem nenhuma discrição em seus movimentos. Lisanna pegou sua mala e começou a correr atrás dele.

—Natsu! Espere por mim!

Enquanto eles corriam, as pessoas começaram a observá-los, enquanto abaixavam suas cabeças, com vergonha alheia. Natsu estava gritando com o nada enquanto Lisanna corria atrás dele.

Então, aconteceu a mesma coisa. O chão se abriu, os dois caíram um em cima do outro, e o chão fechou novamente. A escuridão os cegou por um instante. Eles demoraram para enxergar o que havia na sua frente.

—Lisanna? — Ele disse baixinho. Ele tinha percebido que eles não estavam sozinhos. Instantaneamente, procurou pela mão de Lisanna. Ela não disse nada, apenas apertou a mão dele de volta.

Então, uma luz acendeu. Como uma lâmpada. Uma luz forte, incandescente, momentaneamente cegando Natsu novamente. E, assim que ele pôde enxergar o que havia na sua frente, ele se espantou e puxou a mão. Se Lisanna estava na sua frente, de quem era a mão que tinha apertado a dele? Natsu olhou para trás.

O que Natsu enxergou quase o surpreendeu. Ele estava sentado nas costas de outro homem. Natsu levantou-se com rapidez, parando ao lado de Lisanna, já estendendo sua mão, preparando as chamas. O homem se levantou e Natsu pôde ver seu rosto.

O rosto dele era branco e as feições finas. Seu nariz fino e pontudo, seu queixo levemente quadrado. Seus lábios finos, quase inexistentes e seus olhos... Natsu não conseguia definir a cor de seus olhos, estavam cobertos pela franja de seu cabelo branco. Ele parecia estar com dor, enquanto esfregava suas costas gentilmente.

Talvez porque ele foi atingido por um trem chamado Natsu.

—Quem é você? — Natsu perguntou, tentando ser educado, mas sua expressão era de poucos amigos e ainda estava em posição de batalha.

—Vejo que você realmente vive ao seu nome, Salamandra. — Ele disse, já se recuperando da dor nas costas. — Meu nome é Inosuke e eu sou um dos guardiões do reino dos dragões. Mestre Igneel pediu que eu o escoltasse até ele.

Logo ali. Naquele homem albino de aparência levemente desleixada morava a esperança de Natsu. Ele finalmente veria seu pai, Igneel, depois de muito tempo. A esperança e a felicidade era tanta, que Natsu imaginou uma chama rodear o corpo de Inosuke.

—Você me levará até Igneel? — Natsu perguntara. Tudo estava acontecendo tão fácil que ele nem acreditava.

—Sim.

Fácil demais.

Tinha alguma coisa errada.

—Mas primeiro... — Inosuke disse, encarando Lisanna intensamente. Tão intensamente que ela se sentiu desnorteada e levemente tonta. — Você terá que se livrar dela.

Sabia que tinha algo errado.

—Como assim, me livrar dela?

—Ela não foi treinada por um dragão. A sua mera presença aqui pode causar desastres para a sociedade. Ninguém pode saber da existência dessa passagem. — Ele disse sem tirar os olhos dela. Ou melhor, assim Natsu achava. Os olhos dele estavam debaixo de uma franja que era impossível enxergá-los. — Ou você se livra dela e tenha certeza de que essa informação não seja divulgada, ou você não poderá encontrar Igneel.

—Ele não te trouxe até aqui para me levar até ele? — Natsu replicou, não querendo ter de deixar Lisanna para trás. Ele não faria aquilo.

—Eu cuido do portal. Esse é o meu dever. Ele me pediu para que você passasse. Mas eu posso definir se você é digno ou não de passar e encontrá-lo.

—Como assim, digno? — Natsu estava bravo e irritado. Ele estava entrando em estado explosivo. Lisanna começou a ficar preocupada.

—Você entra, ela fica. A decisão é sua.

—Eu posso voltar para a guilda, Natsu. — Lisanna disse. — Não tem problema.

—Não, você veio até aqui e agora você irá até o final comigo. Eu não aceitarei um não como resposta. Se eu tiver que decidir entre você e Igneel, a escolha sempre será você. Eu jamais te deixarei para trás. — Natsu disse olhando para Lisanna e ela sorriu e pegou em sua mão, acalmando-o um pouco.

Um brilho iluminou a pequena caverna, quase os cegando momentaneamente. O brilho cobriu o homem branco cujo rosto continuava na mesma expressão descontente. Ele não estava sorrindo, mas tinha os deixado passar.

***

Agora, Natsu estava preparado. Houve a breve escuridão, um barulho de algo caindo e um “ai”. Então, algo iluminou o lugar onde eles estavam e, ali, naquela situação, Natsu se lembrou do que acontecera onze meses atrás.

O homem branco estava o esperando no outro canto da pequena caverna. Lucy estava logo atrás dele, caíra sentada e agora ela estava esfregando o lugar doído, levemente incomodada.

Exceto por Lucy, existia outra coisa que fazia aquela cena ficar diferente.

O homem branco não estava somente descontente. Ele estava irritado com Natsu. Se não, zangado. Aquilo fez Natsu ficar desconcertado.

—Onde estamos? — Lucy perguntou, observando o seu redor.

—Em frente ao portal para o reino dos dragões. — Natsu disse. Os lábios de Inosuke se comprimiram.

—Portal? — Lucy perguntou, observando, procurando por um portal. — Aonde?

—Logo à sua frente. — Inosuke disse, sua voz estava zangada. — Você não pode entrar.

—Vai começar de novo aquele papo de não ser digno? — Natsu perguntou, incomodado.

—Eu não estava falando com ela. — Inosuke disse, olhando para Natsu. Aquilo fez o peito de Natsu arder levemente de vergonha. — Você sabe o que você fez. Você não pode mais voltar enquanto...

—Eu sei. — Natsu o interrompeu, nervoso, não querendo que ele continuasse a falar. Temia que ele contasse a única coisa que não gostaria que Lucy soubesse. O verdadeiro motivo para que ele estivesse a levando para conhecer Igneel.

—Agora, ela... — Ele disse e se aproximou de Lucy para analisá-la melhor. — Você é um caso especial. — Ele disse, inclinando sua cabeça levemente. — O que você fez? Quem te deu esse presente?

—Presente? — Lucy perguntou. Ela estava um pouco assustada. Ele parecia amedrontador. — Do que está falando?

—Você não sabe ainda. — Ele disse, baixinho, como se fosse mais para ele do que para ela. Então, ele sorriu. Foi um sorriso que ficou gravado na mente de Lucy. — Eu entendo porque resolveu trazê-la. Mas ainda assim, não é motivo para voltar.

—Eu estou tentando corrigir meus erros. — Natsu disse, incomodado, olhando para outro canto. — Você não pode brigar comigo por tentar.

Inosuke olhou para Natsu e então para Lucy. Aquilo seria divertido.

—Tudo bem. — Inosuke disse. Natsu ficou confuso. — Eu deixarei você passar. — Natsu sorriu, contente. — Mas somente por um dia.

Inosuke puxou a mão de Natsu e virou a palma para cima. Uma estrela de sete pontas desenhou-se magicamente.

—Você tem somente um dia. — Inosuke disse, soltando a mão de Natsu, voltando para o canto onde estava mais cedo. Ele desapareceu na luz branca. A voz dele continuou a rodear a mente de Natsu enquanto a luz branca se solidificava ao seu redor, enquanto era transportado para outro mundo. — Somente um dia.

Notas finais
Eae? Pessoas, acabei de criar uma página para esse perfil do Nyah no Facebook. Curtam lá. :) Pesquisem por Lita Moraes. (Não dá pra colocar o link aqui xD)