Promiscuous

8 Capítulo 7 - Stereo Love


Notas iniciais
O hit que embala esse capítulo é Stereo Love, a versão de Edward Maya feat Vika Jigulina.

Promiscuous

Capítulo 7 — Stereo Love

Revisado por Blanxe

Quando você vai parar de quebrar meu coração?

Não quero ser outro a pagar pelas coisas que nunca fiz.

Não vá. Não vá.

Pare, meu amor. Eu odeio vê-lo chorar.

Seu sorriso é uma linda mentira.

Mas posso corrigir todas as mentiras.

— Quê? — Sasuke inquiriu assustado, admirando o casal à sua frente.

— Isso que ouviu. Nós iremos pagar os adicionais que o seu irmão impôs, por isso, temos o direito de pedir o que quisermos. No momento é isso que queremos: um strip-tease.

“Maldito, Itachi”, Sasuke resmungou para si mesmo, tentando conter um pouco da raiva que aflorava. “Era o que me faltava! Ter que ficar rebolando na frente de dois velhos babões?”

— Kakashi... Eu não sei se isso é conveniente — disse o homem moreno, em um tom receoso, ele tinha uma cicatriz de um corte no nariz e os cabelos espetados presos no alto da cabeça.

— É o nosso presente, Iruka. Quer desistir?

Sasuke juntou as sobrancelhas, fixando os olhos no casal, mas principalmente, no moreno. Não soube identificar o motivo, talvez, fosse algo apenas para exacerbar sua raiva, mas sentiu uma imensa necessidade de provocar um desconforto maior entre eles. Ver a insegurança claramente estampada naquela face, era fascinante.

Sentiu vontade de sorrir; porém, só os interrompeu, pedindo:

— Oi... coloquem a música. Eu vou fazer.

— Viu? Será apenas um showzinho particular. Relaxe e aproveite.

O homem de pele clara e cabelos platinados, que usava uma máscara hospitalar que encobria a boca, amparou o rosto do outro ao seu lado com ambas às mãos e depositou na boca dele um breve beijo, para em seguida, sair da cama em um salto, indo ligar o aparelho de som.

Aquele que ficou na cama, desviou os olhos do rapaz que vestia um uniforme do colegial; outra exigência feita pelo marido. Os dois eram professores de séries iniciais e aquele fetiche do marido realmente o incomodou. Quando seu amado disse que teria uma surpresa no dia do aniversário da união deles, não imaginava que ele traria um garoto de programa, e muito menos, que ele estaria vestido daquele jeito.

Era certo que os dois viviam conversando sobre saírem da rotina e experimentarem algo inovador. Mas aquilo nunca passou pela sua cabeça. Não conseguia imaginar-se dividindo seu marido com aquele garoto que, além de muito mais jovem, era infinitamente mais bonito.

Logo, aquele som rítmico que parecia ter acordes indianos encheu o ambiente, ainda mais, quando a voz feminina da cantora em inglês ecoou de forma suave o trecho:“When you're gonna stop breaking my heart?" (Quando você vai parar de machucar meu coração?)” .

Sasuke sentiu um frio no estômago. Sua mente pareceu viajar ao encontro daquela pessoa. Fechou os olhos, enquanto se embalava pelo ritmo daquela melodia que, mesmo sendo dançante, era tão harmoniosa que o fazia sentir vontade de flutuar. Enfiou os dedos no nó da gravata do uniforme escolar que vestia e o desatou, enquanto movimentava seu quadril de um lado a outro.

Nem se importou mais com quem o estava assistindo, apesar de ter ouvido os passos pesados daquele que colocou o som voltando para a cama de casal.

Largou a gravata no chão e passou a desabotoar lentamente a sua camisa, os olhos ainda cerrados; aquele som fazia sua mente perder-se em um espaço que não era onde estava. Viu-se caminhando em uma paisagem árida, sob um céu azul e repleto de nuvens brancas. Logo sua camisa foi ao chão, levou as duas mãos à nuca e passou a massageá-la, para em seguida, descê-las acariciando o tórax.

O casal à frente estava deslumbrado, ou ao menos, um deles. Os olhos do professor Hatake moviam-se conforme as mãos do jovem se moviam no corpo dele, viu os dedos habilidosos adentrarem pelo cós da calça baixa e subir novamente pela barriga. Se não tivesse com seu rosto encoberto pela máscara que usava, devido ao seu problema de saúde, ficaria evidente a saliva que se acumulava em sua boca

Sasuke Uchiha era um rapaz de grande beleza, sem sombras de dúvidas, pensou Kakashi. Mesmo ele se movimentando de forma tão suave, conseguiu excitá-lo. Seus orbes fechados, as mãos que dançavam pelo corpo estimulando a ele próprio, fizeram-no imaginar-se ali, colado ao corpo dele dançando naquele mesmo compasso sinuoso.

O desejo se acendeu rapidamente; sentiu o membro se ouriçando dentro da calça, lambeu os lábios abaixo da máscara e a ansiedade o consumiu.

Assim que a música ganhou uma batida mais rápida, Sasuke abriu a calça e passou a mover seus ombros e quadril quase como se estivesse dançando sozinho em uma pista de uma boate qualquer da cidade. A peça social do uniforme, por ser confeccionada em um tecido fino e leve, escorregou sozinha pelas pernas do jovem, até alcançar o chão. Foi chutada para o lado, restando somente a última peça: a boxer.

O coração do professor Kakashi acelerou quando viu Sasuke enfiar os dedos por dentro da boxer preta; virar de costas e então, baixá-la, deixando as nádegas brancas amostra.

“Uau! Que bunda perfeita!” exclamou em comemoração, ainda em pensamento, não contendo a própria euforia. “As pernas, as costas, tudo é perfeito nesse maldito garoto de programa”.

Foi quando a música terminou e a hipnose em qual parecia estar preso se rompeu, que a mente do professor despertou, fazendo-o lembrar-se do parceiro que estava ao seu lado. Entortou o pescoço para ver qual foi a reação dele e acabou encontrando com um par de olhos cheio de lágrimas, só então recriminou a si mesmo ao ter certeza que havia feito uma grande besteira.

— Iruka, o que houve?

— Você está louco por ele, Kakashi! — esbravejou, fungando alto e choroso. — Você nem se mexeu! Nem lembrou que estou aqui!

— Mas... Meu amor... Como não? Ele é só o nosso presente.

— É um presente pra você! Ele é perfeito. Eu nunca serei lindo assim. Sinto-me tão rebaixado, tão humilhado...

As lágrimas escorreram com força no rosto moreno do outro professor.

— Oh, Iruka. Não faz isso.

Sasuke virou-se para os dois e cobriu o membro com as duas mãos em forma de concha. Apesar de “ouvir” o casal discutindo, não conseguiu assimilar o teor da briga, mas imaginou que era por sua causa. Era um destruidor de corações? De lares? Era um monstro que deveria ser retrato com asas em forma de mãos gigantes nas costas, olhos vermelhos e dentes de javali?

Sim, essa deveria ser sua real forma.

Afinal, do que servia tanta beleza externa se esta não era o suficiente para conquistar quem o interessava? Se tal beleza só servia para atiçar os desejos de garotas fúteis e escandalosas, de velhos doentes e de casais de meia idade com crise no casamento.

O Uchiha suspirou.

“De repente, sinto que minha existência não tem sentido algum”.

— Sasuke-kun? Sasuke-kun?

O Uchiha despertou ao ouvir o chamado do professor, que amparava o marido no peito.

— Hm? — respondeu, sem pretensão nenhuma de fazê-lo.

— Pode ir. Sinto por ter tomado seu tempo.

— Não me importo, desde que me pague.

— Mas não fizemos nada... Ah, esquece. Vou pagar somente pelo strip-tease, pode ser?

— A questão não é o que faço ou deixo de fazer, eu deixei de atender alguém que me pagaria um programa completo.

— Put...

— Pague ele logo, Kakashi — esbravejou o marido.

— Tá, tá — aceitou, rendido. Apanhou a carteira que estava na cômoda ao lado da cama e retirou dela a quantia total do programa. — Obrigado por nada — acrescentou aquela indignação.

Sasuke, que havia reposto as roupas, apanhou o dinheiro das mãos do professor e saiu desalinhado, sem dar mais nenhuma palavra. Já sabia onde iria arrumar algo que fizesse esquecer aquela agonia irritante dentro do peito.

— O bar sujo da Karin.

...

— Por que temos que nos intrometer, se o assunto não é nosso?

Shikamaru, que era sempre a favor da análise imparcial e contra brigas desnecessárias, foi o primeiro a se manifestar contra a ideia de Kiba de retaliação a Sasuke Uchiha. Afinal, aquele parecia um problema que envolvia muito mais do que fora exposto.

— É simples, Shikamaru. Primeiro: Sasuke é um tremendo puto — Kiba rosnou, ao lembrar-se da pose altiva que o Uchiha ostentou, enquanto confessava ser o canalha que era. — Segundo: você ouviu o que ele disse no vestiário? Ele fodeu o Naruto à força! Até onde eu saiba, isso é um crime. E a Haruno? Você ouviu o que ele falou da Haruno? Vamos deixar que ele saia impune depois de machucar dois dos nossos amigos e ainda rir da nossa cara, ao praticamente nos chamar de idiotas por não termos percebido?

O encontro naquele parque foi marcado pelo próprio Kiba, que não se conformava com o que ouviu do Uchiha no final do treino daquele dia. Além de Shikamaru e Sai, estava ali o mais corpulento do grupo, Chouji, que até o momento preferiu não se manifestar, ocupado com um saquinho de chips. Havia ainda um quinto elemento, que concordou em dar apoio à vingança, mas que só apareceria mais tarde.

— Mesmo que queiram fazer algo, é tarde — a voz mansa de Sai chamou atenção do grupo.

— Do que está falando, Sai? — Kiba grunhiu entre os dentes.

Sai era outro que não agradava o Inuzuka em nada. Os trejeitos esquisitos do rapaz e seu timbre suave e ao mesmo tempo obsceno, o incomodavam e muito. Porém, ele seria de grande ajuda para fornecer informações sobre os Uchiha, já que este não escondia de ninguém, a relação despudorada que tinha com o irmão mais velho de Sasuke.

— Estou dizendo que mesmo que queiram fazer algo contra o Sasuke-kun, não o encontrarão mais na faculdade — Sai respondeu, diante dos olhares curiosos. — Ele abandonou o curso — esclareceu.

— Quê? — os três exclamaram em uníssono.

— Para que ele vai precisar trabalhar, não é gente? — Chouji se manifestou pela primeira vez, ainda mastigando as batatas secas. — Acho que para vender o corpo não precisa ter muita instrução.

— Ele é mesmo um babaca — Shikamaru resmungou.

— Quem te contou isso? Foi o sensei? — Kiba o inquiriu, desconfiado da notícia.

— O próprio.

— Como é que você tem coragem de se misturar com esses nojentos, Sai?

— Eu não estou envolvido com “esses nojentos”, eu estou envolvido com o Itachi-sensei.

— Os dois parecem farinha do mesmo saco, afinal, se o treinador se preocupasse com o irmão, impediria ele de fazer tanta merda, não é?

Sai, que estava sentado nas costas do banco de concreto do parque, guardou sua prancheta de desenho na bolsa que carregava transpassada no peito e se levantou. O sol estava se pondo, não tinha mais claridade suficiente para continuar seus esboços e também, aquela conversa o tinha enchido.

— Se quiserem encontrá-lo, é só irem até o bar Taka, no distrito dezessete, o mesmo onde a Sakura foi acidentada. Essa é a minha contribuição. Não vou participar do restante, porque ele ainda é o irmão do cara com quem estou saindo, e quero continuar saindo — o rapaz de pele pálida frisou e deu as costas para o grupo.

— Espere, Sai! Seu maldito frutinha de merda!

— Pare de gritar, Kiba. Deixe-o ir — Shikamaru pediu. — Ele não vai ser de grande ajuda mesmo. A contribuição dele foi feita. Tá bom. Expõe logo o que tem em mente.

— Na verdade, é aí que você entra Shikamaru. Estava contando com seu alto QI para elaborar um plano. Você é o mais inteligente de nós três. Se vamos armar uma retaliação, não podemos deixar pistas, ou teremos problemas. Você é o cara certo para isso.

Shikamaru revirou os olhos.

— Eu sabia que sobraria para mim. E o Gaara? Ele disse que ajudaria?

— Disse que iria se encontrar com o Naruto, mas assim que resolvêssemos era para darmos um toque e ele viria correndo.

— Certo, então vamos pensar juntos.

Kiba sorriu abertamente, mostrando o par de caninos avantajados. Estava contente que Shikamaru havia concordado. Agora tinha certeza que iriam planejar uma vingança à altura.

...

Enquanto isso, Gaara e Naruto, que tinham acabado de sair do Hospital, onde foram visitar Sakura, vinham conversando, despreocupados, pelas ruas nas proximidades do prédio.

— Eu fiquei com medo do que você fez.

— Queria mesmo era fazer raiva para aquele idiota do Uchiha. Mas você sabe, eu tenho o Lee.

— Então você vai voltar com ele? — o loiro inquiriu o ruivo, com um olhar surpreso.

— Depois que você me rejeitou sem sequer pensar, é o jeito.

— Cala a boca.

Os dois riram.

— Na verdade, nem terminamos, Naruto. Continuamos em um relacionamento aberto. Enquanto estamos longe, ele pode sair com outras pessoas e eu também.

— Se é estranho para eu entender como funciona uma relação de dois caras juntos, imagina esse tal de relacionamento aberto.

Gaara riu.

— Ele está na academia de polícia de Londres faz dois anos — voltou ao assunto. — Não tinha como ficarmos juntos a distância. Por isso, nos permitimos essa abertura. Mas eu vou fazer minha pós-graduação em Londres, e aí sim, vamos mudar nosso status de relacionamento aberto, para bem fechado.

— Ein, Gaara?

— Hm?

— Você não se sente estranho? Está dizendo que vai viver com um homem, igual a você?

— E o que é que tem?

— Ué, como "o que é que tem?". Será que não pensa no futuro, em casar de verdade e construir uma família? Ter filhos?

— Eu vou casar de verdade e eu posso construir uma família ao lado do Lee. Quando quisermos ter filhos e estivermos preparados para isso, iremos adotar.

Naruto levou as mãos aos cabelos e bagunçou seus fios em seu sinal típico de confusão. Não conseguia acreditar que a coisa era tão simples como todos apontavam.

— Mesmo assim, Gaara. Não é normal. Além do que, filhos adotados, não são filhos verdadeiros.

— Aí é que você se engana, são filhos verdadeiros sim, filhos do coração…

Gaara se interrompeu ao ouvir o barulho de SMS chegando no seu celular, retirou o aparelho do bolso da calça e leu a mensagem no display. Sorriu discretamente ao saber que Kiba havia aprontado tudo. Guardou o aparelho de novo e esquecendo-se sobre o que estava falando, avisou Naruto que precisava ir.

— Você não disse que ia jantar lá em casa?

— Eu até iria. Eu adoro sua mãe. Mas você sabe que seu pai não gosta de mim. Às vezes sinto que ele não me aceita pelo que eu sou.

— Te garanto que não é isso — Naruto afirmou, lembrando-se da fala da mãe sobre o pai ter tido uma paixão gay na juventude.

— De qualquer forma, tenho um trabalho de grupo para desenvolver, acabaram de me lembrar.

— Entendi. Tá certo, então. Nos vemos na faculdade amanhã.

— Naruto, só mais uma coisa.

— Hm?

— De verdade: o Sasuke não vale a pena.

— Pare de falar como se eu tivesse afim dele, Gaara! — Naruto esbravejou, deixando o rubor pigmentar suas bochechas. — Eu sei que ele fez um monte de besteiras. Mas minha mãe me fez pensar sobre as atitudes dele. O Sasuke sempre esteve do meu lado desde criança, sempre se preocupou comigo, cuidou de mim, fizemos muitas coisas juntos. Eu acho que não posso, simplesmente, condená-lo pelos erros que ele cometeu agora, sem considerar o que ele foi para mim antes.

Naruto encarou o semblante sério do ruivo a sua frente e continuou.

— Eu gosto do Sasuke. E é esse sentimento que me faz querer perdoá-lo e tentar resgatá-lo, antes que ele afunde mais nesse mundo em que ele escolheu viver.

Gaara abriu um sorriso discreto para o amigo loiro e apertou um dos ombros dele, vendo-o fazer uma careta.

— Você é uma pessoa boa de verdade, Naruto. Por isso, continuo achando que você não merece alguém tão corrompido como o Uchiha. Mas, se você acha que consegue purificar aquela alma que, na minha opinião, não consegue ser salva mais, vá em frente. Faça-o, antes que seja tarde. O Uchiha vive fazendo coisas erradas. Um dia alguém vai se irritar tanto com isso, que vai dar um corretivo nele — Gaara parou de repente, percebendo que estava falando muito. — Bem, eu tenho mesmo que ir. Nos vemos na faculdade.

Naruto acenou para o rapaz que havia dado as costas para ele e corria em direção a um táxi.

O loiro ficou pensativo por um instante, havia algo de suspeito naquela última fala de Gaara.

— Sasuke... — sussurrou reticente, fazendo um sinal para o próximo táxi que viu; ao entrar no veículo, deu ao homem o endereço dos Uchiha. Iria visitar o amigo. Estava tendo um mau pressentimento.

...

Sasuke entornou o terceiro copo de uísque, afundado em uma poltrona, enquanto observava a mulher de óculos de aros escuros, preparando o que havia pedido. Os dois estavam na suíte dela, que ficava no piso superior do bar.

— Tá pronto — ela anunciou, batendo as mãos uma na outra, limpando os vestígios do pó branco que ficou em seus dedos. Ao erguer-se, passou a desabotoar a blusa branca que vestia, largando a peça do lado ao terminar e, em seguida, abaixou a saia preta, ficando apenas com o lingerie de renda vermelha.

Ainda de bota, marchou pelo piso de taco, requebrando o quadril em direção do rapaz que havia se voltado para a janela assim que ela passou a se despir; parou diante dele e ergueu uma das pernas, apoiando salto fino no braço da poltrona. Ela curvou o corpo para frente, escorando o cotovelo na coxa levantada, em uma pose muito insinuativa. Mesmo estando toda amostra para o jovem sentado, não conseguiu tomar para si os olhos negros que estavam fixos no vidro.

— Tem certeza que uma mulher, com o meu corpo e a minha pele, não é mais interessante que a rua lá fora?

Sasuke apenas moveu a mão que segurava o copo, para elevá-lo à boca e tomar mais um gole grande da bebida que continha nele.

— Não vim aqui para isso — ele murmurou, mantendo-se passivo.

— Se não quiser fazer por vontade própria, então eu pago — ela negociou, retirando o rolo de dinheiro que tinha guardado no sutiã e jogando-o na cara de Sasuke, fazendo as notas se espalharem em torno deles. — É assim que funciona agora, não é? Ou será que você está gostando mais de dar do que receber?

— Sua... — Sasuke levantou-se e a agarrou pelos cabelos da nuca, mas ao contrário do que imaginou, ao invés de reclamar, a viu sorrir. — Você gosta de me provocar, né, piranha? — resmungou ele, soltando dos cabelos dela e seguindo para a mesa onde ela havia deixado a droga preparada.

— Vai devagar, Sasuke — Karin avisou, aproximando-se ao vê-lo cheirando todo o produto. — Eu fiz para nós dois.

— Foda-se! — disse, enquanto passava a mão no nariz e a língua nos dentes. — Deita logo na merda dessa cama. Vou te foder e te fazer engolir o que acabou de dizer.

A dona do bar Taka fez uma expressão de desaprovação. Estava certo que não era uma mulher certinha, todavia, Sasuke não tinha nenhuma moral para humilhá-la daquele jeito.

“Hoje você me paga, filho da puta.”.

A mulher deitou na cama e enfiou a mão embaixo do travesseiro, como se procurasse por algo. Mas o baque da porta se abrindo de surpresa a fez recuar assustada.

— O que significa isso, Suigetsu?

O empregado tentou ignorar o fato de a patroa estar de roupas íntimas e olhou Sasuke.

— Ei, Uchiha? Estão detonando seu carro lá fora, cara. Vem ver.

— O quê?

Sasuke desceu as escadas que levava para o bar no piso inferior cambaleando e batendo de um lado a outro nas paredes. O maldito pó que cheirou fazia efeito, estava entrando em estado de euforia; não conseguia controlar a vontade adversa de gargalhar. Atrás dele, Karin vestida com um hobby, e Suigetsu, tentavam em vão mantê-lo pelo menos em pé.

— Sasuke, esqueça isso — pediu Karin.

— É, cara, volte para o quarto. Você está doidão.

— A merda desse carro não tem seguro — ele gargalhou, segurando a barriga em meio à crise histérica.

Não conseguia mais enxergar direito, havia flashes coloridos que embaralham a visão, fazendo sua tontura aumentar. Atravessou a rua em um disparo, arrancando gritos dos motoristas de “Saia do meio da rua seu maluco!”.

— Bebê! — ele gritou, abraçando a lataria pichada do carro. — Deus do céu, você tá horrível, bebê — comentou e gargalhou.

Sem controlar a crise de risadas, Sasuke enfiou a mão dentro do bolso da calça em busca das chaves. Ao encontrá-la, uma mão, encoberta por uma luva preta, que veio detrás dele, retirou as chaves de suas mãos e encobriu seu rosto com um pano.

Ao ver a cena, Suigetsu gritou para o que imaginou ser ladrões, que iria chamar a polícia, mas isso não assustou os arruaceiros.

Dois caras empurraram Sasuke para o banco de trás do carro e entraram no veículo. Enquanto um entrou no banco do lado do motorista e o último, assumiu o volante. Logo, o veículo saiu cantando pneu e desapareceu na longa avenida.

— Eu vou chamar a polícia — informou o empregado do Taka, retirando o celular do bolso, contudo, para sua surpresa, teve o aparelho retirado da sua mão abruptamente. — Ei?!

— Não precisa chamar os tiras. Você esqueceu que eles vieram cheio de perguntas por causa do acidente daquela estúpida da Sakura? Precisei usar todo meu charme para evitar que acontecesse o pior. Se eles decidissem dar uma batida no interior do meu estabelecimento iriam descobrir nosso pequeno negócio ilegal.

— Achei que fosse toda apaixonada e se importasse com o Uchiha.

— Eu sou apaixonada pelo meu traseiro. Não sou as garotinhas idiotas que lambem o chão por onde Sasuke passa. Preciso do meu bar. Não vou correr riscos desnecessários por causa dele. E ele já foi um bom cliente. Hoje em dia ele só me traz problemas. Se por um acaso ele sair vivo dessa e ter o disparate de voltar aqui, barre a entrada dele — avisou a mulher e deu as costas para o empregado, após jogar o celular de volta para ele.

Suigetsu apanhou o aparelho e guardou no bolso da calça. Em seguida coçou a cabeça, colocou as mãos na cintura, para então, soltar um grande suspiro.

— Vai entender as mulheres. Em um minuto elas matam por um cara, no outro querem ver ele morto — bateu os braços ao longo do corpo e, desistindo de tentar entender, voltou para seu posto na portaria do Taka.

...

As mãos de Itachi baixaram o calção de Sai, deixando as nádegas brancas do amante amostra. Enquanto o beijava, passou a alisar aquela região.

Apesar da dupla parecer bem à vontade, a visita presente na sala com eles, não gostou nada do que estava assistindo.

— Sensei! — Naruto esbravejou, retirando a almofada que tinha atrás de suas costas para encobrir seu rosto. — Dá para não fazer isso na minha frente?

Sai, que estava no colo do mestre, sem a parte de cima, entortou o pescoço para o lado, tentando enxergar o rapaz atrás de si.

— Por que você não vai embora? — perguntou Sai. — Não percebeu que está nos atrapalhando?

— E eu disse que não vou embora enquanto o Sasuke não chegar.

— Deveria ligar e marcar hora como os outros fazem — Sai resmungou e recebeu um olhar ferino de Itachi.

— Vou dar um jeito de preencher essa sua boca grande para ver se pára de falar coisas desnecessárias — respondeu o aluno, no seu tom de voz mais calmo.

Então, reergueu o calção de Sai e o empurrou para o lado, fazendo-o sair do seu colo.

Itachi percebeu que Naruto ainda tinha o rosto encoberto pela almofada, provavelmente, não tinha ouvido a fala de Sai.

— Não estou falando nada demais? — Sai insistiu em reclamar, emburrado por não ter o que queria.

— Do que está falando, Sai? — Naruto perguntou com a voz abafada

Itachi olhou de rabo de olho para o namorado, não deixando de esconder sua evidente irritação com a indiscrição deste. Não precisou dar nenhuma palavra e o viu apanhar a camisa no chão e a recolocar.

— Pode destampar os olhos, idiota. Eu estou vestido — avisou e apanhou a mochila. — Nos vemos na escola, sensei.

Naruto descobriu o rosto a tempo de ver as costas de Sai e logo sobressaltou com o bater da porta de saída da casa, então, voltou-se constrangido para o professor.

— Desculpe, sensei. Não queria atrapalhar.

— Imaturo — o homem de cabelos compridos grunhiu para o rapaz que havia ido embora sem se despedir direito. — Não importa mais — disse ao amigo do irmão, cruzando os braços e as pernas, e reclinando-se para se aconchegar melhor nas costas do sofá. — Está preparado para ouvir mais coisas ruins sobre meu irmãozinho tolo?

Naruto assentiu. Estava disposto a tentar ajudar Sasuke, dissessem o que dissessem.

— Sasuke abandonou a faculdade — foi a primeira informação de Itachi.

Naruto não teve tempo de reagir àquela informação, quando Itachi deu continuidade.

— Ele abandonou a escola pra se tornar um garoto de programa. Sasuke está, nesse exato instante, fazendo programa, com dois caras ao mesmo tempo.

Continua...