Promiscuous
11 Capítulo 10 - Meet Me Halfway
Notas iniciais
Promiscuous
Capítulo 10 — Meet Me Halfway
Revisado por Blanxe
"Você pode me encontrar no caminho, bem no limite.
É lá que esperarei por você.
Eu estarei prestando atenção, noite e dia. Levei meu coração ao limite, e é onde eu ficarei.
Não posso ir além disso.
Eu te quero tanto, é o meu maior desejo”
Itachi resolveu ir ao bar Taka depois que Naruto deixou sua casa. No caminho para o estabelecimento manteve as tentativas de falar com o irmão no celular, mas a única resposta que obtinha era da gravação irritante da secretária virtual informando que a ligação seria encaminhada para a caixa de mensagem.
Tentava convencer-se que o caçula deveria ter enchido a cara e estava dormindo na cama de alguma vadia. Mas no fundo, o Uchiha mais velho sabia que, por mais que Sasuke tivesse aderido as noitadas regadas à álcool, ainda assim ele preferia passar a noite em casa. Sentia um incômodo angustiante e aquilo também não era normal.
Depois de trinta minutos no trânsito, o professor estacionou em frente ao bar e a primeira coisa estranha que notou foi que o lugar estava fechando. Consultou o horário do display digital do carro e confirmou que passava poucos minutos da meia noite, mas sabia que lugares como aquele costumava fechar por volta das cinco da manhã.
Desceu rapidamente e passou pelo corredor sujo que levava ao interior do estabelecimento. Notou que o lugar estava praticamente vazio, com exceção de alguns empregados que varriam e limpavam as mesas. Observou um rapaz de cabelos prateados, mesmo não uniformizado, dando ordens para os demais, denunciando que ele poderia ser algum tipo de gerente.
— Levem o lixo para fora.
Itachi aproximou-se dele.
— Ei, com licença, a dona do estabelecimento está?
Suigetsu, ao ouvir a pergunta, respondeu sem dar atenção.
— Estamos fechando, amigo, não atrapalhe.
— Eu preciso falar com a dona.
— Que saco, hein? Você é surdo? A Karin não está. O que você quer? — perguntou mal educado, voltando-se para o interlocutor e só então, admirou-se daquele semblante tão conhecido. Sentiu um frio apertar o estômago. Aquela pessoa à sua frente tinha os traços marcantes do Sasuke Uchiha.
— Eu só quero saber do meu irmão, o nome dele é...
— Não o vimos — o interrompeu com a resposta, voltando-se para o ambiente e notando que as cadeiras haviam sido erguidas e o único empregado que restou no local varria a sujeira para fora.
— Você nem sabe de quem estou falando — Itachi se irritou com aquela pessoa petulante.
— Não precisa — Suigetsu retrucou no mesmo tom. — Seu irmão é o Sasuke Uchiha, não é? Tá na cara. Apesar de serem um pouco diferentes, os dois têm esse mesmo ar arrogante.
— Ele não chegou em casa ainda e o telefone dele só cai na caixa de mensagens. Um conhecido disse que ele veio para cá. Então não me venha com essa conversa de que não o viu.
— Ei, ei. Não vem ficar nervosinho aqui não, irmão. Não sou babá de ninguém, nem sou obrigada a saber de...
Antes do empregado do Taka dar continuidade em sua fala, Itachi bateu as duas mãos no peito dele e o empurrou para a parede. Em seguida segurou-o pelo queixo, mostrando que não era somente mais alto e arrogante, mas era também mais forte, devido aos anos de artes marciais que praticava. Encostou seu corpo ao dele, roçando sua boca em um dos ouvidos do empregado e, entre os dentes cerrados, sussurrou: — Escuta aqui, projeto de tubarão. Eu não sou bonzinho como meu irmãozinho tolo. Muito menos, uma pessoa dotada de paciência. Então, para de me enrolar e me dê respostas claras ou a coisa vai ficar feia para o seu lado.
O coração do sócio de Karin disparou. Mas, o que mais o irritou foi saber que a aceleração não se deu por causa da ameaça. Afinal, por trabalhar em um lugar como aquele, vivia sendo ameaçado por bêbados, namorados ciumentos, cobradores, entre outros. O problema foi a forma que aquele cara estava agindo, nunca foi prensado por um homem daquele jeito. Além do que, nunca teve interesse no sexo oposto em sua vida. Muito menos, quando este deixava a entender que iria quebrar a sua cara. Mas aquela voz, murmurada ao pé do ouvido, o corpo dele encostado ao seu, acabou o excitando e o fez sorrir.
— Tom de patrão...
— Não estou de brincadeira — Itachi disse e encostou-se mais ao corpo do rapaz, roçando o joelho entre as pernas dele.
— Ei, ei, ei, cara, não faz isso! Eu estou ficando de pau duro.
— Você gosta?
— De barbudo me roçando? Tá doido! Desencosta aí.
— Não é o que isso aqui está falando. — O professor universitário levou a mão livre ao membro sobre a calça de couro que o empregado vestia e o apalpou com força. O rosto do rapaz corou violentamente. — Será que é mais fácil eu conseguir a informação que eu quero assim — sugeriu Itachi, descendo o zíper da calça dele, enfiando a mão dentro da roupa íntima e apalpando o sexo diretamente.
— Ai, ai, ai, não, cara. Tira a mão daí! Isso é nojento! Os empregados vão entrar e nos ver!
— Então, fale.
— Ele passou aqui, tá legal — confessou. — Falou com a Karin. Bebeu, cheirou pó pra caramba, ficou doidão. Tinha uns caras detonando o carro dele lá na rua e ele saiu para brigar e... bem... quando chegamos lá, não tinha mais nada.
— Como assim “caras” detonando o carro dele? Você viu o rosto deles?
— Não vi. Eu estava aqui dentro. Foi um dos clientes que avisou, aí eu subi, chamei o Sasuke, e ele desceu correndo. Depois ele não voltou mais. A gente achou que ele tinha espantado os caras, pegado o carro e vazado.
— Você não está omitindo mais nada? — Itachi perguntou, apertando o membro dele com mais força.
— Ai! Solta meu pau, irmão! Isso dói!
— Suigetsu-san? — um dos empregados chamou atrás de Itachi. — Terminei, o senhor quer mais alguma ajuda?
— Eu vou lá acertar com vocês. Espere lá fora. E não deixa ninguém mais entrar aqui.
— S- sim.
Itachi tirou a mão de dentro da calça do empregado do bar, e afastou-se dele, vendo-o escorregar as costas na parede e sentar no chão, segurando o pênis que ficou para fora da calça.
— Puta merda! Como isso dói — reclamou, respirando com dificuldade.
— Você tem câmeras nessa espelunca?
— Temos aqui dentro. Lá fora são só as câmeras de monitoramento da via pública.
Suigetsu não teve mais resposta, viu aquele homem altivo dar as costas e sair sem dizer mais nada. Tentou acalmar a excitação, mas não conseguiu, acabou deixando-se embalar pelo ritmo da masturbação até alcançar o êxtase.
Sorriu e limpou o orgasmo das mãos no lado interno da camisa, para então, voltar a guardar o membro, agora murcho, dentro da calça.
— Malditos Uchiha. Pior que foi realmente prazeroso conhecê-lo, nii-san.
...
No dia seguinte, pela manhã.
Ao entrar em casa acompanhada da mãe e Ino, Sakura abriu um grande sorriso ao ver a enorme faixa pendurada com balões na entrada da casa, onde estava escrito: “Bem vinda de volta ao lar, nossa querida Sakura”.
Aguardando por ela estava o pai e a vizinha deles, Kushina, mãe do melhor amigo.
— Papai? — Sakura correu ao encontro dele e os dois se abraçaram. — Achei que estivesse em uma viagem importante.
— Nada na minha vida é mais importante que você, filha. Perdoe-me não ter vindo antes — pediu ele, desvencilhando dela. — Mas para me redimir, peguei alguns dias de recesso do trabalho e irei acompanhá-la durante a recuperação.
— Obrigada, papai — agradeceu Sakura, limpando as margens dos olhos com a ponta dos dedos.
Assim que Sakura se afastou dos braços do pai, foi cumprimentada também com um abraço pela vizinha.
— Kushina-san, obrigada por ter vindo.
— Bem vinda de volta, querida. Desculpe, mas Naruto não pôde estar aqui, ele tinha prova na universidade agora pela manhã. Mas disse que virá mais tarde.
— Nem precisa se justificar por ele, Kushina-san. Naruto me visitou todos os dias em que estive no hospital, ele é um verdadeiro lorde.
— Concordo, querida — o pai também comentou. — O genro que qualquer pai pede a Deus, e não aquele outro...
— Papai, podemos não entrar em assuntos desagradáveis agora? — Sakura pediu, percebendo Ino se encolher quando o pai mencionou a palavra “genro”.
Ao notar a amiga da filha, Kizashi a cumprimentou.
— Ino-chan, como está? E o Inoichi?
— Tudo bem, senhor Haruno. Papai, diferente do senhor, continua viajando a negócios.
— Entendo. Mas, tudo bem. Também farei meu papel de “lorde” na data de hoje. O almoço é por minha conta — anunciou ele, tendo aprovação unânime das mulheres presentes.
Kushina e Mebuki seguiram para o jardim, enquanto Sakura e Ino subiram para o piso superior da residência.
Ao entrar no quarto, a primeira coisa em que Sakura bateu os olhos foram nos inúmeros porta-retratos sobre sua cômoda. Eram vários registros de momentos felizes com os amigos, com os pais, com Ino…
Apanhou uma das fotos dispostas em um mural, onde Sasuke e ela estavam ao centro, Naruto do lado dela e Ino ao lado de Sasuke. Sorriu tristemente.
— Está sentindo falta dele?
— Nenhum pouco. Apenas continuo preocupada com Naruto.
— Esqueça-os um pouco. Naruto e Sasuke vão acabar se acertando.
— Você acha isso mesmo, Ino? Acredita que pode existir algo entre eles depois do que aconteceu?
A loira balançou os ombros, indiferente.
— Eu não tenho certeza. Mas o idiota do Naruto é bom suficiente para perdoar o Sasuke. Mas, no momento, eu não quero pensar neles. Minha única prioridade é você — Ino acariciou o rosto da garota por quem havia confessado seus sentimentos e admirou-se de vê-la sorrindo docemente para ela.
— Obrigada, Ino.
As duas se abraçaram. Sakura sentiu o coração palpitando acelerado no peito, provavelmente, devido ao abraço tão carinhoso, do toque em seu rosto, das palavras doces de Ino. Havia que concordar: a loira estava se saindo uma bela galanteadora. Se ela fosse um menino, teria mais trabalho com ela do que teve com Sasuke, seria difícil uma garota resistir aos seus encantos. Sorriu ainda mais, sentindo uma vontade crescente de beijá-la, cerrou os orbes verdes vagarosamente e, entreabrindo os lábios, aproximou-se do rosto dela.
O coração de Ino também acelerou ao compreender a intenção de Sakura e não pensou duas vezes, fechou também seus olhos claros e seguiu de encontro à boca que era oferecida, tomando-a com doçura na sua.
No início, o beijo foi terno. Porém, calma, era algo que Ino não conseguia ter, o frio que revirava seu estômago, espalhava injeções de adrenalina por todo seu corpo. Logo, ela segurou o rosto de Sakura e colocou a língua em sua boca, tornando o beijo mais quente e intenso.
Do lado de fora, o senhor Kizashi subia as escadas rapidamente, havia esquecido de perguntar o que a filha queria comer. Acabou por abrir a porta do quarto sem bater.
O utensílio de cozinha que tinha em mãos foi ao chão ao flagrar as duas jovens se beijando de uma forma que, certamente, não era como duas amigas faziam.
Ino e Sakura se desvencilharam assustadas com o som da porta abrindo e do objeto metálico caindo no chão de taco.
O homem, que usava o avental rosa da mulher e um pano amarrado na cabeça, pôs as mãos na cintura e franziu as sobrancelhas.
— Querem me explicar o que está acontecendo?
...
No cativeiro, Sasuke despertou. O calor escaldante do lado de fora, incomum para época do ano, foi um dos fatores que o fez acordar. Sua cabeça rodopiava não permitindo discernir onde estava. Depois de algum tempo tentando acostumar-se com as dores nos músculos e na cabeça, conseguiu abrir os olhos.
Tinha percebido que sua boca estava vedada e as mãos presas nas costas. Sentia também dores pelo corpo, efeito da má posição em qual dormiu e provavelmente da bendita ressaca de tudo que consumiu na noite anterior.
Ao perceber que estava dentro de um casebre abandonado, imobilizado e com a boca vedada, logo imaginou o que estava acontecendo: havia sido sequestrado.
“Era o que faltava”, resmungou em pensamento. “Esses desgraçados devem achar que a minha família tem dinheiro. Merda!”
Notou que não estava sendo vigiado por ninguém do lado de dentro. Mas nem iria gastar suas energias fazendo força para se soltar; percebeu que seu pulso era bem maior que as argolas metálicas que o prendiam. Só conseguiria soltar-se dali com uma chave.
Respirou profundamente pelo nariz, tentando manter a calma. Ficaria ali por quanto tempo? Sentia vontade de urinar, de beber água. E mesmo o odor horrível do lugar não foi capaz de tirar o apetite, seu estômago resmungava a falta de alimento desde a hora do almoço do dia anterior.
Lembrou-se de Itachi. O irmão iria esmurrá-lo por dormir fora de casa sem avisá-lo. De repente, algo o animou, recordar do irmão o fez imaginar que o mais velho estivesse à sua procura. Mas logo balançou a cabeça em negação, recostando-a no pilar. Itachi não se importava tanto assim com ele para notar sua ausência em tão pouco tempo.
Tentando manter a calma, lembrou de Naruto.
Sentiu-se estranho ao imaginar que aqueles poderiam ser seus últimos instantes.
“Naruto”, a figura do amigo sorrindo surgiu em sua mente e todos os temores pareciam insignificantes.
“Se eu tivesse um último desejo, esse seria poder vê-lo, sentir seu cheiro, só mais uma vez”.
...
Depois da prova, Naruto procurou Itachi na sala de professores e descobriu que ele não tinha ido trabalhar. Estapeou-se mentalmente por não ter o número do telefone móvel dele. Deduziu que o único jeito seria ir à casa dos Uchiha novamente. Havia retirado o seu aparelho do bolso para chamar um táxi, quando ouviu seu nome ser gritado.
Ao procurar de onde vinha o chamado, localizou os colegas de time, uniformizados, sentados na grama, debaixo de uma árvore. O treino certamente tinha sido cancelado devido à ausência do treinador.
Pensou em ignorá-los, mas um estalo o fez recordar que um deles certamente tinha o contato do treinador.
Moveu-se rapidamente na direção deles.
— E aí, Naruto.
— E aí, pessoal.
— Devemos desculpas para você — disse Kiba. — Pelo outro dia, no vestiário.
— Esqueçam isso — falou incluindo todos na fala e voltou-se para o amante de Itachi. — Sai, você tem o telefone do Itachi-sensei?
— O que você quer com ele?
— Quero saber do Sasuke.
— Para que você quer saber daquele puto? — Kiba indignou-se, erguendo-se.
Shikamaru também levantou e cotovelou Kiba, sussurrando para ele um “cale-se” que saiu quase como uma tosse.
— O que é, Shikamaru? — Kiba não entendeu o que o amigo quis com aquela chamada de atenção.
— Cara do céu, você não sabe ser discreto — reclamou Gaara, revirando os olhos.
Naruto desconfiou daquela interação.
— Vocês sabem do Sasuke?
— A única coisa que sabemos é o que ele anunciou e todos estão comentando: que ele largou a faculdade para fazer programas — respondeu Sai.
Foi a vez de Naruto revirar os olhos.
— E vocês estão aí, seres mais que perfeitos, que nunca fizeram merda, julgando e tacando a primeira pedra, não é?
— Ele quer dar o rabo por dinheiro e você quer que a gente faça o quê? Aplauda?
— Ah, Kiba, não enche. Vai dar o número ou não, Sai?
O rapaz moreno e de tez pálida parecia sério e ergueu os olhos mostrando o display do telefone.
— Itachi acabou de enviar uma mensagem, disse que está na delegacia, registrando o desaparecimento do irmão. Sasuke não apareceu em casa e não atende o telefone desde ontem.
Naruto engoliu em seco, consultando as horas no seu aparelho. Eram quase meio dia. Sai entregou seu próprio celular para Naruto ligar para Itachi, e o rapaz se afastou do grupo para fazê-lo.
Assim que ele ganhou distância, Shikamaru foi o primeiro a anunciar.
— A situação ficou séria. Melhor abrirmos o jogo com Naruto.
— Também acho — concordou Gaara.
— Nem pensar, eu não vou ser preso — retrucou Kiba.
— Se eles encontrarem Sasuke do jeito que deixamos, vão chegar na gente.
— Ele não viu nossa cara, Shikamaru!
— Não interessa, Kiba. Nossas digitais estão no carro.
— Não tem mais graça essa brincadeira — Chouji quem se pronunciou, chamando atenção dos demais. — O Naruto e o irmão do cara estão preocupados de verdade. Até envolveram a polícia. Precisamos revelar onde ele está.
— Eu concordo — Gaara reafirmou.
— Eu também — Sai concordou.
Os quatro, Sai, Gaara, Chouji e Shikamaru, olharam o único deles que ainda relutava, quando foram interrompidos.
— Concordam com o quê? — Naruto surgiu com o telefone de Sai na mão.
Kiba rosnou sua indignação, como sempre fazia, ao entender que era voto vencido.
Shikamaru encarou Naruto.
— Avise ao Itachi-taichou que sabemos onde o irmão dele está.
...
Itachi dirigia seu carro de cara fechada, optou pelo silêncio. Seu próprio time, os amigos do irmão, alguns de infância, haviam prendido ele em um casebre de uma reserva ecológica afastado da civilização.
De acordo com a justificativa do grupo, aquela ação era um corretivo, para que Sasuke pensasse em todas coisas ruins que ele havia feito com Naruto e Sakura.
Estava estressado, com fome, cansado e com sono, havia procurado Sasuke a noite toda andando sem rumo pelas ruas. Esperou amanhecer para ir prestar queixa. Naquele instante, quase quatro da tarde, ainda tinha que dirigir por quilômetros para encontrar o irmão. Então preferiu ficar quieto ou iria despejar toda a ira que estava sentindo daquele grupo antes do tempo.
A única coisa que desejava era encontrar Sasuke bem.
Naruto estava ao seu lado, imerso em seus próprios pensamentos. Nos bancos de trás estavam Gaara e Sai. No carro a frente deles, mostrando o caminho, estavam Shikamaru, Chouji e o Inuzuka.
Havia de concordar: Naruto o surpreendeu. Havia sofrido abuso da parte do seu irmãozinho tolo e mesmo assim era o mais preocupado e o mais disposto a ajudar Sasuke. Nem ele mesmo, o próprio irmão, tinha tanta resiliência.
“Não é por nada que ele emana tanta luz”, pensou Itachi. “Pelo jeito não é somente reflexo dessa cabeleira loira”.
— Obrigado, Naruto.
O rapaz pareceu emergir do transe em que estava e direcionou sua atenção para o homem ao volante.
— O quê, sensei?
— Eu disse “obrigado”.
— Pelo que?
— Por não abandonar o meu irmão idiota, quando todos o fizeram — disse, direcionando seu olhar ferino para o retrovisor do carro e colocando no seu campo de visão o namorado.
— Não adianta condenar somente a mim, inclua-se nessa conta, sensei. Você não foi diferente de nós — defendeu-se Sai.
— Vocês não vão começar a discutir agora, não é? — Naruto interveio.
— Não — Itachi suspirou fundo. — Estou cansado demais para isso.
Mas foi avançar por mais alguns metros a frente e o pisca alerta do carro da frente sendo acionado fez com que todos se preocupassem. Também passaram a sentir um cheiro estranho entrando pelo ar do carro.
— O que é isso? — perguntou Itachi, abrindo os vidros e o cheiro ficou mais evidente.
Logo foram envolvidos por uma neblina de fumaça e fuligem. Voltou a fechar o vidro e acionou os faróis e o alerta.
— Droga, droga, droga. O que isso significa?
— É cheiro de queimada.
— Óbvio que é! Mas é muita fumaça.
— Está muito longe, Sai? — quis saber Naruto.
— Não, é logo na frente.
O carro saiu da estrada e estacionou. Itachi então pode notar em meio a fumaça as luzes de giroflex. Desligou o carro onde estava e desceu, os três do outro carro também desciam. Itachi reconheceu o carro de Sasuke estacionado, foi até ele e o viu vazio.
Havia dois caminhões do corpo de bombeiro e duas viaturas da polícia mais à frente. Mas não parecia ter mais foco de incêndio, somente muita fumaça.
O professor olhou o grupo de acadêmicos que pareciam desolados.
— Onde está o Sasuke?
— Ei, o que estão fazendo aqui? — perguntou o policial aproximando-se deles, equipado com máscara para evitar inalar a fumaça. — Saiam daqui, vão passar mal com tanta fumaça.
— Eu vim atrás do meu irmão.
— Irmão?
— Sim. O dono desse carro — ele apontou o carro todo pichado.
— E onde ele estaria?
Shikamaru engoliu em seco.
— No casebre.
Os olhos do policial se arregalaram.
— Impossível. O fogo assolou boa parte dessa região, incluindo o velho casebre.
— Com certeza ele saiu antes do fogo atingir o lugar — disse Itachi. — Precisamos procurá-lo.
— Fiquem aqui e cubram os rostos com algum tecido molhado. Vou ver se tenho máscaras suficientes para todos vocês. Eu vou acionar a central e informar para mandarem uma ambulância e comunicar uma possível vítima. Esperem aqui — repetiu a solicitação.
— Eu vou com o senhor — disse Naruto sem pensar.
— Fique aqui, rapaz.
— Eu vou! — gritou Naruto novamente e seguiu na direção de onde vinha a fumaça.
— Eu também! — se posicionou Itachi, acompanhando Naruto. — É meu irmão essa possível vítima.
— Eu disse para esperarem! — gritou o policial correndo atrás deles.
O restante do grupo se entreolhou. Shikamaru levou as mãos a cabeça em sinal claro de desespero.
— Que merda fizemos! Não tem como Sasuke ter saído, ele estava algemado. Se ele estiver morto, responderemos por homicídio.
— Tem como ele ter escapado sim — Gaara se pronunciou. — Eu deixei a chave — explicou.
Nunca Shikamaru sentiu tanto alívio.
— Não podemos descartar a possibilidade de o fogo ter começado antes dele acordar.
— Não fale uma merda dessas nem brincando, Sai!
— O que o Sai disse tem nexo. Se ele conseguiu sair, porque o carro ainda está aqui? — observou Chouji.
— Porque a chave ainda está comigo — anunciou Shikamaru.
— Mas por que ele não apareceu quando o corpo de bombeiro chegou?
Eles se entreolharam mais uma vez, sem resposta para aquela questão de Gaara.
— É melhor começarmos a orar para que ele esteja vivo — sugeriu Chouji.
Continua...
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