Promiscuous
4 "Proposta"
Notas iniciais
- O que faz aqui? — perguntei ao ver Dean, do outro lado.
- Vim te fazer uma proposta. Posso entrar? — perguntou malicioso.
- Tenho certeza que o que você tiver que falar, pode ser aí de fora.
- Acho que não. – sorriu sínico.
— Entra. — revirei os olhos, dando passagem pela porta.
- Obrigado. – falou ao entrar.
- Desembucha.
- Sorrir às vezes é bom, sabia?
- É eu sei, só não gosto de praticar. – me olhou surpreso – Da para falar o que quer logo?
- Não vai me oferecer nenhuma água, ou cafezinho? – ergui uma sobrancelha. – Tudo bem então, Senhora Mal humorada. Vim te fazer uma proposta...
- Isso você já falou. — o interrompi impaciente.
- Me deixa terminar de falar, criatura. — passou a mão pelo rosto.
- Olha o respeito. — falei, ele revirou os olhos e se sentou no sofá. Suspirei e o segui, sentando no outro sofá que ficava de frente para ele.
- É o seguinte, o estágio é seu. — deu de ombros, como se aquilo fosse à coisa mais normal do mundo.
- P... P... Pera ai, — gaguejei — como é que é? — perguntei boquiaberta.
- O estágio é seu, se... — continuou.
- Ah, tinha que ter alguma coisa. Se... O que?
- Se você for para a cama comigo.
- COMO É QUE É? — gritei me levantando do sofá do mesmo segundo.
- Vou repetir. Se você for pra cama comigo, o estágio é todo seu. — repetiu, no mesmo tom calmo de antes.
Senti meu sangue subindo, meus punhos se fecharam e eu comecei a contar, em uma tentativa de me acalmar.
- Um... dois... — sussurrei para mim mesma.
- Que isso? Está contando às horas que deseja ficar comigo? Se bem que, depois da primeira vez você vai começar a contar as noites...
- Estou contando o tempo que falta pra você levar uma voadora na cara. — suspirei fundo. — Acho bom você sumir da minha frente... Falta bem pouco. — seu sorriso malicioso sumiu e ele ficou tenso, acho que ele percebeu que eu não estava brincando e se levantou do sofá, se recuando com as mãos na frente.
- Calma Lisa, é só uma proposta. Olha que a Cece foi mais esperta que você, a vaga dela já está garantida.
- Quer dizer que... VAI EMBORA! — gritei.
- Eu vou, mas pensa bem. — disse abrindo a porta e saindo. — Eu volto. — deu uma piscadela e deu as costas.
- Não precisa se não estiver com a intenção de morrer. — falei em um tom alto, para que ele escutasse.
- Caso queira saber, adoro mulheres bravas. — respondeu antes deu fechar a porta, revirei os olhos e me escorei nela.
- Não quero saber – sussurrei, para mim mesmo.
Que ele era safado, desde o inicio eu já sabia. Agora cara de pau é novidade e algo me diz que persistente também se enquadra no seu perfil.
Caminhei ate o meu quarto, ainda pasma com a situação. Deixei a água de o chuveiro ficar bem quente e entrei. Fiquei ali, parada por pelo menos quarenta minutos, apenas sentindo a água caindo sobre o meu corpo. Sai do banho, vesti um lingerie simples e caí na cama, daquele jeito mesmo.
[...]
Como sempre o som do despertador me acordou. Acordei ainda tonta do sono e fui ate o banheiro. Meu cabelo estava definitivamente um ninho, desisti de tentar algo elaborado nele e do jeito que ele estava fiz um coque. Terminei minha higiene matinal e fui até o closet, peguei a primeira roupa que vi.
Coloquei um short jeans claro — para variar um pouco — não muito curto. Uma blusa de lã bege e um tênis skin — baixo — da mesma cor. Desci para a cozinha, peguei uma maçã e logo em seguida minha bolsa. Não estava com muito animo para um café descente, então resolvi ir para a faculdade mais cedo, apesar de não estar nem um pouco a fim de dar de cara com Cece.
Tranquei o apartamento, passei pela portaria e não vi o Billy, devia estar entregando as correspondências de algum morador ou algo do tipo. Dei de ombros, coloquei meus fones e segui para a faculdade. Passei pelo estacionamento — quase vazio — e segui até a minha sala.
Afundei-me em uma carteira qualquer. Anne pelo visto ainda não tinha chegado, então continuei com os meus fones e aos poucos a sala que estava vazia foi ficando cheia.
- Fala gata. — a voz de Anne me tirou dos devaneios. — Por que está com essa cara de quem tem alguma coisa para me contar? Não me diga que... Você realmente tem alguma coisa para me contar? — revirei os olhos.
- O pior é que eu tenho. Você acredita que ontem à noite... — comecei.
- Bom dia. — cumprimentou a Sra. Mcclain ao entrar na sala. Anne suspirou de ódio e se sentou no seu lugar, logo atrás de mim. Dei de ombros e me endireitei na carteira, retirando os fones. — Houve uma mudança de planos na data de entrega dos trabalhos. Ele vai ser adiado para amanhã, não quero nenhuma desculpa para não ter feito, fui clara? — deu ênfase na palavra, olhando para mim.
Em outra situação eu ficaria nervosa — mais uma vez — com ela. Mas eu estava ocupada demais para isso. Primeiro, por que do nada a data do trabalho foi mudada já que ela era “tão rígida com datas”? Segundo, sendo estranho ou não, eu precisava de um trabalho mais do que excelente em vinte e quatro horas.
Assim que a aula dela acabou, Anne e eu fomos para a minha casa. Passamos em algumas lojas antes e compramos o necessário. O trabalho era montar um esquema de uma propaganda para a tal empresa, aonde aconteceria o estágio.
Anne não estava tão preocupada, já que na hora que quisesse o pai a arrumaria dentro de qualquer empresa, qualquer uma mesmo. Ela me ajudou com algumas coisas e depois foi embora, faltavam só alguns detalhes e já passava das onze horas da noite. Tomei um banho rápido e comi alguma coisa leve, depois voltei ao trabalho. Só mais alguns minutos e...
- OH DEAN, ISSO! — ouvi um grito do andar de cima. Fechei os olhos ate me controlar e tentei me concentrar de novo.
Só mais alguns minutos Lisa, mais alguns minutos.
- AI MEU DEUS, DEAN! — gritou de novo, soltei o lápis na mesma hora. Mais alguns gritinhos e o silencio reinou.
Suspirei aliviada e me concentrei de novo, dessa vez conseguindo acabar o bendito — maldito — trabalho. Organizei todo o esquema, e guardei em ordem em uma pasta. Limpei a bagunça — quase caindo de sono — e subi para o meu quarto.
[...]
Minhas mãos batiam com força na mesa do refeitório. O trabalho tinha sido entregue no primeiro horário e o resultado seria colado no quarto ou no final da aula. O horário do almoço acabou e eu com uma pressa desnecessária, corri até a parede ao lado da minha sala. Nada. Droga seria no fim da aula. Respirei fundo tentando me acalmar e fui para o meu lugar.
As últimas duas aulas passaram lentamente. E no final do último horário, eu não parecia ser a única ansiosa. Até a Anne estava inquieta. O sinal bateu, e uma multidão tentou passar pela porta de uma só vez, — e eu não fiquei de fora — uma aglomeração louca se fez em volta do resultado me impedindo de ver. Escutei alguns resmungos, aos poucos as pessoas iam saindo. Ao longe consegui ler o nome da Cece. Vadia. Dean estava realmente falando sério.
- Parabéns Lisa. — alguém falou ao passar por mim. Gelei. O mesmo gesto se repetiu umas duas vezes. Fiquei pasma no lugar.
Anne entrou no meio da aglomeração e voltou com um sorriso de orelha a orelha. Antes que ela pudesse falar algo, Cece entrou na sua frente e — com seu nariz ainda machucado — me encarou.
- Parece que somos as melhores por aqui. — disse com cara de deboche.
- A diferença é que eu consegui com esforços completamente diferentes dos seus. — aproximei do seu ouvido. — Eu não precisei dormir com o dono da empresa. — ela me olhou com uma cara indignada, dei um sorrisinho falso e saí á deixando boquiaberta.
Anne logo me alcançou, com o mesmo sorriso de antes.
- Pode me contar tudo, desde o inicio. O que foi que você falou pra deixar ela assim? — perguntou curiosa.
- Preciso de vodka Anne. — falei com um sorriso bobo nos lábios. — Muita vodka.
- Te encontro na sua casa em vinte minutos. — falou virando em corredor oposto do meu.
- Não demora. Se não eu começo sem você. — gritei.
- Pode deixar, baby. — respondeu, ri sozinha e continuei meu caminho até em casa.
- Srta. Cooper, — me cumprimentou Billy. – Desculpe, Lisa...
- Oi Billy, sem problemas. Se você quiser, hoje pode me chamar até de senhora que eu não vou me incomodar. — sorri.
- Como quiser. A propósito, já entreguei as correspondências para o dono certo.
- Obrigada, até mais, Billy.
- Até mais, Lisa. — disse com uma cara de "Será que ela é doida?”.
Não demorou muito para Anne chegar com as bebidas e outros petiscos em casa. Contei a história desde o inicio, ainda me arrependo por não ter filmado as caretas dela. Papo em dia. Colocamos música alta, sem a mínima preocupação com os vizinhos. Hoje era o meu dia. Nessas alturas o efeito da vodka já estava por completo em mim. Anne foi embora antes que ficasse mais bêbada, tinha prometido voltar pra casa.
Continuei na mesma, peguei a garrafa de vodka e virei direto na boca. Balancei a cabeça e engoli o liquido. Em poucos segundos depois eu já sentia ele pelas minhas veias. Mas como nem tudo é um mar de rosas, a campainha tocou. Revirei os olhos e abri a porta, sem nem ao menos olhar quem era antes.
- Vim para a festa. — falou Dean com a voz debochada. Deu uma espiada dentro da casa e depois se voltou a mim. — E acho que cheguei na hora certa. — sorriu malicioso.
- Pra você, nunca vai ter hora certa aqui. — tentei fechar a porta, mas ele segurou. Arqueei uma sobrancelha.
- Não sou pontual mesmo. — sorriu de lado, dando de ombros.
- Aconselho você a não deixar seus dedos aqui quando eu for fechar essa porta. — ameacei.
- Não seja por isso. — disse abrindo a porta por completo, me fazendo desequilibrar. — Opa, eu acho que alguém exagerou na vodka. – me segurou.
- Sai daqui. — falei já exausta.
- Tem certeza? — balancei a cabeça negativamente. Escutei um risinho baixo e no segundo seguinte ele estava me pressionando contra a parede.
A merda que eu estava prestes a fazer eu não sei. Mas não posso nem de longe negar que, não estava gostando do rumo que a situação estava tomando.
Uma de suas mãos foi para a minha coxa, a pressionando. Arfei. Inclinou sua cabeça para frente, fez um olé nos meus lábios e os levou ate o meu ouvido.
- Seu estágio começa amanhã, depois da escola. Aconselho você á dormir, não tolero atrasos. — falou sério. Mordeu meu lóbulo, me causando arrepios e foi embora.
Deixou-me assim, naquele estado. Uma raiva subiu por mim, alguma coisa me dizia que aquele estágio não daria nada certo.
Se bem que nesse caso, eu prefiro o errado.
Notas finais
----
N/B: Betar capítulo depois que todo mundo leu não tem graça u.u Comentem, porque também quero saber se encontrarem algum erro u.u Quero passar a dar opinião sobre como deve ser os caps, porque também quero extravasar um pouco u.u Obs: A quantidade de u.u que eu coloquei, uhasuahsu
Fale com o autor