Promiscuous
6 "OH DROGA"
Notas iniciais
– Conversando sozinha Lisa? – perguntou Dean, fazendo-me pular de susto.
– Ah… oi. – falei me levantando e ajeitando a saia. Encarou-me de cima em baixo, exatamente como Anne fez quando sai do closet, pronta.
– Está fabulosa. – disse mordendo os lábios.
Fabulosa, por favor. Conte-me uma novidade, por que isso eu sempre fui.
– Obrigada. – respondi corada. Coloquei a mão para trás já me incomodada pelos seus olhares que queimavam sobre o meu corpo. – Podemos começar?
– Com certeza. – arrumou o cinto.
– Com o estágio...
– Estágio? – franziu o cenho. – Ah, claro. O estágio. Vem, vou te explicar tudo. – disse caminhando até a sua mesa. O segui e sentei em uma das cadeiras que tinha á sua frente. – Me deixa ver... – disse lendo algumas coisas. – Ah, correspondências.
– Como? – franzi o cenho fazendo o revirar os olhos.
– Correspondências Lisa, você vai pegar pega-las para mim.
– Mas aonde?
– No meu apartamento. – bufou como que se aquilo fosse à coisa mais óbvia do mundo. – Aqui esta a chave.
– De...- me reprovou com o olhar. – Sr. Dean, que eu saiba estágio é prestado para serviços da empre...
– Dean, querido. – a voz aguda de Cece ecoou pelo cômodo me interrompendo. – Desculpe pelo atraso.
– Sem problemas Cece. – arqueei uma sobrancelha. – Alias, já que esta mesmo no pique poderia pegar um café para mim, do jeito que eu gosto?
– Claro. – respondeu maliciosa, virou as costas e saiu da sala.
– E a aquela coisa toda de “Não tolero atrasos”? – fiz aspas.
– Lisa querida, digamos que ela tem motivos para se atrasar.
Como por exemplo, ficar até altas horas no seu apartamento soltando gemidos e me atrapalhando dormir? Certamente eu também tenho motivo para me atrasar.
– Onde estão as correspondências? – mudei de assunto.
– Na sala, em cima da mesa de centro. – falou enquanto organizava alguns papeis.
– Se permite, por que não pegaram elas antes de vim para cá?
– Isso não é óbvio?
– Não, não é.
– Simples. – parou com os papeis e me encarou com um sorriso torto. – Eu não preciso me dar o trabalho enquanto eu estiver você aqui para isso.
O encarei boquiaberta, uma raiva imensa subiu em mim. Cerrei os olhos, peguei a chave do apartamento em cima da mesa e sai da sala pisando fundo.
Passei por Zoe a cumprimentando o mais simpática que aquele momento me permitia, fiz sinal para o primeiro táxi que passou e dei as coordenadas até o prédio. Passei reto pela portaria onde Billy estava cochilando — como sempre — e peguei o elevador. Caminhei até a porta do seu apartamento, aquele lugar me lembrava de uma cena um tanto engraçada.
– Vai pensar que eu vou deixar barato? Você pega meu namorado, atrapalha minha transa e ainda da em cima do meu pretendente, na minha frente? – perguntou indignada, fiquei olhando para a sua cara enquanto tudo em volta ia rodando.
Meu estômago embrulhou de novo e dessa vez eu não o impedi, vomitando tudo o que tinha bebido algumas horas atrás, no pé da vadia. Cece fez uma cara de nojo e segurou a boca, fazendo menção de também vomitar.
– Ai que nojo. – disse, quando eu terminei. Levantei a cabeça e limpei a boca.
– Tá reclamando do que? Seu pé era bem pior sem isso daí, eu só te ajudei. – debochei, fazendo-a espumar de raiva.
Lembro como se fosse ontem, Cece com os pés vomitados. Sorri sozinha e entrei.
O apartamento de Dean não era muito diferente do meu. Tirando o fato que, tinha peças intimas espalhadas por todos os lugares possíveis, todos mesmos. E vai por mim, quando citei "peças íntimas" eu não me referia as cuecas dele.
Atravessei a grande sala, do lado direito tinha um balcão, aonde deduzi ser a cozinha. Segui pelo lado esquerdo e encontrei a sala de TV, aonde havia um grande sofá de canto bege que ocupava as três paredes a minha frente, e na do meu lado era praticamente ocupada por uma TV de plasma imensa. Literalmente ele tinha um cinema em casa.
Dei alguns passos para trás e sem que eu percebesse, tropecei na mesinha de centro e caí de bunda no chão. Como se não bastasse, no susto me apoiei em uma garrafa de cerveja que ainda estava metade cheia e virou em cima do carpete de pelúcia.
– Merda. — resmunguei ao me levantar do chão e ver o estrago que tinha feito. — Tudo bem, se acalma Lisa. Só um pouquinho de alvejante e fica tudo bem... AH CARALHO, QUEM EU ESTOU ENGANANDO? FERROU TUDO. MERDA. DROGA. TAPETE IDIOTA, CERVEJA IDIOTA, SE PELO MENOS FOSSE HEINEKEN EU NÃO RECLAMAVA, QUER DIZER, EU RECLAMARIA MAIS AINDA POR EU TER DERRUBADO HEINEKEN. DROGA. O QUE EU ESTOU FAZENDO? — fui atrás do alvejante.
Passei pela sala de entrada e fui até a cozinha, sem muito o que reparar. Um pouco além da entrada, ao lado esquerdo tinha uma porta, devia ser a lavanderia. TINHA QUER SER A LAVANDERIA. Abri a porta, dito e feito, era a lavanderia. Procurei por todos os lados por alvejante ou removedor de manchas, ou uma tesoura. Talvez se eu recortasse aonde eu manchei e colocasse a mesa de centro em cima ele não percebesse… achei o alvejante. Não fazia ideia de como usar aquilo, peguei uma escova que encontrei ali e voltei para a sala.
– Tudo bem, talvez umas 5 ou 9 tampas disso aqui remova. — abri o litro e em uma tentativa inútil de medir na mesma, minha mão escorregou e caiu o suficiente para encharcar o que antes era uma mancha. — Nove tampas ou meio litro, da no mesmo. — dei de ombros e comecei a esfregar.
Tudo bem, talvez não desse "na mesma". A mancha estava cada vez pior e quando percebi que estava mais do que encrencada, peguei o celular e liguei para a Anne.
– Fala.– respondeu no segundo toque.
– Anne, estou em uma puta encrenca.
– Puta você sempre foi amiga...
– ANNE! É SÉRIO, DROGA.
– Tudo bem, relaxa. Só me deixa sair da sala.
– Você está conversando aí dentro? — fui ignorada.
– Ou Careca, já volto. Não, eu já volto. CARAMBA EU DISSE QUE JÁ VOLTO. MELHOR AINDA SE EU NÃO PUDER VOLTAR. AHAN, AH, ENFIA ISSO DAI... tudo bem, obrigada. Eu já volto.– ouvi ao fundo, ela falando com algum professor. – Pronto, agora explica CLARAMENTE o que aconteceu.
– Tudo bem. — respirei fundo. — Primeiro o Dean mandou Cece buscar um cafezinho, depois ele me deu as chaves do seu apartamento pra eu pegar suas correspondências. — disparei. — Daí eu encontrei uma tevê gigantesca no meio da sala e fiquei pensando "nossa, como eu queria ter uma assim", só que eu trombei na mesinha de centro, derrubei a cerveja que caiu no carpete bege dele, que, aliás, combina com o sofá, fez uma mancha enorme.
– LISA, CALMA. — gritou. — Agora me responda... a cerveja era Heineken?
– ANNE!
– Ok, continua. Tinha uma mancha enorme e... obviamente você passou um pano molhado, como qualquer um faria?
– Não, eu passei alvejante. SÓ QUE A PORCARIA DA TAMPA ESCORREGOU DA MINHA MÃO, CAIU A METADE DO PRODUTO DO CARPETE E AGORA NÃO TEM SÓ UMA MANCHA DE CERVEJA, TEM UMA MANCHA ENORME ENCHARCADA DE CERVEJA E ALVEJANTE. E ESSA MERDA FEDE. — fiz uma pausa. — MUITO.
– Ah, só por isso que você esta toda histérica?
– É, só por isso... — ironizei.
– Tudo bem, faz o seguinte. Te encontro aí em 10 minutos no máximo e, você leva o que tiver que levar para o seu querido e amável chefe e eu arrumo a bagunça.
– Pirou? Não tem como eu te entregar as chaves do apartamento do meu chefepra você.
– É só me trancar ai dentro.
– Ah, claro. Como eu não pensei nisso não é Anne? Todo mundo prende a amiga no apartamento do próprio chefe, normal. BEBEU MINHA FILHA? EU QUE ESTOU CHEIRANDO ALVEJANTE E VOCÊ QUE FICA CHAPADA?
– Lisa, eu tenho um grampo.
– Meu deus, será que da para me ajudar logo? Foda-se a porra desse grampo.
– E... eu sei arrombar portas com grampos. Quer dizer, é mais fácil com cartão de créditos, mas como o meu pai tomou o meu por ter estourado o limite do cartão 2 vezes e...
– ANNE, VEM LOGO PRA CÁ. — desliguei o telefone.
Tudo bem era só esperar. Aliás, Anne sempre sabe o que faz, não é? É ela não sabe.
Sentei meio ressentida no sofá e esperei, não deu dez minutos direito e ouvi um barulho de fora do apartamento. Era Anne gritando pelo meu nome. Corri até a porta e a abri.
– Será que da pra parar de gritar?
– É que eu não sabia qual era o apartamento.
– Anda logo, já estou atrasada. — me virei e caminhei até a sala, sendo seguida por ela. — Essa é a mancha. Não quero saber o que você vai fazer, só tira logo isso dai e me liga se algo der errado ou se por milagre, algo de certo.
– Certo, eu tiro isso em um minuto.
– Não vale cortar.
– Poxa. — fez beicinho.
– Se vira. — peguei as correspondências em cima da mesinha e me virei para ir. — Ah, tirando a mancha da o fora daqui. Não sobe, não abra a geladeira, não usa o banheiro e pelo amor de deus, não coloca os pés no sofá.
– Tudo bem, mãe, é só uma manchinha.
– Boa sorte e... obrigada, eu acho. — dei um beijo em sua bochecha e caminhei até a porta, saindo do apartamento.
Peguei o primeiro táxi que passou e voltei para a empresa. Passei por Zoe novamente, subi para o décimo nono andar, dei um sorriso falso para Brigit — que me olhou com cara de tédio — e bati na porta do De... Sr. Dean. Droga, nunca me acostumaria com aquilo.
– Pode entrar. — escutei sua voz lá de dentro. Respirei fundo algumas vezes e abri a porta.
– Com licença.
– Não seja tanto formal, por que a demora? — disse me olhando por cima dos papeis.
– Hm... transito. Muito transito. Nossa, lá fora está lotado.
– Por acaso não andou bisbilhotando meu apartamento, andou?
– Claro que não. — disse nervosa e ele riu.
– Tudo bem, uma hora ou outra você iria conhece-lo mesmo. — franzi o cenho. — Leia-as para mim.
– O que?- perguntei confusa.
– Leia as correspondências para mim, fala quais chegou.
– Ah, isso, tudo bem. Bom, — disse mexendo as cartas. — Conta de água, luz, telefone e... — paralisei ao ver o envelope á minha frente.
– E?
– Hm... — engoli em seco.
– E o que Lisa?
Olhei de novo para o envelope. Não, não podia ser. O mesmo envelope que eu pus a minha... carta. Ah, droga. Merda. O que aquilo estava fazendo ali?
– Nada.
– Lisa, me dá esse envelope.
– Foi engano, não é nada. — tirou os papeis da mesa e se levantou vindo em minha direção.
– Entrega o envelope. — engoli em seco e o estiquei para ele, o segurando com tanta força que, Dean fez careta ao tentar puxa-lo. E quando fez força para o pegar, o puxei de seu alcance.
– Ai, ai. – fiquei passando o envelope de uma mão para outra.
– O que você está fazendo, pirou?
– Não, é que... o envelope esta muito quente. Isso. Você não vai querer se queimar, não é? – me olhou interessado antes de revirar os olhos.
– Passa logo isso para cá. – disse e antes que eu pudesse evitar, tomou o envelope da minha mão. — Hm, parece que recebi uma carta. — virou o envelope — Uma carta anônima. — falou, antes de abrir o envelope e começar a ler a carta.
É... pelo visto acabou estágio, acabou emprego. Tenho certeza que, só não acabou os "Oh Dean" do andar de cima.
Notas finais
~ * ~
N/B: Tudo bem, dessa vez vou por as notas por que existe uma pessoa chamada Ceci que gosta de aumentar sua autoestima em meu nome U.U
Pra começar, Fabulosa, Lisa não é fabulosa, eu sou, bitche please, U.U
E essa coisa de olhares queimando? MDS UAHSAUHS, muito discreto ele, não?
Era obra de o destino Cece estar lá né? Aposkaposk
A melhor parte, mesmo, foi Lisa gritando com a cerveja. De onde cê tira isso, migs? Asopkaosk
Aquele momento que você vê sua vida desmoronando na sua frente, imagino que foi isso que Lisa sentiu U.U
Enfim, [indireta/] Todo autor gosta de review [/indireta]
Até o próximo capítulo *u*
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