Promiscuous
12 Hola papi
Notas iniciais
– Finalmente. – ele sussurrou e soltei uma espécie de gemido em resposta, o senti sorri.
– Isso é melhor que só escutar. – falei sem muito raciocínio quase me rendendo ao sono.
– Então de acordo com sua carta, você foi à vadia da vez. – soltou com tão pouco raciocínio quanto eu.
Ele finalmente comentou sobre o que leu na carta e escolheu o pior momento para isso. Abri o olho imediatamente e ele também.
– Falei besteira? – perguntou cauteloso.
– Com toda certeza. – respondi, semicerrando os olhos e me virando lentamente para ele.
Isso não vai sair barato, "Sr. Dean".
Seus olhos se arregalaram, não sabia o que esperar. Na realidade, nem eu. Eu podia até está um pouco bêbada mas isso não iria me fazer ficar ali deitada, conformada em ser chamada de vadia.
– Lisa... – começou, mas estava perdido com a rapidez que tudo aconteceu – Não foi minha intenção.
Mas era tarde, dobrei minha perna e dei uma joelhada no seu "amiguinho". Ele se dobrou de dor e eu me levantei a procura da minha pouca roupa jogada pelo quarto. Me vesti rapidamente enquanto ele continuava na mesma posição gemendo de dor. Fui em direção a porta do quarto e antes de sair me voltei para ele.
– Você foi melhor quando broxou e dormiu em cima de mim, pelo menos não falou merda.
Sai do quarto e do apartamento, sem esperar respostas. Desci o mais rápido que pude até em casa, onde a mesma turma que me meteu nessa estava esparramada na sala, se entupindo de heinekens. Assim que me viu, Anne se levantou em um pulo com a cerveja na mão e andou, ou pelo menos tentou, até mim.
– Porra Lisa, você andou em todos os elevadores da cidade? Era só uma voltinha. — falou rindo com a voz embargada de bêbada.
Não sorri de volta, vi seu rosto mudando para o modo alerta na hora. Ela me conhecia bem.
– O que houve? Não gostou de mostrar o que normalmente fica escondido?
– Nem um pouco. – respondi cruzando os braços. – Encontrei Dean no elavador. – falei mais baixo para que os meninos não escutassem.
– TA BRINCANDO! – gritou exasperada, típico de Anne. Fiz uma careta pra ela, que abaixou o tom de voz e prosseguiu – E rolou algo?
– Rolou até o que o não devia rolar. Agora passa essa Heineken pra cá, preciso mais dela do que você. – falei tomando a garrafa da mão dela.
– Qual é, vocês vão continuar ou não? – Collin perguntou da sala.
– Quero detalhes e você não vai escapar. – Anne falou em um tom sinistro, me deu as costas e voltou pra sala.
Subi para o meu quarto, vesti a roupa de antes e acompanhei eles na sala.
– Caramba Lisa, pelo visto você gostou mais do que eu imaginava da consequência. – Matt provocou com um sorriso malicioso – Poderia fazer isso mais vezes.
Com certeza eu poderia. Ainda mais se incluísse Dean.
– Não, muito obrigada Matt. A próxima vez vai você. – respondi com raiva dos meus pensamentos.
Tudo bem que eu chamo as garotas que frequentam o apartamento de cima de vadias a todo o momento, mas é por pura raiva. Não imaginei que me tornaria uma delas, quer dizer, pelo menos não que o próprio Dean me diria isso. Eu estava furiosa comigo mesma. Talvez não fosse muita coisa o que ele disse, mas...
FOI MUITA COISA SIM!
E eu não iria me ofender por tão pouco, mas iria fazer ele engolir o que disse.
– Quem gira a garrafa? – perguntou Anne, me entregando mais uma Heineken que aceitei de muito bom grado.
Minha cabeça já estava ficando anuviada, mas eu não ligava. Só pensava em Dean e em alguma maneira de fazê-lo arrepender. A tentativa de matar seus futuros filhos não foi suficiente.
– Tuuudo bem, lá vou eu. – Anne disse posicionando a garrafa já que não teve resposta.
E a garrafa girava e girava, minha cabeça acompanhou cada volta. Meu Deus, isso vai doer amanhã. Não estava nenhum um pouco interessada naquele jogo, meus pensamentos estavam longe até que, a garrafa parou com a lado da pergunta virado para mim e o outro lado para...
ISSO!
Anne. Ela sorriu maliciosamente, e eu não precisava nem perguntar o que ela queria, já estava em seus olhos.
– Não precisa nem perguntar, você está de frente para a consequência em pessoa, querida – respondeu ela, antes mesmo de eu falar algo.
– Então eu te desafio a... – fiz uma pausa pensando no melhor jeito de ajudar minha amiga.
Uma idéia maldosa passou pela minha cabeça. Ela não iria gostar nem um pouco, mas o Collin estava ali a disposição o resto da noite, ainda teria muito tempo para conseguir ficar com ele. E eu precisava dela agora.
– A ir até o apartamento do meu amado vizinho de cima. – terminei a frase.
– O QUE? – Anne disse indignada por eu não ter seguido o raciocínio dela. Respondi com uma cara de paciência e com uma piscadela – E vou fazer o que lá na casa do Sr. Delícia?
– Isso eu te explico no caminho. – respondi, levantando e estendendo a mão.
POV DEAN
– Você foi melhor quando broxou e dormiu em cima de mim, pelo menos não falou merda. – Lisa falou antes de sair do quarto batendo a porta.
Não tive forças pra ir atrás dela. Ninguém nunca a avisou que se quer fazer charminho não se pode dar um chute no saco do cara antes? Tudo bem, eu errei a chamando de vadia, mas não filtrei o que disse. Ninguém pensa no que fala depois de um orgasmo daquele. Isso é lei.
Mesmo depois de recuperado não fui atrás dela. Tomei um banho e me joguei nos sofá com uma Heineken na mão. Ela quer justamente isso, que eu implore perdão, mas está com o cara errado. Não cedo aos dramas de mulheres tão fácil assim e nem foi algo tão grave para isso.
20 minutos e 2 Heinekens depois alguém começou bater na porta. Eu digo “começou” porque a pessoa fez minha porta de bateria e não parou mais.
– JÁ VAI, PORRA. – gritei já perto da porta pra abri-la.
– Olá Sr. Delicia. Lembra de mim? Fui eu quem ajudou Lisa a te tirar de cima dela depois que broxou e dormiu. – falou a garota assim que abri a porta.
– Eu não bro...- fiz uma cara de nojo ao imaginar a hipótese — O que você quer... qual é mesmo seu nome?
– É Anne e você com certeza não vai se esquecer mais de mim. Porque eu vou mudar a sua vida. – falou determinada, só me confundindo mais ainda.
– Então manda, não tenho o tempo todo – respondi já me irritando com a situação.
– Calma ai Sr. Delicia, não é assim que se trata visitas. Primeiro você me convida pra entrar – disse enquanto já entrava – Depois me oferece uma Heineken e ai sim eu mudo a sua vida. – foi em direção ao sofá, onde estavam as garrafas que eu tinha acabado de beber e se sentou.
Revirei os olhos com sua indecência e fechei a porta.
– Olha... Anne, não estou para brincadeiras. Já esta tarde então trate de falar logo o que você quer e cair fora. – disse a encarando e cruzando os braços.
– O combinado inclui Heineken e só estou vendo garrafas vaziaaas. – cantarolou ela, estava na cara que estava bêbada.
– Quem você acha que é, garota?
– Sou Anne, a garota esparramada no seu sofá a espera de uma cerveja, bem gelada de preferência, que vai dar a notícia da sua vida. – me respondeu, colocando os braços atrás do pescoço em sinal de total conforto
– Você não vai sem a cerveja, não é? – perguntei já desistindo.
– Não mesmo. – respondeu com certeza.
Respirei fundo e fui até a geladeira, peguei a cerveja e voltei, entregando para ela.
– Agora você fala rápido e vaza. – falei irritado
– É só um aviso, a partir de hoje acho bom você guardar boa parte do seu salário para a pensão, se não quiser se entender com a polícia, papai. – disparou.
– Papai? – gelei – Do que está falando, garota?
– Talvez você soubesse se tivesse mais contato com suas “amigas” que frequentam aqui. – fez aspas com o dedo e se levantou, andando para a porta – Bom, dei meu recado. Eu vou indo, obrigada pela cerveja.
– Espera aí garota, não vai falar quem é a mãe?
– Eu não sei se rolou algo pra trás, caso esteja se perguntando, não é a Lisa. O resto você descubra sozinho, papi.
E saiu cantarolando pelo corredor me deixando sozinho, confuso, pasmo e papai?
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