Já haviam se passado três semanas desde o incidente com Hinata, ela descobrira mais tarde que o quarto onde estava hospedada era de ninguém menos que Naruto, e apenas algumas pessoas sabiam onde ela estava, por uma questão de segurança.

Todos os dias ela seguia a mesma rotina, repouso quase absoluto, com refeições dentro do quarto, e três banhos por dia, seguidos de três trocas de curativos, o doutor veio lhe dizer depois de um tempo o que de fato estava fraturado em seu corpo, e ela se surpreendeu ao descobrir que tinha quebrado uma costela, e trincado dois ossos de ligação em uma das pernas, fora os inúmeros músculos que haviam sofrido algum tipo de dano com as múltiplas pancadas.

Naruto dormia com ela em dias alternados, eles não trocaram nenhuma palavra desde que ele a encontrou no banheiro três semanas atrás, e ela não sabia se tinha feito algo errado, ou se ele simplesmente perdera o interesse que tinha nela.

Mas de qualquer forma ela estava preocupada demais com outras coisas para focar em seu amor não correspondido, ela precisava descobrir mais sobre Hanabi, e principalmente, teria que dar um jeito de confrontar Shion hoje no café da tarde, que seria a primeira vez depois de dias que iria poder sair do quarto.

Tomou banho sozinha, sentia falta da privacidade, a tempos tudo o que realizava tinha de ser monitorado, e a poucos dias ganhara parte de sua vida de volta. Colocou um Kimono de seda rosa, leve, porém muito bonito, arrumou o cabelo em uma trança, e se limitou a um gloss vermelho, se permitiu focar sua imagem no espelho, ainda possuía um pequeno corte quase curado na bochecha, e notou com gratidão que a maior parte dos hematomas haviam sumido. Suspirou com alivio, por mais que o ato de respirar fundo ainda incomodasse, ela já estava quase cem por cento.

Esperou Tsunade vir buscar-lhe, e depois se dirigiram até uma sala reservada, onde tomaria chá somente com as outras prometidas – suas irmãs – sentou-se em uma poltrona perto da janela, e sentiu o sol aquecer-lhe a face em êxtase, ouviu alguém entrar na sala, e se acomodou melhor para receber as amigas, a primeira a chegar foi Sakura.

– Hina ... — disse com lágrimas nos olhos.

– Eu estou bem Sakura — disse sorrindo — pode confiar em... — foi interrompida por um abraço delicado, porém caloroso, era impróprio demonstrar sentimentos, por mais que estivessem sozinhas, no entanto se permitiu levar pelo ato de afeto.

– Por favor, nunca mais me assuste assim – disse com a voz embargada pelo choro.

– ah, não chore, eu estou bem – disse tomando espaço no abraço para lhe dirigir um sorriso tristonho.

Logo depois ouviu um grito histérico de Ino correndo em sua direção, e se assustou. O que diabos estava acontecendo com elas? Perderam o juízo?

– Hinata! – disse a loira abraçando-a também – por Deus o que te aconteceu? fiquei tão preocupada! – disse apertando-a, por mais que incomodasse ela não fez menção de impedi-la.

– Meninas, não podem agir assim – disse repreendendo-as – se pegarem vocês...

– Desculpe – disse Sakura baixinho – não queríamos assustá-la.

– Deixe disso Hinata — disse Ino – ninguém vai nos pegar, agora nos conte, quem fez isso com você?

A morena suspirou fundo, estava fugindo de interrogatórios desde que aquilo aconteceu, não sabia bem o que contar, ou pior, como contar, por mais que soubesse quem o fez, ela jamais poderia dizer.

Felizmente a atenção foi voltada para Shion que entrou no cômodo com um ar superior, estava vestida como uma nobre, e vinha acompanhada de Naruto, e Kushina, por um breve segundo, os olhos azuis analisaram os pratas, e depois desviaram o olhar novamente.

– Senhoritas – disse a rainha de uma forma estranhamente desgostosa – tivemos hoje pela manha a visita de um antigo amigo da família Uzumaki, que nos apresentou a senhorita Shion como sua filha, nos contatou que era um desejo dela se passar por uma das prometidas de meu filho, e que com a ajuda de Orochimaru ele a encaixou no programa um dia antes de serem entregues, ele veio aqui sugerindo uma aliança, entre o povo da lua, e Konoha, que foi prontamente aceito pelo meu esposo, vosso rei – fez uma pausa dirigindo o olhar para seu filho.

– A princesa Shion, de agora em diante será minha noiva – disse Naruto sem olhar para Hinata, que estava tão surpresa quanto às outras meninas – devem tratá-la com respeito.

Shion olhou diretamente para a morena, e sorriu.

...

Hinata dirigiu-se ao seu quarto de origem, uma ordem direta da princesa da lua, tinha que trocar as ataduras uma hora atrás, mas não foi, estava sem vontade, seria bom se pegasse uma infecção e morresse logo.

Abriu seu armário e tirou de lá o envelope que continham as fotos de sua irmã, o abriu e viu os mesmo olhos prateados emoldurados por longos cílios negros, o sorriso aberto, ela parecia tão feliz... tão feliz como Hinata nunca esteve.

Quando eram 19h20 recebeu um comunicado de Tsunade que Shion lhe proibiu de comer no salão com as outras garotas e a rainha. O pior lado de ser uma prometida, é que quando seu dono se casa, sua esposa se torna também sua dona, e desobedecê-la implica em castigos mais severos.

Comeu no quarto mesmo, apenas pequenas porções, deixou a maior parte da comida intacta, estava sem fome, dirigiu-se ao banheiro e tomou banho, vestiu uma camisola branca rendada, e deitou-se, não estava fisicamente cansada, mas sua mente rogava por um pouco de paz. Quando estava prestes a cair no sono, ouviu sua porta ser aberta, se encolheu entre as cobertas temendo ser Shion, pressionou os olhos com força deixando algumas lagrimas caírem.

Esperou, esperou e esperou, mas nada ocorreu, com o corpo tremendo, abriu lentamente os olhos, o quarto estava iluminado apenas pela luz da lua que adentrava o quarto pelas janelas, por um momento não viu ninguém ali, sentou-se na cama com os braços ao redor do corpo, e foi ai que ela o viu, Naruto, em pé bem a frente de sua cama, com um rosto desolado observando-a surpreso.

Ele caminhou lentamente até a lateral da cama, se acomodou bem ao lado dela e a puxou pra seus braços de forma carinhosa, ajeitando-a em seu peito, ela ainda tremia, e mantinha-se ofegante.

– Fui ao doutor para perguntar como você estava. Ele me disse que não apareceu para trocar os curativos – disse pausadamente, deslizando uma das mãos no braço de Hinata, como se quisesse aquecê-la – depois acompanhei minha mãe até o salão para o jantar, e você não estava lá – dito isso ele a apertou de forma delicada – o que houve pequena?

– Não queria trocar os curativos – disse com a voz tremula – eu já estou bem, e.. eu não fui para o jantar...porque fui proibida pela princesa – disse com a voz embargada.

– Proibida? ela a proibiu de comer no salão? – disse com a voz irritada, o que fez Hinata se encolher em seus braços e chorar baixo, já sabia o que ia ocorrer, ele iria abordar Shion, e ela iria castigá-la, ou pior, iria castigar Hanabi.

– Se..Senhor meu dono, por favor, não irrite vossa princesa – disse enterrando o rosto delicado no peito de Naruto, e envolvendo-o com os braços.

– ela não vai castigá-la, posso garantir – disse alisando os cabelos da morena, que chorava cada vez mais, claro que ela iria castigá-la, se não fosse ela seria sua irmã.

– por favor... – Naruto a manteve em seus braços, sem falar nada, deixou que ela chorasse, apenas confortando-a com seu toque.

Hinata foi se acalmando aos poucos, sua respiração foi se tornando mais suave, e ela parou de chorar depois de alguns minutos.

– Eu sempre soube que Shion não era minha prometida – disse o loiro – minha mãe também sempre soube – disse com um humor falso na voz – sabe... ela a odeia, originalmente, eu nunca a escolheria como noiva, mas meu pai viu um bom negocio dentro desse casamento – suspirou – quando eu tinha dois anos, meus pais fizeram um acordo com o clã Hyuuga, o clã mais forte e independente de toda Konoha – disse com a voz suave – o acordo era que eu seria unido em laços matrimoniais com a filha da condessa, eu me lembro vagamente dela, olhos incríveis, e as bochechas sempre ruborizadas – disse rindo – mas sua filha foi sequestrada quando eu ainda era menino, e desde então nunca mais se soube dela, aposto que ela seria melhor que Shion.

Hyuuga...Hy..uuga novamente aquele nome.

– quer saber o mais curioso? O nome da garota também era Hinata — disse Naruto.

A morena se encolheu mais nos braços do loiro, Orochimaru costumava dizer que Hinata era um nome raro, e dedicado a realeza, somente Duquesas e Condessas podiam carregar um nome tão forte, e que ela era infeliz ao ter este sendo uma prometida, porque sua classe depreciava o significado de poder que ele naturalmente tinha, e isso fazia com que ela fosse uma desonrada.

– desculpe... – disse escondendo o rosto no peito do loiro

– ah? Por que esta se desculpando? – ele acariciou os cabelos sedosos da morena, tentando fazer com que ela se sentisse melhor.

– por ter um nome nobre, sendo de uma classe inferior...

Ele afundou a cabeça na curva do pescoço de Hinata, e beijou-lhe ali, uma sensação estranha envolveu a morena, e ela instantaneamente se sentiu mais leve, fazia dias que ele não a beijava, e ela estava com saudades, em um surto de coragem, ela levantou o rosto procurando o dele, e o encontrou sorrindo para ela, lindo...com sempre. Hinata corou pela proximidade, e ofereceu os lábios manhosa, pela primeira vez em dias, ela se deixou admitir que sentia falta dele, e que precisava do seu toque.

Naruto a olhou extasiado, uma alegria tomou conta de seu corpo acompanhado de um calor acolhedor, e ele encostou finalmente sua boca na dela, com cuidado para não machucá-la, um beijo calmo.

A morena levantou o quadril, posicionando-se em cima do príncipe, com uma perna de cada lado, pressionando sua intimidade na dele, fazendo-o gemer rouco em sua boca, ela levantou os braços e apertou os dedos nos fios claros, puxando com cuidado, e tornando o beijo mais necessitado, o Uzumaki aproveitou a posição que se encontravam para passear com as mãos nas pernas da morena, levantando a camisola e marcando a pele clara com apertos que a faziam suspirar, ela desceu as mãos dos cabelos loiros e começou a passear com os dedos pelo pescoço, colo e braços de Naruto, que já estava ficando louco com o que ela estava fazendo.

Ele desceu a boca até o pescoço claro e começou a beijar e morder a região, enquanto suas mãos subiam até o busto avantajado e apertavam-lhe os seios, Hinata estava sentindo um aperto em sua intimidade, era bom e ruim ao mesmo tempo, e ela queria mais e mais, cada toque era novo, e cada sensação era inexplorada, o loiro adentrou com as mãos a camisola da morena, arrancando-a pela cabeça da mesma, passou os braços em volta do tronco de sua prometida, e quando a apertou de forma um pouco brusca – ah – atingiu-lhe a costela quebrada.

A morena arquejou de dor, e caiu nos ombros do príncipe com os olhos marejados, ele a deitou descoberta somente de lingerie na cama, e a observou, cada marca, cada ponto, tudo o que não fosse ela ali, ele odiava, odiava o corte na sua boca delicada, odiava o arroxeado causado por hemorragias internas, odiava ter lhe causado dor com seu toque.

Delicadamente, ele flexionou o corpo na direção da morena, para beijar cada uma das marcas, dos pés à cabeça, até depositar um singelo beijo na boca da menor.

– Perdão, não quis te machucar – disse aconchegando-a em seus braços, e beijando o auto de sua cabeça – melhor esperarmos até que você esteja bem.

Hinata lembrou-se então de todas as ameaças de Shion, sobre ter o que lhe pertencia, Naruto era noivo dela, e ela estava a mercê de todos os castigos que ela quiser direcionar-lhe, e também, Hanabi...

– Senhor... gostaria de ser imprudente, e pedir-lhe um favor – disse com a voz em um sussurro.

– o que quiser – disse sorrindo.

– por favor, não venha mais me ver – a voz saiu travada, e chorosa.

O Príncipe ficou visivelmente chocado com o pedido, levantou-se levando a morena consigo, deixando-a de pé em sua frente.

– Por quê? – disse olhando para Hinata – você não me quer? Pensei que me amasse – disse visivelmente triste, de fato, todas as prometidas amavam seus donos, eram criadas para isso, mesmo que repudiasse esse tipo de amor forçado, não conseguiu deixar de sentir um nó na garganta.

Viu atordoado os olhos prateados tomaram foco, levemente marejados, fitando-o chocados.

– Tudo o que eu fiz minha vida toda, foi a amá-lo – a voz saiu firme, como quem diz a maior verdade do mundo. Os olhos do Uzumaki se acenderam.

– então, por quê? – e ele disse com a voz entrecortada.

– Porque...- ela suspirou – não posso tê-lo, eu te pertenço, meu coração é teu, assim como meu corpo, mas o senhor... Não é meu, e tudo o que posso esperar de nossos encontros, são castigos que vossa noiva pode causar como ela disse que faria, porque você pertence à ela e...

Ele a beijou, ele a beijou como nunca a havia beijado antes, todos os seus sentimentos estavam naquele beijo, e ele despejou tudo de uma vez só em cima dela.

– Eu te pertenço senhorita Hinata.

Notas finais
Gente, estamos fracos em comentários, em visualizações, fracos em tudo D; Poxa... eu não mereço mais nenhuma recomendação? ;c