Promessas impossíveis
1 Capítulo único
A rua por onde Júlio andava era normalmente calma, mas a chuva a tornava ainda mais vazia. Ele não usava um guarda-chuva, gostava da água escorrendo por seu cabelo, sua pele, o ajudava a pensar. Achava que tinha se curado do vício, afinal, estava limpo há três meses. Não sabia por que, mas a Vontade, como ele chamava, simplesmente não vinha mais.
Uma desconhecida, então, virou a esquina e entrou na rua em que Júlio se encontrava. Aparentava ter uns vinte e dois anos e ia correndo na direção dele. Júlio parou quando a mulher passou ao seu lado. Aquela sensação tomou conta dele novamente, depois de tanto tempo. Parecia uma dama tão frágil... pegando um atalho para casa, provavelmente, para não tomar tanta chuva... afinal, por que outro motivo uma mulher, em pleno juízo, andaria sozinha por uma rua deserta? Aquele sorriso gélido se abriu no rosto de Júlio. Tentou ficar parado, mas aquilo o controlava de uma maneira tão intensa que ele não conseguia resistir, até que deu meia volta e começou a correr atrás da desconhecida, que notou a perseguição. Ela atravessou a rua para ter certeza de que estava sendo seguida, e Júlio foi atrás, descaradamente, o sorriso se alargando em seu rosto. Ele adorava a aparência de terror no rosto das vítimas quando sabiam que eram alvo.
Os homens, naturalmente, conseguem atingir maiores velocidades que as mulheres, principalmente quando estes estão em boa forma física, como Júlio. Por isso, alcançou rapidamente a mulher, com o canivete que sempre carregava já em punho. Agarrou seus ombros, fazendo-a parar, e colocou a lâmina em seu pescoço. Ela tremia, de medo e frio, e lágrimas escorriam por sua face.
— Pegue meu celular, meu dinheiro, mas, por favor, não faça nada comigo!— implorava a vítima, entre soluços. Júlio soltou uma gargalhada. Pegou o celular da moça e o guardou em seu bolso.
—Agora, ande de mãos dadas comigo, como se fosse minha namorada. Não grite. Aja normalmente se ver alguém. Do contrário, não hesitarei em te matar— sussurrou Júlio friamente no ouvido da mulher, que fez o que ele pediu.
Após andarem algumas quadras, estavam na casa dele. Júlio a levou para o porão, onde a amarrou em uma cadeira simples e tapou sua boca com fita isolante. Pegou o canivete e rasgou sua blusa. A desconhecida, agora, tinha certeza que seria estuprada, mas Júlio tinha outros planos. Não era um homem comum. Já teve mulheres e alguns homens, em busca de alguma boa sensação, mas esse prazer carnal simplesmente não era para ele. Não... Júlio tinha um vício menos comum. Um repugnante e incontrolável vício.
Começou fazendo um corte na bochecha da estranha. Provou do sangue que escorria apenas para deixá-la enjoada. Ela tentava gritar, mas sua voz era sufocada pela fita. Júlio, então, subiu as escadas e, após um tempo, retornou com um instrumento um tanto medieval. O arranca-seios que segurava já estava aquecido pelas brasas da lareira que tinha em casa. Prendeu o objeto nos seios da moça e o puxou lentamente. A dor latente enlouquecia a mulher, que tentava gritar freneticamente. Júlio daria tudo para poder retirar a fita e ouvir os gritos, mas ele tinha vizinhos. Com os seios arrancados, a mulher sangrava incessantemente, e logo morreu de hemorragia.
Júlio, então, fez o que mais gostava. Pegou uma faca apropriada para o serviço e começou a retirar a pele da jovem falecida. Calma e cuidadosamente... O rapaz se encontrava em estado de êxtase. Tanto tempo! E como ele sentia falta disso!
Quando o cadáver se encontrava completamente despelado, Júlio limpou a pele e a guardou junto com as tantas outras da coleção. Lavou o porão e, depois de seco, repintou as paredes, o chão e o teto do lugar.
Dirigiu alguns quilômetros na chuva até chegar àquele rio, seu velho amigo. Àquele rio solitário e desconhecido pela maioria. A chuva, mais tarde, apagaria os rastros de pneu da caminhonete. Quebrou o celular que tomara da desconhecida e enterrou cada pedaço em um lugar diferente na terra ao redor. Retirou a lona da caminhonete e pegou o corpo cuidadosamente embrulhado e, agora, esquartejado e jogou cada parte em distâncias diferentes do rio, em lados opostos da ponte deserta na madrugada.
Sentou-se, então, à beira da ponte, enquanto encarava o movimento e ouvia o barulho da água do rio em contato com os pingos da chuva. Prometia falsamente a si mesmo, pela décima primeira vez, que nunca mais sustentaria seu vício.
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