O dia de aulas passou sem que eu desse por ele, hoje, era o funeral dele, a minha irmã veio-me buscar. Não disse uma palavra no caminho todo nem um olá. No funeral do Derek quis ir ver o seu corpo, só para ter a certeza de que era eles. Quando abri o caixão fiquei horrorizada, ele estava todo desmembrado, tão diferente. Senti uma enorme dor no meu coração, uma enorme vontade de chorar, mas quando ia para chorar, senti uma leve brisa na minha cara, essa brisa tinha o cheiro dele, então em vez de chorar apenas pensei nele. Reparei que ele usava um fio com um anel feito por uma tampa de caneta, então lembrei-me…

**Flashback Onn**

Estávamos em 1996, eu e o Derek estávamos chateados, ele tinha-me trocado pela puta da prima, e eu decidi atirar-lhe umas verdades à cara.

Estava deitada na cama quando começo a ouvir a música: Wont let go, alguém estava a cantar, muito desafinadamente. Fui à janela e quem era? Sim! Nada mais nada medos que Derek Anthony! E que mais fez ele? Trepou até ao meu quarto -.-‘

- Desculpa! – Pediu-me

- Tu trocaste-me!

- Não! Foi sem intenção! Quer dizer, foi de boa intenção, só a queria ajudar no trabalho. Eu nunca te trocaria! Juro!

- De boas intenções está o inferno cheio!

Ele fez aquele olhar bonitinho e eu abracei-o. Ele pegou nos clipes que eu tinha em cima da mesa, fez uma pulseira e disse:

- Enquanto tiveres esta pulseira, serei teu!

Eu peguei numa tampa duma caneta, fiz um anel e disse-lhe:

- Enquanto tiveres este anel, serei tua!

**Flashback Off**

Fiquei contente por ele ainda usar aquilo, pois eu também ainda usava a pulseira.

- Lilyane, posso falar contigo? – A mãe dele pediu-me.

- Claro!

Fomos para o quarto dele, o seu quarto fazia-me sentir… segura… feliz… não sei explicar ao certo…

- Desculpe, eu sei que a culpa é minha, se eu nunca tivesse levado o Derek e… — Comecei, precisava de me desculpar à mãe dele.

- Não! A culpa não é tua! Não te chamei aqui para te dizer isso, sei que tu estás a sofrer muito, só quero falar contigo.

- Cclaaro!.. – Gaguejei um pouco.

- O meu filho amava-te muito, eras e sempre foste a melhor amiga dele, eu nunca o vi tão feliz como quando ele estava contigo, quero-te agradecer por isso.

- Não me agradeça, eu também AMO muito o seu filho…

- Uma vez, o seu filho pediu-me para que se lhe acontecesse alguma coisa eu te entrega-se isto. – Entregou-me uma carta. – Lê, e quero que saibas que serás sempre bem-vinda a esta casa. – Sem pensar, agarrei-me a ela a chorar.

**********************

Já em minha casa, decidi ler a carta:

“Oi! Se estás a ler isto, é porque eu morri… Deves estar a pensar que estupidez eu ter escrito isto. Sim, se calhar foi um bocadinho, mas eu sempre tive muito azar, e a minha maior sorte foi ter-te conhecido, por isso, não me admiro nada se eu morrer. Quero que saibas que eu te amo muito, lembro-me de TODOS os nossos momentos, até das discussões.

Promete-me que não vais chorar!

Promete-me que vais ser feliz!

Apesar de não estar ai, estou no teu coração, e vou olhar por ti.

Nada de mal te vai acontecer, pois eu serei o teu anjo da guarda.

Amo-te!

Para ti melhor amiga!

Derek Antonhy.”

- Desculpa mas eu não vou ser feliz… — Pronunciei como se fosse um sussurro. Agarrei-me à almofada e comecei a chorar.