Promessas
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Está é uma das primeiras one-shots que escrevi, já faz um bom tempo inclusive, e a trago aqui para ingressar no site - me cadastrei a pouco e fiquei ansiosa para postar.
Todos corriam para todos os lados. Quem parasse para focar em somente uma pessoa, se sentiria tonto, de tanto que essa pessoa se moveria numa rapidez incrível. E de todas as pessoas, minha mãe batia o recorde. Havia ido à outra cidade, voltado, ido em outro lugar e agora estava na minha frente teimando que com uma das criadas que o melhor salto é o de cristal.
Admito que não entendo muito bem dessas coisas. Nunca me preocupei também. Mas agora, vendo minha mãe e o resto das mulheres decidindo os últimos detalhes, bem, fico pensando se não seria necessário eu entender um pouco disso.
Finalmente, havia conseguido tirar o vestido. Era só para ver os últimos ajustes na minha cintura, mas minha mãe insistia em ver isso e ver aquilo. Estava ficando irritada, então calcei meu tênis e sai daquele local o mais rápido que pude. Posso estar falando da minha mãe como se estivesse brava – que não é mentira também — mas a verdade é que não a culpo por isso, acho que todas as mães ficariam eufóricas um dia antes do casamento de sua — única — filha.
Devo ter esquecido de mencionar: eu vou me casar. O meu único problema é que eu não sinto que...vale a pena. É algo estranho, não sei explicar. Eu acho que se eu me casar, vou me arrepender. Mas não tenho coragem de para um casamento por causa do meu medo. E – droga! — não conseguiria magoar o Sasori assim. Pelo menos eu não queria.
Sasori sempre foi um homem muito bom comigo. Ele é carinho, trabalhador, gentil. Digamos que o “modelo ideal” que as mães, geralmente, procuram para a filha. Foi até engraçado o modo como nos conhecemos. Meu pai me apresentou a família de Sasori, mas eu ainda não havia o visto, e depois de um tempo, ele apareceu, e minha mãe não parou de elogia-lo e me fazer ficar cada vez mais vermelha. Era uma festa, e então Sasori me convidou para dançar. Foi nossa primeira aproximação, e depois, ficamos cada vez mais próximos. Ele me respeita, e eu o respeito. Estamos bem. Ou é assim que quero pensar.
Quando me vi no jardim, me acalmei como se fosse automático. E a sensação era maravilhosa.
Apreciei o vento gélido, mas por motivos odiosos, aquilo me trouxe lembranças. Quando eu era mais nova. Um amor proibido de jovens. Sasuke Uchiha. A pessoa que me mudou drasticamente, em sentidos bons, e até mesmo ruins.
Era um dia como esse quando me encontrei com Sasuke pela segunda vez. A primeira foi um acidente completo, esbarramos sem querer, e quando fomos tomar um sorvete enquanto caminhávamos, acabei caindo e o sujando. Não entendi o porquê, mas ele sorriu e segurou minha mão, e depois me chamou para sair. Então, no nosso segundo “encontro romântico”, ele me levou para um jardim, numa tarde em que o vento estava gélido. Lembro-me perfeitamente deste dia. Subimos a árvore que ficava no meio do jardim e começamos a conversar, de várias coisas, importantes e banais, até anoitecer. Para mim, o impressionante é que sempre o achei muito misterioso, fechado e discreto. Até mesmo antipático, mas naquele dia, ele me mostrou um lado diferente, mas não deixava de ser misterioso.
Deis de então começamos a sair, escondidos, pois ambos os pais não concordavam com nossa aproximação, muito menos nosso relacionamento. E eles nunca disseram o motivo. Mas Sasuke não me deixou ir, e foi assim que começamos nossos encontros escondidos, depois do anoitecer. Ele também me respeitava, e por isso, sem medo, me aproximei.
Não me lembro exatamente do dia, mas me ainda lembro quando o vi sem camisa beijando uma garota quase nua. Estava atordoada demais para pensar, e desejei que tudo desabasse, que tudo acabasse de vez. E acabou. Ele falou que não se arrependia, eu falei que o odiava...e nunca mais nos falamos. Não, nos falamos, mais uma vez.
Quando conheci o Sasori, admito que fiquei insegura se devia ou não me aproximar. Mas arrisquei. Depois, o pedido foi feito, eu teria a oportunidade de estar ao lado de alguém que eu gosto para sempre. Aceite. E algo dizia que eu estava fazendo o certo, naquele momento.
—Sakura. –tentou me abraçar, mas o empurrei irritada.
—Como ousa tentar me abraçar depois de tudo?
—Por favor, foi um mal entendido, estávamos bravos...
—Acha que irei acreditar nisso? –gritei. Depois que percebi que já chorava.
—Sei que me ama Sakura, porque então não volta para mim? –tentou se aproximar, mas recuei.
—Deixe-me em paz!
—Sakura...
—Saia! –gritei, novamente, ainda mais forte.
—Tudo bem. –deu se por vencido- Mas se mudar de ideia, sabe onde me encontrar. –sorriu- Eu te amo. –me deu um selinho quando eu estava desprevenida, mas logo me afastei novamente e corri para mais longe dele.
Então, estava no dia. Iria me casar. Iria ser feliz. Eu me sentia segura, sabia o que queria, sabia que me casar com Sasori seria uma boa ideia. Mas, porque então algo me diz que eu devia parar?
Antes de começarmos a nos arrumar, nos concederam uma última olhada antes da cerimônia. Assim que o encontrei, o abracei e o beijei. Não era um beijo normal, não era um beijo comum. Era um beijo de respostas. E depois que o finalizei, ganhei minhas respostas.
Minha mãe correu com o vestido enquanto sorria, sempre sorria. Uma das criadas a ajudaram com a maquiagem, outra, com o cabelo, depois com o vestido, sapato, creme, perfume e não sei mais o que. Estava tão perdida naquele espaço que não sabia para onde ir, o que fazer.
O beijo não saia dos meus pensamentos. Sasuke não saia dos meus pensamentos.
Um barulho foi ouvido, só então me toquei que estava na hora. A igreja era quase de frente para a minha casa, teria que andar um pouco antes de chegar à porta, mas você conseguia ouvir os hinos que cantavam mesmo que estivessem em casa. Era uma pequena estrada, uma trilha para ser mais exata. Estreita e ligeiramente limpa. Até me surpreendia. Convenci minha mãe de me deixar ir andando até a cerimônia, demorou, mas convenci.
E lá estava eu, ajeitando o meu salto e saindo da porta de casa, lentamente, e pegando o caminho da trilha. Como um sopro suave, o vento balançava meus cabelos. Eu andava sem saber o que esperar, sem saber o que pensar do amanhã. Estava tão perto, mas tão longe. Tão decidida, mas tão confusa. Mas eu preciso tomar uma decisão, mesmo que eu não saiba qual exatamente. Nunca estive tão confusa.
Sabia que a maquiagem em breve se borraria toda, pois já me encontrava chorando, já me encontrava desesperada. De longe eu avistada, um pouco embaçado, os convidados, meus pais e, meu noivo.
Não. Isso está errado.
Minhas pernas começaram a travas, como se me impedissem de prosseguir. Isso não podia estar acontecendo. Não comigo.
—Eu te odeio. –falei enquanto tentava limpar delicadamente algumas lágrimas pelo meu rosto.
Olhei para frente, e quase pulei de susto ao ver o Sasori se aproximando. Abri minha boca para tentar falar algo, mas ele me beijou e me puxou pela cintura com certa força. Depois me soltou, quase sem fôlego –como eu também estava- e pude perceber algumas lágrimas querendo escorrer.
—Sasori... –minha voz finalmente saiu. Ele me encarou e sorriu, mas era um sorriso triste.
—Eu queria fazer isso –sua voz quase falhou- pela última vez.
Última? Ele sabia? Ele... Não sabia o que pensar. Sasori balançou a cabeça para o lado como se me mostrasse um caminho, e realmente estava mostrando. O abracei pela última vez e sussurrei:
—Desculpa.
Não disse nada, apenas assentiu. Nos soltamos e eu tentei sorrir, e sai correndo. Tenho certeza que naquele ritmo eu quebraria o salto de cristal, rasgaria o vestido de ceda e borraria a maquiagem de luxo. Eu não me importava.
Corri ainda mais rápido. Estava ficando cansada e sem fôlego, então, eu o vejo. Eu realmente o vejo. Vou a sua direção e o abraço, sem esperar por mais nada, ele me agarra e me beija.
—Me desculpa...eu não devia... –falou tristemente, sem conseguir terminar. Toquei na sua bochecha e sorri deixando, desta vez, lágrimas de felicidade escaparem.
—Está tudo bem.
Sorriu e me abraçou fortemente enquanto me rodeava pelos ares. Estava me sentindo realizada naquele momento, eu não tinha mais direito de pedir algo.
—Promete que não vai me abandonar? –sua voz saiu chorosa- Promete? –seus olhos estavam marejados- Promete não me abandonar, mesmo que não me ame mais?
Toquei novamente na sua bochecha, antes de lhe beijar profundamente.
Essa é minha decisão...
—Prometo, Sasuke.
Notas finais
Obrigada por lerem!
Beijão
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