Promessa de amor - LM

1 Capítulo 1 - De quem é esse batom?


E mais um dia começava, ela já sabia o que estava a sua espera. Reuniões incansáveis ao lado do marido, documentos e papéis que precisam de sua assinatura e aprovação, o dia novamente seria cheio e estressante.

Ela se espreguiçou na cama e passou a mão ao lado em busca do corpo adormecido do marido, estranhou por não sentir ele ali e coçou os olhos, sentando na cama.

Estevão não era de acordar cedo, muito menos em uma sexta-feira.

— Estevão? – chamou ele e levantou, olhou o relógio e viu que ela era a atrasada. – Seu safado! Me pega a noite inteira e ainda faz isso, você me pega, San Roman!

— Bom dia, pituquinha... – entrou no quarto com uma marca de batom na bochecha e uma bandeja de café em mãos.

— Onde você se meteu? Eu... – se aproximou e olhou o rosto dele com atenção. – De quem é essa marca? Quem foi a vagabunda? Fala logo, seu traste! Sem consideração, é isso que você é!

— Maria, fica calma! Deixa eu falar, mulher. – deixou a bandeja na mesinha do quarto e olhou ela, ela bufou cheia de raiva.

— Falar o que? "Maria, você dormiu e eu fui me agarrar e passar meu grande pinto em outra mulher." – imitou a voz dele, era geniosa, não negava as origens simples que tinha e muito menos o gênio.

Estevão segurou o riso, conhecia bem a mulher que tinha. Ela fungou nervosa, passando a mão no rosto, era ciumenta e aí de quem se metesse com os seus!

— Não, meu amor... Calma. — acariciou o rosto dela e a trouxe para si, apertou e beijou a mulher. – Eu não fui me esfregar em ninguém, até porque você só contrata senhorinhas pelancudas para trabalhar aqui.

— Mas vai que você tenha uma tara por elas, eu não sei... Se me quis vai querer uma delas também.

— Eu quis e quero você, não fale assim, Maria. — ele era paciente, falou calmo e passou a mão nas costas dela, subiu e desceu.

— Não começa com isso, para de me alisar... Fala de quem é esse batom, fala ou eu vou te dar uns bons tapas. – rosnou ameaçadora.

— É da minha mãe! – levantou as mãos pra cima em um gesto de rendição. – A mamãe tá aqui, amor, só isso.

— Só isso? – Maria passou a mão nos cabelo e suspirou, conhecia a sogra como a palma da mão e sabia das falcatruas da velha.

— Amor, ela veio a trabalho, ela e o meu pai, não fica assim.

— Essa casa vai pegar fogo, Estevão! Sua mãe é doida, você entende? Ela é maluca, amor, Deus me defenda!

— Ela tá mais controlada, eu juro! – olhou ela com olhos pidões. – Amor, é minha mãe, eu não implico com a sua mãe.

— Porque minha mãe é um ser humano normal que gosta de você e que não tenta matar seu pai a cada segundo, ela tem ciúmes até do vento, amor. – suspirou e se aproximou da mesinha, olhou a bandeja e pegou uma maçã.

— Maria, ela não vai aprontar nada dessa vez, mas deixa ela ficar.

— Ela fica, mas se começar a derrubar minha casa eu chuto ela daqui. — mordeu a maçã.

— Tudo bem, não vai ser preciso, calma. – se aproximou sentando ao lado dela.

— Meu amor, se ela quebrar mais um dos meus vasos egípcios, eu arranco aquele cabelo dela, ouviu?

— Já estão falando da vovó? – Estrela entrou no quarto saltitante e se jogou na cama dos pais. – Vocês tomaram o que ontem, mamãe?

— Nós não tomamos nada, amor, porque? – passou a mão nos cabelos loirinhos que a filha tinha.

— Porque eu tive uma séria vontade de sair correndo daqui, vocês quase colocavam essa casa a baixo. – balançou a cabeça em sinal de negação, Maria sentiu o rosto se avermelhar. – E nem me olha assim, da próxima vez bota os travesseiros na cabeceira da cama.

— Estrela! – falou mais vermelha que um pimentão e beliscou o marido. — Fala alguma coisa, homem!

— O papai tá mais tímido que você, mãe... Ah, pelo amor de Deus, já sei que vocês se amam loucamente. .

— Estrela, de onde tirou essas coisas? Minha filha, olha pra você, é a minha princesinha. – Estevão falou horrorizado.

— Princesinha? Estevão, essa menina é igual a tua mãe! Não sei como não nasceu verde, porque é um projetinho de ogro.

— Ei, dona Maria! – rolou na cama e abraçou a mãe. – Não fala assim de mim, eu sou a sua princesa, um pouco moderna, mas eu sou.

— Viu, pituquinha? – falou baixo no ouvido dela.

— Sim, eu vi e também vi outra coisa... – sorriu de canto.

— Eu só vim avisar que vocês estão atrasados e que a vovó está devidamente arrumada lá em baixo, esperando os dois pra fazer logo uma chacina.

— Ah, Jesus... – ela falou cansada. – Manda sua vó ir alimentar os passarinhos, cortar a grama do jardim, distrai a dondoca metida a besta, pequena.

— Maria! – repreendeu a esposa com o olhar, odiava quando ela falava de Safira daquela forma. Ela fez uma careta e levantou, foi até o banheiro e se trancou.

(...)

Ela estava na sala, sentada no sofá e batia os dedos na bolsa de fora impaciente.

Safira era uma mulher bonita, bem cuidada e vaidosa, passava mais tempo em SPA's do que em casa e como a nora falava, ela era uma verdadeira dondoca.

Ela tinha olhos verdes expressivos e marcantes, tinha um olhar observador que chegava a dar certo medo e sempre mostrava que ela era superior. Não era de demonstrar sentimentos, mas não conseguia segurar os ciúmes que sentia do marido e do filho, eram a adoração dela.

Safira olhou o marido e resmungou, era difícil de se lidar, mas Henrique sabia como dobrar a peça.

— Agora, além de velha é doida, Safira?

— Você não começa, Henrique... Quer que eu te derrube da cama novamente?

— Que mau humor, gatinha. – falou com um sorriso provocativo e colocou a mão na coxa dela. Ele sabia muito bem como deixar a mulher maluca.

— Tira essa mão daí! Tira logo, velho caquético! – Safira falou atordoada, aquele homem era sua perdição.

— Porque eu tiraria, Safirinha? Hum? Fala pra mim, gatinha. – apertou a coxa da mulher e subiu sua mão entre as pernas dela, acariciou a intimidade da mulher por cima da calcinha e sorriu mais ainda ao ver a expressão dela.

— Valha-me meu Deus... – sussurrou olhando ele.

Ela amava Henrique, amava com todo coração e intensidade, mas a rotina exaustiva de trabalho e os ciúmes afetaram a relação.

— O que você disse? Quer que eu pare? – acariciou mais uma vez, sentia ela a sua mercê.

— Não, não para, loiro safado! – passou a mão nos cabelos dele e suspirou inclinando a cabeça pra trás.

— Abre mais essas pernas, meu bem. – beijou o ombro dela com carinho, era um homem amoroso, que mesmo depois de tanto errar com a mulher havia aprendido que não sobrevivia sem ela.

— Jesus... Esse homem é o demônio, senhor. – passou a mão no rosto e fechou as pernas, não podia estar fazendo aquilo ali.

— Benzinho, não fecha... – pediu manhoso cheirando o pescoço dela. – Abre pro seu papai, abre!

— Você não é meu pai, Henrique, para com isso antes que alguém nos veja. – tocou a perna dele.

— Mãozinha boba, vovô... Vocês são demais! – Heitor se aproximou e beijou a avó com amor, estava rindo e sentiu o tapa dela. – Ei, mulher! Calma!

— Calma o caramba! Esse velho desgraçado, mal caráter e sem vergonha... – falou nervosa e mais vermelha que um pimentão. – Meu filho, ele não sabe o que faz.

— Deixa de ser doida, eu estava só acariciando meu paraíso e você tava amando, benzinho.

— Vovô! – riu. – Ela vai te bater, deixa a dona onça quieta.

— Vocês dois não prestam! – levantou e correu em direção ao jardim, era tudo o que falavam, mas também era de um tímida.

— Meu filho, assim você quebra o vovô, eu estava quase lá... – suspirou afrouxando o nó da gravata e levantou. – Sua avó vai arrancar meu couro mais tarde.

— Foi sem querer, vô, mas poxa... Vocês estavam de safadeza aqui, assim não dá.

— Sua avó é linda, garoto, quando estiver apaixonado vai entender do que falo. – passou a mão na cabeça do neto. – Aquela azeda é meu tudo, mesmo com as loucuras dela, ela é especial e é mais sensível do que pensa, deve estar chorando lá fora.

— Foi mal, vô – suspirou sem jeito. – O senhor pode ir lá ver ela, vai lá.

— Eu vou mesmo, diz a seu pai que estamos esperando ele no jardim. – deu um sorriso e saiu em direção ao jardim.

Maria desceu as escadas com o marido e olhou a sala, estranhou por não ver a soberana do mal por ali, mas sorriu em direção ao filho.

— Bom dia, meu amor! – viu ele se aproximar e beijou o rosto do filho. – Viu seus avós?

— Eles estão lá fora, o vovô foi consolar a dona Safira, mãe. – abraçou o pai. – Bom dia, pai.

— Bom dia, moleque, mas o que aconteceu? Porque eles estão lá fora? – rodeou o braço na cintura da esposa.

— Houve uma pequena confusão, por isso eles estão lá fora, mas não se mete que é capaz da vovó cuspir fogo.

— Já começou, viu? Eu bem que avisei. – Maria se distanciou dele e desceu os três últimos degraus.

— Boa sorte com elas, pai... – deu dois tapinhas nas costas do pai, Estevão sorriu e se aproximou da mulher.

— Vamos lá, meu amor?

— Vamos, se prepara pra apanhar da toda poderosa. – segurou o braço dele e saiu da casa, o riso foi incontrolável ao ver os sogros e ela fechou os olhos, escondendo o rosto no peito dele.

— Mamãe! – falou horrorizado.