Promessa ao mar

1 De um amigo que zela pelo bem do coração solitário


Notas iniciais
Pensando demais sobre coisas que não quero + inspiração + tema legal na tag da escrita = isso ae q seis tão vendo.
Vlw Eme e boa leitura.

Fazia um bom tempo que não via um luar tão belo quanto o deste dia. Para muitos, as mudanças não seriam muito significativas, mas hoje era um dia relevante para mim, então talvez estivesse vendo coisas ao pensar demais sobre aquilo que estava vivendo no presente momento.

Os sussurros das águas acompanhavam a melodia trazia por minha ocarina, as leves correntes de ar ressoavam como se dançassem em minha volta, fazendo com que minhas longas tranças voassem com o vento.

Como a filha da lua, sempre pude sentir-me mais confortável ao imaginar que a presença de minha mãe vinha a me acompanhar durante as noites, mesmo as mais frias, como uma forma de conforto. Como filha do mar, sempre que recitava meus feitiços podia sentir a energia de meu pai me rondando, de uma forma que fazia parecer como se estivesse me zelando por mim e me fortalecendo, como uma forma de proteção.

Mas nada disso poderia me preparar para quando este dia específico no ano chegava, dentro de um curto período de tempo, tudo parecia ter dado errado em minha vida e mesmo como bruxa, não pude cumprir com êxito meu papel. Foram anos de treinamento para conseguir me aprimorar e me redimir, mesmo que ninguém dentro do Mar Azul realmente jogasse a culpa em meus braços.

A verdade era que eu não pude aceitar minha fraqueza perante à Syakesan e ver o Samekichi fazendo um sacrifício que poderia lhe custar a vida , apenas por eu não ter sido capaz… Eu não pude evitar as lágrimas que começaram a cair por entre meus olhos fechados, apenas o reles som de minha amada ocarina era o que importava no momento, pois ali eram colocadas todas as dores que nunca me senti corajosa o suficiente para demonstrar.

Eu nunca havia conseguido me libertar de certos pensamentos que me atormentavam, da mesma forma como sabia que não poderia me livrar desses sentimentos e angústias tão facilmente. Um sorriso gentil não iria acabar com todos esses pesares, mas poderia ser o suficiente para que ninguém realmente percebesse o que se passava em meu coração.

Meus olhos se abriram lentamente, eu já havia sentido sua presença, mas sabia que ele se recusaria a me interromper durante um momento como esses. Apesar de um pouco estranho em alguns momentos, Fukami poderia demonstrar de diversas formas diferentes que se importava comigo e com meus outros familiares.

— Está um pouco tarde. Pode acabar pegando um resfriado, sabe disso, certo? — Sua tonalidade calma conseguia apaziguar um pouco de toda a confusão dentro de meu coração, ele era o único que sabia de tudo, o único do qual nunca consegui esconder absolutamente nada, mesmo após tantos anos.

Ele me ofereceu seu sobretudo, mesmo que não estivesse o usando. Talvez fosse um pouco estranho para outra pessoa, mas ele sabia exatamente que eu estaria por ali naquele momento.

— Sinto muito, não ia demorar muito para voltar para dentro. Mas o que faz aqui a essa hora da noite? — Perguntei, mesmo já tendo certa noção da resposta. Queria acreditar que não era tão evidente assim o quão afetada estava com a data em questão.

— Estava indo caçar algo para comer. — Talvez para os outros não, mas para mim era uma óbvia mentira. Suas roupas eram bastante casuais e seu cabelo parecia preso em um coque um pouco desajeitado e além do mais, eram raras as vezes das quais Fukami saia para caçar e, durante essas, seu comportamento era um tanto quanto mais agressivo.

— Você está mentindo. — Não havia sido uma pergunta.

— Você também estava quando disse que iria voltar logo. — Ele disse, se aproximando de mim e da borda do navio.

— Era tão evidente assim? — Perguntei, minha voz já havia falhado, entregando totalmente a situação do qual estava naquele momento. Ao ouvir o tom quebrado de minha voz, suas feições quase imutáveis se tornaram um pouco mais gentis, uma mudança sutil, mas era como se ele tentasse me passar algum tipo de conforto.

— Sim, era. Apesar de achar que ninguém mais percebeu. — Um de seus braços envolveu meus ombros, como um abraço de lado.

— Obrigado, Kami.

— Não precisa agradecer, Wada. Eu não poderia te deixar daquele jeito e nem queria, de certa forma, é o mínimo que posso fazer por você. — Era quase estranho vê-lo tão falante, mas em momentos mais íntimos isso acabou se tornando um fato comum, mesmo que tal não se repetisse durante o dia a dia.

— Sinto muito, acho que acabei te colocando em uma situação parecida com a de Old. — Ri, mesmo sem o ar da graça.

— Acho que é diferente, de certa forma. Acho que não conseguiria te trair ou mesmo passar a te odiar.

— Não acho que Old realmente tenha chegado a odiar meu pai, talvez ele só não tenha conseguido lidar direito com seus sentimentos e com a sensação de rejeição. Nunca saberemos se também não foi culpa de Meikai, já que, mesmo no fundo, Old realmente o amava.

— Acho que tem razão e só ter a visão de Tatsumiya sobre os fatos não ajuda muito. — Ele deu de ombros e eu apenas pude suspirar, frustrada.

— Eu só estou cansada de tentar ser otimista, por minha culpa eu nem sei mais se um dia chegarei a vê-lo novamente. — Encostei minha cabeça em seu peito enquanto deixava mais algumas lágrimas escorrerem, mas, dessa vez, elas pareciam-me um pouco menos dolorosas.

— Sabe que não foi culpa sua, você não tinha condição de fazer algo no momento. A escolha foi feita por Samekichi e ninguém poderia tomar responsabilidade por seus atos. No pior dos casos, poderíamos ter perdido você, Wada. — Ele abaixou sua cabeça e seus olhos se encontravam com os meus, eles pareciam ter uma mescla de preocupação, compreensão e dor; como se sentisse a dor somente ao cogitar tal possibilidade.

— Eu sei, mas simplesmente não é justo… — Um soluço escapou por meus lábios. — Eu estou cansada de acreditar em suposições e em falsas promessas.

— Me permita fazer apenas uma para você então, algo que você pode ter a plena certeza de que nunca quebrarei. Se preferir ela pode até mesmo ser selada com magia, pois sei que nunca me arrependerei de minhas palavras. — Ele disse, com convicção. Seus olhos ainda estavam fixos nos meus, mas, agora, eu havia me virado para ficar de frente consigo.

— Apenas não prometa sobre a lua, estou cansada de olhar para ela com tantos pesares. Aquilo que deveria me fazer feliz, agora só anda a me trazer um sentimento agridoce que ainda não se decidiu se fere ou cura meu coração. — Ele se abaixou, ficando de joelhos para mim enquanto segurava ambas as minhas mãos.

— Então permita-me prometer sobre o mar. Pois enquanto ainda houver água neste oceano, eu ainda continuarei ao seu lado; seja isso como um amigo, um irmão, um amor, um guardião ou mesmo um mero servo; saiba apenas que, não importa o que aconteça, eu nunca irei me afastar de você e sempre estarei aqui para zelar por sua segurança. — Suas palavras sinceras e sem nenhum tipo de segundas intenções me pegaram desprevenida.

Nesse momento, permiti-me sorrir com graça, mesmo que minhas lágrimas não tivessem se findado. A lua e suas dores pareciam um pouco secundárias naquele momento, pois o mar era quem tomava o resplendor da cena.

— Muito obrigado, eu te amo. Acho que você é definitivamente mais do que eu poderia desejar ou merecer. — E mesmo que eu nunca pudesse retribuir seus sentimentos da forma como Fukami gostaria, eu não me arrependia de dizer o que havia dito, pois mesmo que meu amor não fosse romântico, ele ainda sim era válido.

Fukami apenas sorriu, de forma afetuosa.

Notas finais
Eu não sei muito o que dizer sobre, mas acho que a Wada é surpreendentemente mais fácil de se trabalhar do que o pai dela, ao pelo contanto a ultima experiência que tive escrevendo com Meikai.
Nossa pequena bruxa do mar pode ser otimista, mas nada vai me convencer de que ela não ficou desacreditada sobre a volta de Samekichi em algum momento e eu julgo que Fukami seria a pessoa ideal para confortá-la. Acho que se eu não gostasse tanto deles como "familiazinha" e tivesse o ship do Fukami com o Sal (só pra variar), Fukawada seria um dos ships que eu mais gosto em WGBS, mesmo que eu tenha o canon e boa parte dos fãs contra mim (sei lá, não consigo gostar muito de SameWada e mesmo EtiKcalb, por algum motivo).

Eu fiz isso aqui com o intuito de ser algo pra tag da escrita, mas acabei passando do limite sem querer e não tô afim de arrumar, desculpa aí então. Eme, vulgo @Ignorants, foi quem me desafio, me propondo o tema "Não prometa sobre a lua", eu não sei se fiz um bom trabalho nisso, mas acho que está algo aceitável.

Eu voltei a escrever algo de RPG Maker, irru. Acho que ainda não matei a vontade de escrever com o Ivlis e ainda quero botar a mão na massa e escrever mais alguma coisa de Your Turn to Die, mas estou afundado em fanfics Sou/Keiji no ao3.

Você gosta das coisas de RPG Maker que eu escrevo? Se sim, pode dar uma olhada em outros trabalhos meus dentro dessa mesma área no link aqui em baixo (propaganda das minhas fic pq sim). Espero que tenham gostado desse trabalho, nos vemos na próxima!
https://www.spiritfanfiction.com/listas/rpg-maker-5614087
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!