Promessa
1 Promessa
Notas iniciais
Após a septuagésima nona cerimônia de formação da Tootsuki — quando quase todos os estudantes já haviam ido embora, cheios de expectativas para o futuro promissor que ambicionavam —, dois jovens encontravam-se em frente à Instituição.
— Então você vai mesmo para a França — Hinako Inui sussurrou, alisando a saia de pregas e tentando não fitar o formando de cabelos tingidos.
— É.
— Isso me pegou de surpresa — admitiu — É meio estranho pensar você em um lugar tão brutal e exigente... Pergunto-me se irá sobreviver com esse jeito resmungão e briguento — forçou uma risada — com certeza vai desistir quando não conseguir nenhum amigo! É impossível que alguém te aguen...
Foi impedida de continuar a frase quando as mãos de Kojirō Shinomiya apertaram o topo de sua cabeça, como se fosse esmagá-la. Inui reclamou, mais por costume do que dor, já que — apesar dos modos agressivos do colega — ele nunca a machucara de verdade.
— Cale a boca!
O tom de voz de Shinomiya era rude, mas a jovem podia enxergar o quanto ele se esforçava para controlar o sorriso que queria escapar. Ela sorriu.
— Você vai ser um chefe terrível, Shinomiya-Senpai! — Exclamou, mostrando a língua para o veterano — Mas... eu vou sentir saudades.
Hinako contemplou a face do outro ruborizar e sentiu suas bochechas esquentarem.
O silêncio se instalou entre eles e a menina abaixou a cabeça, triste.
É claro que sentiria saudades: sabia que a academia não seria mais a mesma sem aquele narcisista egocêntrico. As coisas iriam se acalmar, já que ela não teria mais aquele irritante descolado para pirraçar no dia-a-dia. Com quem iria competir sobre trivialidades e jogos de cartas? Ninguém se compararia ao formando na questão de experimentar seus chás e comidas: ele não media palavras para avaliar o que Hinako cozinhava. Sua sinceridade era nojenta, mas sempre fazia a estudante crescer e melhorar seus pratos.
Então sim, estava triste.
Contudo, não podia agir como seu coração queria. Não podia implorar para que o veterano ficasse no Japão, por ela. Shinomiya tinha a alma de um chefe, seu verdadeiro amor era a cozinha e Hinako compreendia o desejo ardente de ganhar o prêmio Pluspol.
Ela não podia impedir Kojirō de seguir suas ambições.
— Ei, fracassada — escutou a voz masculina chamando-a e surpreendeu-se com a proximidade de seus rostos — Quem sabe um dia você não poderá ser minha escrava na França? — Sugeriu, afagando a franja dela.
Hinako formou um doce bico com os lábios.
— Você não ouse voltar para cá antes de ganhar o prêmio! Posso até aceitar que fique sem amigos e sobreviva nas ruas... Ai, ai! Minha cabeça de novo não!
— Oras, sua...
A estudante riu mais uma vez da expressão dele.
— É sério, me prometa Shinomiya-Senpai: você vai se tornar um grande chefe e vai ganhar o Prêmio Pluspol. E então vai voltar para o Japão e nós vamos comemorar com muito chá!
— Está bem, é uma promessa.
Hinako sorriu, satisfeita.
— Ótimo!
Aquela era uma boa promessa e Inui pegou-se pensando que não se importaria de aguardar pacientemente o retorno daquele narcisista.
Ela esperaria ele.
Notas finais
Agradeceria se pudessem me presentar com feedbacks ♥
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