Promessa

1 2 Guerra Mundial


Notas iniciais
Esse texto foi originalmente feito para participar de uma coletânea de one-shots, mas excluíram e eu resolvi postá-lo novamente. No entanto enquanto eu escrevia a sinopse me surgiu a inspiração e é bem provável que eu escreva mais uma ou duas histórias sobre "promessas" mas que não estejam relacionadas.

Era o ano de 1915, a primeira guerra mundial estava acontecendo a pleno vapor na Europa, as tensões estavam em alta e o medo era algo comum e constante nas mais diversas classes sociais. Não era um bom tempo para se apaixonar, na verdade não era uma boa época para abrigar quaisquer tipos de sentimentos em relação aos outros afinal a realidade era que a qualquer momento tudo poderia simplesmente ir pelos ares.

Como tudo na vida existem aqueles que são ou gostam de serem exceções as regras, Katrina Walker e Peter Potter eram esse tipo de pessoa. Eles se conheciam desde que eram crianças, mas naquela época eles não prestaram atenção uns nos outros. Foi somente a poucos anos atrás que eles notaram um ao outro e infelizmente acabaram se apaixonando. Eram o típico casal impossível, uma jovem garota rica e o pobre rapaz que não tinha onde cair morto. Desde o início sabiam que aquilo não daria certo, porém iludiam-se pensando no impossível.

Peter foi recrutado para ser um dos soldados que seria enviado em um dos contingentes que tinham como destino a Angola, naquele momento ele viu a chance de mostrar ao pai de Katrina que ele era capaz de cuidar dela.

“Você promete que voltara e irá se casar comigo?” Katrina temerosa perguntou. Ela ainda era uma doce jovem iludida, mas mesmo para ela aquele plano tinha muitas falhas.

“É claro meu amor, você sabe que eu ainda não me casei com você apenas porque seu pai jamais permitiria que você se casasse com alguém pobre como eu. Ele aceitará quando eu voltar como um herói de guerra.” Peter afirmou e olhou para Katrina como se tentasse memorizar o seu rosto. Ela era loira e tinha calorosos olhos castanhos. Ainda era jovem e por isso seu corpo não estava totalmente desenvolvido, mas já mostrava que seria uma bela mulher daqui a alguns anos.

“Isso se você voltar! Muitos morrem nas guerras.” Katrina exclamou e desolada olhou para o anel que ele havia lhe dado para simbolizar o compromisso ainda não oficial, aquela seria a sua maior lembrança dele.

“Bobagem. Apenas espere-me e eu voltarei para você.” Peter então se aproximou e a beijou no que seria a última vez que ambos podiam estar tão perto uns dos outros.

E ela esperou anos por ele, fez com que seu pai adiasse ao máximo começar a procurar pretendentes e quando chegou a hora em que ela foi obrigada a ser cortejada ela apenas rechaçou a todos.

Peter nunca voltou a procurá-la. Seus planos iniciais quando virou um soldado realmente eram para um dia poder voltar para Katrina, mas o tempo passou e mesmo sem perceber suas intenções começaram a mudar. Graças a sua condição física ele não se meteu em muitos problemas, ele era um bom guerreiro e sua sorte era maravilhosa, parecia que algo ou alguém queria que ele permanecesse intacto e graças a isso foram poucas as vezes onde ele teve ferimento gravíssimos.

Com o passar do tempo na Angola ele acabou conhecendo uma outra inglesa, Susan Johnson estava lá acompanhando o seu pai que era um médico que lutava pelas classes sociais mais baixas. Ela e Peter acabaram se aproximando e começaram um relacionamento. Quando a primeira guerra mundial acabou eles e a sua família acabaram voltando para a terra natal dele onde se fixaram até seus últimos dias, devo acrescentar também que levaram uma vida calma e feliz, mesmo durante os eventos da segunda grande guerra mundial eles conseguiram se manter como bons homens civis.

Peter nunca se esqueceu de Katrina, mas ele também nunca cumpriu com sua promessa, sentia que procurá-la depois de voltar para a Inglaterra com uma família seria doloroso e terrivelmente vergonhoso.

Quando Katrina finalmente percebeu que ele jamais voltaria para ela era tarde demais para que tentasse fazer algo de bom com sua vida, sua reputação estava arruinada depois de tantos pretendentes que ela havia posto para correr. Agora sempre que ela era vista em público era quase tratada como uma pária, as jovens senhoritas não queriam ser associadas a elas e as mães levavam seus filhos para longe dela, houvera até mesmo incidentes vergonhosos onde algumas damas foram para o outro lado da rua apenas para não ter proximidade com ela.

Katrina estava fadada ao ostracismo, sua última medida desesperada fora se casar com um senhor com muitas posses e que estava interessado nela apenas por sua beleza.

E lá estava Peter, com sua esposa e seu filho primogênito. Todos olhando muito felizes envoltos por sua pequena bolha de segurança onde aparentemente nada nem ninguém poderia alcançá-los, nem mesmo aquela mulher há quem um dia havia sido feita a promessa de que seria ela a ser a matrona de uma pequena família feliz exatamente como aquela.

“O que você está esperando? Ande logo com isso.” Seu marido disse ríspido. Era um homem pelo menos vinte anos mais velho que sua esposa, gorducho e com uma carranca sempre presente. Estava praticamente calvo e os poucos cabelos que lhe restavam estavam penteados para o lado em uma tentativa fracassada de disfarce. Seu nariz era longo e curvado como o bico de um gavião. Seus lábios estavam sempre crispados como se tivesse chupado algo muito azedo. Sua postura era a de alguém que outrora havia sido alguém importante, como um duque ou algo do gênero.

“Sim, marido.” Ela respondeu submissa. Havia aprendido da pior forma que não deveria tentar se opor as vontades dele e agora já não fazia muita diferença para ela. Estava cansada do seu martírio, não tinha mais vontade de lutar, há muito tempo havia perdido seu espírito. Os sonhos e promessas que possuía em sua juventude ainda a seguiam, porém era em seus pesadelos que eles apareciam, tudo soando como se fosse uma maquinação do destino para completar o terror que era a sua vida.

O único ponto de luz e felicidade que surgiu na vida de Katrina fora seu filho James, a quem ela se dedicava totalmente. Caso alguém lhe perguntasse ela diria que ele fora a sua maior e única alegria na vida.

Mesmo depois de ter sofrido tanto esperando por alguém que nunca veio e de ter sido maltratada por uma sociedade conservadora, Katrina ainda conseguiu poucos momentos de paz em sua vida graças a seu filho, então quando ela finalmente morreu sentiu que sua vida não fora tão terrível quanto parecia.

Notas finais
Um comentário seria muito agradável. E se você se interessou pela história acompanhe-a pois provavelmente postarei outras histórias sobre "promessas".
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.