Prole do mundo inferior
2 Uma breve história no hotel dos mortos.
Notas iniciais
Prole do mundo inferior.
Capítulo 2.
A Sra. Dodds deu a Percy um pouco dinheiro e o mandou para casa em um táxi. Percy ficou triste ao vê-la ir embora e a voz em sua cabeça também não estava muito feliz: "Da próxima vez que a vejo, ela será muito bem castigada. Abandonando meu Percy em Nova York". E assim continuou, nessa mesma linha pelo todo o resto da viagem, o que para Percy foi algo bom, ele não se sentiu tão sozinho com a voz falando em sua mente. Mesmo que fosse apenas parte de sua imaginação. "Eu não sou parte da sua imaginação, eu tenho metade da minha mente focada em colocar você sobre minha asa, rapaz!"
Percy bufou quando o apartamento de sua mãe apareceu. Ele pagou, doze dólares e cinquenta, ao motorista e foi até a porta do prédio. Subindo quatro lances de de escada, para chegar a porta da frente, então de repente, cauteloso, ele pressionou a orelha na porta, ele podia ouvir a TV e... Os amigos de jogo de Poker de Gabe. "Oh, que ótimo, a morsa está com seus parentes."
Percy se perguntou se ele deveria dar meia volta e ir até Sweet on America, sua mãe trabalhava lá, então não é como se ele fosse expulso, como em vários outros lugares que ele já visitara. No momento em que ele estava prestes a se virar, a voz falou novamente, dessa vez em tom mais forte. “ Por mais que eu deteste admitir, você provavelmente está mais seguro aqui com Gabe do que na rua caminhando para a loja. Bem, isso e eu não acho que sua mãe poderia lidar com você em um nível alto de açúcar… De novo. "
" Foi apenas uma vez. " Percy pensou ao voltar-se mais uma vez para a porta do apartamento e adentrando no mesmo.
― Tem algum dinheiro? ― Gabe grunhiu assim que Percy entrou pela porta.
‘ Olá para você também, como tem passado?.’ Percy pensou como uma resposta, enquanto fazia o seu caminho através da sala de estar desordenada. Não estava realmente bagunçada, mas sim lotada de lixo no chão. ― Eu não tenho nenhum.
Gabe ergueu uma sobrancelha e disse: ― Você deve ter pegado um ônibus e um táxi para chegar aqui. E para isso você precisava de dinheiro.
― Gabe vamos pegue leve, ele é apenas uma criança. ― Um dos amigos da morsa disse, como era mesmo o nome dele?
― Ele é apenas uma criança. ― Gabe zombou: ― Cale a boca ou saia daqui Eddie, mas deixe o dinheiro que você perdeu, não será mais o joguinho que você está acostumado.
" Bem, pelo menos um deles tem boas maneiras ou pelo menos um senso de decência." A voz falou quando Percy disse: ― Eu não tenho dinheiro! ― As sobras de notas de dólar pareciam pesadas em seu bolso, ele queria comprar um presente para sua mãe no aniversário dela que seria em breve e a única maneira seria poupando o máximo de dinheiro que pudesse.
― Oh, sério? Então esvazie seus bolsos. ― Gabe desafiou, um olhar ganancioso brilhou em seus olhos.
Percy virou os bolsos do avesso e não ficou surpreso que o dinheiro tivesse desaparecido. Entendam seu dinheiro tinha o estranho hábito de desaparecer de seu pote de dinheiro ou de seus bolsos toda vez que Gabe pedia por ele. Até agora, Gabe não encontrou seu esconderijo secreto, Percy já tinha uma boa quantidade para roupas, mas ele queria mais para poder comprar para sua mãe aquele lindo vestido vermelho sangue que ele virá no shopping.
― Saia da minha frente, garoto espertinho. ― Gabe resmungou quando voltou ao seu jogo.
“Como ele ainda está empregado?” ― o menino se perguntou, então a voz lhe sussurrou ―“Não sei, mas qual deveria ser seu castigo? Gabe fervendo em prata ou bronze líquido pelo resto da eternidade por sua ganância?”
Percy balançou a cabeça quando ele abriu a porta e repreendeu a voz: 'Isso não é bom de se pensar.'
“Quem disse que eu sou bondoso? Na verdade eu posso contar, em minhas mãos, quantas pessoas disseram que eu era bom.
Percy bufou uma risada, mas depois soltou um gemido quando viu a bagunça que Gabe fez. Seu quarto se transformou no escritório pessoal de Gabe, o que significa que havia pegadas lamacentas em todos os lugares e coisas inúteis que ele nem usava. Ele devia ter reivindicado este quarto apenas para irritar Percy, os dois brigam um com o outro desde que se conheceram.
Percy se sentou em sua cama que tinha que ser limpa e logo, não havia como ele estar dormindo em um quarto infestado com o cheiro de Gabe. Na verdade, todo o seu quarto teria que ser esterilizado talvez até mesmo exorcizado e, se fosse possível para ele se safar (ele não conseguiria, é simplesmente impossível), ele queimaria este apartamento, depois se mudaria com sua mãe (sem Gabe) para um novo e melhor.
Contra sua vontade, os pensamentos de Percy se voltaram para o que a Sra. Dodds havia lhe dito sobre os mitos gregos serem reais. Seus pensamentos se desviaram para todos os monstros dos quais ela falava como se fossem vivos por aí a espera de um bom momento para atacar. Imagens como do Minotauro, que sufocava as pessoas até a sua morte no labirinto de dédalo, enchiam sua cabeça, o animal meio humano se transformou em Harpias que bicavam a pele de pessoas até que elas sangrassem. Então ele começou a criar seus próprios monstros, presas compridas e venenos e garras afiadas. Subindo a passos largos até o seu quarto, derrubando a porta e rasgando-o em pedaços enquanto ele gritava impotente.
― Percy? ― A voz de sua mãe soou atrás dele. E todos os seus medos foram embora, Percy se virou e exclamou, ― Mãe!
Percy correu para frente seus olhos verdes mar iluminando-se para abraçar o cabelo castanho com uma mecha cinza, os olhos dela possuíam um calor, a cor verde mar, assim como seu filho encaravam amorosamente, como ela gostava de pensar, seu bebê.
Eles seguiram sua rotina normal, com Sally perguntando como foi a escola e Percy respondendo da mesma forma, embora ele tenha se irritado um pouco por causa disso. A única coisa que Percy não disse a ela foi o transporte de ônibus com a Sra. Dodds e sua suposta herança grega, parecia loucura, além de que não havia motivo para ele a preocupar.
― Percy, ― Sally começou em um sussurro excitado na esperança de controlar toda sua atenção. ― O que você pensa sobre irmos hoje ao hotel?
Os olhos de Percy se arregalaram de emoção, o hotel onde seus pais se conheceram. Era seu lugar favorito para ir, embora eles não fossem mais com tanta frequência ao longo dos anos e nem uma única vez nos últimos dois anos. Gabe havia dito que não havia dinheiro, então suas viagens foram canceladas, pelo menos até agora.
Veja antes de Sally conhecer Gabe, antes mesmo de Percy nascer ela estava lutando por sua vida. Ela perdera os pais ainda jovem, morara com o tio que esteve doente e ela tinha de cuidar dele a maior parte do tempo, quando começaria a faculdade para seguir seu sonho e se tornar uma escritora, o tio morreu deixando-a sem dinheiro, sem diploma e sem emprego.
Sally decidiu fugir de tudo por um tempo, com a missão de começar seu livro. A caminho de Montauk, ela passou por um hotel chamado Anima, que era um hotel bastante caro para ela naquela época, na verdade ainda é bastante caro, mas isso não importa. Sally montou acampamento na praia junto ao mar por dois dias. No entanto, o mar não forneceu nenhuma inspiração, então Sally foi embora.
Enquanto dirigia pela cidade com o carro que herdara do tio, ela passou novamente pelo Hotel e notou um cemitério ao lado dele. Enquanto ela olhava para o nevoeiro no local, que cobria o chão e as lápides apareciam como dedos fantasmagóricos. As árvores esqueléticas com cujos galhos se assemelhavam à mãos em forma de garra estendendo-se para arranhar o céu, e do lado do hotel cercando tudo isso aparentava ter sido testemunha de graves horrores inimagináveis. Como uma aranha tecendo sua teia um pensamento foi tecido em sua cabeça, uma história de traição, amor, assassinato e insanidade.
Sally estacionou o carro na beira da estrada e caminhou até o cemitério, sentou-se em uma lápide, e ali entre os mortos sussurrando desculpas ao encontrar seu lugar. Ela começou a escrever o seu livro durante o dia todo, terminou os cinco primeiros capítulos quando o sol se pôs e junto disso surgiu uma sombra. Sally olhou para um homem de ombros compridos, cabelos pretos que estavam presos em seu rosto elegante, olhos escuros a encaravam com curiosidade. Sally disse olá, o homem perguntou com uma voz que brilhava com autoridade e poder o que ela estava fazendo?
O resto, como dizem, é história.
Sally sorriu e assentiu: ― Podemos começar a fazer as malas assim que eu me trocar.
― Sally! Faça-me um pouco de pasta de feijão!
Percy franziu a testa e se sentiu descontente com Gabe por arruinar esse momento deles. Parte dele esperou que a voz falasse, quando não aconteceu, não surpreendeu o menino. Por alguma razão, a voz nunca falou com ele quando sua mãe estava perto. Sally sugerira que seu tutor poderia ser um pouco tímido.
― E quanto a Gabe? ― Percy perguntou sentindo uma pontada no peito, Gabe sempre arruinava tudo. O que o menino mais queria era que o homem desaparecesse, para sempre.
― Pasta de feijão Sally! Você ouviu?
― Não se preocupe com ele. ― Sally disse com um tom confiante, ela sabia exatamente como cuidar dele.
Gabe apareceu na porta, o rosto vermelho efeito das grandes quantidades de álcool em seu sangue. ― Sally, meu molho de feijão! ― Ele balançou uma tigela no ar, enquanto encarava as duas pessoas sentadas na cama.
― Sinto muito, Gabe, nós estávamos apenas discutindo sobre nossos planos. ― Sally disse se levantando e caminhando em direção a Gabe.
― Seus planos? ― Gabe estreitou os olhos em confusão.
Sally sorriu enquanto pegava a tigela de plástico dele. ― Sim, aqueles sobre os quais eu te falei.
― Você estava falando sério sobre isso. ― Gabe rosnou, não gostando nem um pouco da ideia de perder a sua ‘escrava’ ou o seu dinheiro.
― Sim, eu estava falando sério. Se você nos deixar ir, vou fazer o meu molho especial de sete camadas. Chantili, guacamole, tomate picado, feijão… E outras coisas mais.
“Ela está subornando ele com comida… Bem, na verdade eu posso ver como ela consegue, mamãe é uma cozinheira muito boa.” Percy pensou consigo mesmo e sentiu seu estômago roncar, ei, ele é um garoto em crescimento.
Os olhos de Gabe suavizaram levemente. ― Isso está saindo do seu orçamento de roupas novas, certo?
Sally assentiu alegremente e caminhou até a cozinha, Gabe a seguiu e Percy ficou surpreso por Gabe não tentar fazer nada com ele.
" Ele não tinha um motivo também. Bem, mas isso nunca o impediu antes."
Percy deu um sorriso e balançou a cabeça, ele não se incomodou em desfazer as malas eles iriam partir de novo em breve de qualquer maneira. Percy deitou-se em sua cama, o único lugar sem as pegadas lamacentas e sem o lixo do ‘folgado’. Não ouvir a voz o irritava de alguma forma, pensar nisso foi o que chamou sua atenção para os monstros em que ele estava pensando quando sua mãe entrou. 'Eu realmente preciso dessas férias.'
“Elas podem não ser muito duradouras então… Bem, apenas aproveite o máximo que puder. "
A voz finalmente soou mais uma vez, dessa vez maia grave, como se estivesse esperando que o pior fosse acontecer, Percy franziu a testa, mas deu de ombros logo em seguida, pois qualquer um podia ser um pouco pessimista às vezes.
(…)
Percy ajudou a carregar as malas até o carro, enquanto ouvia Gabe reclamar sobre perder a comida de sua mãe e o seu carro. A voz em sua mente se mantivera completamente calada desde que lhe dera aquele aviso, o que deu a Percy um pouco de preocupação, mas ele achou que estava tudo bem. Quando Percy levantou a última mala cinza e a colocou no porta-malas e forçou a porta a fechar, Gabe disse:
― Nenhum arranhão neste carro ou você pagar, espertinho.
“ Ah, sim afinal, eu, um garoto de doze anos, vou dirigir um carro mais velho que o próprio Henry Ford. E ninguém vai tentar me impedir.” Percy pensou sarcasticamente revirando seus olhos verdes.
Quando Gabe se virou, puxando suas calças caídas e tentando (e falhando) em cobrir a vista perturbadora de sua cueca suja, Percy primeiro esticou o braço e em seguida fez um sinal que a Sra. Dodds o ensinou, o sinal para se defender dos males do mundo (afinal se havia algo do mal aqui ao qual ele precisava se defender, esse era Gabe). Ele colocou a mão sobre o coração, dedo indicador e médio juntos separados por um espaço do dedo anelar e mindinho que também estavam juntos, isso tudo fazia sua mão assumir a forma de um garra, e então a afastou rapidamente do peito, em direção a Gabe. O homem então disparou pela porta como se fosse uma bola de ferro que fora disparado por um canhão.
― Gabe, ‘querido’ o que aconteceu? ― Sally perguntou seu tom completamente recheado de ironia disfarçada de carinho quando ela abriu a porta do prédio, dando a Percy a visão de um Gabe esparramado no chão enquanto as sombras pareciam mantê-lo grudado ao chão como se fosse cola.
Um som abafado veio de Gabe, Sally sorriu enquanto olhava para as unhas. Ela então passou por cima de Gabe e murmurou: ― Sinto muito, querido, mas não posso ouvi-lo.
Percy compartilhou um sorriso com sua mãe quando ela se aproximou, eles silenciosamente deram um toque alto de mãos. Então rapidamente adentraram no carro e fugiram para o hotel que continha as lembranças amorosas da Jackson mais velha.
(…)
Sally estacionou o carro em frente ao hotel que era levemente degradado. Teria sido bonito em seu auge, mas o dinheiro era escasso para a maioria das pessoas hoje em dia e não havia clientes suficientes para manter o local em boas condições.
Os dois saíram do carro, Sally pegou a bagagem enquanto Percy estudava o hotel onde sua mãe conheceu seu pai e onde ele fora concebido. Era coberto de buracos no concreto que mostravam os tijolos vermelhos em todos os cantos e as telhas lá em cima eram posicionados para parecerem o topo de um castelo. As janelas escuras não davam nenhuma pista do que havia lá dentro, refletiam como espelhos apenas a estrada e as pequenas árvores que cresciam do outro lado da estrada, e o mais estranho era que toda a vegetação ao redor do hotel estivesse morta, como se o próprio hotel fosse um vampiro sugando a vida de todas as coisas ao seu redor, pensando bem o local parecia um lugar ótimo para um vampiro fazer residencia.
Sally tocou o ombro de Percy, fazendo-o dar um pulo, ela acenou com a cabeça em direção ao hotel e avançou, arrastando a mala com rodas atrás dela. Percy seguiu arrastando sua própria mala de alças cinzentas. Ao se aproximarem do hotel, Percy examinou novamente alguns detalhes do lugar e dos seus arredores. A porta era de madeira, e estava inchada pela umidade provavelmente da chuva, marcas de arranhões esculpida por garras de animais e buracos provenientes de disparos de armas de fogo. A grama era marrom por toda extensão do hotel, árvores mortas se estendiam em direção a todos que se aproximavam, flores plantadas sob as janelas estavam murchas e cinzentas.
" Não é de admirar que este lugar não receba tantos clientes quanto costumava." Percy pensou, mas então ele viu algo estranho, ou melhor ainda mais estranho.
Havia alguns botões de flores espalhados por toda parte, as únicas que começavam a florescer eram aquelas que estavam posicionadas no cemitério, algumas flores aleatórias nas cores vermelho, amarelo, rosa, azul e branco que estavam na frente e ao lado do hotel cobrindo as sepulturas. Percy parou e se ajoelhou para dar uma olhada no grupo mais próximo. Eles eram roxos vibrantes que ficavam mais escuros no meio, com cinco pétalas ao redor e o que pareciam ser antenas brancas que apareciam na parte mais escura do meio da flor.
Sally virou-se para trás ela já estava na porta, mas notou que o filho não a seguia mais. Ele estava ajoelhado ao lado de um pequeno arbusto de flores, com um sorriso afetuoso estampado em seu rosto, ela então caminhou até ele deixando a mala ao lado da porta. Ela bateu no ombro dele, fazendo-o pular, novamente.
― Vamos lá. Você não quer entrar? Eu não acho que você precisa produzir clorofila como essas flores. ― Ela o provocou. Percy deu um pequeno sorriso e levantou-se com um olhar curioso nos olhos.
― Mãe, eu não entendo. Por que todas essas plantas estão mortas, exceto algumas dessas pequenas flores? Ele perguntou enquanto a seguia.
― Eu vou te dizer quando chegarmos em nosso quarto. ― Ela disse abrindo a porta do hotel. ― E você pode me dizer como conheceu Alecto. ― ele congelou enquanto ela apenas sorria.
Lá dentro as paredes eram pintadas com uma cor marrom terra, o piso de madeira que os conduziam ao redor do primeiro andar até os degraus de subida das escadas. Havia um tapete vermelho de veludo sobre as escadas, candeeiros sobre algumas mesas de madeira cobertas por lençóis de cor branca e mais candeeiros grudados nas paredes que estavam enfileirados e levavam as escadas com velas brancas também.
Sally caminhou até um balcão marrom e tocou a campainha. Uma mulher idosa de olhos cinzentos saiu de uma porta atrás da mesa, provavelmente da sala dos fundos.
― Bem, se meus olhos não me enganam. Você é aquela garota, aquela que teve aquele caso com aquele rico cavalheiro mais velho. ― Ela disse com uma voz suave, erguendo do nariz seus óculos semicirculares. Sally então corou e abriu a boca para comentar quando a mulher mais velhas a interrompeu.
― Aquele homem ainda envia dinheiro para este hotel, é graças a ele que ainda é possível manter este hotel aberto, eu conserto o interior, mas toda vez que planto grama nova ou minhas próprias flores, elas murcham e morrem. Eu também consertava o exterior, mas alguns dizem que ele combina com a decoração e a maioria das pessoas acredita que aqui é um hotel fantasma, então eles vêm assim mesmo. ― Ela deu uma risada sibilante e entregou uma chave a Sally. ― O mesmo quarto daquela vez, querida.
A mão dela manchada e enrugada que lembrava a Percy o fígado de um alcoólatra fechou os dedos jovens de Sally, fechando a chave na palma da mão de sua mão. Sally queria falar, mas a mulheres se afastou com um suspiro: ― Oh, ser jovem de novo.
Sally deu um sorriso e virou-se para Percy, olhos verdes escuros do mar parecendo pequenas pedras preciosas brilhando com surpresa e alegria.
― Vamos querido, vamos para o nosso quarto.
Os dois pegaram suas malas e subiram as escadas, então passaram por um par de portas de madeira de carvalho escuro, o número em seu topo era dourado assim como os puxadores em cada uma das portas.
― Aqui estamos. ― Sally falou em frente a uma porta com o número 401. Ela abriu a porta e levou Percy para uma sala pintada de cinza com um tapete azul celeste. Duas camas king size forradas com lençóis de cor branca estavam no quarto. O encosto de cabeça era feito com os metais de cor bronze e prateada, não possuíam um padrão real apenas um entrelaçado entre um tubo e outro.
Sally foi até a cama mais próxima da janela, então Percy levou a outra que também era a mais próxima do banheiro. Quando Percy colocou a mala ao pé da cama, Sally abriu as cortinas e amarrou-as para deixar entrar o pouco de sol do dia que ainda sobrava. Percy sentou-se e disse: ― Mamãe não tem algo que você queira me dizer?
Sally se virou e sentiu seu coração congelar. Os olhos de Percy estavam penetrando nos dela, como os de seu pai e a obrigavam a contar tudo a ele. Como se Percy fosse o homem e ela fosse novamente a adolescente de outrora. Sally balançou a cabeça e caminhou até Percy, ela sentou-se ao lado dele e começou a conversar.
― Como você sabe, é onde seu pai e eu nos conhecemos. ― Percy assentiu, seus olhos verdes brilhando de emoção ao ouvir mais sobre seu pai. ― Aparentemente, ele mantém o dinheiro fluindo para este lugar, por que eu não sei."
― Talvez, para manter boas lembranças vivas, afinal como sabemos ele vai viver para sempre, ele provavelmente quer poder visitar algum lugar onde há boas lembranças para ele. ― Percy sugeriu, ele descansava a cabeça em sua mão, um olhar estreitado enfeitava seu rosto, focada na mulher a sua frente.
Sally acenou com a cabeça em concordância e encolheu os ombros como em um sinal de ‘nós nunca saberemos.’ ― Bom, durante a nossa estadia, seu pai trouxe algumas flores que apenas florescem à noite e as plantou aqui.
― Serio? Que tipos vocês plantaram?
Sally sorriu e agarrou a mão de Percy, ela se levantou, os poucos raios de sol do dia que agora se punha delineavam seu corpo enquanto ela dava volta ao redor de si mesma. ― Eu vou te mostrar, depois do jantar.
Eles desceram para a sala de jantar, uma sala branca com mesas redondas de madeira. Quatro cadeiras de latão com almofadas de veludo vermelho cercavam cada uma. Havia um total de oito mesas na sala, cada uma uniformemente espaçada. Cada mesa tinha um castiçal, com três velas brancas acesas. Três lustres pendurados no teto brilhavam com uma fraca luz dourada, um CD player estava em cima de um banquinho encostado à parede e Percy percebeu que, como as mesas estavam todas espaçadas de maneira uniforme, elas deixavam um enorme espaço vazio. Provavelmente para que o espaço no meio fosse usado como pista de dança. Do outro lado da sala, longe da porta pela qual eles podiam passar, havia uma parede completamente coberta com cortinas de veludo vermelho.
A velha do balcão entrou com uma grande bandeja de comida nas duas mãos trêmulas, uma tampa redonda impedia de ver o conteúdo em seu interior. ― O prato na minha mão contém o prato especial da Anima. Aqui um pedaço de pão fresco para cada um de vocês.
Percy deu a sua mãe um olhar estranho e ela sorriu murmurando: ― Te digo mais tarde.
A velha observando o olhar do rapaz resolveu explicar por Sally. ― Sabe meu jovem, existe uma superstição que fala de alguém que encontra um buraco no meio de um pedaço de pão cortado. O buraco representa um caixão e significa que alguém próximo a quem cortou vai morrer. Bom, agora para o prato principal nós temos também temos um peixe Baiacu, ‘oh’, não se preocupe, eu tenho licença para servir isso. Ele é servido com cerejas e romãs, não coma os caroços das cerejas, pois eles são venenosos. Mas para abrir o apetite eu também trouxe nosso prato de pernas da venenosa rã touro namibiana, não se preocupe, as pernas não são mortais, apenas todo o restante no sapo que é!
Ela deu uma risada sibilante e continuou contando a eles mais de seus pratos perigosos.
― Acompanhamento de algumas batatas, alho com cebola cozida e alguns cogumelos misturados. E isso faz desse prato um dos alimentos mais mortais deste lado do cemitério! ― Com as mãos trêmulas a senhora abaixou o prato sobre a mesa, Percy teve súbitas dúvidas de comer o Baiacu.
O prato em si era um único objeto com varias tigelas menores ao redor do prato principal. Para a criança com TDAH, parecia uma paleta de pintura, o peixe no meio, as pernas de rã acima, as frutas na tigela diretamente a esquerda dessa, e algo que parecia com um estranho de cor branca.
― Agradecida. ― Sally disse, ao notar que Percy apenas assentiu olhando para a comida com um olhar inseguro.
― De nada, querida. ― A velha disse. ― Espero que você aproveite o ‘banquete fatal.’ ― Percy assumiu um olhar assustado, ao ouvir o nome do prato especial do Anima. ― A propósito, queridos, voltarei com um casaco para vocês, um pouco de água também deve ser pertinente… E quem sabe o kit de primeiros socorros.
― Primeiros socorros? ― Percy perguntou quando sua mãe deu uma garfada no peixe e mergulhou o pedaço no molho branco, ele sentiu a necessidade de dar um tapa na mão dela. ― Mãe, eu não acho que você deva comer isso. ― Ele disse nervosamente.
Sally olhou para cima com os olhos cheios de bom humor. ― Eu não me preocuparia com a comida querido. Tudo isso é venenoso se não for tratado corretamente, a Sra. Ísis Têmis é uma cozinheira de cinco estrelas de renome mundial, mesmo em sua velhice.
Percy piscou e disse em tom inexpressivo: ― Ísis, é o nome da deusa egípcia da magia e da vida, Têmis o nome da deusa grega da justiça. Esses dois nomes formam o nome de uma mulher que administra um hotel cujo significa alma em latim e além disso ela serve em seu hotel, comida que é potencialmente venenosa. ― Ele pegou um pouco de comida e eles começaram a comer em silêncio atê Sally chamar Percy.
― Sim, e isso não é nem a metade. Seu pai me disse que este hotel não apenas atende aos vivos, mas também aos mortos.
― Os mortos? ― Percy questionou quando ele enfiou o garfo no peixe que ele tinha que admitir não era tão ruim assim.
― Seu pai me disse que a senhora Ísis pode ver os mortos, ela também pode abrir um portal para o submundo. Para deixar os espíritos passarem, isso realmente irrita Caronte. O que é realmente engraçado, porque aparentemente ele costumava pensar que ela era fofa.
A sra. Ísis voltou segurando uma jarra de água e um par de casacos ela entregou uma peça de roupa e um copo a cada um, mas ela não pôde deixar de responder: ― Costumava? Querida, ele ainda aparece aqui em um terno italiano bonito e com um monte de flores e chocolates. ― Ela se afastou, Sally vestiu o casaco e Percy seguiu seu exemplo.
― Caronte não é o esqueleto? ― Sally olhou para Percy de maneira divertida e assentiu uma vez, Percy se fechou com o pensamento. ― Então, para que ele trouxe esses esta coisa? ― Percy perguntou enquanto sentia o pelo falso dentro de seu casaco.
― Os mortos do cemitério e os espíritos viajantes se reúnem aqui para se divertir. Eles se reúnem com seus amigos e entes queridos que morreram também, às vezes eles até mesmo aquelas que já atravessaram a via expressa e foram para a vida após a morte. ― Sally falou tomando um gole de suco de cereja que estava vermelho como sangue.
― O que você quer dizer com a vida após a morte? ― Percy perguntou quando as luzes diminuíram, a Sra. Ísis puxou uma corda e as cortinas vermelhas se abriram como em um show, dando uma vista maravilhosa da estranha mistura de vida e morte que esperava do lado de fora. Uma lua cheia banhava tudo em prata e até o quarto em que estavam estava sendo gentilmente acariciado pela luz da lua.
Percy respirou e esfregou os braços, sua respiração fez uma pequena névoa no ar na frente dele. Névoa branca que se dissolveu rapidamente no ar, mas essa névoa não era nada comparada à névoa que nesse momento tomava forma na pista de dança.
Começou como uma névoa branca, depois assumiu a forma de seres humanos, homens e mulheres. Eles eram de todos os tipos de épocas, desde a antiguidade até os tempos de agora, todos os tipos de roupas eram vistos. E então as roupas passaram da cor branca perolada para um colorido desbotado.
― Mãe, você está vendo isso? ― Percy perguntou com as mãos apoiadas na mesa enquanto seus olhos ficavam colados aos espíritos que deslizavam pelo restaurante, andando, girando e mergulhando. Seus olhos se focaram em alguns pares de espíritos que nesse momento dançavam foxtrote, salsa e muitas outras danças diferentes.
Sally sorriu e descansou uma de suas mãos nas de Percy. Sally estava sorrindo, mas seus olhos estavam tristes e cansados. Ela parecia mais velha quando disse: ― Não posso ver o que você faz agora, mas seu pai me mostrou uma vez e isso foi suficiente para que essa beleza mista permanecesse comigo por toda a vida.
Percy cantarolava como uma mulher em um grande vestido bonito girava na frente dele com um homem em uma jaqueta vermelha, como de um soldado inglês da guerra revolucionária. Em uma mesa ao lado, dois homens de ambos os lados da Guerra Civil estavam em uma queda de braços, pareciam estar relacionados de alguma maneira. Havia também pessoas que pareciam morar fora da América. Samurais estavam de guarda nas paredes, gueixas caminhavam sorrindo silenciosamente, princesas de todos os tipos de lugares conversavam em cantos diferentes.
Percy piscou com força quando um flash de luz azul quase branca acendeu no canto de seu olho. Ele olhou para sua mãe, ela serpenteava algumas cerejas e olhava para o jardim. Atrás dela estava o que prendeu a atenção de Percy, no entanto, a sra. Ísis estava abrindo o que parecia uma porta cheia de uma mistura de fumaça e nuvens, espíritos estavam andando. Sally olhou para cima e percebeu que Percy estava olhando para algo atrás dela. Ela se virou e viu a sra. Ísis se despedindo de alguém aparentemente querido para ela, parecia que ela estava acenando para uma parede. Sally virou-se para Percy e disse: ― Eu estou supondo que ela está irritada?
Percy acenou com a boca aberta, ele nunca viu nada assim e a Sra. Dodds nunca falou sobre algo parecido. Sally sorriu e apertou a mão de Percy para chamar sua atenção. Olhos verdes escuros encontraram olhos verdes brilhantes do mar. ― Por que não vamos a esse jardim?
Percy fechou a boca, ― Claro, por que não?!.
Eles se levantaram e Sally levou Percy para fora do prédio e para a luz da lua cheia. Percy ofegou e seus olhos arregalaram, as flores estavam totalmente florescidas e brilhando sob a luz da lua. Um lago de carpas refletia a lua enquanto os peixes nadavam debaixo da superfície, de maneira preguiçosa.
― Seu pai pediu para que todas as plantas fossem colocadas aqui, para mim como um lembrete. ― Sally disse atrás de Percy enquanto ele andava, olhando mais de perto as plantas.
Percy se ajoelhou ao lado de uma planta que chegava a altura de seus joelhos e tocou uma das pétalas brancas da flor que no exato momento se abriu como um guarda-chuva. Pétalas brancas cresciam no meio verde e, embora todas eram tão próximas de modo que parecesse ter apenas uma pétala grande, Percy podia ver os riscos que corriam entre as pétalas no meio, causando um efeito de uma pizza.
― Essa é uma flor da lua. ― Sally disse andando atrás de Percy, ela colocou as mãos nos ombros dele e sorriu para a maravilha em seu rosto. ― As plantas podem crescer até um metro de altura e vêm na cor branca ou cor de rosa. Existem algumas rosa por lá. ― Ela apontou para a esquerda e Percy olhou por cima das rosas, mas ele ficou perto das flores brancas da lua. Sally continuou informando Percy sobre a Flor.
― A Flor da Lua é chamada assim porque floresce apenas ao luar e elas fecham suas pétalas quando o sol as toca em suas pétalas.
Percy se levantou e se afastou da Flor da Lua, as mãos de Sally escorregaram de seus ombros. Percy avistou uma nova flor e foi em direção a ela, perguntando: ― Por que essas flores crescem, enquanto todo o resto aqui morre? Como é chamada essa flor?
A flor que Percy estava olhando era amarela e com cerca de cinco centímetros de tamanho. O estame era amarelo com um pouco de verde proveniente do caule misturado, o formato lembrava vagamente a uma aranha. As pétalas se conectavam e formavam algo que pareciam corações quando se tocavam nas laterais, uma estrela verde repousava no meio da flor.
― Essa flor é chamada de Prímula. Como todas as outras flores daqui, só floresce à noite. Esta flor é famosa por seus usos médicos, sementes, óleo de semente, pétalas e raízes. ― Sally disse enquanto Percy mais uma vez se levantava e andava por aí procurando uma nova flor. ― A razão pela qual todas as flores e plantas aqui morrem é por causa das almas. É preciso muita energia para viajar de um lugar para outro, ainda mais quando eles passam com a ajuda da Sra. Ísis.
Percy se agachou e esfregou a pétala em forma de diamante de uma flor amarela cremosa. Tinha algumas linhas marrons que rastejavam do centro da flor até a ponta de cada pétala. As linhas marrons começaram grossas e fortes, mas diminuíram e afinaram à medida que se aproximavam da ponta. Como a sombra de um homem, quando o sol está bem na sua frente, ele começa pequeno e depois cresce grande.
― Por que os fantasmas drenam a energia das plantas e como a sra. Ísis tem a ver com isso. ― Ele perguntou enquanto estudava a flor na frente dele, seu aroma picante fez cócegas em seu nariz, fazendo-o torcer o nariz.
― A senhora Ísis me disse uma vez, quando seu pai já havia partido, os fantasmas precisam de energia para se deslocar de um lugar para outro. Para isso eles usam a energia da vida, eletricidade e até energia que sobrou de coisas orgânicas que apodreceram ou apenas passaram um pouco do ponto À medida que o espírito envelhece, consegue armazenar essas energias e, às vezes, usar menos dela, porque com a idade vem mais controle sobre o que o espírito pode fazer. A Sra. Ísis, quando abre uma porta para a vida após a morte, usa sua própria energia vital ou a energia elétrica. Para dar energia e atrair os espíritos amigos que podem ou não estar do outro lado.
Percy cantarolou em entendimento, ele então respirou fundo o perfume picante que a flor estava deixando escapar e então expirou. ― Interessante. ― Ele suspirou, deixando o sabor picante no ar dançar em sua língua.
― Não cheire essa, é venenosa. ― Sally disse sem rodeios, Percy recuou e virou os olhos verdes, chocados, para sua mãe.
― O QUE?!
― Essa flor é chamada Gladíolo Noturno. Gladíolo significa espada, então seu nome significa Espada Noturna. ― Percy lançou-lhe um olhar incrédulo. ― O que? Seu pai pensou que eles eram românticos.
Percy se virou para olhar um pedaço de grama marrom, então ficou de joelhos e começou a bater no chão com uma das mãos. ― Flores venenosas não são românticas!
Sally bufou em sua mão e riu quando Percy saltou e correu para outra planta.
Sally o seguiu e viu a nova planta que chamou a atenção de Percy. Era branca com seis pétalas grandes, dispostas para parecer uma estrela em torno do estame vermelho que se estendia para fora da flor como dedos minúsculos de uma luva branca esvoaçante.
― É um lírio Casablanca usado em perfumes e enfeites de casamentos. Há mais por aqui em cores diferentes: amarelo, laranja, roxo e rosa.
Sally olhou para o lago de carpas e sorriu: ― Percy venha comigo, eu tenho algo que gostaria de lhe mostrar.
Percy olhou para ela de onde ele estava cheirando o lírio de Casablanca e assentiu, ele seguiu sua mãe até o lago. Ela apontou para as flores que flutuavam nos aguapés.
A flor que Percy estava olhando tinha vinte centímetros de altura e tinha vinte pétalas, era de um vermelho carmesim que brilhava furiosamente sob a luz da lua. Percy olhou para as outras flores que variavam de dez centímetros a dez milímetros e tinham doze a vinte pétalas. Havia em todas as cores diferentes, junto com o vermelho carmesim Percy viu um rosa corado e um roxo real.
A cada respiração, Percy sentia o cheiro fraco, mas persistente, que flutuava das flores que repousavam suavemente nas águas escuras.
― Esses são nenúfares, e a flor se chama flor da noite. Sally sorriu quando os olhos de Percy se tornaram uma esmeralda profunda e brilharam sob a luz da lua, de repente Percy se virou para Sally e disse.
― Você ainda não me disse como essas flores permanecem vivas. Por que algumas são afetadas pelos fantasmas e outras não?
Sally respirou fundo e limpou as mãos de repente suadas em seu jeans, ela sabia que Percy não tinha aceitado a verdade nas notícias sobre o pai dele e essa notícia provavelmente não seria mais fácil de engolir. Ele ainda não estava completamente convencido, e isso mesmo depois de ver uma Fúria!
― Tudo começou quando eu estava entrando no meu último trimestre de gravidez. Sua… Madrasta? veio me visitar com o pensamento de nos transformar em uma flor…"
“(Aviso: INSERÇÃO DE FLASHBACK DETECTADA, mantenham-se sentados em suas cadeiras enquanto o autor lhes passa a informação necessária.)”
Sally estava em sua cozinha preparando um chá de menta para ajudar com os gases, sua grande avantajada estava atrapalhando um pouco, mas não era tão ruim. Depois de dar um gole de sua xícara azul, sentou-se à mesa e começou a beber seu chá. Seus olhos se fecharam em êxtase, e quando começaram a se abrir novamente, se arregalaram em completo choque. Do outro lado da mesa havia uma mulher com cabelos negros que chegavam ao chão. Seus olhos eram de um verde lindo, como a grama fresca, o vestido que a mulher vestia brilhava em diversas cores diferentes. Sua pele era de um tom bronzeado e exalava o calor de um dia de verão.
― Olá. ― Essa palavra tinha tanto poder que Sally sabia imediatamente que estava conversando com uma deusa, e que Sally tinha todas as portas e janelas trancadas. Das pequenas flores brancas em seus cabelos, Sally sentiu que ela sabia qual era a deusa. ― Eu sou Perséfone.
Sally empalideceu, Perséfone, esposa de Hades, pai de seu filho, isso não poderia terminar bem. ― Você gostaria de um pouco de chá?
Perséfone olhou para ela com olhos frios e disse com uma voz que ecoava os invernos em que a terra passava quando ela partia para o submundo: ― Não, obrigada, mas acho que você ficaria adorável como um verme para que eu possa esmagá-la debaixo dos meus pés!
― E-Espere ― Sally começou, mas parou com um brilho em seus olhos. Segundo a lenda, Perséfone nunca engravidou de Hades e, segundo Quíron, nunca teve filhos semideuses. ― O bebê está chutando você gostaria de sentir.
De repente Perséfone parecia interessada na proposta, por nunca ter sentido o chute de um bebê, sendo uma das deusas mais jovens que fez com que você perdesse o nascimento de novos deuses, o fato de ela passar a maior parte do tempo no submundo somado ao fato de que as deusas que engravidam tendem a se esconder até que o bebê seja entregue com segurança. Ela sempre se perguntou como seria ter um filho, mas o pensamento de ter um filho e fazê-lo escolher entre Hades ou ela, no verão ou pior, ter que se deslocar para cima e para baixo, de sua residência no submundo até casa de sua mãe no Olimpo o tempo todo em que ela ainda esperaria para ter um bebê.
Sally se levantou e andou ao redor da mesa enquanto Perséfone se ajoelhava diante de Sally e levantava a mão. Sally sentiu um lampejo de nervosismo, de que poderia estar facilitando para Perséfone machucar seu bebê. Até que a mão quente tocou seu estômago e Perséfone sentiu os pontapés da criança, e um brilho de admiração a tomou, Sally sentiu suas preocupações deixá-la. Perséfone não faria nada com a criança nela.
― Você gostaria de estar na vida desta criança?
Olhos verdes se ergueram para os olhos também verdes de Sally, Perséfone começou a agir com pressa, ela exigiu. ― Como? Existem leis que não nos permite de visitar as crianças semideuses.
― Só se eles são seus próprios filhos e me disseram que a lei apenas impede de um dos deuses de ajudar os seus, mas isso impede alguém? ― Perséfone começou a ter um olhar perigoso no rosto, a lembrança de por que ela veio aqui estava voltando rapidamente, e Sally se apressou. ― Então você gostaria de ser a madrinha?!
Perséfone parou, seu rosto limpo de feições obscuras, ― O quê?
― A madrinha, basicamente você cuida de Percy quando eu não posso. Hades pode não ser capaz de fazer muito, mas você pode! Você pode estar na vida dele da maneira que nenhum outro imortal pode, será como se ele fosse seu… “sobrinho.”
Perséfone pareceu interessada e, finalmente, assentiu, se não pudesse ter um bebê, assumiria um papel materno dessa vida. ― Qual sexo é o sexo da criança?
Sally sorriu: ― É um menino, eu ainda não sei qual nome ele deve receber, então gostaria de saber se você pode me ajudar com esse probleminha. Você tem alguma ideia?
Perséfone ficou pensativa e disse: ― Eu sempre gostei do herói Perseus.
Sally olhou carinhosamente para o rosto da outra mulher. ― Perseus Jackson. Soa bem, eu gostei. Então, qual é a sua decisão?
Perséfone lançou-lhe um olhar pensativo. ― Hades plantou flores em seu nome no hotel Anima, correto?
Sally assentiu, observando a Deusa cuidadosamente.
― Elas morreram uma semana depois da sua partida. Vá para lá depois que a criança nascer, se essas flores voltarem a viver. Você terá a minha resposta.
(NOVO AVISO: Flashback superado com sucesso, o autor trouxe-vos de volta ao tempo normal, permissão para relaxar novamente, concedida.)
Sally balançou a mão para as flores ao seu redor.
― Aí está a sua resposta.
O queixo de Percy caiu: ― Minha madrinha é a deusa da primavera ?!
― Bem, se ela não fosse, seria sua madrasta de qualquer maneira, então qual é o problema? ― Sally perguntou secamente.
Percy não sabia como responder a isso. Ele balançou a cabeça e olhou para o lago em voz baixa, perguntou: ― Posso ficar sozinho um pouco? Preciso pensar.
― Certo. ― Sally disse e voltou-se para dentro, pronta para dormir.
Percy ficou lá olhando para a água, seu olhar voava para as flores a cada cinco minutos até ele respirar. Ele virou os olhos para o nenúfar d'água mais próximo e falou.
― Obrigado, por ser minha madrinha e cuidar de mim. ― Ele sentiu uma brisa quente tocar-lhe as faces, mas fora isso, nada mais aconteceu.
― Cara, isso foi estúpido. ― Percy suspirou colocando as mãos nos bolsos da calça.
Ele se virou e começou a caminhar em direção ao hotel. No entanto o grito de uma coruja o fez parar, ele se virou e viu o animal sair de sua casa em um buraco de árvore. Parecia entrar em pânico piando e gritando uma e outra vez enquanto voava para longe. A razão para o pânico logo ficou clara.
― Percy! ― Algo gritou quando caiu do céu.
Estava sangrando de uma ferida no ombro e de vários outros cortes pelo corpo, uma das coisas que mais se destacavam foram as assas rasgadas e essa provavelmente foi a causa de sua queda do céu, mas essas coisas não foram o que mais chocou Percy.
― Sra. Dodds ?!
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