Os dois guerreiros lutavam arduamente por seus ideais, Asura estava pronto para matar Stumit se aquilo fosse necessário. Estavam brigando fazia horas e não parecia que qualquer um dos dois fosse perder aquele combate, desciam e subiam em torno da orbita do planeta trocando socos e chutes quase como uma dança coreografada. Quando estavam prestes a se chocar contra o oceano, Asura que estava por baixo de Stumit se viu obrigado a recuar, usou uma massiva concentração de energia para atirar seu oponente ao espaço. O seguiu rapidamente para próximo da estratosfera e os dois se encararam ofegantes.

O caçador foi preso em uma esfera de energia escura sentindo sua pele queimar. Seus olhos e cabelo ficaram brancos, sentiu cada célula de seu corpo arder. Estava sendo forcado a liberar suas habilidades celestiais para dissipar a habilidade mortal do inimigo, voou até Stumit e segurou seus braços, forte o suficiente para quebra-los, com um pensamento simples, o assassino teve seu corpo esmagado até seu corpo expelir seu sangue e seus ossos quebrados ficassem expostos.

Derrotado Stumit caiu para colidir contra o planeta, mas ates de perder a consciência completamente, usou seu ataque final, devorando a consciência celestial de Asura, deixando que o caçador também caísse desmaiado.

Quando recobrou a consciência, Asura estava dentro de um lugar escuro, sendo iluminado por um único ponto do teto, provavelmente de onde caíra, o teto não era muito alto então imaginou estar em um lugar pequeno, refletiu ainda deitado por algum tempo, mas se levantou de sobressalto quando uma nave passou próxima daquele buraco. Segundos depois o caçador estava arremessando a porta do contêiner onde caíra contra o pequeno cruzador de batalha, estavam sendo invadidos, mas aquele lugar não era o alvo prioritário.

Sentiu seu corpo formigar e uma forte dor de cabeça, sua visão ficou turva e quase caiu de fraqueza, sentiu que algo muito ruim estava acontecendo então lembrou de todos os aparelhos que ele havia habilitado pra monitoramento interplanetário e tentou ver o que estava acontecendo, mas logo percebeu que não tinha acesso a mais da metade e a outra metade mostrava puro caos e destruição, o limitador que o protegia de liberar poder demais havia sido devorado por Stumit, respirou fundo e recobrou o controle de seu corpo, deixar que as últimas emoções que restavam tomassem o controle significariam a sua morte.

Depois de sair do porto, o caçador se distanciou um pouco da estrada, onde poderia criar um veículo para chegar em São Paulo. Tirou do bolso de sua calça jeans um maço de cigarro de menta é um isqueiro, levou o cigarro a boca e o acendeu, puxou uma tragada duas, três e soltou. Não lembrava a última vez que conseguiu fumar sem pressa. Enquanto usava sua habilidade para materializar um conversível, ele terminou o cigarro. Entrou no carro e deu partida, acelerando em direção a São Paulo onde conseguiria uma melhor visão de toda a situação.

Hiana tinha acabado de acordar, estava com um pouco de enxaqueca por conta da balada da noite passada. Era sábado e não tinha a menor intenção de sair, pegou o controle em cima da mesa e ligou a televisão em um canal aleatório. Entrou no banheiro para tomar um longo banho, mas uma mensagem qualquer no celular tomou sua atenção.

Um de seus amigos a estava convidando para ir com ele para uma nova cafeteria que estava inaugurando naquela manhã, " um bom café não faria mal" pensou enquanto jogava o celular na cama. Depois de um bom banho é uma troca rápida de roupa, Hiana estava preparada para encarar as possibilidades que o dia traria.

A estação de trem ficava apenas a algumas quadras de sua casa, então não demorou muito para que chegasse ao ponto de encontro. Seu amigo Johnny estava de costas para as catracas, quando ela se aproximou tocou de leve o ombro dele que se virou para encaralhe com um grande sorriso manhoso.

Ele seguiu para as catracas, mas parou, virou-se para ela antes de tirar da mochila uma aspirina é uma garrafa de água.

"Aqui", disse Johnny, colocando tudo nas mãos dela e esperando que ela bebesse. "Ontem você bebeu mais que um opala."

"Não é seu trabalho cuidar de mim" Disse Hiana ranzinza "obrigada"

O jovem a encarou, meio sem jeito, era filho de um farmacêutico do bairro e sonhava em se tornar um médico algum dia — não era nenhuma surpresa que tentasse cuidar dos mais diversos problemas de seus amigos, principalmente a garota a sua frente.

A estudante engoliu a aspirina é devolveu a garrafa pela metade, Johnny voltou-se para as catracas e procurou o bilhete no bolso da jaqueta. Depois que seguiram para dentro de um dos vagões e se sentaram ao lado da janela, Hiana puxou o celular do bolso para responder algumas mensagens.

"Onde fica essa tal cafeteria?" perguntou Hiana distraída com alguma mensagem.

"Não muito longe daqui umas duas estações a frente", disse Johnny tentando enxergar o que ela tanto digitava. "O lugar fica ao lado da torre de transmissão, do outro lado da rua para ser mais exato. Só precisamos descer na Paulista."

Ela o empurrou para o lado e guardou o celular no bolso. Quando chegaram a estação desejada, o garoto parecia um pouco perdido, seu senso de direção nunca fora dos melhores e Hiana sempre que saia para onde ele chamava tinha que pedir informações ou caminhar muito, só aceitava seus convites porque os lugares eram sempre incríveis.

Subiram as escadas que levavam para a superfície, e ao pisarem na rua, a jovem pode ver a grande torre de transmissão. Levaria apenas alguns minutos para chegarem, então ela puxou Johnny pelo braço e os dois se colocaram em direção do café.

"Desculpa Hiana, eu sempre me perco quando ando sozinho e acompanhado também" sorriu sem jeito.

"Se for para pedir desculpas então não me chame pra sair", disse a jovem mesmo não querendo soar rude, mas também não poderia deixar de ser firme com ele, Hiana parou e suspirou antes de se virar para encarar seu amigo. "Nos conhecemos tempo suficiente para você saber que não deve pedir desculpas para mim. Aprenda a usar um mapa e estaremos bem"

Johnny demorará a acreditar que pessoas como ela existiam, aquelas que nunca se arrependiam de nada, que sempre olhava para o futuro sem nunca se abalarem com o passado. Pessoas como Hiana não eram vistas com frequência, e foi isso que encantou o coração dele.

Quando por fim concordou com a cabeça, os dois continuaram o trajeto. Não demorou muito para que chegassem à cafeteria, a jovem ganhou um ar infantil nos olhos, um misto de surpresa e felicidade surgiram em seu rosto, "o convite valeu a pena, mas uma vez" pensou, já entrando no estabelecimento.

O lugar estava cheio, amantes de café de toda a cidade estavam presentes para conferir a grande inauguração do estabelecimento inspirada nas cafeterias europeias. Todos os garçons estavam ocupados, levando bandejas de café para todos os lados quando uma garçonete se aproximou.

"Sinto muito, nossas mesas estão cheias. Não gostariam de esperar um pouco? talvez logo uma das mesas fiquem disponíveis."

mas antes mesmo que pudessem responder. Ao longe, em uma mesa próxima a janela, uma mulher acenava para os dois. Hiana gostou da aparência rebelde da moça e se aproximou da mesa, sendo acompanhada de perto por Johnny que a cada momento agradecia mais o destino.

"Não gostariam de se sentar? estou monopolizando uma mesa inteira, então não vejo mal em dividi-la."

Antes mesmo que Hiana concordasse o garoto já havia se sentado. Olhando feio para ele, a estudante se sentou, a mulher colocou seus dreads atrás da cabeça e sorriu casualmente para os dois jovens a sua frente.

"Esse lugar e fantástico, não é?"

"Sim, valeu totalmente a pena ter aceitado o convite do Johnny", suas palavras guardavam uma satisfação que a dias ela não tinha. "Ultimamente eu só tenho ido para os mesmos lugares, é bom variar um pouco."

"Hiana tem razão, estivemos muito ocupados com as provas do final do semestre."

A mulher pareceu refletir um pouco, talvez pensando em sua época de colegial.

"A escola pode ser um saco as vezes, mas é o que nos dá um futuro então temos que aguentar, nê?", ela olhou de Hiana para Johnny e voltou sua atenção para os óculos redondos da estudante. "Terminei a escola antes de ter a idade que vocês têm hoje."

"A isso é bem incrível", Hiana a olhou no fundo dos olhos, algo nos olhos vermelhos daquela mulher pareciam errados. "seus olhos não parecem lentes, eles são naturais?"

"Sim, mas quando eu era criança eles eram castanhos, coisas aconteceram e agora eles são vermelhos, legal né.", ela tirou seu relógio de bolso do short, e em um movimento perfeito de mão o abriu para ver as horas. " Felizmente ainda tenho alguns minutos antes de voltar ao trabalho."

"Isso e impossível, não tem como mudar a cor da íris, a menos que...", disse Johnny sem jeito. "Você teria que tatuar seus olhos, ou sofrer um acidente."

"Você e algum tipo de médium?"

A moça se espreguiçou em um movimento rápido e firme. Sem que se dessem conta os dois estavam admirando a aparência daquela mulher.

"ele e só um idiota viciado em genética, não ligue pro que ele fala", Hiana olhou para os braços da mulher descobertos pela regata preta. "gosta de tatuagens tribais?" Perguntou tentando mudar o rumo da conversa.

"A isso?", a tatuadora ergueu um dos braços. "A mais ou menos um ano eu participei de um desses acampamentos naturebas e por lá ganhei essas tatuagens, meu namorado que me ajudou a fazer. São minhas belas recordações."

Hiana avisou que iria no banheiro e se levantou, as pessoas iam e vinham fazendo pedidos, comendo ou bebendo alguma coisa. Mesmo com um clima tão agradável a estudante ainda sentia certo desconforto como um pressentimento ruim, com sorte seria só um desconforto pela noite passada.

Johnny ainda seguiu Hiana com o olhar por alguns segundos, mas logo parou quando percebeu que a mulher a sua frente o encarava com um sorriso um tanto sombrio.

"Aquela garota o quanto ela é especial para você?"

"ela é a coisa mais importante que já entrou na minha vida."

"Da última vez que escutei essas palavras, não acabou bem", ela ergueu a mão onde um dragão negro estava tatuado. "Vocês são amigos a quanto tempo?"

ele olhou nos fundos daqueles olhos vermelhos e desviou o olhar. "Eu vi alguns dos vídeos do ataque no centro, havia pessoas com seus olhos entre eles. Você e um deles, não é?"

"Você e bem curioso sabia. Se você tivesse aparecido antes de tudo as coisas poderiam ter sido diferentes."

"Acho que você está me confundindo com alguém" disse Johnny forçando uma expressão neutra "eu só sou um desses fãs curiosos, Khoryn e o meu ídolo, então eu acabei esbarrando com essas coisas na internet"

"Cá entre nós aquela batalha foi mera atuação para a mídia, todos acham que Khoryn salvou o dia, mas a realidade é bem diferente." Ela notou a aproximação de Hiana, e seus sentidos entraram em alerta quando Johnny a olhou com desdém.

"Se você está confiante no que está me dizendo, então darei o braço a torce, eu esperava que fosse mais difícil conseguir essa informação" Ele se virou para Hiana com um sorriso alegre.

A mulher sentiu um calafrio, algo que só era frequente na presença de inimigos realmente poderosos, seria verdade que aquele garoto a sua frente era uma ameaça? talvez fosse apenas coisa de sua cabeça, mesmo assim tomaria cuidado.

"Nossa como é tarde, desculpem, mas tenho que voltar para o serviço." Mentiu

"Espera, mas você nem disse seu nome.

A mulher pegou um cartão de visita no bolso do short jeans e entregou-o a Hiana.

"Se estiver interessada em fazer alguma nova tatuagem, procure por Aloen nesse endereço." Ela pegou a jaqueta de cima da cadeira e virou de costas para os dois. "farei um preço especial para qualquer um dos dois. E antes que eu me esqueça, Johnny você deveria ter cuidado com seu futuro. Você me lembra muito seu pai a alguns anos atrás"

Aloen deu alguns passos em direção ao caixa e desapareceu entre as várias pessoas que passavam de um lado para o outro. Johnny ficou incomodado com o último comentário de Aloen, mas ficou pensando demais em coisas sem importâncias e não prestou muita atenção no que Hiana dizia a ele.

" Ei você está me escutando? Vocês já se conheciam?"

Ele balançou a cabeça negativamente.

"Eu havia dito que aquela mulher a Aloen era muito estranha" ela apoiou seu queixo na mão e virou seu rosto para olhar para rua "nos chamou para se sentar à mesa e depois ficou falando coisas sem sentido. Mas eu gostei do estilo dela, o velho com o atual, tão legal."

Ela sorriu ao dizer isso, era algo que não fazia a alguns dias, sorrir sem preocupações. Ela olhou para a rua e observou alguns pedestres atravessando em um sinal verde.

"Estranho nê" Desconversou Johnny.

Hiana notou o nervosismo no tom de voz de Johnny, pousou seus braços em cima da mesa e olhou fixamente para os olhos cor de mel do rapaz, ele por sua vez ficou desconfortável com o gesto dela e desviou o olhar.

"O que ela disse a você?"

"Ela me contou mais sobre o acampamento natureba que ela foi."

"Não está mentindo pra mim está?" Hiana segurou o braço dele, mas ele se afastou "estou indo embora."

Ela se levantou e deu alguns passos em direção da saída. Johnny se levantou atrás dela.

"A luta de alguns meses atrás, ela estava me dizendo que tudo foi uma farsa."

A voz dele saiu baixa, mas Hiana escutou claramente o que o garoto havia dito. Quando se virou para encaralh

com uma tentativa de sorriso, o chão começou a tremer.

A energia acabou, não apenas dentro da cafeteria, mas na cidade inteira. Tudo parou, qualquer coisa funcionando a base de alguma energia havia parado. Mais tremores, o rapaz se aproximou da janela para ver o que acontecia e foi nesse momento que ele entendeu claramente o aviso de Aloen.

Quando a torre de transmissão entrou pela parede destruindo tudo, Johnny só teve tempo o bastante para empurrar Hiana o mais longe que conseguiu, antes que fosse perfurado pela ponta do transmissor.

A garota correu para ajudá-lo, mas já era tarde demais. Seu amigo havia morrido bem na sua frente e ela foi incapaz de fazer qualquer coisa, mas como poderia? Hiana gritou, chorou e tentou tirá-lo da ponta da torre, mas a cada nova tentativa tudo parecia mais inútil.

Ao longe o som do caos desperta instintos antes nunca presentes dentro dela. Ela se levantou e procurou a origem dos sons, ainda atordoada, com o pânico geral, quanto mais o som aumentava, mas suas pernas queriam correr na direção contrária.

Quando a poeira baixou, ela viu o que estava por trás daquela situação, visto que tudo estava destruído logo pensou que o fim do mundo tinha chegado, mas o que estava a sua frente era muito pior. Seres humanóides com tentáculos nas costas vinham em sua direção, destruindo tudo que se mexia. Quando um deles avançou na direção da cafeteria onde ela e alguns outros sobreviventes estavam, Hiana congelou onde estava, não havia uma saída aparente para aquela situação, mas em meio ao caos uma luz de esperança surge.

Um empala 67 virou a rua a toda velocidade, desviando de escombros e corpos na estrada, ele foi direto nas criaturas, atropelando a maior parte deles. Quando o carro parou, um homem mascarado de olhos prateados saiu. A criatura avançou contra Hiana, mas foi interceptado pela figura misteriosa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.